2 de junho de 2005

Portugal no Fundo!

Portugal no Fundo seria, sem dúvida, um óptimo título para um filme do Manoel de Oliveira.
Imaginem o script: Durante uma sequência (à la Manoel) de trinta anos, um bando de inúteis e incompetentes, a coberto de uma pseudo-recém democracia, ensaiavam uma espécie de tentativa ilustrada de "fazer um país". Durante esses anos, viviam atemorizando os crentes e ignorantes cidadãos do país de que o pior estaria para vir, e, dessa forma, passeavam a sua incompetência e estupidez natural em grandes carros, grandes festas e muito dinheiro.
Viviam da melhor forma possível, arranjavam fortunas para os amigos, amantes e outros parasitas e dessa forma mantinham e faziam perdurar o seu status quo, certos de que nunca seriam apeados dessa vidinha boa.
Por vezes surgiam uns "anormais" que, em voz alta e em bicos dos pés se punham a gritar que estavam a "arrasar o país", a "matar a galinha de ovos de ouro", a "hipotecar as hipóteses de subrevivência", a "matar toda uma geração", etc., etc., etc.
Umas Direcções-Gerais, uns Ministérios e umas Secretarias de Estado demoviam-nos e faziam aumentar o grupelho, que, dessa forma continuava a reinar.
Os outros, o Povo, estupidificado e calado, comia e não reclamava. Apertava o cinto e baixava as calças.
No final, a cena final, era como que uma espécie de Dejá Vu e slow motion, no qual surgia uma figura hemafrodita, de longas tranças e com ar fantasmagórico que dizia qualquer coisa como: "Estão secos até aos ossos. Agora, há que recomeçar. Talvez em África!"
Infelizmente, este será o nunca escrito capítulo final da História Feliz de Portugal. Versão Manoel de Oliveira.

1 de outubro de 2004

Incompetência será sempre incompetência!

Isto da competência e da incompetência, associadas às questões da produtividade é uma espécie de beco sem saída, ou mesmo, diria, uma auto-estrada sem fim (e sem portagens...)!
É normal (e conveniente, diga-se!) associar as questões do desenvolvimento do país, ou da sua produtividade à competência profissional do trabalhadores, mas esquecemo-nos, também quase sempre, que há um infindável conjunto de pressupostos que definem a origem dessa competência.
Detendo-me apenas em dois, e talvez dos mais importantes, gostaria de reflectir sobre o Modelo e a Formação.
Sobre o Modelo, é importante pensarmos que o conjunto de factores que determinam melhores ou piores competências não têm de ser apenas os modelos formais. Que competência podemos exigir a alunos que vêm, ano após ano, as trapalhadas associadas à colocação de professores? Que competência podemos exigir aos alunos que observam uma cada vez maior deterioração do saber associado ao ensino? Que competência podemos exigir a alunos que nem sequer dispõem de condições físicas para experimentar, para elaborar investigação séria nas escolas ou para nem sequer terem de pensar nas condições físicas (espaços escolares, equipamento, etc.) associadas ao ensino?
Por outro lado, o da Formação, como é possível não investirmos seriamente em espaços de formação devidamente reflectidos, planeados e avaliados? Porquê insistir em modelos de formação desadequados das realidades ou, em alguns casos, que apenas servem os interesse dos formadores? Porque manter a formação associada aos créditos individuais e não às necessidades globais do país? Porquê continuar a apostar em formação que nem sequer aproveita as potencialidades do país?
Estas perguntas, que poderiam servir para incentivar um debate sério sobre a Competência, continuam sem resposta, e não se prevê que venham a ser respondidads.
No fundo, até para exigir Competência seria necessário planear, com esforço e exigência, um conjunto de linhas orientadoras.
Mas porquê continuar a reflectir nisto num país que continua a votar nas pessoas e não nas ideias? Ou será que os portugueses já conhecem os programas do Governo?

26 de setembro de 2004

O que e que tem acontecido nestes últimos dias???

Desde há cerca de dois meses que temos vivido numa espécie de dúvida permanente sobre as nossas reais capacidades e competências.
Primeiro, mudámos (mudaram-no!) de primeiro-ministro, tendo o exmo. sr. Presidente da República afirmado que estaria vigilante e atento.
Depois, o mesmo Governo que estava sob vigilância cerrada começou por divulgar um conjunto de iniciativas absolutamente únicas, a saber: continuação do processo de concurso de docentes tal como teria sido desenhado anteriormente; introdução de diferenciação no sistema de taxas moderadoras hospitalares; continuação do destacamento da GNR no Iraque por mais uns meses; introdução de portagens pagas em estradas de regiões em que essas mesmas estradas são únicas; aumento concertado dos preços dos transportes públicos, associando-os ao aumento do preço do petróleo; substituição de vários conselhos de administração de empresas públicas (CGD, EDP, TAP, etc, etc...); afirmação, pelo sr. ministro das finanças, de que a administração do país era igual à de uma "família" (sic!)...
Bem, é de facto verdade que os portugueses são mesmo os campeões europeus. São os campeões da indiferença, da inoperacionalidade, da despreocupação, do desinteresse, do "é culpa do outro", da incompetência!
Se não é verdade, porque é que ainda não fomos todos para a rua exigir ser tratados como pessoas de bem, preocupadas, atentas e informadas?
Porque é que permitimos que, em finais de Setembro se continue a adiar o início do ano lectivo, quando sabemos que qualquer nação só evolui, efectivamente, quando faz a aposta na Educação de qualidade (vide Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, etc.).
Será por isso, por não nos manifestarmos (e manifestação não é sinónimo de arruada!), que continuamos a ser o último da lista. Se calhar chegou a altura de mudarmos de opinião e de comportammento.
Parafraseando o Edson Atayde: "A culpa não é de Portugal, é dos portugueses!"

17 de setembro de 2004

Há tanto que fazer....

Hoje inauguro-me neste espaço de reflexão, de fazer opinião, de produzir ideias para compreender o Mundo e as relações entre todos nós.
Hoje estreio-me também neste espaço de partilha e de conjunto, no qual o que cada um de nós pensa, sabe ou quer, é apenas uma pequena gota, invisível, naquilo que a humanidade pensa, sabe ou quer, mas do qual, contudo, não temos consciência.
Ao longo dos dias (ou noites!) que tenha disponíveis, escreverei, opinarei, reflectirei em vários temas, vários assuntos e, sobretudo, várias opiniões que me cheguem e que me façam reagir.
Este é também um convite a que todos vós, os que tenham paciência e algum tempo, possam provocar reacções, quer sejam as minhas, quer sejam as de terceiros, que, dessa forma se juntem a nós.
Participa, envia uma opinião.