É mesmo uma grande confusão, a que vai na cabeça de muitas pessoas ligadas à Escola e à Educação!
Como acredito estar a acontecer um pouco por todo o lado, andamos todos (pelo menos os que estão ligados à educação) que nem baratas tontas à volta com critérios, instrumentos e relatórios e port-folios...
Mas que grande confusão!
A ajudar a confusão, os sindicatos, que, do alto da sua imensa "sabedoria", em vez de traduzir e operacionalizar, se limitam a complexificar e a intensificar o desnorte.
E pior ainda é que, em vez de nos dirigirmos a quem, de facto, nos pode ajudar, temos uma natural mania de achar que "nós é que sabemos".
Depois do triste episódio de "ver" os CPs a desenvolver Fichas de Avaliação (que, de resto, para quem leu com atenção o Artº 20º do Dec. Regulamentar 2/2008, estavam já definidas pelo ME) eis agora que surge a necessidade imperiosa de andar às voltas com a forma de apresentação das evidências do trabalho do docente...
Desculpem-me a ignorância, mas porquê definir o que está definido?
Desde sempre, que me lembre, me foram solicitados Relatórios de Análise Crítica, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos Individuais, Planos Anuais de Actividades, envolvimento na elaboração de Projectos Educativos de Agrupamento, Planos de Recuperação, Relatórios da Avaliação Trimestrais e Anuais de Cumprimento do PCT e tudo o resto.
Desde sempre os fiz (e continuo a fazer!).
Porquê então darmo-nos ao trabalho de desenvolver novas formas (os tais Port-folios que apenas duplicam o trabalho anteriormente feito, ou, quanto muito, lhe dão uma organização comum*) para aquilo que sempre fizemos??!!
E porquê perder horas de reunião/reflexão a tentar encontrar um fio condutor para a sua organização/elaboração, quando os critérios de observação/avaliação estão já, tão claramente, definidos?
Será que ainda ninguém leu as Fichas de avaliação do ME?
O que interessa agora, e é neste ponto que me parece haver muita confusão, é criar os critérios e tipos de registo que deverão reduzir a subjectividade inerente aos tópicos definidos nas referidas Fichas.
Quando se refere que o Coordenador deve, por exemplo, observar a "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas" (A.1 da Ficha de Avaliação Efectuada pelo Coordenador - Educação de Infância), o que me interessa a mim saber é como é que ele chegará ao sub-valor de A (0-4, em princípio), que contribuirá para a soma total (A+B+C+D) da avaliação.
Estas ponderações (se cada ponto deverá ser avaliado de 0 a 4, ou de 1 a 10, ou de 0 a 100) apesar de estarem dependentes do ME (como definido no ponto 2 do Artº 20º do acima citado Dec. Regulamentar), não impedem a possibilidade (ou a tentativa) de objectivação dos vários indicadores (itens) a "observar" pelo Coordenador para a questão A.1.
Por outras palavras, o que penso ser fundamental existir, neste momento, são os itens que permitam ao Coordenador (de entre documentos escritos, materiais produzidos, textos publicados, entrevistas, observações de aulas, etc.) atribuir um valor quantitativo!
Não podemos (eu pelo menos não posso e não quero!) ser avaliado apenas pela subjectividade e inferência da pessoa humana.
É importante definirmos que indicadores (ou itens) implicarão uma tomada de posição (ou, neste caso, valoração) por parte do Coordenador sobre, por exemplo, a tal "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas".
Se planifica; se não planifica; quantas vezes; sobre que critérios; com base em que modelo(s), de forma legível e clara; de forma diversificada; de forma coerente...
Estes sim. Estes são alguns dos indicadores (itens) que me importa definir, pois se tivermos estes indicadores definidos, será muito mais objectiva a avaliação pelo Coordenador. Basta que ele observe a sua existência e que a quantifique (em grelhas que devemos também ser nós a definir!). Seja da observação da prática, seja da análise de documentos escritos ou da Ficha de Auto-Avaliação!
Será assim tão difícil compreender que é isto que temos de fazer, AGORA!!!???
* O que, de resto, me levanta algumas dúvidas, na medida em que o Port-folio, e tal como definido no Documento de Recomendações do CCAP (sobre instrumentos de registo normalizados), não é um instrumento de registo normalizado.
12 de fevereiro de 2008
8 de fevereiro de 2008
Mais do mesmo
Em momentos de ansiedade, vale a pena gritar. Este é o meu grito!
De que serve investir (e insistir!) numa Escola aberta, cooperante, integradora e inclusiva, quando aqueles que a constroem, dia após dia, são os que não permitem que estes adjectivos passem à realidade do verbo?
Para quando uma reflexão individual (mas com um sentido colectivo) sobre o que fazemos à nossa querida e amada Escola?
Para quando a assunção efectiva do nossos erros, omissões e incertezas como espaço e caminho de mudança?
Há tempos, numa crónica do brasileiro mais integrado que conheço (o Edson Athaíde), lia que "a culpa de Portugal são os portugueses", onde ele, numa muito divertida escrita, analisava, sem temor nem dó, algumas das mais reais dificuldades que sentimos diariamente. E o mais engraçado é que ele reflectia, e bem, que essas dificuldades se devem à nossa forma de pensar, de agir, de avaliar.
O nosso mesquinho individualismo, que se sente nas mais pequenas coisas, fazem, sem dúvida, a plena justificação da nossa inoperância e da nossa incapacidade de crescermos enquanto comunidade.
E por mais que possamos, todos ou só alguns, achar que "a culpa é dos outros", quem de nós não conduziu já em excesso de velocidade, ou não pegou no carro mesmo sabendo que, alcoolicamente, não estaria em condições de o fazer?
Ou, de forma mais simples, quem de nós ao passar por um qualquer sem-abrigo no centro da cidade, preferiu virar a cara como que a negar que a miséria existe?
São tantos, e ao mesmo tempo tão graves, os exemplos da nossa pouca (ou melhor, nenhuma) solidariedade nacional que, como muito bem diz o meu amigo Pedro "a hipócrita manifestação nacionalista em torno de uma bandeira, por ocasião de um qualquer campeonato de futebol, serve como a excepção que confirma a regra".
Eu, por mim, continuarei a ser um Ambientalista de algibeira.
De que serve investir (e insistir!) numa Escola aberta, cooperante, integradora e inclusiva, quando aqueles que a constroem, dia após dia, são os que não permitem que estes adjectivos passem à realidade do verbo?
Para quando uma reflexão individual (mas com um sentido colectivo) sobre o que fazemos à nossa querida e amada Escola?
Para quando a assunção efectiva do nossos erros, omissões e incertezas como espaço e caminho de mudança?
Há tempos, numa crónica do brasileiro mais integrado que conheço (o Edson Athaíde), lia que "a culpa de Portugal são os portugueses", onde ele, numa muito divertida escrita, analisava, sem temor nem dó, algumas das mais reais dificuldades que sentimos diariamente. E o mais engraçado é que ele reflectia, e bem, que essas dificuldades se devem à nossa forma de pensar, de agir, de avaliar.
O nosso mesquinho individualismo, que se sente nas mais pequenas coisas, fazem, sem dúvida, a plena justificação da nossa inoperância e da nossa incapacidade de crescermos enquanto comunidade.
E por mais que possamos, todos ou só alguns, achar que "a culpa é dos outros", quem de nós não conduziu já em excesso de velocidade, ou não pegou no carro mesmo sabendo que, alcoolicamente, não estaria em condições de o fazer?
Ou, de forma mais simples, quem de nós ao passar por um qualquer sem-abrigo no centro da cidade, preferiu virar a cara como que a negar que a miséria existe?
São tantos, e ao mesmo tempo tão graves, os exemplos da nossa pouca (ou melhor, nenhuma) solidariedade nacional que, como muito bem diz o meu amigo Pedro "a hipócrita manifestação nacionalista em torno de uma bandeira, por ocasião de um qualquer campeonato de futebol, serve como a excepção que confirma a regra".
Eu, por mim, continuarei a ser um Ambientalista de algibeira.
23 de janeiro de 2008
E também sobre o Novo Regime de Autonomia...
Esta mensagem, serve, essencialmente, para servir de "aviso".
Aviso, principalmente para mim, e para aqueles que, normalmente referem que "tudo se passa nas nossas costas".
Está em discussão a proposta para o Novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1494.html).
Cada um de nós pode (e deve!) inscrever-se para participar nesta reflexão, depois, claro está, de a ler e sobre ela reflectir.
Depois de o ter feito, não me parece, sinceramente, que este novo regime venha trazer, efectivamente, grandes alterações ao que conhecemos. Sinceramente o digo porque, se quisermos entrar pela análise daquele tipo de questões relacionadas com a (in)competência, com os processos de controle (nomeação, designação, lobbying, etc.), o que me soi dizer é que, com ou sem um novo Regime, eles existem.
Contudo, parece-me importante, principalmente para os educadores e professores do primeiro ciclo, atentar ao Artº 16º, ponto 6, da referida proposta.
Só mesmo lendo, mas depois, não se arrependam de não ter participado na reflexão e discussão.
Fica o "aviso".
Aviso, principalmente para mim, e para aqueles que, normalmente referem que "tudo se passa nas nossas costas".
Está em discussão a proposta para o Novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1494.html).
Cada um de nós pode (e deve!) inscrever-se para participar nesta reflexão, depois, claro está, de a ler e sobre ela reflectir.
Depois de o ter feito, não me parece, sinceramente, que este novo regime venha trazer, efectivamente, grandes alterações ao que conhecemos. Sinceramente o digo porque, se quisermos entrar pela análise daquele tipo de questões relacionadas com a (in)competência, com os processos de controle (nomeação, designação, lobbying, etc.), o que me soi dizer é que, com ou sem um novo Regime, eles existem.
Contudo, parece-me importante, principalmente para os educadores e professores do primeiro ciclo, atentar ao Artº 16º, ponto 6, da referida proposta.
Só mesmo lendo, mas depois, não se arrependam de não ter participado na reflexão e discussão.
Fica o "aviso".
Avaliação de Docentes
Pois então cá chegámos.
Tal como se previa, a onda reformadora e, quiçá, destruidora, qual tsunami, chegou à "nossa" costa.
Como já explanei em anteriores mensagens, sou, de facto, defensor de uma Avaliação eficiente, integrada, realista e que devolva as competências e o mérito à nossa função profissional.
Concordo, em absoluto, com todos os processos de avaliação efectiva que tenham como intenção melhorar e capacitar os sistemas, sejam eles quais forem.
Contudo, no que diz respeito a este procedimento que agora assistimos, há algunma dúvidas que se me levantam, e para as quais não consegui, ainda, vislumbrar soluções.
A ver: Por um lado, o processo, datado e "obrigatório" é, de todo, impossível de cumprir.
As datas apresentadas são catastróficas e não auguram nada de bom. Produzirão, estou em crer, algumas atrocidades e mais que tudo, processos persecutórios, ou pior, levarão a incongruências e "deslizes" incapazes de serem repostos.
Por outro lado, o próprio processo designado enferma de algumas "falhas técnicas" que urge reflectir. Por exemplo: se um docente, na sua avaliação, obtiver o grau de Muito Bom ou Excelente, e sabendo nós, que, na realidade esse resultado se deverá, em parte (cerca de 50%) à sua avaliação feita pelo Coordenador e se este, sequencialmente, ao ser avaliado, obtiver uma avaliação de Regular ou Insuficiente, sendo que esta resulta, maioritariamente, se for o caso, da avaliação "realizada pelos docentes do correspondente departamento" (ponto 6 do Artº 29º do Dec. Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro), como ficamos?
Será séria a avaliação do docente pelo seu Coordenador?
E como é que este, estando envolvido nas suas próprias actividades lectivas, poderá, efectivamente, avaliar o desempenho de outrém, que, muitas vezes, nem tempo tem para o "conhecer" pedagogicamente nos parcos momentos em que partilham espaços?
Espero, sinceramente, que existam respostas felizes para estas e outras questões que se me levantam.
A ver vamos....
Tal como se previa, a onda reformadora e, quiçá, destruidora, qual tsunami, chegou à "nossa" costa.
Como já explanei em anteriores mensagens, sou, de facto, defensor de uma Avaliação eficiente, integrada, realista e que devolva as competências e o mérito à nossa função profissional.
Concordo, em absoluto, com todos os processos de avaliação efectiva que tenham como intenção melhorar e capacitar os sistemas, sejam eles quais forem.
Contudo, no que diz respeito a este procedimento que agora assistimos, há algunma dúvidas que se me levantam, e para as quais não consegui, ainda, vislumbrar soluções.
A ver: Por um lado, o processo, datado e "obrigatório" é, de todo, impossível de cumprir.
As datas apresentadas são catastróficas e não auguram nada de bom. Produzirão, estou em crer, algumas atrocidades e mais que tudo, processos persecutórios, ou pior, levarão a incongruências e "deslizes" incapazes de serem repostos.
Por outro lado, o próprio processo designado enferma de algumas "falhas técnicas" que urge reflectir. Por exemplo: se um docente, na sua avaliação, obtiver o grau de Muito Bom ou Excelente, e sabendo nós, que, na realidade esse resultado se deverá, em parte (cerca de 50%) à sua avaliação feita pelo Coordenador e se este, sequencialmente, ao ser avaliado, obtiver uma avaliação de Regular ou Insuficiente, sendo que esta resulta, maioritariamente, se for o caso, da avaliação "realizada pelos docentes do correspondente departamento" (ponto 6 do Artº 29º do Dec. Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro), como ficamos?
Será séria a avaliação do docente pelo seu Coordenador?
E como é que este, estando envolvido nas suas próprias actividades lectivas, poderá, efectivamente, avaliar o desempenho de outrém, que, muitas vezes, nem tempo tem para o "conhecer" pedagogicamente nos parcos momentos em que partilham espaços?
Espero, sinceramente, que existam respostas felizes para estas e outras questões que se me levantam.
A ver vamos....
10 de janeiro de 2008
Cansaço...
Há tempos, na sequência de uma carta que escrevi para um jornal nacional, recebi alguns "puxões de orelhas" de alguns, provavelmente, instalados funcionários públicos que, às vezes se lembram que vão às escolas para cumprir uma função fundamental.
Escrevia eu, nessa carta, com alguma mágoa à mistura, que, para um jovem e novel professor, existem, à partida, muitos desafios que poderiam (deveriam) ser evitados e que, por isso mesmo, se tornam penosos de experimentar.
Algumas das coisas (escolha de turmas, faltas constantes, ineficácia dos processos de (auto)avaliação do desempenho, etc.) que a senhora Ministra usou, na altura, para justificar medidas ditas educativas, e que eu, infelizmente, experimentei do outro lado (como "o último a chegar", como "o contratado" e como "o rapazito novo"), eram (para não dizer "são") práticas mais ou menos correntes nas escolas, independentemente de alguns de nós nos esforçarmos para achar que não.
Existia, na altura também, uma imensa insatisfação social dos docentes, baseada na ideia que todas as mudanças apresentadas, eram injustas, incoerentes e desnecessárias.
Existia também, nesse momento, uma afirmação profissional subliminar que "mostrava" que os professores eram os "coitados" (e isto deve-se, digo eu, ao trabalho dos sindicatos, que, infelizmente, continuam a convocar greves para as sextas-feiras!), pois, pensava-se que, dessa forma, a percepção global social mudaria a favor dos professores e que toda a população se uniria "em defesa da Educação".
Infelizmente (e digo infelizmente porque sinto que o país precisa mesmo desta última ideia, a da "união em torno da Educação"), tal não aconteceu e agora, esgotadas que foram todas as munições "sindicais", os docentes encontram-se, literalmente, "à beira de um ataque de nervos".
Demonstram um verdadeiro cansaço, alguns mesmo uma forte desmotivação e muitos uma evidente vontade de desistência.
Eu sou um destes últimos.
Contudo, tal não se deve, como se calhar seria de esperar, às mudanças entretanto operadas e/ou a operar.
Não. Essas não me chateiam. Sou até capaz de reconhecer que, algumas delas (Avaliação do Desempenho dos Docentes, Novo Regime de Autonomia das Escolas, etc.) podem, se quisermos, contribuir para algumas melhorias na nossa função profissional (que raio, poderíamos dar-nos ao trabalho de, pelo menos, ler os textos e não, como acontece na maior parte das vezes, acreditar no que nos é vendido pelos outros!).
O que me chateia, realmente, é o ponto de desistência generalizado que nos rodeia.
A ideia do "não vale a pena!", do "para quê fazer se vai tudo mudar?", do "mexem, mexem e nada fica melhor!", que torna inoperante a instituição escolar, em que tudo é para desfazer e nada para fazer, na qual os que fazem ou querem fazer são os "que querem a avaliação de Muito Bom!" ou os que "querem tacho...", numa forma muito peculiar e tipicamente portuguesa de pensar, é, sem margem para dúvidas, a ideia que me cansa e desmotiva.
Mas também o desagrado daqueles que, por mais faltas que tenham dado ao abrigo do famigerado Artº. 102º (e nunca se viram impedidos de gozar os respectivos dias de fárias, nem viram ser descontados os relativos valores) e daqueles que agora, por sua infelicidade, se vêem "obrigados" a leccionar a alunos que não quiseram (ou escolheram), me trazem, também, insatisfação (ou indignação) pessoal.
Será que demora muito a que os dignos representantes destes modelos desistam?
Não quero, nem é minha ideia, generalizar.
Não tenho conhecimento suficiente para essa generalização e não quero acreditar numa possível globalização de comportamentos e atitudes.
Escrevo apenas porque sinto que tenho tido a pouca sorte de, ao longo do meu percurso profissional, me ter encontrado demasiadas vezes com esta(s) realidade(s).
Mas também quero afirmar que, por mais que possa parecer evidente, nestas palavras, a minha desmotivação e cansaço, não o são para com aquilo que amo e que sinto fazer bem: contribuir para um Mundo melhor, através da dedicação e entrega aos meus alunos.
Eles são, sem dúvida, e cumulativamente, a minha tábua de salvação, a minha bússola e a minha religião.
Por eles, e com eles, me motivo!
Ah, e já agora, para todos os que me "aturam", um Excelente 2008, com grandes mudanças (para melhor)!
Escrevia eu, nessa carta, com alguma mágoa à mistura, que, para um jovem e novel professor, existem, à partida, muitos desafios que poderiam (deveriam) ser evitados e que, por isso mesmo, se tornam penosos de experimentar.
Algumas das coisas (escolha de turmas, faltas constantes, ineficácia dos processos de (auto)avaliação do desempenho, etc.) que a senhora Ministra usou, na altura, para justificar medidas ditas educativas, e que eu, infelizmente, experimentei do outro lado (como "o último a chegar", como "o contratado" e como "o rapazito novo"), eram (para não dizer "são") práticas mais ou menos correntes nas escolas, independentemente de alguns de nós nos esforçarmos para achar que não.
Existia, na altura também, uma imensa insatisfação social dos docentes, baseada na ideia que todas as mudanças apresentadas, eram injustas, incoerentes e desnecessárias.
Existia também, nesse momento, uma afirmação profissional subliminar que "mostrava" que os professores eram os "coitados" (e isto deve-se, digo eu, ao trabalho dos sindicatos, que, infelizmente, continuam a convocar greves para as sextas-feiras!), pois, pensava-se que, dessa forma, a percepção global social mudaria a favor dos professores e que toda a população se uniria "em defesa da Educação".
Infelizmente (e digo infelizmente porque sinto que o país precisa mesmo desta última ideia, a da "união em torno da Educação"), tal não aconteceu e agora, esgotadas que foram todas as munições "sindicais", os docentes encontram-se, literalmente, "à beira de um ataque de nervos".
Demonstram um verdadeiro cansaço, alguns mesmo uma forte desmotivação e muitos uma evidente vontade de desistência.
Eu sou um destes últimos.
Contudo, tal não se deve, como se calhar seria de esperar, às mudanças entretanto operadas e/ou a operar.
Não. Essas não me chateiam. Sou até capaz de reconhecer que, algumas delas (Avaliação do Desempenho dos Docentes, Novo Regime de Autonomia das Escolas, etc.) podem, se quisermos, contribuir para algumas melhorias na nossa função profissional (que raio, poderíamos dar-nos ao trabalho de, pelo menos, ler os textos e não, como acontece na maior parte das vezes, acreditar no que nos é vendido pelos outros!).
O que me chateia, realmente, é o ponto de desistência generalizado que nos rodeia.
A ideia do "não vale a pena!", do "para quê fazer se vai tudo mudar?", do "mexem, mexem e nada fica melhor!", que torna inoperante a instituição escolar, em que tudo é para desfazer e nada para fazer, na qual os que fazem ou querem fazer são os "que querem a avaliação de Muito Bom!" ou os que "querem tacho...", numa forma muito peculiar e tipicamente portuguesa de pensar, é, sem margem para dúvidas, a ideia que me cansa e desmotiva.
Mas também o desagrado daqueles que, por mais faltas que tenham dado ao abrigo do famigerado Artº. 102º (e nunca se viram impedidos de gozar os respectivos dias de fárias, nem viram ser descontados os relativos valores) e daqueles que agora, por sua infelicidade, se vêem "obrigados" a leccionar a alunos que não quiseram (ou escolheram), me trazem, também, insatisfação (ou indignação) pessoal.
Será que demora muito a que os dignos representantes destes modelos desistam?
Não quero, nem é minha ideia, generalizar.
Não tenho conhecimento suficiente para essa generalização e não quero acreditar numa possível globalização de comportamentos e atitudes.
Escrevo apenas porque sinto que tenho tido a pouca sorte de, ao longo do meu percurso profissional, me ter encontrado demasiadas vezes com esta(s) realidade(s).
Mas também quero afirmar que, por mais que possa parecer evidente, nestas palavras, a minha desmotivação e cansaço, não o são para com aquilo que amo e que sinto fazer bem: contribuir para um Mundo melhor, através da dedicação e entrega aos meus alunos.
Eles são, sem dúvida, e cumulativamente, a minha tábua de salvação, a minha bússola e a minha religião.
Por eles, e com eles, me motivo!
Ah, e já agora, para todos os que me "aturam", um Excelente 2008, com grandes mudanças (para melhor)!
16 de dezembro de 2007
15 de dezembro de 2007
Coerências...
Pois é.
Mais uma vez volto ao tema.
Será que nada mudou desde que, há uns tempos, reflectia estas questões da coerência educativa?
Pelos vistos, na minha zona proximal, não!
Continuam os docentes que querem dinheiro, a ser os pais que não o querem dar.
Continuam os docentes que escrevem, nos seus planos e projectos, que a escola deve garantir a autonomia e educar a solidariedade, a ser os colegas que não partilham, invejam ou "avisam" se alguma coisa não estiver adequado à sua própria forma de estar e de pensar.
Continuam a ser estes mesmos docentes, aqueles que, avaliando diariamente, por vezes interferindo definitiva e negativamente na vida de muitas crianças e jovens, aqueles que não querem ser avaliados (ou, no dizer dos seus representantes sindicais: "não querem esta avaliação").
Que coerência será esta?
Que processo dinâmico será este em que os mesmos homens e mulheres que defendem, profissionalmente, um processo educativo justo, solidário, igualitário (nos deveres e direitos), se opõem, tão ferozmente, enquanto pessoas, a esses mesmos princípios?
E se este meu desabafo pode parecer exagerado, por generalizar de forma cega e descabida, bastar-nos-à olhar para o lado e "ouvir" o colega que, em público, tece loas às virtudes da escola aberta, transparente, "porta de entrada" da comunidade, e depois, em privado, cerra os dentes contra aqueles "ignóbeis da Associação de Pais"...
Ou então aquele outro que, desenvolvendo a sua actividade profissional numa zona de forte influência de contextos culturais multiétnicos, continua a achar que não é importante compreender nem sequer uma "palavrinha" numa outra Língua...
Mas não se ficam aqui as incoerências.
Um dia volto cá.
Mais uma vez volto ao tema.
Será que nada mudou desde que, há uns tempos, reflectia estas questões da coerência educativa?
Pelos vistos, na minha zona proximal, não!
Continuam os docentes que querem dinheiro, a ser os pais que não o querem dar.
Continuam os docentes que escrevem, nos seus planos e projectos, que a escola deve garantir a autonomia e educar a solidariedade, a ser os colegas que não partilham, invejam ou "avisam" se alguma coisa não estiver adequado à sua própria forma de estar e de pensar.
Continuam a ser estes mesmos docentes, aqueles que, avaliando diariamente, por vezes interferindo definitiva e negativamente na vida de muitas crianças e jovens, aqueles que não querem ser avaliados (ou, no dizer dos seus representantes sindicais: "não querem esta avaliação").
Que coerência será esta?
Que processo dinâmico será este em que os mesmos homens e mulheres que defendem, profissionalmente, um processo educativo justo, solidário, igualitário (nos deveres e direitos), se opõem, tão ferozmente, enquanto pessoas, a esses mesmos princípios?
E se este meu desabafo pode parecer exagerado, por generalizar de forma cega e descabida, bastar-nos-à olhar para o lado e "ouvir" o colega que, em público, tece loas às virtudes da escola aberta, transparente, "porta de entrada" da comunidade, e depois, em privado, cerra os dentes contra aqueles "ignóbeis da Associação de Pais"...
Ou então aquele outro que, desenvolvendo a sua actividade profissional numa zona de forte influência de contextos culturais multiétnicos, continua a achar que não é importante compreender nem sequer uma "palavrinha" numa outra Língua...
Mas não se ficam aqui as incoerências.
Um dia volto cá.
28 de novembro de 2007
"Stress" Natalício, ou talvez não...
Parece que agora tudo gira em volta do Natal.
Até mesmo os que se apresentam como "republicanos e laicos" correm atrás das peças para o presépio.
Sinto mesmo que já ninguém pensa no que faz. Faz-se e pronto!
O que é preciso é fazer.
Cada vez mais o mundo é do "fazer", e do "fazer sem pensar".
Será que é isto que queremos para os nossos filhos?
Que eles se limitem a fazer? a construir? a elaborar?
E onde fica o tempo para estabelecer uma relação? Para pensar e retirar da vida o prazer e o proveito de ouvir uma peça musical, sentir um aroma, observar (e sentir) uma pintura que "fala" connosco?
Há uns anos, um professor meu dizia que "pensava a 1000 à hora e falava a 5 à hora!". Como o respeito cada vez mais!
Valorizamos cada vez menos a capacidade de reflectir, de analisar antes de agir, de encontrar soluções antes de experimentar.
Será que já nem sequer gostamos de sentir o prazer de saborear um momento?
Este meu discurso, é, aos olhos da generalidade das pessoas, um discurso oco e sem fundamento. Mas creiam-me que não é novo. Debato-me, constantemente, com esta espécie de completa dormência social que impede valorizar os que pensam, em detrimento dos que fazem.
São muitos os exemplos deste meu receio: a incapacidade de planearmos, de projectarmos, inclusivamente, a nossa vida (os bancos, e os seus créditos mal-parados e o endividamento da famílias, infelizmente, dão-me alguma razão), a incapacidade de respeitarmos quem faz escolhas diferentes das nossas (por ter dedicado algum tempo à sua análise) ou a exigência de "velocidade" na acção, estrangulam-nos e, por vezes, destroem-nos.
E ainda nos damos ao trabalho de "gastar tempo" a discutir a "Avaliação". Avaliar para quê? Para deixar tudo na mesma?
O que é preciso avaliar, realmente, é este nosso comportamento que nos aproxima do precipício. Esta forma de acreditar que é fazendo que chegamos lá não nos pode ser benéfica.
Pensemos nisso.
Até mesmo os que se apresentam como "republicanos e laicos" correm atrás das peças para o presépio.
Sinto mesmo que já ninguém pensa no que faz. Faz-se e pronto!
O que é preciso é fazer.
Cada vez mais o mundo é do "fazer", e do "fazer sem pensar".
Será que é isto que queremos para os nossos filhos?
Que eles se limitem a fazer? a construir? a elaborar?
E onde fica o tempo para estabelecer uma relação? Para pensar e retirar da vida o prazer e o proveito de ouvir uma peça musical, sentir um aroma, observar (e sentir) uma pintura que "fala" connosco?
Há uns anos, um professor meu dizia que "pensava a 1000 à hora e falava a 5 à hora!". Como o respeito cada vez mais!
Valorizamos cada vez menos a capacidade de reflectir, de analisar antes de agir, de encontrar soluções antes de experimentar.
Será que já nem sequer gostamos de sentir o prazer de saborear um momento?
Este meu discurso, é, aos olhos da generalidade das pessoas, um discurso oco e sem fundamento. Mas creiam-me que não é novo. Debato-me, constantemente, com esta espécie de completa dormência social que impede valorizar os que pensam, em detrimento dos que fazem.
São muitos os exemplos deste meu receio: a incapacidade de planearmos, de projectarmos, inclusivamente, a nossa vida (os bancos, e os seus créditos mal-parados e o endividamento da famílias, infelizmente, dão-me alguma razão), a incapacidade de respeitarmos quem faz escolhas diferentes das nossas (por ter dedicado algum tempo à sua análise) ou a exigência de "velocidade" na acção, estrangulam-nos e, por vezes, destroem-nos.
E ainda nos damos ao trabalho de "gastar tempo" a discutir a "Avaliação". Avaliar para quê? Para deixar tudo na mesma?
O que é preciso avaliar, realmente, é este nosso comportamento que nos aproxima do precipício. Esta forma de acreditar que é fazendo que chegamos lá não nos pode ser benéfica.
Pensemos nisso.
27 de novembro de 2007
Condutores???...
Só um breve (brevíssimo, talvez) comentário:
Já repararam (ou reparámos todos) que, mesmo nas missões internacionais, só morremos de acidente de viação?
Algo está mesmo muito mal quando a publicidade de um automóvel (actualmente a passar nas TVs e na rádio) anuncia, para apresentar as "excepcionais qualidades de segurança" do dito, o número de mortos na estrada em Portugal no último ano....
Ele há coisas assim.
Continuo a referir (fazendo uma ligação a um artigo que, há uns anos fiz publicar com o nome sugestivo de "Porque é que os polícias se escondem atrás das moitas?") que é tudo uma questão de Educação.
Mas Educação mesmo!
Já repararam (ou reparámos todos) que, mesmo nas missões internacionais, só morremos de acidente de viação?
Algo está mesmo muito mal quando a publicidade de um automóvel (actualmente a passar nas TVs e na rádio) anuncia, para apresentar as "excepcionais qualidades de segurança" do dito, o número de mortos na estrada em Portugal no último ano....
Ele há coisas assim.
Continuo a referir (fazendo uma ligação a um artigo que, há uns anos fiz publicar com o nome sugestivo de "Porque é que os polícias se escondem atrás das moitas?") que é tudo uma questão de Educação.
Mas Educação mesmo!
13 de novembro de 2007
Melhores Professores
Estive hoje (e desculpem-me a presunção) na apresentação dos seleccionados para o Prémio Nacional de Professores como nomeado para uma das categorias.
Apesar de não ter passado a fase da nomeação, sinto-me como um vencedor, pois só a união de todos nós poderá contribuir para que nos respeitem e que nos (re)conheçam, e o mérito, esse, é merecido por quem o persegue.
Devo dizer, desde já, que apoio incondicionalmente a promoção do mérito em todas as actividades, sejam elas quais forem.
Devo também dizer que, o facto de ter sido nomeado me congratula, acima de tudo porque, sendo educador de infância, a minha nomeação, ao nível da escola que represento, é também a nomeação das práticas e do trabalho desenvolvido neste nível de ensino.
Desde já agradeço o carinho e atenção que foram dados, por todos, a este processo de nomeação, especialmente aos órgãos de gestão do Agrupamento que, dessa forma, se mostraram disponíveis para apoiar e, acima de tudo, promover a reflexão e a avaliação das práticas, com especial atenção ao que desenvolvemos no pré-escolar.
Fui com muito agrado que acompanhei a apresentação dos seleccionados e que me orgulho da nomeação de docentes que, espero eu, passarão a "andar nas bocas do Mundo".
Espero, sinceramente, que este prémio possa vir a ser um espaço "normalizado" onde as práticas de qualidade venham a ser escalpelizadas e apresentadas à comunidade em geral e que, acima de tudo, venham a mostrar o que de muito bom se faz na educação.
Parabéns a todos os docentes, pois a eleição de um entre muitos para nos representar é, acima de tudo, uma vitória de todos nós.
E o que fazemos é Importante!
Apesar de não ter passado a fase da nomeação, sinto-me como um vencedor, pois só a união de todos nós poderá contribuir para que nos respeitem e que nos (re)conheçam, e o mérito, esse, é merecido por quem o persegue.
Devo dizer, desde já, que apoio incondicionalmente a promoção do mérito em todas as actividades, sejam elas quais forem.
Devo também dizer que, o facto de ter sido nomeado me congratula, acima de tudo porque, sendo educador de infância, a minha nomeação, ao nível da escola que represento, é também a nomeação das práticas e do trabalho desenvolvido neste nível de ensino.
Desde já agradeço o carinho e atenção que foram dados, por todos, a este processo de nomeação, especialmente aos órgãos de gestão do Agrupamento que, dessa forma, se mostraram disponíveis para apoiar e, acima de tudo, promover a reflexão e a avaliação das práticas, com especial atenção ao que desenvolvemos no pré-escolar.
Fui com muito agrado que acompanhei a apresentação dos seleccionados e que me orgulho da nomeação de docentes que, espero eu, passarão a "andar nas bocas do Mundo".
Espero, sinceramente, que este prémio possa vir a ser um espaço "normalizado" onde as práticas de qualidade venham a ser escalpelizadas e apresentadas à comunidade em geral e que, acima de tudo, venham a mostrar o que de muito bom se faz na educação.
Parabéns a todos os docentes, pois a eleição de um entre muitos para nos representar é, acima de tudo, uma vitória de todos nós.
E o que fazemos é Importante!
3 de novembro de 2007
Referendos...
Pois é.
Parece que nasceu o novo tabu. Este servirá para manter anestesiado o país até às épocas festivas do Natal. Ou talvez mais adiante.
Agora a questão "proibida" prende-se com o fazer (ou não) um Referendo ao Tratado de Lisboa (ou Reformador, ou Constitucional, ou lá o que é....)!
A pergunta que se tem colocado é: Será que o nosso Primeiro-Ministro cede ou não à sua própria promessa de vir a fazer um Referendo à integração europeia, tenha ela por forma um Tratado ou outra qualquer dinâmica de organização?
Esta é, quanto a mim, a falsa pergunta.
Por um lado, os anos que nós levamos já de integração europeia têm-nos mostrado que não será essa a questão principal. Neste momento, com todo o desenvolvimento (sustentado ou não) que a integração europeia nos permitiu, com a efectiva criação de riqueza (e não, não estou a falar de cada um de nós!), com o crescimento social, cultural, académico e mesmo económico, não faz sentido falarmos de referendar a integração europeia. Pura e simplesmente, não faz!
Se, por outro lado, o que se pretende é referendar o Tratado em si, há algumas questões que deverão ser equacionadas:
1. Será que nós, portugueses e europeus, conhecemos, em pormenor, o que está escrito neste Tratado?
2. Será que nós, portugueses e europeus sabemos o que, realmente, está escrito em outros Tratados que regulam a dimensão europeia?
3. Será que alguém, de entre nós, portugueses e europeus, se dará sequer ao trabalho de os ler e de reflectir nos efectivos efeitos da integração europeia? e, por último,
4. Será que, entre nós, portugueses e europeus, existe alguém que sinta que, com o seu voto num referendo, vai, efectivamente, mudar este estado de coisas?
Não me parece. Sinceramente que não!
Mas há, em relação a este possível referendo, algumas outras questões a reflectir:
Se os dois maiores partidos portugueses já mostraram o seu acordo face ao texto (afinal sempre houve alguns portugueses e europeus que o leram!) e se, sabendo nós, votarão a favor num hipotético referendo, porque será que se pretende gastar tanto dinheiro num acto que, tendo em conta a nossa história recente, será tão pouco participado?
Para quê mobilizar tantos recursos (materiais e humanos) na organização e execução de um referendo que tem, além do resultado final anunciado, um preço exorbitante e, além do mais, não definirá uma nova linha de intervenção europeia por parte dos líderes que elegemos?
Não tenho resposta para todas estas perguntas, mas por uma questão de consciência social, serei o primeiro a opor-me à realização de um referendo sobre o Tratado de Lisboa.
Não pela questão europeia em si, mas sim pelo alto preço (financeiro) que esse referendo terá.
Nem parece que andamos a apertar o cinto há tanto tempo...
Parece que nasceu o novo tabu. Este servirá para manter anestesiado o país até às épocas festivas do Natal. Ou talvez mais adiante.
Agora a questão "proibida" prende-se com o fazer (ou não) um Referendo ao Tratado de Lisboa (ou Reformador, ou Constitucional, ou lá o que é....)!
A pergunta que se tem colocado é: Será que o nosso Primeiro-Ministro cede ou não à sua própria promessa de vir a fazer um Referendo à integração europeia, tenha ela por forma um Tratado ou outra qualquer dinâmica de organização?
Esta é, quanto a mim, a falsa pergunta.
Por um lado, os anos que nós levamos já de integração europeia têm-nos mostrado que não será essa a questão principal. Neste momento, com todo o desenvolvimento (sustentado ou não) que a integração europeia nos permitiu, com a efectiva criação de riqueza (e não, não estou a falar de cada um de nós!), com o crescimento social, cultural, académico e mesmo económico, não faz sentido falarmos de referendar a integração europeia. Pura e simplesmente, não faz!
Se, por outro lado, o que se pretende é referendar o Tratado em si, há algumas questões que deverão ser equacionadas:
1. Será que nós, portugueses e europeus, conhecemos, em pormenor, o que está escrito neste Tratado?
2. Será que nós, portugueses e europeus sabemos o que, realmente, está escrito em outros Tratados que regulam a dimensão europeia?
3. Será que alguém, de entre nós, portugueses e europeus, se dará sequer ao trabalho de os ler e de reflectir nos efectivos efeitos da integração europeia? e, por último,
4. Será que, entre nós, portugueses e europeus, existe alguém que sinta que, com o seu voto num referendo, vai, efectivamente, mudar este estado de coisas?
Não me parece. Sinceramente que não!
Mas há, em relação a este possível referendo, algumas outras questões a reflectir:
Se os dois maiores partidos portugueses já mostraram o seu acordo face ao texto (afinal sempre houve alguns portugueses e europeus que o leram!) e se, sabendo nós, votarão a favor num hipotético referendo, porque será que se pretende gastar tanto dinheiro num acto que, tendo em conta a nossa história recente, será tão pouco participado?
Para quê mobilizar tantos recursos (materiais e humanos) na organização e execução de um referendo que tem, além do resultado final anunciado, um preço exorbitante e, além do mais, não definirá uma nova linha de intervenção europeia por parte dos líderes que elegemos?
Não tenho resposta para todas estas perguntas, mas por uma questão de consciência social, serei o primeiro a opor-me à realização de um referendo sobre o Tratado de Lisboa.
Não pela questão europeia em si, mas sim pelo alto preço (financeiro) que esse referendo terá.
Nem parece que andamos a apertar o cinto há tanto tempo...
27 de outubro de 2007
Capacidade inapta para saber mais...
É o que nos dão as reflexões partilhadas.
Por vezes, na mais insignificante (aparentemente) troca de palavras, escondem-se tesouros fascinantes do pensamento.
Há dias, numa conversa informal com uma colega, durante a hora do almoço, interrogávamo-nos sobre o porquê da cada vez mais baixa cultura dos portugueses.
Não nos estávamos a referir à Cultura num espaço do "ambiente cultural (arte, música, expressão, etc.)" mas sim às formas de interpretação do conhecimento, da análise e da acção humana.
Falávamos de cultura do saber, do saber-fazer, do interrogar, dos escolher técnicas e tecnologias adequadas à vida e à sobrevivência humana.
Neste "saco" estavam também as nossas reflexões pessoais sobre o fundamental da evolução humana. Para onde queremos nós ir? De que forma? Porquê?...
Como de resto sempre acontece nestas conversas, "perdemo-nos" em reflexões e efabulações, em opiniões e sugestões, em afirmações e constatações...
Mas destas todas, houve uma frase da Ana que me ficou a matutar na cabeça.
"As crianças seguem sempre o Conhecimento. Somos nós que as desencaminhamos!".
Se não foi assim, ipsis verbis, o significado pretendido era este.
Não no momento, como será quase lógico, mas após a maturação da ideia, eis que me vejo a atribuir um significado especial às palavras da Ana.
Efectivamente, as crianças seguem o Conhecimento.
As crianças identificam-se, naturalmente, com os seus líderes (professores, colegas, familiares, etc.) e, de entre estes, é quase certo que o fazem por confiar neles como seus guias para o Conhecimento. Não será por interesse determinado, também não o é por influência, decerto não será por manipulação...
Seguem-nos por confiar que "ficarão a saber".
É ainda mais notório que esta identificação surge espontânea e naturalmente desde muito cedo na infância.
As crianças identificam-se com quem sabe. Não escrevo sobre "saber" formal e formalizado, escolar e académico, tradicional e social. Refiro Saber como um espaço de aprendizagem para o conhecimento, para a acção, para a inclusão.
Esta identificação é demasiado visível (se quisermos vê-la!), mas, por alguma razão, a Escola não a aproveita.
Indo até um pouco mais fundo, há, demasiadas vezes, pouca identificação das crianças com os agentes da Escola, ou mesmo com a Escola...
Porque será?
Não será tempo de a Escola se tornar um líder natural, por, inconscientemente, Saber para Ser?
Que escola queremos nós para os nosso filhos e educandos: uma que lhes dê as ferramentas que necessitam para SER, ou apenas uma que as obrigue a fazer?
Voltarei ao tema.
P.S. Obrigado Ana pela "campainha" que accionaste.
Por vezes, na mais insignificante (aparentemente) troca de palavras, escondem-se tesouros fascinantes do pensamento.
Há dias, numa conversa informal com uma colega, durante a hora do almoço, interrogávamo-nos sobre o porquê da cada vez mais baixa cultura dos portugueses.
Não nos estávamos a referir à Cultura num espaço do "ambiente cultural (arte, música, expressão, etc.)" mas sim às formas de interpretação do conhecimento, da análise e da acção humana.
Falávamos de cultura do saber, do saber-fazer, do interrogar, dos escolher técnicas e tecnologias adequadas à vida e à sobrevivência humana.
Neste "saco" estavam também as nossas reflexões pessoais sobre o fundamental da evolução humana. Para onde queremos nós ir? De que forma? Porquê?...
Como de resto sempre acontece nestas conversas, "perdemo-nos" em reflexões e efabulações, em opiniões e sugestões, em afirmações e constatações...
Mas destas todas, houve uma frase da Ana que me ficou a matutar na cabeça.
"As crianças seguem sempre o Conhecimento. Somos nós que as desencaminhamos!".
Se não foi assim, ipsis verbis, o significado pretendido era este.
Não no momento, como será quase lógico, mas após a maturação da ideia, eis que me vejo a atribuir um significado especial às palavras da Ana.
Efectivamente, as crianças seguem o Conhecimento.
As crianças identificam-se, naturalmente, com os seus líderes (professores, colegas, familiares, etc.) e, de entre estes, é quase certo que o fazem por confiar neles como seus guias para o Conhecimento. Não será por interesse determinado, também não o é por influência, decerto não será por manipulação...
Seguem-nos por confiar que "ficarão a saber".
É ainda mais notório que esta identificação surge espontânea e naturalmente desde muito cedo na infância.
As crianças identificam-se com quem sabe. Não escrevo sobre "saber" formal e formalizado, escolar e académico, tradicional e social. Refiro Saber como um espaço de aprendizagem para o conhecimento, para a acção, para a inclusão.
Esta identificação é demasiado visível (se quisermos vê-la!), mas, por alguma razão, a Escola não a aproveita.
Indo até um pouco mais fundo, há, demasiadas vezes, pouca identificação das crianças com os agentes da Escola, ou mesmo com a Escola...
Porque será?
Não será tempo de a Escola se tornar um líder natural, por, inconscientemente, Saber para Ser?
Que escola queremos nós para os nosso filhos e educandos: uma que lhes dê as ferramentas que necessitam para SER, ou apenas uma que as obrigue a fazer?
Voltarei ao tema.
P.S. Obrigado Ana pela "campainha" que accionaste.
21 de outubro de 2007
Ainda do mesmo...
Já aqui escrevi, por várias ocasiões, sobre a expectativa de ser Professor.
Mais do que sobre a expectativa, tenho reflectido, e por vezes não intencionalmente, sobre o espaço pessoal e profissional associado à vontade de seguir uma profissão que, ao longo dos anos, tem vindo a ser, ora elevada ao seu máximo esplendor, ora rebaixada à sua maior insignificância.
Não posso (não podemos!) esquecer que esta actividade profissional tem sido, ao longo da história, a actividade que mais desperta emoções, seja pelo seu centralismo social, seja pela sua significância ou seja ainda pela sua falta.
Atrevo-me, hoje, a escrever que estas variações estão directamente ligadas ao facto de a Educação, e, por conseguinte, os agentes educativos, serem dos mais "vigiados" espaços de interacção social e comunitária.
Os professores, os agentes educativos, a Escola como um todo, são, constantemente, a razão, a causa e a consequência da evolução social.
Bastar-nos-ia "ler", com alguma atenção, a história da educação, e ficaríamos a saber que as chamadas "Grandes Civilizações" foram-no porque apostaram sempre no seu sistema educativo.
A escrita, para o chineses, a matemática para a Mesoptâmia e todo o explendor do Médio Oriente, ou, mais recentemente, as universidades para a Alemanha pré-conflito mundial, são só alguns (poucos) exemplos de como a Educação serviu (e serve) o desenvolvimento e evolução da humanidade.
Nem sequer é necessário aprofundar a dinâmica causa/efeito nestes exemplos. Haverá muitos mais exemplos (Antiguidade Grega, Esparta, etc., etc.) que poderiam demonstrar a dependência da evolução social daquilo que se convencionou chamar o Sistema Educativo.
E é sobre esse Sistema Educativo que se tem falado por cá.
Infelizmente, desde há muito tempo.
Infelizmente porque se tem falado, mas não se tem decidido muito. Para onde queremos, realmente, ir?
Voltando à questão inicial, a das expectativas, pergunto-me: Quais são as nossas expectativas em relação a este modelo sistémico que nos vendem constantemente? O que pretende? Como defini-lo? Como avaliá-lo?
Estas perguntas, que, de forma mais ou menos cíclica me atormentam, tiveram recentemente um maior impacto pela leitura de alguns comentários (dos sindicatos) sobre a Prova de Acesso à profissão, plasmada no Estatuto da Carreira Docente, recentemente aprovado.
Diziam estes que, entre outras coisas, é "injusto e desadequado" que os noveis professores tenham de "provar" (sic) as suas competências após o término de um curso superior, que, "teoricamente" os prepara para a profissão que escolheram.
Ora, para mim, essa é que é a questão: apenas os (nos) prepara "teoricamente".
Não podemos (nem devemos) deixar apenas nas mãos das Universidades a definição de competências específicas de interesse colectivo. E não podemos fazê-lo porque as universidades (infelizmente) ainda não nos provaram que são entidades sérias e socialmente responsáveis. Senão, vejamos: Porque continuam a organizar cursos e mais cursos cujas saídas profissionais estão, declaradamente, na bancarrota? Porque não seleccionam professores competentes em vez de apenas distribuirem lugares por "conhecidos"? Porque não promovem, de forma séria e complementar, actividades de interesse social, entre as quais uma efectiva aproximação à sociedade? Porque não se posicionam para serem, realmente, pólos de investigação científica de excelência (dir-me-ão que há pólos de excelência em Portugal, mas eu pergunto: e se os compararmos com os das universidades espanholas? quantas universidades portuguesas se encontram no Top100 europeu?)...
Por tudo isto (e até porque o Estado Português, do qual somos todos contribuintes, é actualmente, o maior empregador na Educação), sinto, sinceramente, que a Prova de Acesso à profissão é "um mal menor e necessário". É já tempo de sermos, profissionalmente, o que queremos ser e não apenas o que nos "deixam ser".
Há que exigir e potenciar a exigência.
Mas claro, isso implica que participemos, que nos envolvamos e que nos façamos respeitar.
E, isso tudo, quotidianamente!
Mais do que sobre a expectativa, tenho reflectido, e por vezes não intencionalmente, sobre o espaço pessoal e profissional associado à vontade de seguir uma profissão que, ao longo dos anos, tem vindo a ser, ora elevada ao seu máximo esplendor, ora rebaixada à sua maior insignificância.
Não posso (não podemos!) esquecer que esta actividade profissional tem sido, ao longo da história, a actividade que mais desperta emoções, seja pelo seu centralismo social, seja pela sua significância ou seja ainda pela sua falta.
Atrevo-me, hoje, a escrever que estas variações estão directamente ligadas ao facto de a Educação, e, por conseguinte, os agentes educativos, serem dos mais "vigiados" espaços de interacção social e comunitária.
Os professores, os agentes educativos, a Escola como um todo, são, constantemente, a razão, a causa e a consequência da evolução social.
Bastar-nos-ia "ler", com alguma atenção, a história da educação, e ficaríamos a saber que as chamadas "Grandes Civilizações" foram-no porque apostaram sempre no seu sistema educativo.
A escrita, para o chineses, a matemática para a Mesoptâmia e todo o explendor do Médio Oriente, ou, mais recentemente, as universidades para a Alemanha pré-conflito mundial, são só alguns (poucos) exemplos de como a Educação serviu (e serve) o desenvolvimento e evolução da humanidade.
Nem sequer é necessário aprofundar a dinâmica causa/efeito nestes exemplos. Haverá muitos mais exemplos (Antiguidade Grega, Esparta, etc., etc.) que poderiam demonstrar a dependência da evolução social daquilo que se convencionou chamar o Sistema Educativo.
E é sobre esse Sistema Educativo que se tem falado por cá.
Infelizmente, desde há muito tempo.
Infelizmente porque se tem falado, mas não se tem decidido muito. Para onde queremos, realmente, ir?
Voltando à questão inicial, a das expectativas, pergunto-me: Quais são as nossas expectativas em relação a este modelo sistémico que nos vendem constantemente? O que pretende? Como defini-lo? Como avaliá-lo?
Estas perguntas, que, de forma mais ou menos cíclica me atormentam, tiveram recentemente um maior impacto pela leitura de alguns comentários (dos sindicatos) sobre a Prova de Acesso à profissão, plasmada no Estatuto da Carreira Docente, recentemente aprovado.
Diziam estes que, entre outras coisas, é "injusto e desadequado" que os noveis professores tenham de "provar" (sic) as suas competências após o término de um curso superior, que, "teoricamente" os prepara para a profissão que escolheram.
Ora, para mim, essa é que é a questão: apenas os (nos) prepara "teoricamente".
Não podemos (nem devemos) deixar apenas nas mãos das Universidades a definição de competências específicas de interesse colectivo. E não podemos fazê-lo porque as universidades (infelizmente) ainda não nos provaram que são entidades sérias e socialmente responsáveis. Senão, vejamos: Porque continuam a organizar cursos e mais cursos cujas saídas profissionais estão, declaradamente, na bancarrota? Porque não seleccionam professores competentes em vez de apenas distribuirem lugares por "conhecidos"? Porque não promovem, de forma séria e complementar, actividades de interesse social, entre as quais uma efectiva aproximação à sociedade? Porque não se posicionam para serem, realmente, pólos de investigação científica de excelência (dir-me-ão que há pólos de excelência em Portugal, mas eu pergunto: e se os compararmos com os das universidades espanholas? quantas universidades portuguesas se encontram no Top100 europeu?)...
Por tudo isto (e até porque o Estado Português, do qual somos todos contribuintes, é actualmente, o maior empregador na Educação), sinto, sinceramente, que a Prova de Acesso à profissão é "um mal menor e necessário". É já tempo de sermos, profissionalmente, o que queremos ser e não apenas o que nos "deixam ser".
Há que exigir e potenciar a exigência.
Mas claro, isso implica que participemos, que nos envolvamos e que nos façamos respeitar.
E, isso tudo, quotidianamente!
12 de outubro de 2007
O Menino que não cresceu (uma despedida em jeito de homenagem)
"Era uma vez a "Branca de Neve"...
Era uma vez "Os três porquinhos"...
Era uma vez "O Capuchinho Vermelho"...
De entre muitas histórias ouvidas, ressalta-me uma à cabeça. Nunca antes contada.
Era uma vez um menino que não cresceu!
Quer dizer, cresceu de tamanho, mas o seu coração e a sua forma de ver as coisas é tal e qual uma criança. O seu Mundo é de muitas cores e o seu sorriso e compreensão encantam todas as crianças.
O menino gosta de brincar e acredita que, mesmo sendo adulto, é possível ser pequenino. Fazer de cada dia um Arco-Íris.
Um Arco-Íris em que cada cor é sentimento e emoção.
Uma para a alegria, outra para a brincadeira, outra para a compreensão, outra para a trapalhada, outra para o respeito, outra para a partilha, outra para a paz, outra para o espírito de camaradagem...
Enfim, este menino acredita mesmo num Mundo melhor. Num Mundo de igualdade em que todos devemos acreditar nos outros.
E faz com que cada dia tenha o seu Arco-Íris presente. Para ele e para os que o rodeiam.
Na verdade, o seu coração é pequenino. Porque bate como o de uma criança, buscando energias positivas e partilhando-as com os outros.
Mas, por outro lado, o seu coração é enorme. Enorme porque nele cabem todas as crianças, todos os meninos e meninas que têm a sorte de o conhecer.
Acreditem que ele existe.
E será muito bom que, na nossa caminhada, possamos conhecer um menino que não cresceu!"
Agora, da minha responsabilidade: um enorme OBRIGADO para a Teresa, para a Rita e para a Rosa!
Não são só os meninos que não crescem que valem a pena, são todos aqueles que os ajudam a não crescer!
Era uma vez "Os três porquinhos"...
Era uma vez "O Capuchinho Vermelho"...
De entre muitas histórias ouvidas, ressalta-me uma à cabeça. Nunca antes contada.
Era uma vez um menino que não cresceu!
Quer dizer, cresceu de tamanho, mas o seu coração e a sua forma de ver as coisas é tal e qual uma criança. O seu Mundo é de muitas cores e o seu sorriso e compreensão encantam todas as crianças.
O menino gosta de brincar e acredita que, mesmo sendo adulto, é possível ser pequenino. Fazer de cada dia um Arco-Íris.
Um Arco-Íris em que cada cor é sentimento e emoção.
Uma para a alegria, outra para a brincadeira, outra para a compreensão, outra para a trapalhada, outra para o respeito, outra para a partilha, outra para a paz, outra para o espírito de camaradagem...
Enfim, este menino acredita mesmo num Mundo melhor. Num Mundo de igualdade em que todos devemos acreditar nos outros.
E faz com que cada dia tenha o seu Arco-Íris presente. Para ele e para os que o rodeiam.
Na verdade, o seu coração é pequenino. Porque bate como o de uma criança, buscando energias positivas e partilhando-as com os outros.
Mas, por outro lado, o seu coração é enorme. Enorme porque nele cabem todas as crianças, todos os meninos e meninas que têm a sorte de o conhecer.
Acreditem que ele existe.
E será muito bom que, na nossa caminhada, possamos conhecer um menino que não cresceu!"
Agora, da minha responsabilidade: um enorme OBRIGADO para a Teresa, para a Rita e para a Rosa!
Não são só os meninos que não crescem que valem a pena, são todos aqueles que os ajudam a não crescer!
Sobre a Burocracia....
A quem possa interessar:
Ontem, 36 dias após o pedido ter sido formulado, recebi, do Estado, informação referente à "necessidade" de evitar fazer cerca de 200Km diários para ir trabalhar.
A resposta foi positiva.
Apenas uma informação secundária: durante estes dias, o total das despesas de deslocação e transporte (26 dias úteis) foi de 518.4€ (exclui todas as outras despesas que faria em qualquer outro local - alimentação, parqueamento, etc.).
Não deveria ser possível pedir o reembolso deste valor?
Fica a pergunta.
Ontem, 36 dias após o pedido ter sido formulado, recebi, do Estado, informação referente à "necessidade" de evitar fazer cerca de 200Km diários para ir trabalhar.
A resposta foi positiva.
Apenas uma informação secundária: durante estes dias, o total das despesas de deslocação e transporte (26 dias úteis) foi de 518.4€ (exclui todas as outras despesas que faria em qualquer outro local - alimentação, parqueamento, etc.).
Não deveria ser possível pedir o reembolso deste valor?
Fica a pergunta.
Re-Styling
Hoje, numa das intermináveis viagens até ao destino profissional, ouvi alguém, numa qualquer estação de rádio, falar do "re-styling" do Governo, em relação ao ideário socialista do partido político que o sustenta.
Como é óbvio, detive-me nestas palavras (que sinceramente, não sei de quem são) e resolvi dedicar-me, um pouco, a tentar compreender qual o verdadeiro significado e alcance desta ideia.
Se partirmos do princípio que a tradução directa do inglesismo significa "dar um novo estilo a...", então, até acho que o conceito usado se aplica, pois o que tem mudado nos partidos e nos governos (e note-se que não me detenho no actual), não são questões de base, de princípio, mas sim de estilos de governação e de comunicação.
Se o "palavrão" foi usado para definir um novo ideário, mais liberal (e neo-liberal) deste governo em relação a outros, parece-me triste a ideia de que andamos todos a acusar-nos de nada.
O que eu quero mesmo com isto dizer é que, tal como se queixava aquela professora amiga ("há vinte anos que dou as aulas da mesma maneira e nunca tinha tido problemas. Estes miúdos agora é que são uns selvagens..."), se calhar, nós é que não demos pelas mudanças...
As mudanças, infelizmente, não se deram só no nosso "rectângulo pequeno e esquizofrénico", ou melhor, deram-se, mas nós é que não tivemos nada que ver com isso. As mudanças são, todas elas, muito mais globais do que pensamos.
Será que não entendemos que, por exemplo, as muitas mortes por fome, guerra e miséria que nos entram pela casa dentro, diariamente, mediadas por uma caixa inerte e incapaz de pensar por ela própria, são, de facto, nossa responsabilidade?
Será que não entendemos que, por exemplo, o carro que usamos, a água que desperdiçamos todos os dias ou mesmo aquela inexplicável vontade súbita de "tomar um cafézinho" são causa e consequência dessas mesmas mortes, guerras e miséria, porque a gasolina é roubada aos seus legítimos donos com guerras falsas e manipuladas, a água controlada por questões de poder territorial e o café, que nos chega de longe, só nos satisfaz (física e financeiramente) a nós?
É já tempo de parar e ver.
Em vez de parar e fechar os olhos (que, de resto, é o que temos feito).
Aproximam-se datas importantes. Em 2009, de uma só vez, votaremos para eleger um Governo, um Parlamento Europeu e gestores Autárquicos.
Está, talvez, na hora de abrir os olhos. Mesmo que votemos nas mesmas pessoas e nas mesmas ideias de sempre, não podemos é depois dizer que "nada mudou". A responsabilidade foi, é, e será, sempre nossa.
Como é óbvio, detive-me nestas palavras (que sinceramente, não sei de quem são) e resolvi dedicar-me, um pouco, a tentar compreender qual o verdadeiro significado e alcance desta ideia.
Se partirmos do princípio que a tradução directa do inglesismo significa "dar um novo estilo a...", então, até acho que o conceito usado se aplica, pois o que tem mudado nos partidos e nos governos (e note-se que não me detenho no actual), não são questões de base, de princípio, mas sim de estilos de governação e de comunicação.
Se o "palavrão" foi usado para definir um novo ideário, mais liberal (e neo-liberal) deste governo em relação a outros, parece-me triste a ideia de que andamos todos a acusar-nos de nada.
O que eu quero mesmo com isto dizer é que, tal como se queixava aquela professora amiga ("há vinte anos que dou as aulas da mesma maneira e nunca tinha tido problemas. Estes miúdos agora é que são uns selvagens..."), se calhar, nós é que não demos pelas mudanças...
As mudanças, infelizmente, não se deram só no nosso "rectângulo pequeno e esquizofrénico", ou melhor, deram-se, mas nós é que não tivemos nada que ver com isso. As mudanças são, todas elas, muito mais globais do que pensamos.
Será que não entendemos que, por exemplo, as muitas mortes por fome, guerra e miséria que nos entram pela casa dentro, diariamente, mediadas por uma caixa inerte e incapaz de pensar por ela própria, são, de facto, nossa responsabilidade?
Será que não entendemos que, por exemplo, o carro que usamos, a água que desperdiçamos todos os dias ou mesmo aquela inexplicável vontade súbita de "tomar um cafézinho" são causa e consequência dessas mesmas mortes, guerras e miséria, porque a gasolina é roubada aos seus legítimos donos com guerras falsas e manipuladas, a água controlada por questões de poder territorial e o café, que nos chega de longe, só nos satisfaz (física e financeiramente) a nós?
É já tempo de parar e ver.
Em vez de parar e fechar os olhos (que, de resto, é o que temos feito).
Aproximam-se datas importantes. Em 2009, de uma só vez, votaremos para eleger um Governo, um Parlamento Europeu e gestores Autárquicos.
Está, talvez, na hora de abrir os olhos. Mesmo que votemos nas mesmas pessoas e nas mesmas ideias de sempre, não podemos é depois dizer que "nada mudou". A responsabilidade foi, é, e será, sempre nossa.
5 de outubro de 2007
Esquecimentos.
Estamos, cada vez, mais esquecidos.
Hoje, por ocasião das comemorações do Dia da Implantação da República, o senhor presidente da República relembrou-nos isso mesmo: estamos todos muito esquecidos!
Relembrou-nos da importância da Educação e, sobretudo, do envolvimento parental e social na dinâmica educativa.
Relembrou-nos o quão importante é investirmos (e não se trata apenas de investimento financeiro) na Educação como um sector diferenciador e global do desenvolvimento humano.
A ele toda a justiça do mundo, por, tão sabiamente, nos ter lembrado disso.
O que ele (também) esqueceu, é que este pequeno país ("Tão pequeno", como referia Camilo Castelo Branco), à beira mar plantado sofre, ciclicamente e de forma dura, com os constantes esquecimentos.
A lembrar: quantas já foram as reformas na Educação desde o 25 de Abril? e quantas chegaram ao seu auge?
Quantos já foram os ministros de Educação que se sentaram na poderosa cadeira da 5 de Outubro? Quantos já foram os partidos que ocuparam o poder legislativo e executivo desta República adocicada?
E quantos foram aqueles que, realmente, emprestaram o seu conhecimento e saber à causa pública, para fazer deste país um país a sério?
Porventura, estarão a pensar, os que lerem este pedaço de indignação, que é fácil culpar os políticos, que são eles os verdadeiros culpados, mas o que esta prosa quer valorizar não é a incompetência (deles).
Até porque o senhor Presidente da República também já foi um deles.
O que, verdadeiramente me repugna, é que somos nós, os cidadãos respeitáveis, os profissionais empenhados, os licenciados de excepção, que, por esquecimento, por inoperância, por falta de vontade ou até mesmo por excesso de zelo, contribuímos, decididamente, para este estado de coisas.
São os nossos (podres) poderes do dia-a-dia, a nossa vontade de pensar mais em nós próprios que no bem comum, nas pequenas entrelinhas da nossa vida diária, que tem levado o país a esta cada vez maior miséria.
E nós, docentes, particularmente, somos todos culpados desta incapacidade colectiva de ver mais longe.
Quando a actual Ministra da Educação, numa recente entrevista, afirmou que as escolas eram uma espécie de feudo muito próprio, em que os professores escolhiam as turmas e os alunos que queriam, para "não ter problemas", todos nós nas escolas, nos "indignámos" muito. Quando a Ministra apresentou os valores comparativos do investimento feito em educação nos vários países europeus, e de seguida, mostrou os resultados escolares dos nossos alunos, mais uma vez, nos "indignámos". Quando o(s) Ministério(s) da Educação apresentou(aram) uma vontade de mudar, transposta para várias acções que, entre outras, incluiu uma efectiva Avaliação de Desempenho dos Docentes todos nós, nas escolas, nos "indignámos" mais uma vez...
Sabendo eu, como de resto saberão todos os demais envolvidos nos esforço pela melhoria da Qualidade da Educação, que estas premissas são, na sua maior parte, verdadeiras e reais (por mim, apenas refiro que, em 12 anos de actividade profissional ainda não leccionei numa escola onde não me tivesse confrontado com a "escolha de turmas pelos docentes mais velhos", apesar de tudo, feitas na maior discrição, ficando as "más" turmas para os desgraçados dos "contratados" que chegam à escola e, por vezes, à Educação, nesse mesmo momento), só posso dizer que só com uma real vontade de mudança, que nasça em cada um, se pode fazer pela Escola o que deve ser feito.
E isto tem de começar em nós, na nossa forma de olharmos o nosso colega, vendo-o como um companheiro, e não com o "culpado por os meninos que me chegaram este ano nem sequer saberem ler....".
É esta a razão chave do insucesso (de todo o insucesso). Não estamos sozinhos na nossa tarefa, e se acharmos que estamos, então somos nós quem deve mudar!
E reafirmo que, em nehum momento questiono a qualidade pedagógica, humana e profissional dos docentes.
Apenas me permito pedir-lhes que não se esqueçam...
Hoje, por ocasião das comemorações do Dia da Implantação da República, o senhor presidente da República relembrou-nos isso mesmo: estamos todos muito esquecidos!
Relembrou-nos da importância da Educação e, sobretudo, do envolvimento parental e social na dinâmica educativa.
Relembrou-nos o quão importante é investirmos (e não se trata apenas de investimento financeiro) na Educação como um sector diferenciador e global do desenvolvimento humano.
A ele toda a justiça do mundo, por, tão sabiamente, nos ter lembrado disso.
O que ele (também) esqueceu, é que este pequeno país ("Tão pequeno", como referia Camilo Castelo Branco), à beira mar plantado sofre, ciclicamente e de forma dura, com os constantes esquecimentos.
A lembrar: quantas já foram as reformas na Educação desde o 25 de Abril? e quantas chegaram ao seu auge?
Quantos já foram os ministros de Educação que se sentaram na poderosa cadeira da 5 de Outubro? Quantos já foram os partidos que ocuparam o poder legislativo e executivo desta República adocicada?
E quantos foram aqueles que, realmente, emprestaram o seu conhecimento e saber à causa pública, para fazer deste país um país a sério?
Porventura, estarão a pensar, os que lerem este pedaço de indignação, que é fácil culpar os políticos, que são eles os verdadeiros culpados, mas o que esta prosa quer valorizar não é a incompetência (deles).
Até porque o senhor Presidente da República também já foi um deles.
O que, verdadeiramente me repugna, é que somos nós, os cidadãos respeitáveis, os profissionais empenhados, os licenciados de excepção, que, por esquecimento, por inoperância, por falta de vontade ou até mesmo por excesso de zelo, contribuímos, decididamente, para este estado de coisas.
São os nossos (podres) poderes do dia-a-dia, a nossa vontade de pensar mais em nós próprios que no bem comum, nas pequenas entrelinhas da nossa vida diária, que tem levado o país a esta cada vez maior miséria.
E nós, docentes, particularmente, somos todos culpados desta incapacidade colectiva de ver mais longe.
Quando a actual Ministra da Educação, numa recente entrevista, afirmou que as escolas eram uma espécie de feudo muito próprio, em que os professores escolhiam as turmas e os alunos que queriam, para "não ter problemas", todos nós nas escolas, nos "indignámos" muito. Quando a Ministra apresentou os valores comparativos do investimento feito em educação nos vários países europeus, e de seguida, mostrou os resultados escolares dos nossos alunos, mais uma vez, nos "indignámos". Quando o(s) Ministério(s) da Educação apresentou(aram) uma vontade de mudar, transposta para várias acções que, entre outras, incluiu uma efectiva Avaliação de Desempenho dos Docentes todos nós, nas escolas, nos "indignámos" mais uma vez...
Sabendo eu, como de resto saberão todos os demais envolvidos nos esforço pela melhoria da Qualidade da Educação, que estas premissas são, na sua maior parte, verdadeiras e reais (por mim, apenas refiro que, em 12 anos de actividade profissional ainda não leccionei numa escola onde não me tivesse confrontado com a "escolha de turmas pelos docentes mais velhos", apesar de tudo, feitas na maior discrição, ficando as "más" turmas para os desgraçados dos "contratados" que chegam à escola e, por vezes, à Educação, nesse mesmo momento), só posso dizer que só com uma real vontade de mudança, que nasça em cada um, se pode fazer pela Escola o que deve ser feito.
E isto tem de começar em nós, na nossa forma de olharmos o nosso colega, vendo-o como um companheiro, e não com o "culpado por os meninos que me chegaram este ano nem sequer saberem ler....".
É esta a razão chave do insucesso (de todo o insucesso). Não estamos sozinhos na nossa tarefa, e se acharmos que estamos, então somos nós quem deve mudar!
E reafirmo que, em nehum momento questiono a qualidade pedagógica, humana e profissional dos docentes.
Apenas me permito pedir-lhes que não se esqueçam...
23 de setembro de 2007
Computadores para todos!!!
Serve este post para, essencialmente, saudar a medida de distribuição, a baixo custo, de computadores portáteis a professores e alunos.
Há algum tempo (algures em 1998), escrevi, num artigo publicado numa revista da especialidade, que a mais adequada forma de levar os portugueses a aceitar e integrar as práticas ditas teconlógicas na sua vida quotidiana era, à imagem do que se passara então com os telemóveis, generalizar o seu acesso ao hardware (e também ao software) de forma a que, pela simples proximidade, se criasse o desejo e a vontade de fazer.
Servi-me, como exemplo, da generalização e massificação dos terminais de telefonia móvel (ou seja, dos telemóveis), no qual as operadoras apostaram, e com enorme sucesso.
Após esse artigo, recebi algumas críticas que, em alguns casos, estavam cheias de razão: "que formação daí adviria", "que uso efectivo", "que integração seria seguida pela Escola"...
Reconheço que essas críticas me levaram a pensar seriamente na questão, e, mais ainda porque algumas delas vieram de pessoas que respeito nesta área.
Mas, apesar dessa reflexão, continuei a admitir o princípio como um bom princípio, desde que, se pensasse nessas questões (nas críticas).
Agora, passados alguns anos, e integrada num plano ambicioso, eis que chega a medida de generalização dos computadores (e ainda por mais portáteis) encabeçada pelo Governo que tanto tem andado "nas bocas do mundo".
E o que eu vi, nas Escolas (em todas as Escolas), foram os professores a correr para requerer um dos milhares de computadores, a solicitar códigos e impacientes por "nunca mais chegar" o prometido terminal...
Ao serem questionados sobre a efectiva vontade de utilização destes equipamentos, alguns deles responderam: "o meu filho está a precisar de um computador novo", ou "eu não sei para o que serve, mas pelo preço...", ou ainda "...logo se vê. O que é importante é ter um..."
Por aqui se poderá espreitar um pouco do caminho que ainda deve ser feito.
Tal como me chegaram críticas há uns anos, eu agora mantenho-as: que formação faremos de agora em diante? que respostas efectivas devemos esperar nas práticas docentes? como é que vamos readaptar as nossas práticas lectivas a este plano ambicioso?
Não nos podemos esquecer que, nesta equação (alunos+professores+computadores), os alunos possuem já uma proficiência que os docentes ainda não têm.
E se alguns dos primeiros já se sentiam desmotivados, como ficaremos agora?
De qualquer forma, como costumo referir em algumas acções de formação: "se aprendemos a utilizar o cartão multibanco e o telemóvel, de certeza que aprenderemos a utilizar o computador"...
Há algum tempo (algures em 1998), escrevi, num artigo publicado numa revista da especialidade, que a mais adequada forma de levar os portugueses a aceitar e integrar as práticas ditas teconlógicas na sua vida quotidiana era, à imagem do que se passara então com os telemóveis, generalizar o seu acesso ao hardware (e também ao software) de forma a que, pela simples proximidade, se criasse o desejo e a vontade de fazer.
Servi-me, como exemplo, da generalização e massificação dos terminais de telefonia móvel (ou seja, dos telemóveis), no qual as operadoras apostaram, e com enorme sucesso.
Após esse artigo, recebi algumas críticas que, em alguns casos, estavam cheias de razão: "que formação daí adviria", "que uso efectivo", "que integração seria seguida pela Escola"...
Reconheço que essas críticas me levaram a pensar seriamente na questão, e, mais ainda porque algumas delas vieram de pessoas que respeito nesta área.
Mas, apesar dessa reflexão, continuei a admitir o princípio como um bom princípio, desde que, se pensasse nessas questões (nas críticas).
Agora, passados alguns anos, e integrada num plano ambicioso, eis que chega a medida de generalização dos computadores (e ainda por mais portáteis) encabeçada pelo Governo que tanto tem andado "nas bocas do mundo".
E o que eu vi, nas Escolas (em todas as Escolas), foram os professores a correr para requerer um dos milhares de computadores, a solicitar códigos e impacientes por "nunca mais chegar" o prometido terminal...
Ao serem questionados sobre a efectiva vontade de utilização destes equipamentos, alguns deles responderam: "o meu filho está a precisar de um computador novo", ou "eu não sei para o que serve, mas pelo preço...", ou ainda "...logo se vê. O que é importante é ter um..."
Por aqui se poderá espreitar um pouco do caminho que ainda deve ser feito.
Tal como me chegaram críticas há uns anos, eu agora mantenho-as: que formação faremos de agora em diante? que respostas efectivas devemos esperar nas práticas docentes? como é que vamos readaptar as nossas práticas lectivas a este plano ambicioso?
Não nos podemos esquecer que, nesta equação (alunos+professores+computadores), os alunos possuem já uma proficiência que os docentes ainda não têm.
E se alguns dos primeiros já se sentiam desmotivados, como ficaremos agora?
De qualquer forma, como costumo referir em algumas acções de formação: "se aprendemos a utilizar o cartão multibanco e o telemóvel, de certeza que aprenderemos a utilizar o computador"...
21 de setembro de 2007
Será só burocracia?
Hoje sinto-me triste.
Tenho estado a fazer duzentos quilómetros diários para desenvolver a minha actividade e, apesar de esperar pacientemente a resposta a um pedido de permuta, não me chateia o facto de poder vir a continuar deslocado.
As dinâmicas conseguidas na actividade docente podem ser de qualidade em Lisboa, em Peniche ou na China. O que conta é a dedicação e vontade com que nos entregamos ao trabalho.
Mas o que me deixa triste é, no fundo, a dificuldade em os nossos superiores hierárquicos (ou quem por eles) entenderem a facilidade com que nos afeiçoamos aos alunos e mesmo às suas famílias.
Desde o início do ano que avisei todos os envolvidos na vida da escola da possibilidade de, a qualquer momento, ter de interromper a actividade para me aproximar do meu local de residência. Contei para isso, com um aviso informal e oficioso de que a permuta "estava aprovada".
O que não compreendo é que, passados quase quinze dias, ainda continue à espera da "oficialização" do processo, com o envio de um simples ofício aos Agrupamentos envolvidos, tendo de continuar a fazer, diariamente, os tais duzentos quilómetros (com todos os custos envolvidos).
Ligar para a Direcção Regional está fora de questão (só quem nunca o fez pode estranhar esta afirmação), e, através de contactos informais, é-me dito que "há processos que demoram"...
Uma assinatura demora mesmo muito tempo a fazer.
O que me choca e chateia é a insensibilidade para com as pessoas. Se calhar não sabem que gasto em tempo e dinheiro, diariamente, mais do que aufiro nesta actividade. Se calhar não sabem que uma certeza definitiva podia permitir-me adequar-me à mudança (alugar uma casa, "mudar-me" de armas e bagagens, etc.) mas, o que mais me entristece é a ignorância pedagógica e educativa dos decisores.
No pré-escolar, o início de cada ano é marcado por novos alunos, novas famílias, novas adaptações. O princípio da Escola, para muitas pessoas, é uma fase determinante da sua vida. Não é possível adiar decisões que mexem com sentimentos, sensações, experiências.
O que acontecerá a estes meus alunos quando, depois de uma ou duas semanas de adaptação com uma determinada figura (o professor, neste caso), tiverem de receber outra?
Juro que me esforcei por, por um lado, cumprir todos os prazos que me foram pedidos para evitar esta situação. Por outro lado, deixei claro a minha situação a todos os envolvidos. Mas isso não é suficiente.
Por tudo isto me sinto triste. Não tenha essa capacidade de achar que "não é nada comigo".
Tudo isto é "comigo". E eu sinto-o na pele.
Tenho estado a fazer duzentos quilómetros diários para desenvolver a minha actividade e, apesar de esperar pacientemente a resposta a um pedido de permuta, não me chateia o facto de poder vir a continuar deslocado.
As dinâmicas conseguidas na actividade docente podem ser de qualidade em Lisboa, em Peniche ou na China. O que conta é a dedicação e vontade com que nos entregamos ao trabalho.
Mas o que me deixa triste é, no fundo, a dificuldade em os nossos superiores hierárquicos (ou quem por eles) entenderem a facilidade com que nos afeiçoamos aos alunos e mesmo às suas famílias.
Desde o início do ano que avisei todos os envolvidos na vida da escola da possibilidade de, a qualquer momento, ter de interromper a actividade para me aproximar do meu local de residência. Contei para isso, com um aviso informal e oficioso de que a permuta "estava aprovada".
O que não compreendo é que, passados quase quinze dias, ainda continue à espera da "oficialização" do processo, com o envio de um simples ofício aos Agrupamentos envolvidos, tendo de continuar a fazer, diariamente, os tais duzentos quilómetros (com todos os custos envolvidos).
Ligar para a Direcção Regional está fora de questão (só quem nunca o fez pode estranhar esta afirmação), e, através de contactos informais, é-me dito que "há processos que demoram"...
Uma assinatura demora mesmo muito tempo a fazer.
O que me choca e chateia é a insensibilidade para com as pessoas. Se calhar não sabem que gasto em tempo e dinheiro, diariamente, mais do que aufiro nesta actividade. Se calhar não sabem que uma certeza definitiva podia permitir-me adequar-me à mudança (alugar uma casa, "mudar-me" de armas e bagagens, etc.) mas, o que mais me entristece é a ignorância pedagógica e educativa dos decisores.
No pré-escolar, o início de cada ano é marcado por novos alunos, novas famílias, novas adaptações. O princípio da Escola, para muitas pessoas, é uma fase determinante da sua vida. Não é possível adiar decisões que mexem com sentimentos, sensações, experiências.
O que acontecerá a estes meus alunos quando, depois de uma ou duas semanas de adaptação com uma determinada figura (o professor, neste caso), tiverem de receber outra?
Juro que me esforcei por, por um lado, cumprir todos os prazos que me foram pedidos para evitar esta situação. Por outro lado, deixei claro a minha situação a todos os envolvidos. Mas isso não é suficiente.
Por tudo isto me sinto triste. Não tenha essa capacidade de achar que "não é nada comigo".
Tudo isto é "comigo". E eu sinto-o na pele.
18 de setembro de 2007
De volta à actividade
Pois é!
As férias já foram. Há agora que renovar os votos de bom trabalho e de vontade para o fazer.
O ano não começou muito bem. Por força dos malfadados concursos, eis que me vejo deslocado cerca de cem quilómetros para poder fazer aquilo que gosto e me dá prazer.
Não obstante, estes precalços têm algum interesse, quanto mais não seja por nos permitir observar que este pequeníssimo país em que vivemos tem gritantes desigualdades em tão pequenas distâncias.
Habituado que estive a desenvolver a minha actividade em municípios que apostam forte na educação, é com algum espanto (e também mágoa) que constato como são diferentes as abordagens políticas à educação de infância.
A desculpa, essa é sempre a mesma: não há dinheiro.
Que sirva o "barrete" a quem o quiser ter!....
Mas neste arrancar há ainda alguns outros temas a reter: a burocracia excessiva, as incertezas e o facto de a minha "fama" (para o bem e para o mal), me preceder.
Em relação à burocracia, estou quase a desistir: um pedido de permuta, entrado nos respectivos serviços no período respectivo está, há mais de três semanas, a demolhar. É algo assustador, principalmente quando mexe com a vida das pessoas, com dinheiro, e, acima de tudo, com crianças de pré-escolar que, também elas, estão na incerteza de saber que será o seu "professor"....
As incertezas prendem-se também com o facto de saber se é melhor alugar uma casa, fazer a viagem diariamente ou encontrar algo no meio (quando se está colocado a 100Km de casa, alguma coisa se tem de decidir)...
Que mais haverá a dizer?!
Sobre a "fama" que me precede, esclareço que é o mais assustador. É como se me sentisse vigiado a cada passo. As pessoas sabem quem sou, o que faço (ou fiz), as mais valias, os interesses, e, no fim de tudo, não sou diferente de ninguém. Muito menos dos excelentes Educadores que aí andam...
Mas confesso que chegar a um local onde pouco (ou nada) escapa do meu trabalho, de quem sou, do que fiz, é, ao mesmo tempo, um desafio.
Um desafio que nos impele a fazer mais e melhor.
Haja vontade e disposição para tal.
Mas com menos burocracia.
As férias já foram. Há agora que renovar os votos de bom trabalho e de vontade para o fazer.
O ano não começou muito bem. Por força dos malfadados concursos, eis que me vejo deslocado cerca de cem quilómetros para poder fazer aquilo que gosto e me dá prazer.
Não obstante, estes precalços têm algum interesse, quanto mais não seja por nos permitir observar que este pequeníssimo país em que vivemos tem gritantes desigualdades em tão pequenas distâncias.
Habituado que estive a desenvolver a minha actividade em municípios que apostam forte na educação, é com algum espanto (e também mágoa) que constato como são diferentes as abordagens políticas à educação de infância.
A desculpa, essa é sempre a mesma: não há dinheiro.
Que sirva o "barrete" a quem o quiser ter!....
Mas neste arrancar há ainda alguns outros temas a reter: a burocracia excessiva, as incertezas e o facto de a minha "fama" (para o bem e para o mal), me preceder.
Em relação à burocracia, estou quase a desistir: um pedido de permuta, entrado nos respectivos serviços no período respectivo está, há mais de três semanas, a demolhar. É algo assustador, principalmente quando mexe com a vida das pessoas, com dinheiro, e, acima de tudo, com crianças de pré-escolar que, também elas, estão na incerteza de saber que será o seu "professor"....
As incertezas prendem-se também com o facto de saber se é melhor alugar uma casa, fazer a viagem diariamente ou encontrar algo no meio (quando se está colocado a 100Km de casa, alguma coisa se tem de decidir)...
Que mais haverá a dizer?!
Sobre a "fama" que me precede, esclareço que é o mais assustador. É como se me sentisse vigiado a cada passo. As pessoas sabem quem sou, o que faço (ou fiz), as mais valias, os interesses, e, no fim de tudo, não sou diferente de ninguém. Muito menos dos excelentes Educadores que aí andam...
Mas confesso que chegar a um local onde pouco (ou nada) escapa do meu trabalho, de quem sou, do que fiz, é, ao mesmo tempo, um desafio.
Um desafio que nos impele a fazer mais e melhor.
Haja vontade e disposição para tal.
Mas com menos burocracia.
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