Alguns títulos do dia a merecer a nossa reflexão:
Rendimento Social de Inserção, Portugal tem as piores taxas de pobreza da Europa
Remo, peso e atletismo, Vários portugueses dizem adeus a Pequim
Mais comentários para quê?
15 de agosto de 2008
6 de agosto de 2008
Allgarves ou alarves????
Continua em mim uma réstea de esperança, sempre que vou ao Algarve, de encontrar algo diferente (para melhor!).
Mas, como é característico das "almas insatisfeitas", segundo dizem, ou as mudanças são suaves ou eu acho sempre que nada foi (é) feito...
Este ano, após o lançamento da mega-campanha de "promoção e valorização do "outro" Algarve" (sic), estive, durante um tempo, esperançado de encontrar algumas coisas diferentes e para melhor, nomeadamente naquele que era o cartaz de promoção: a cultura e a arte!
Sinceramente, ou eu visitei um outro (ainda outro) Algarve, ou nem com o anglicismo lá vamos.
Visitar a Fortaleza de Sagres e deambular por um promontório rico de história, numa localização invejável e sentir que o preço da entrada deverá ser apenas para evitar suícidios do alto das arribas (há-de sempre alguém pensar que "se pago, não vale a pena"), pois nem uma simples placa descritiva da importância histórica e/ou geográfica ou uma qualquer disponibilização de informação (um folheto, um poster, o que fosse...) estão disponíveis para visitantes incautos (como eu).
Mas já agora, o reparo ainda para o desconto de 50% sobre o preço de entrada por "alguns serviços estarem temporariamente encerrados" (sic). Ora, se os tais serviços eram todos (cafetaria, centro de interpretação, centro de exposições, etc.), para que não restem dúvidas, eis a melhor evidância de que nem com muitos programas e projectos, em inglês, francês ou espanhol, lá vamos.
E para que não achem que estou a abusar, convido-os, na próxima deslocação ao Algarve, a visitarem o centro de exposições da Câmara Municipal de Albufeira...
... se estiver aberto!
Boas Férias!
Mas, como é característico das "almas insatisfeitas", segundo dizem, ou as mudanças são suaves ou eu acho sempre que nada foi (é) feito...
Este ano, após o lançamento da mega-campanha de "promoção e valorização do "outro" Algarve" (sic), estive, durante um tempo, esperançado de encontrar algumas coisas diferentes e para melhor, nomeadamente naquele que era o cartaz de promoção: a cultura e a arte!
Sinceramente, ou eu visitei um outro (ainda outro) Algarve, ou nem com o anglicismo lá vamos.
Visitar a Fortaleza de Sagres e deambular por um promontório rico de história, numa localização invejável e sentir que o preço da entrada deverá ser apenas para evitar suícidios do alto das arribas (há-de sempre alguém pensar que "se pago, não vale a pena"), pois nem uma simples placa descritiva da importância histórica e/ou geográfica ou uma qualquer disponibilização de informação (um folheto, um poster, o que fosse...) estão disponíveis para visitantes incautos (como eu).
Mas já agora, o reparo ainda para o desconto de 50% sobre o preço de entrada por "alguns serviços estarem temporariamente encerrados" (sic). Ora, se os tais serviços eram todos (cafetaria, centro de interpretação, centro de exposições, etc.), para que não restem dúvidas, eis a melhor evidância de que nem com muitos programas e projectos, em inglês, francês ou espanhol, lá vamos.
E para que não achem que estou a abusar, convido-os, na próxima deslocação ao Algarve, a visitarem o centro de exposições da Câmara Municipal de Albufeira...
... se estiver aberto!
Boas Férias!
23 de julho de 2008
Desafios de férias
Agora que se aproxima o período de férias (obrigatório) de Agosto, e porque, como cerca de 75% da população portuguesa, irei, também eu, dar-me o espaço de descanso e reflexão-base para o reinício de um novo ano lectivo, deixo, fazendo juz ao título do "post", duas pequenas notas para reflexão (que também me servirão a mim):
1. Quem, como eu, aproveitou esta desacelaração de pré-férias para pôr em dia as leituras, e para fazer um ponto de situação sobre o "que anda aí", decerto constatou que, neste pequeno e mal plantado país e apesar das muitas variações, há uma espécie de movimento contínuo de sentido único que, em último caso, é em defesa do espaço de "participação cívica".
Por isso, e porque a maior parte de nós vai de férias deixando as escolas e agrupamentos entregues (no caso da Rede Pública) a mudanças graves que se adivinham (Conselhos Gerais, Avaliação de Desempenho, Contratos de Autonomia, Professores titulares, etc.), o prmeiro desafio consiste em levar para férias alguns documentos que nos podem mudar a vida (profissional e não só), para os ler e seriamente reflectir (Decretos, despachos e tudo o mais).
Sobre as questões do novo Regime de Autonomia cabe-me alertar para o facto de o novo Conselho Geral (CG), e que não é o Conselho Geral Transitório (CGT) (este apenas eleito com três objectivos: alterar o regulamento interno; preparar o Conselho Geral definitivo e, se for caso disso, eleger o Director), ser de fundamental importância para o futuro da educação de infância. Em alguns regulamentos internos de Agrupamentos não está plasmada a necessidade de se introduzir, obrigatoriamente, um educador de infância nos eleitos do CG, e, pelo menos os que eu conheço até têm feito uma interpretação livre da lei que apenas prevê a eleição de "um educador ou de um professor do 1ºCEB".
No fundo, a nossa "participação cívica" começa, também, aqui. Na necessidade de nos envolvermos e não ficarmos apenas a "assobiar para o lado".
2. A segunda "reflexão" prende-se com as discussões que vamos assistindo sobre as metodologias, técnicas, projectos de trabalho, dinâmicas de avaliação e reflexão em educação. Como muito bem dizia uma colega num fórum de reflexão sobre educação, e fazendo uma síntese livre do seu pensamento: já está na hora de não embarcarmos em modas!
Às vezes interrogo-me, mesmo, sobre o que é isto de "ser educador de infância".
Quando, desde a escolha do curso, me perguntam sobre o porquê da escolha, me recuso a usar o eterno cliché: "gosto muito de crianças". Não tenho nada contra esta resposta, mas sempre achei que é diminuidora do nosso espaço (enquanto profissionais) e, acima de tudo, redutora da nossa competência pessoal e profissional.
No fundo, acho que toda a gente gosta de crianças, uns mais e outros menos, e, como é óbvio, às vezes nós próprios gostamos mais de umas do que de outras. Isso é natural e dizer outra coisa é, isso sim, uma mentira. Mas não pode ser esse o eixo diferenciador da nossa competência profissional.
Se querem que eu vos diga, por mais de uma vez pensei sobre o "porquê ser educador de infância?".
E, se ainda continuo com muitas dúvidas, há, pelo menos, algumas respostas que já aceitei como evidentes: porque quero fazer a diferença; porque quero viver num mundo melhor; porque sei que a educação das crianças e das pessoas (ou seja da Humanidade) começa na 1ª infância; porque acredito que a formação pessoal e social do indíviduo tem como base os anos iniciais da sua vida; porque acredito que o desempenho docente é um factor diferenciador e determinante para o sucesso educativo, cultural e económico de um país e, acima de tudo, porque a minha velhice (se algum dia a terei) está absolutamente dependente da qualidade educativa que eu agora busco.
São, como podem ver, razões bastante egoístas, e, como podem também ver, são razões que não dependem apenas e exclusivamente da existência de "crianças". No fundo, o que me move é a possibilidade de, num palco que é fundamental (a Escola) poder actuar de forma integrada, para obter um bom "espectáculo". E esse espectáculo é a nossa Vida!.
Por tudo isto, o meu segundo desafio (e agora termino porque já vai longa esta prosa) é que todos nós aproveitemos as férias para reflectir sobre de que lado do palco é que queremos estar: na plateia, como simples espectadores, para quem não interessa se a "deixa" do personagem é a correcta, ou se o guarda-roupa é o adequado ou no palco e bastidores, trabalhando como actores, encenadores, técnicos de luz e/ou som, aderecistas e pontos, conjugando esforços para que a Peça tenha sucesso?
Valerá, penso eu, a pena pensar nisto.
Cumprimentos a todos e umas excelentes (e merecidas) férias!
1. Quem, como eu, aproveitou esta desacelaração de pré-férias para pôr em dia as leituras, e para fazer um ponto de situação sobre o "que anda aí", decerto constatou que, neste pequeno e mal plantado país e apesar das muitas variações, há uma espécie de movimento contínuo de sentido único que, em último caso, é em defesa do espaço de "participação cívica".
Por isso, e porque a maior parte de nós vai de férias deixando as escolas e agrupamentos entregues (no caso da Rede Pública) a mudanças graves que se adivinham (Conselhos Gerais, Avaliação de Desempenho, Contratos de Autonomia, Professores titulares, etc.), o prmeiro desafio consiste em levar para férias alguns documentos que nos podem mudar a vida (profissional e não só), para os ler e seriamente reflectir (Decretos, despachos e tudo o mais).
Sobre as questões do novo Regime de Autonomia cabe-me alertar para o facto de o novo Conselho Geral (CG), e que não é o Conselho Geral Transitório (CGT) (este apenas eleito com três objectivos: alterar o regulamento interno; preparar o Conselho Geral definitivo e, se for caso disso, eleger o Director), ser de fundamental importância para o futuro da educação de infância. Em alguns regulamentos internos de Agrupamentos não está plasmada a necessidade de se introduzir, obrigatoriamente, um educador de infância nos eleitos do CG, e, pelo menos os que eu conheço até têm feito uma interpretação livre da lei que apenas prevê a eleição de "um educador ou de um professor do 1ºCEB".
No fundo, a nossa "participação cívica" começa, também, aqui. Na necessidade de nos envolvermos e não ficarmos apenas a "assobiar para o lado".
2. A segunda "reflexão" prende-se com as discussões que vamos assistindo sobre as metodologias, técnicas, projectos de trabalho, dinâmicas de avaliação e reflexão em educação. Como muito bem dizia uma colega num fórum de reflexão sobre educação, e fazendo uma síntese livre do seu pensamento: já está na hora de não embarcarmos em modas!
Às vezes interrogo-me, mesmo, sobre o que é isto de "ser educador de infância".
Quando, desde a escolha do curso, me perguntam sobre o porquê da escolha, me recuso a usar o eterno cliché: "gosto muito de crianças". Não tenho nada contra esta resposta, mas sempre achei que é diminuidora do nosso espaço (enquanto profissionais) e, acima de tudo, redutora da nossa competência pessoal e profissional.
No fundo, acho que toda a gente gosta de crianças, uns mais e outros menos, e, como é óbvio, às vezes nós próprios gostamos mais de umas do que de outras. Isso é natural e dizer outra coisa é, isso sim, uma mentira. Mas não pode ser esse o eixo diferenciador da nossa competência profissional.
Se querem que eu vos diga, por mais de uma vez pensei sobre o "porquê ser educador de infância?".
E, se ainda continuo com muitas dúvidas, há, pelo menos, algumas respostas que já aceitei como evidentes: porque quero fazer a diferença; porque quero viver num mundo melhor; porque sei que a educação das crianças e das pessoas (ou seja da Humanidade) começa na 1ª infância; porque acredito que a formação pessoal e social do indíviduo tem como base os anos iniciais da sua vida; porque acredito que o desempenho docente é um factor diferenciador e determinante para o sucesso educativo, cultural e económico de um país e, acima de tudo, porque a minha velhice (se algum dia a terei) está absolutamente dependente da qualidade educativa que eu agora busco.
São, como podem ver, razões bastante egoístas, e, como podem também ver, são razões que não dependem apenas e exclusivamente da existência de "crianças". No fundo, o que me move é a possibilidade de, num palco que é fundamental (a Escola) poder actuar de forma integrada, para obter um bom "espectáculo". E esse espectáculo é a nossa Vida!.
Por tudo isto, o meu segundo desafio (e agora termino porque já vai longa esta prosa) é que todos nós aproveitemos as férias para reflectir sobre de que lado do palco é que queremos estar: na plateia, como simples espectadores, para quem não interessa se a "deixa" do personagem é a correcta, ou se o guarda-roupa é o adequado ou no palco e bastidores, trabalhando como actores, encenadores, técnicos de luz e/ou som, aderecistas e pontos, conjugando esforços para que a Peça tenha sucesso?
Valerá, penso eu, a pena pensar nisto.
Cumprimentos a todos e umas excelentes (e merecidas) férias!
18 de julho de 2008
Calores...
Entrámos agora (se bem que, com todas as oscilações de que temos sido vítimas, não podemos ter muitas certezas!) no período de "calor infernal".
E eu preocupo-me!
Preocupo-me não apenas pelo calor, nem apenas pelo facto de este período do ano estar sempre associado às férias (pelo menos para os docentes!) e nem sequer pelo facto deste ano existirem alguns indicadores sobre a possibilidade de ser um período violento em termos de incêndios de Verão.
Preocupo-me, acima de tudo, porque é nestes períodos (de interrupção lectiva) que se dão as grandes mudanças em Educação.
Ou seja, é, normalmente, nestes períodos em que os professores vão a banhos, que se produzem algumas das mais belas preciosidades da legislação actual.
Se não acreditam, atentem: Diploma que altera o ECD e regime jurídico da Formação Contínua - preparado entre Junho e Setembro de 2006; 1º Concurso para Professores Titulares (entre Junho e Setembro de 2007); Avaliação de Professores (entre Agosto e Novembro de 2007)...
Mais plavras para quê?
Por isso, caros amigos e colegas: Não se afastem muito.
Se estiverem nas Bahamas, podem não ouvir falar do que "se está a fazer"! (se bem que apenas vão para as Bahamas os que se apresentam como Docentes só depois de lhes ser perguntado se "Deputado é profissão?"!..).
Tenham cuidado...
E, já agora, boas Férias!
E eu preocupo-me!
Preocupo-me não apenas pelo calor, nem apenas pelo facto de este período do ano estar sempre associado às férias (pelo menos para os docentes!) e nem sequer pelo facto deste ano existirem alguns indicadores sobre a possibilidade de ser um período violento em termos de incêndios de Verão.
Preocupo-me, acima de tudo, porque é nestes períodos (de interrupção lectiva) que se dão as grandes mudanças em Educação.
Ou seja, é, normalmente, nestes períodos em que os professores vão a banhos, que se produzem algumas das mais belas preciosidades da legislação actual.
Se não acreditam, atentem: Diploma que altera o ECD e regime jurídico da Formação Contínua - preparado entre Junho e Setembro de 2006; 1º Concurso para Professores Titulares (entre Junho e Setembro de 2007); Avaliação de Professores (entre Agosto e Novembro de 2007)...
Mais plavras para quê?
Por isso, caros amigos e colegas: Não se afastem muito.
Se estiverem nas Bahamas, podem não ouvir falar do que "se está a fazer"! (se bem que apenas vão para as Bahamas os que se apresentam como Docentes só depois de lhes ser perguntado se "Deputado é profissão?"!..).
Tenham cuidado...
E, já agora, boas Férias!
27 de junho de 2008
Portugal GRANDE...
É verdade. Até parece ironia.
Depois da desclassificação daquela que disseram, em tempos, ser a melhor equipa de jogadores em representação de um país (o nosso!) até parece uma brincadeira de mau gosto este título...
Mas o que aqui quero "repescar" é a efectiva grandeza deste nosso país. Em que outro país da Europa (pelo menos!) se faz apenas uma hora e meia das montanhas do interior até à soalheira e magnífica costa marítima? Em que outro país europeu (pelo menos) se adormece num "deserto" seco e agressivo (Alentejo interior) e se acorda num verdadeiro oásis de calma e diversão (Guadiana e Alqueva)? Em que outro país se fazem 100Km (ou mais) para comer uma verdadeia Feijoada à Transmontana, e se pode, para ajudar à digestão, percorrer uma das mais bonitas paisagens naturais transformadas pelo homem (Douro Internacional)?
Pois é. Este é mesmo um grande País!
Mas, como não há bela sem senão, eis que temos de conviver com os seus habitantes. E, como diria o Edson Athaíde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"
Tenho muito orgulho deste nosso país e ainda mais de ser português, mas, fruto da experiência, da observação e, infelizmente, da vivência do dia-a-dia, às vezes apetece-me fugir para outro qualquer país.
Este é um desabafo como muitos outros que aqui tenho feito. E, claro, haverá quem diga que "mordo a mão que me dá de comer". Mas, com pena minha, as coisas estão complicadas.
No fundo, que outro cidadão do mundo é que culpa um Governo que ajudou a eleger quando este se limita a cumprir um Programa que apresentou para eleições? ou que outro povo, unido e valoroso, desdenha as conquistas de um seu compatriota (e agora, depois dessa pequena exclamação de desagrado pelo lido, lembrem-se do Saramago, que vive em Espanha, do António Damásio, nos Estados Unidos ou da Paula Rego, na Inglaterra - só para citar alguns - que bem podiam viver entre nós se tivessem sido acarinhados...)
É este "desdizer do outro" que irrita e que cansa.
Se há quem queira fazer (e já não preciso de dizer "fazer bem"), há logo quem (e, infelizmente, muita "gente") se posiciona para "deitar abaixo"!
É como se a inveja fosse uma espécie de desporto nacional, arreigado até aos dentes em cada um de nós. É como uma espécie de informação genética descriminativa, neste caso, de um povo, que oblitera e desmotiva...
Nas mais pequenas coisas (no dia-a-dia de um trabalhador, por exemplo) até às grandes coisas ("para quê a EXPO98?", "para quê o CCB?", "não é melhor fazer escolas e hospitais em vez de...")
Pois é. Não há escolas nem hospitais, mas quando surge um entendimento comum (europeu) que nos permite, de forma simples e rápida, ir ao hospital a Espanha, fazer a licenciatura na Inglaterra, ou pagar com euros na Bulgária, aí, meus senhores, aí cai o Carmo e a Trindade...
Até parece que nos esquecemos que andámos (muitos) anos a comer com o dinheiro que nos chegou da tal "Europa"...
Que GRANDE PAÍS o nosso. Só é pena umas pessoas tão pequenas...
Depois da desclassificação daquela que disseram, em tempos, ser a melhor equipa de jogadores em representação de um país (o nosso!) até parece uma brincadeira de mau gosto este título...
Mas o que aqui quero "repescar" é a efectiva grandeza deste nosso país. Em que outro país da Europa (pelo menos!) se faz apenas uma hora e meia das montanhas do interior até à soalheira e magnífica costa marítima? Em que outro país europeu (pelo menos) se adormece num "deserto" seco e agressivo (Alentejo interior) e se acorda num verdadeiro oásis de calma e diversão (Guadiana e Alqueva)? Em que outro país se fazem 100Km (ou mais) para comer uma verdadeia Feijoada à Transmontana, e se pode, para ajudar à digestão, percorrer uma das mais bonitas paisagens naturais transformadas pelo homem (Douro Internacional)?
Pois é. Este é mesmo um grande País!
Mas, como não há bela sem senão, eis que temos de conviver com os seus habitantes. E, como diria o Edson Athaíde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"
Tenho muito orgulho deste nosso país e ainda mais de ser português, mas, fruto da experiência, da observação e, infelizmente, da vivência do dia-a-dia, às vezes apetece-me fugir para outro qualquer país.
Este é um desabafo como muitos outros que aqui tenho feito. E, claro, haverá quem diga que "mordo a mão que me dá de comer". Mas, com pena minha, as coisas estão complicadas.
No fundo, que outro cidadão do mundo é que culpa um Governo que ajudou a eleger quando este se limita a cumprir um Programa que apresentou para eleições? ou que outro povo, unido e valoroso, desdenha as conquistas de um seu compatriota (e agora, depois dessa pequena exclamação de desagrado pelo lido, lembrem-se do Saramago, que vive em Espanha, do António Damásio, nos Estados Unidos ou da Paula Rego, na Inglaterra - só para citar alguns - que bem podiam viver entre nós se tivessem sido acarinhados...)
É este "desdizer do outro" que irrita e que cansa.
Se há quem queira fazer (e já não preciso de dizer "fazer bem"), há logo quem (e, infelizmente, muita "gente") se posiciona para "deitar abaixo"!
É como se a inveja fosse uma espécie de desporto nacional, arreigado até aos dentes em cada um de nós. É como uma espécie de informação genética descriminativa, neste caso, de um povo, que oblitera e desmotiva...
Nas mais pequenas coisas (no dia-a-dia de um trabalhador, por exemplo) até às grandes coisas ("para quê a EXPO98?", "para quê o CCB?", "não é melhor fazer escolas e hospitais em vez de...")
Pois é. Não há escolas nem hospitais, mas quando surge um entendimento comum (europeu) que nos permite, de forma simples e rápida, ir ao hospital a Espanha, fazer a licenciatura na Inglaterra, ou pagar com euros na Bulgária, aí, meus senhores, aí cai o Carmo e a Trindade...
Até parece que nos esquecemos que andámos (muitos) anos a comer com o dinheiro que nos chegou da tal "Europa"...
Que GRANDE PAÍS o nosso. Só é pena umas pessoas tão pequenas...
14 de junho de 2008
Sobre algumas questões da "Avaliação do Desempenho"...
Alguém me perguntava como "tornar simples" alguns dos conceitos definidos nas fichas de "Avaliação de Desempenho", nomeadamente aqueles sobre "os resultados escolares dos alunos"...
Também me referiam a "vontade" dos colegas dos outros ciclos de "uniformizar" a(s) nomenclatura(s)
Sinceramente, não sei o que responder. De facto, há algum tempo já reflecti algumas das questões associadas a estes "documentos" de avaliação que nos foram (são) impostos. Penso que uma parte importante das dificuldades sentidas se devem, não aos documentos em si, mas à (negativa) imagem que, em alguns casos, fomos "passando" (ao longo de muuuuitos anos...), principalmente aos colegas de outros ciclos. Ainda há quem, dentro dos nossos agrupamentos, considere a EPE um espaço "para tomar conta dos meninos", infelizmente!
Claro está que, na sequência desse "entendimento", seja "normal" que nos "venham pedir" este tipo de coisas, sem sequer se preocuparem em compreender que a nossa actividade não é mensurável através dos mesmos instrumentos. Mas nós deixámos que eles desenvolvessem essa "ideia". E agora é mais difícil desconstrui-la...
Com base nas "perguntas" formuladas nas ditas "fichas", e para "responder" com alguma qualidade (portanto, eficácia) é importante que exista uma "tradição" de elaborar "bons" projectos curriculares de turma (PCT). Mas esta é, no meu entender, uma dificuldade gritante que tenho observado na nossa prática. Há muitos anos que (andando eu a navegar de escola em escola) verifico que, ao PCT, poucos são os educadores que lhe dão REAL importância. A nossa prática mostra que fazemos "copy&paste" de um ano para o outro e, raramente, "actualizamos" (a sério) a informação pertinente.
Logo aqui começa o "problema". Nesse sentido, é complexo avaliar o "progresso dos resultados escolares dos alunos no ano lectivo anterior" e "progresso das aprendizagens dos alunos relativamente à avaliação diagnosticada realizada no início do ano", pois, se não os clarificámos (contextualízámos, aferimos, contabilizámos) torna-se inglório fazê-lo agora. A minha única (e modesta) solução passa por aferir, num quadro de competências ampla e colaborativamente definido, o "intervalo médio" de aquisições suficientes (e por exemplo podemos utilizar - aqui sim - a organização das OCEPE) e, depois, "classificar", grosso modo, a "evolução registada" e, no capítulo "evolução dos resultados escolares dos alunos relativamente à evolução média daquele ano de escolaridade", definir um conjunto de "elaborações empíricas" que nos possam dar um modelo aproximado para cada idade.
Contudo, e neste último campo, não devemos incorrer no risco de definir "comportamentos e competências expectáveis", pois, dessa forma, ficaremos reféns dos "manuais escolares e da organização etária" que, por exemplo, os espanhóis estão agora, neste momento, a abandonar (depois de 10 anos de más experiências!).
De qualquer forma, estas tais "elaborações" que refiro devem, no meu entende, ser simples e generalizáveis. Algo de funcional e "comunicável", inclusivamente a "outros agentes" e parceiros...
Pelo exposto, mais uma vez refiro a necessidade fundamental de elaborar BONS PCTs, pois essa será a base de toda e qualquer "vontade" de avaliar desempenho dos educadores. Pode parecer difícil mas, de certeza, apenas o é devido à nossa pouca prática. No fundo, fazêmo-lo de outras forma. Só temos de nos habituar a definir prioridades...
Sei que esta minha reflexão poderá criar alguma dificuldade de "entendimento", até porque acaba por não ser uma "resposta prática", mas sinto, ao mesmo tempo, que devemos chamar de novo a nós (e sei que isto é difícil porque há sempre muitos colegas nossos que não estão para aí virados) a decisão de definirmos o nosso caminho, que é como quem diz:
A Educação de Infância somos (também) nós!
Também me referiam a "vontade" dos colegas dos outros ciclos de "uniformizar" a(s) nomenclatura(s)
Sinceramente, não sei o que responder. De facto, há algum tempo já reflecti algumas das questões associadas a estes "documentos" de avaliação que nos foram (são) impostos. Penso que uma parte importante das dificuldades sentidas se devem, não aos documentos em si, mas à (negativa) imagem que, em alguns casos, fomos "passando" (ao longo de muuuuitos anos...), principalmente aos colegas de outros ciclos. Ainda há quem, dentro dos nossos agrupamentos, considere a EPE um espaço "para tomar conta dos meninos", infelizmente!
Claro está que, na sequência desse "entendimento", seja "normal" que nos "venham pedir" este tipo de coisas, sem sequer se preocuparem em compreender que a nossa actividade não é mensurável através dos mesmos instrumentos. Mas nós deixámos que eles desenvolvessem essa "ideia". E agora é mais difícil desconstrui-la...
Com base nas "perguntas" formuladas nas ditas "fichas", e para "responder" com alguma qualidade (portanto, eficácia) é importante que exista uma "tradição" de elaborar "bons" projectos curriculares de turma (PCT). Mas esta é, no meu entender, uma dificuldade gritante que tenho observado na nossa prática. Há muitos anos que (andando eu a navegar de escola em escola) verifico que, ao PCT, poucos são os educadores que lhe dão REAL importância. A nossa prática mostra que fazemos "copy&paste" de um ano para o outro e, raramente, "actualizamos" (a sério) a informação pertinente.
Logo aqui começa o "problema". Nesse sentido, é complexo avaliar o "progresso dos resultados escolares dos alunos no ano lectivo anterior" e "progresso das aprendizagens dos alunos relativamente à avaliação diagnosticada realizada no início do ano", pois, se não os clarificámos (contextualízámos, aferimos, contabilizámos) torna-se inglório fazê-lo agora. A minha única (e modesta) solução passa por aferir, num quadro de competências ampla e colaborativamente definido, o "intervalo médio" de aquisições suficientes (e por exemplo podemos utilizar - aqui sim - a organização das OCEPE) e, depois, "classificar", grosso modo, a "evolução registada" e, no capítulo "evolução dos resultados escolares dos alunos relativamente à evolução média daquele ano de escolaridade", definir um conjunto de "elaborações empíricas" que nos possam dar um modelo aproximado para cada idade.
Contudo, e neste último campo, não devemos incorrer no risco de definir "comportamentos e competências expectáveis", pois, dessa forma, ficaremos reféns dos "manuais escolares e da organização etária" que, por exemplo, os espanhóis estão agora, neste momento, a abandonar (depois de 10 anos de más experiências!).
De qualquer forma, estas tais "elaborações" que refiro devem, no meu entende, ser simples e generalizáveis. Algo de funcional e "comunicável", inclusivamente a "outros agentes" e parceiros...
Pelo exposto, mais uma vez refiro a necessidade fundamental de elaborar BONS PCTs, pois essa será a base de toda e qualquer "vontade" de avaliar desempenho dos educadores. Pode parecer difícil mas, de certeza, apenas o é devido à nossa pouca prática. No fundo, fazêmo-lo de outras forma. Só temos de nos habituar a definir prioridades...
Sei que esta minha reflexão poderá criar alguma dificuldade de "entendimento", até porque acaba por não ser uma "resposta prática", mas sinto, ao mesmo tempo, que devemos chamar de novo a nós (e sei que isto é difícil porque há sempre muitos colegas nossos que não estão para aí virados) a decisão de definirmos o nosso caminho, que é como quem diz:
A Educação de Infância somos (também) nós!
4 de junho de 2008
Participação, Descentralização e outros assuntos...
Descentralizar para participar. É a palavra de ordem.
Surge este tema após alguns exemplos de práticas menos conseguidas (e não por vontade "própria") que pretendem promover o conceito de democracia participada. Centrar-me-ei em dois momentos, ou seja, dois exemplos do referido "conceito".
No passado sábado, desloquei-me até à bonita cidade de Pombal no âmbito de um projecto (integrado numa dinâmica da qual me sinto, pelo menos co-autor) iniciado há cerca de três anos pela Associação de Profissionais de Educação de Infância, a que se deu o título de Sábados Temáticos, Partilhar e Reflectir a(s) Prática(s).
Estes momentos de reflexão e partilha conjunta, que começaram a ser realizados no último sábado de cada mês, na sede da associação, têm como principal objectivo juntar um conjunto mais ou menos alargado de profissionais para analisar, avaliar e integrar práticas, com base em testemunhos de outros profissionais que, pela sua dinâmica, pela sua experiência ou tão só pela sua vontade, desenvolvem actividades que, ao longo dos tempos, vão produzindo efeitos positivos e visíveis, e que, por isso mesmo, poderão servir como exemplo a seguir, ou, quanto muito, a "ouvir".
Após um primeiro ano de adequado funcionamento e aparente sucesso (transmitido pelas diversas avaliações dos participantes), eis que a associação decidiu responder aos inúmeros pedidos de "descentralização" que lhe chegavam, muitas vezes com "acusações" de "falta de vertente nacional" de uma associação representativa de todos os profissionais da área.
Não querendo assumir qualquer tipo de "juízo de valor" sobre a minha ida a Pombal para encontrar três exímias representantes (de um total de catorze pré-inscritos) da educação de infância, dispostas a participar e a colaborar num espaço de reflexão conjunto, acho que devo, pelo menos, apresentar algumas ideias-chave que urge reflectir: a minha deslocação a Pombal, apesar de subsidiada pela referida associação, não contempla um pagamento devido ao esforço pessoal e familiar (um sábado longe da família), ao desgaste natural de uma deslocação deste tipo, material e humano (desloco-me a partir de Lisboa) nem a infame ideia de que a minha prática possa não ter qualquer interesse em ser escurtinada.
Por outro lado, a minha constante motivação para participar, enquanto profissional e docente, em espaços de partilha, nomeadamente ao serviço de uma associação representativa, deve-se ao facto de acreditar, de forma incisiva, na força do diálogo, da reflexão e da partilha, pelo que, mesmo que fosse apenas um interessado em "reflecir em conjunto", iria, na mesma, a Pombal. Contudo, não posso deixar de reflectir que (e é verdade que assumi já, em tempos, funções de direcção na referida associação) senti como pessoais as (muitas) críticas constantemente dirigidas sobre a tal "centralização" das actividades, à incapacidade de "desenvolver actividades e acções fora de Lisboa".
Pois então, depois desta experiência de "não participação" de que me senti vítima, num espaço de "descentralização", não posso de me deixar de me indignar, sentindo-me perplexo e incomodado com algum "discurso" que por aí anda, onde a tónica é dada ao "nunca pensam em nós" e depois, é o que se vê...
Ou seja, e em jeito de conclusão: há quem "se esforce", "se dedique", "se exponha", com um objectivo de alargar as opções de escolha e depois recebe críticas?
O outro espaço de indignação que me assiste também é o da "desinformação consciente" que leva (algumas) pessoas a "passar ao lado" de coisas importantíssimas para a sua prática (e percurso) profissional.
Isto a propósito do espaço de "participação" que agora se inicia em quase todas as escolas (agrupamentos) do país com a publicação do novo Regime de Autonomia e Gestão das Escolas, onde o Conselho Geral (CG) provisório assume especial importância.
Os educdores estão, literalmente "a dormir" e, pelo que tenho visto, nem se importam de não estarem representados no dito. Como diz a lei, a eleição para o CG obedece aos "rigores" do método da média mais alta de Hondt, o que significa que, a existirem, pelo menos duas listas candidatas, os últimos lugares não serão eleitos. E são nestes lugares (nos que conheço) os "ocupados" pelos educadores...
Mais um exemplo de "participação" activa!
E não hei-de eu preocupar-me com a minha profissão??!!
Surge este tema após alguns exemplos de práticas menos conseguidas (e não por vontade "própria") que pretendem promover o conceito de democracia participada. Centrar-me-ei em dois momentos, ou seja, dois exemplos do referido "conceito".
No passado sábado, desloquei-me até à bonita cidade de Pombal no âmbito de um projecto (integrado numa dinâmica da qual me sinto, pelo menos co-autor) iniciado há cerca de três anos pela Associação de Profissionais de Educação de Infância, a que se deu o título de Sábados Temáticos, Partilhar e Reflectir a(s) Prática(s).
Estes momentos de reflexão e partilha conjunta, que começaram a ser realizados no último sábado de cada mês, na sede da associação, têm como principal objectivo juntar um conjunto mais ou menos alargado de profissionais para analisar, avaliar e integrar práticas, com base em testemunhos de outros profissionais que, pela sua dinâmica, pela sua experiência ou tão só pela sua vontade, desenvolvem actividades que, ao longo dos tempos, vão produzindo efeitos positivos e visíveis, e que, por isso mesmo, poderão servir como exemplo a seguir, ou, quanto muito, a "ouvir".
Após um primeiro ano de adequado funcionamento e aparente sucesso (transmitido pelas diversas avaliações dos participantes), eis que a associação decidiu responder aos inúmeros pedidos de "descentralização" que lhe chegavam, muitas vezes com "acusações" de "falta de vertente nacional" de uma associação representativa de todos os profissionais da área.
Não querendo assumir qualquer tipo de "juízo de valor" sobre a minha ida a Pombal para encontrar três exímias representantes (de um total de catorze pré-inscritos) da educação de infância, dispostas a participar e a colaborar num espaço de reflexão conjunto, acho que devo, pelo menos, apresentar algumas ideias-chave que urge reflectir: a minha deslocação a Pombal, apesar de subsidiada pela referida associação, não contempla um pagamento devido ao esforço pessoal e familiar (um sábado longe da família), ao desgaste natural de uma deslocação deste tipo, material e humano (desloco-me a partir de Lisboa) nem a infame ideia de que a minha prática possa não ter qualquer interesse em ser escurtinada.
Por outro lado, a minha constante motivação para participar, enquanto profissional e docente, em espaços de partilha, nomeadamente ao serviço de uma associação representativa, deve-se ao facto de acreditar, de forma incisiva, na força do diálogo, da reflexão e da partilha, pelo que, mesmo que fosse apenas um interessado em "reflecir em conjunto", iria, na mesma, a Pombal. Contudo, não posso deixar de reflectir que (e é verdade que assumi já, em tempos, funções de direcção na referida associação) senti como pessoais as (muitas) críticas constantemente dirigidas sobre a tal "centralização" das actividades, à incapacidade de "desenvolver actividades e acções fora de Lisboa".
Pois então, depois desta experiência de "não participação" de que me senti vítima, num espaço de "descentralização", não posso de me deixar de me indignar, sentindo-me perplexo e incomodado com algum "discurso" que por aí anda, onde a tónica é dada ao "nunca pensam em nós" e depois, é o que se vê...
Ou seja, e em jeito de conclusão: há quem "se esforce", "se dedique", "se exponha", com um objectivo de alargar as opções de escolha e depois recebe críticas?
O outro espaço de indignação que me assiste também é o da "desinformação consciente" que leva (algumas) pessoas a "passar ao lado" de coisas importantíssimas para a sua prática (e percurso) profissional.
Isto a propósito do espaço de "participação" que agora se inicia em quase todas as escolas (agrupamentos) do país com a publicação do novo Regime de Autonomia e Gestão das Escolas, onde o Conselho Geral (CG) provisório assume especial importância.
Os educdores estão, literalmente "a dormir" e, pelo que tenho visto, nem se importam de não estarem representados no dito. Como diz a lei, a eleição para o CG obedece aos "rigores" do método da média mais alta de Hondt, o que significa que, a existirem, pelo menos duas listas candidatas, os últimos lugares não serão eleitos. E são nestes lugares (nos que conheço) os "ocupados" pelos educadores...
Mais um exemplo de "participação" activa!
E não hei-de eu preocupar-me com a minha profissão??!!
27 de maio de 2008
Futebóis...
E estamos de novo, como soi dizer-se, "na senda do Futebol!".
Pois eu acho que, esta "dinâmica" serve, e muito, os interesses do chamado 4º poder! E não é aquele que normalmente se designa, quando, como é hábito, se fala da "comunicação social". Ou seja, acaba por ser, pois a comunicação social, esta "comunicação social", é, no fundo, a parte vísivel do verdadeiro "Poder": o dos "decisores financeiros", dos "homens da finança", dos "ricos e poderosos"...
No fundo, do "poder" daqueles que, vivendo cada vez melhor (e este "vivendo" não se aplica apenas às boas condições financeiras, às grandes casas e carros, aos grandes luxos. Este "vivendo" é mesmo aquele que diz respeito à capacidade de iludir a lei que os outros fazem, à desresponsabilização de que gozam, à inimputabilidade no que concerne aos crimes ambientais, sociais e culturais que, comummente, provocam...) mais penalizam os "outros": aqueles que para eles "trabalham", sofrem e se consomem diariamente, sem sequer terem a oportunidade de, algum dia, serem felizes.
E este "crescimento" noticioso sobre os tais "futebóis", mais uma vez, serve para disfarçar, iludir e, literalmente, enganar, a grande maioria, ou seja, os "outros".
E nós, nas escolas, nos serviços, nas repartições, nos transportes, lá vamos sendo enrolados, e iludidos a acreditar que "desta vez é que é!".
Não nos interessa saber (ou se sabemos, fazemos de conta que não é nada connosco) se cada um dos jogadores que foi seleccionado vai receber cerca de 700€ (!) por dia, para "representar a selecção de Portugal", ou que, em "caso de vitória na final", recebam cerca de 170.000€ cada!
Isso não nos interessa. E interessa muito menos saber que os outros seleccionados (do rugby, da ginástica artística, do judo, etc.), que igualmente "representam Portugal", por vezes, pagam dos seu próprio bolso para "representar Portugal". E também que, por exemplo, os docentes que (como eu) são convidados para apresentar uma comunicação num congresso internacional sobre "Práticas de Qualidade em Educação" não só tenham de pagar parte do alojamento do seu bolso como tenham ainda enormes dificuldades para justificar a sua "falta ao trabalho"!
Também não nos incomoda "ver" uma hora de informação televisiva dedicada a uns sujeitos que se esforçam por falar em português, e que tiveram a sorte de gostar de jogar à bola, a passear os seus bólides de milhares de euros, as suas casas de milhões de euros e, ao mesmo tempo, a passearem-se por um "bairro de lata" e a dizer: "nem um campo de futebol nós tínhamos para jogar, e continua assim" e não serem capazes de o mandar construir.
Não que não tenham dinheiro para o mandar fazer, mas porque alguém lhes disse que é o Estado que deve fazer isso.
E não será porque o Estado deixa de fazer essas coisas (campos de futebol, ginásios, pistas de atletismo, etc.) porque "investiu" todo o seu dinheiro nas diárias e prémios de jogo de uns quantos "incríveis"?
É contra isto, contra estas coisas que nos devemos rebelar. Não contra um senhor chamado José, que até podia ser uma Senhora chamada Manuela.
Não. Isso não nos interessa nada. Também não nos interessa saber que a gasolina e o gasóleo, de que, infelizmente, somos dependentes, continue a subir desmesuradamente, estrangulando o pouco que ainda existe para estrangular, e as gasolineiras tenham a coragem de apresentar lucros recorde de 175 milhões de euros!!!
Nem nos interessa saber que o desemprego, apesar dos "malabarismos" e "contabilidades criativas" do Governo (e ainda se diz que a Matemática, em Portugal, é catastrófica!), continua a subir!
Não. O que nos interessa mesmo é desfraldar a bandeira (ou atá-la à janela), cantar o hino (que nem sabemos) e ficar "orgulhosos" do sucesso dos nossos "valentes incríveis"!
Depois, o que vier, virá. Nem que seja a fome, o desemprego e, em alguns casos, o suícidio.
Depois, logo se vê!
Pois eu acho que, esta "dinâmica" serve, e muito, os interesses do chamado 4º poder! E não é aquele que normalmente se designa, quando, como é hábito, se fala da "comunicação social". Ou seja, acaba por ser, pois a comunicação social, esta "comunicação social", é, no fundo, a parte vísivel do verdadeiro "Poder": o dos "decisores financeiros", dos "homens da finança", dos "ricos e poderosos"...
No fundo, do "poder" daqueles que, vivendo cada vez melhor (e este "vivendo" não se aplica apenas às boas condições financeiras, às grandes casas e carros, aos grandes luxos. Este "vivendo" é mesmo aquele que diz respeito à capacidade de iludir a lei que os outros fazem, à desresponsabilização de que gozam, à inimputabilidade no que concerne aos crimes ambientais, sociais e culturais que, comummente, provocam...) mais penalizam os "outros": aqueles que para eles "trabalham", sofrem e se consomem diariamente, sem sequer terem a oportunidade de, algum dia, serem felizes.
E este "crescimento" noticioso sobre os tais "futebóis", mais uma vez, serve para disfarçar, iludir e, literalmente, enganar, a grande maioria, ou seja, os "outros".
E nós, nas escolas, nos serviços, nas repartições, nos transportes, lá vamos sendo enrolados, e iludidos a acreditar que "desta vez é que é!".
Não nos interessa saber (ou se sabemos, fazemos de conta que não é nada connosco) se cada um dos jogadores que foi seleccionado vai receber cerca de 700€ (!) por dia, para "representar a selecção de Portugal", ou que, em "caso de vitória na final", recebam cerca de 170.000€ cada!
Isso não nos interessa. E interessa muito menos saber que os outros seleccionados (do rugby, da ginástica artística, do judo, etc.), que igualmente "representam Portugal", por vezes, pagam dos seu próprio bolso para "representar Portugal". E também que, por exemplo, os docentes que (como eu) são convidados para apresentar uma comunicação num congresso internacional sobre "Práticas de Qualidade em Educação" não só tenham de pagar parte do alojamento do seu bolso como tenham ainda enormes dificuldades para justificar a sua "falta ao trabalho"!
Também não nos incomoda "ver" uma hora de informação televisiva dedicada a uns sujeitos que se esforçam por falar em português, e que tiveram a sorte de gostar de jogar à bola, a passear os seus bólides de milhares de euros, as suas casas de milhões de euros e, ao mesmo tempo, a passearem-se por um "bairro de lata" e a dizer: "nem um campo de futebol nós tínhamos para jogar, e continua assim" e não serem capazes de o mandar construir.
Não que não tenham dinheiro para o mandar fazer, mas porque alguém lhes disse que é o Estado que deve fazer isso.
E não será porque o Estado deixa de fazer essas coisas (campos de futebol, ginásios, pistas de atletismo, etc.) porque "investiu" todo o seu dinheiro nas diárias e prémios de jogo de uns quantos "incríveis"?
É contra isto, contra estas coisas que nos devemos rebelar. Não contra um senhor chamado José, que até podia ser uma Senhora chamada Manuela.
Não. Isso não nos interessa nada. Também não nos interessa saber que a gasolina e o gasóleo, de que, infelizmente, somos dependentes, continue a subir desmesuradamente, estrangulando o pouco que ainda existe para estrangular, e as gasolineiras tenham a coragem de apresentar lucros recorde de 175 milhões de euros!!!
Nem nos interessa saber que o desemprego, apesar dos "malabarismos" e "contabilidades criativas" do Governo (e ainda se diz que a Matemática, em Portugal, é catastrófica!), continua a subir!
Não. O que nos interessa mesmo é desfraldar a bandeira (ou atá-la à janela), cantar o hino (que nem sabemos) e ficar "orgulhosos" do sucesso dos nossos "valentes incríveis"!
Depois, o que vier, virá. Nem que seja a fome, o desemprego e, em alguns casos, o suícidio.
Depois, logo se vê!
14 de maio de 2008
Caminhar para a Excelência.
Devo reconhecer que, tendo em conta que há algum tempo que não vinha aqui, um título como o que proponho poderá (deverá!) ser entendido como uma espécie de auto-imposição, quiçá uma auto-punição.
Mas é um facto que, se o procedimento a seguir for o do "Caminho da Excelência", então, cada um de nós tem o dever de se impor algumas "obrigações"...
Mas a questão da Excelência (que não é nova no meu discurso e pelo qual estou, continuamente a ouvir a chamada "boca foleira") é-me, mesmo, muito querida.
Quando verso a Excelência, claro está que estou, conscientemente, longe daquela ideia de perfeição, que é vulgarmente usada (e confundida) e que se aplica (ou aplicam) aos procedimentos. Ou seja, na minha ideia, quando discurso (ou reflicto) sobre Excelência, não estou, de forma alguma, a quantificar, a tentar observar, ou mesmo a avaliar os procedimentos de elaboração/execução de determinado espaço de intervenção e/ou acção das pessoas, dos profissionais, dos organismos...
Quando reflicto sobre este tema, o que me surge é, essencialmente, um espaço aglutinador, quase holístico, de "pensar", "fazer", "avaliar"...
No fundo, o que me propõe o conceito de "Excelência" é quase um fim determinístico, que nos deveria impelir para...
É como se existisse um fim a atingir, que fosse ele, só por si, de Excelência.
Quando releio este e alguns outros meus textos sobre esta temática, fico, quase sempre, com a ideia que este meu discurso é confuso e sem desenvolvimento, por isso, vou tentar clarificar o meu conceito de Excelência:
Moro numa zona recentemente urbanizada. No plano de urbanização inicial, constam, além de um jardim público, um conjunto de lagos com os devidos "efeitos" de água, qual fonte luminosa. Quando, há três anos, me mudei, estavam a iniciar o processo de "construção" dos ditos lagos. Hoje, três anos depois, estão dois (de seis) a semi-funcionar (faltam luzes, acertos com os reguladores de água, etc.).
Claro está, que ao longo destes anos, foram inúmeras as visitas de técnicos, engenheiros, agentes municipais, etc.
Claro está, também, que o espaço em questão, desde que ajardinado, é visita frequente de centenas de cidadãos à procura de um espaço de passeio e repouso (apesar das fontes!), fundamentalmente, aos fins de semana.
Ninguém nos (aos residentes) sabe dizer o porquê deste atraso (ou incapacidade), mas, e é aqui que entra a minha perspectiva de Excelência, o que esta situação revela é uma incapacidade de nós fazermos as coisas com um objectivo cumprível no tempo e no espaço.
As perguntas que se impõem são: não estava já planeado, previamente, a existência deste espaço? não estava já (em urbanização) orçamentado? não fazia parte do processo de promoção/venda da urbanização? não estará já (é quase certo!) pago?
Se as respostas a estas perguntas são (como acredito serem), positivas, então porque raio de razão não está já o lago concluído? porque raio de razão se fica, tanto tempo, até se completar algo que, não tem razão para demorar?
É nesta perspectiva que reflicto a Excelência.
Excelência é, no meu modesto entender, o fazer as coisas de forma a que o seu resultado seja mais do que o nível standard normalmente assumido. Excelência é procurar fazer mais e melhor do que o antes feito. É objectivar o realizável mas exigir que o efeito seja superior. É evoluir para um novo patamar sempre que o anterior esteja, devidamente, assumido.
E não me venham com conversas de "telhados de vidro". Essa conversa não é para aqui.
Todos nós temos os nossos defeitos, as nossas incoerências, os nossos desejos.
Mas, Excelência, neste sentido, é TODOS fazermos pelos outros o que gostaríamos que nos fizessem. É, nesse sentido, uma espécie de vontade colectiva, um inconsciente colectivo, que nos mobiliza para queremos mais e melhor. Mas, acima de tudo, que nos dê vontade de participar nesse processo!
Excelência é, por exemplo, assumir que o critério define o espaço normalizado de intervenção e que a excepção é devidamente enquadrada (e não o contrário!)
Mas, como já disse, esta coisas da Excelência não é assim tão complexa como isso. Basta pensar um bocadinho!
(vide, a este respeito, as irreflectidas discussões - entre docentes - sobre as questões de faltas "possíveis", os tais 95% de "presença", para os docentes poderem obter a avaliação de Excelente.
Será que não é óbvio? será que só eu é que tenho de ser prejudicado com as faltas dos "outros"?
A trabalhar há mais de dez anos como docente, tenho a minha ficha bibliográfica limpa, sem qualquer tipo de falta (justificada ou injustificada), e isso, para mim, não é motivo especial de orgulho. Apenas aceito que é o meu dever e obrigação. Mas gosto de saber que, se tiver de faltar por alguma razão, posso justificar-me, e não o contrário, ou seja, que "justifico" a minha possibilidade de faltar. Além do mais, se fosse eu o "patrão", não gostaria, de certeza, que os meus funcionários faltassem tanto...)
Mas é um facto que, se o procedimento a seguir for o do "Caminho da Excelência", então, cada um de nós tem o dever de se impor algumas "obrigações"...
Mas a questão da Excelência (que não é nova no meu discurso e pelo qual estou, continuamente a ouvir a chamada "boca foleira") é-me, mesmo, muito querida.
Quando verso a Excelência, claro está que estou, conscientemente, longe daquela ideia de perfeição, que é vulgarmente usada (e confundida) e que se aplica (ou aplicam) aos procedimentos. Ou seja, na minha ideia, quando discurso (ou reflicto) sobre Excelência, não estou, de forma alguma, a quantificar, a tentar observar, ou mesmo a avaliar os procedimentos de elaboração/execução de determinado espaço de intervenção e/ou acção das pessoas, dos profissionais, dos organismos...
Quando reflicto sobre este tema, o que me surge é, essencialmente, um espaço aglutinador, quase holístico, de "pensar", "fazer", "avaliar"...
No fundo, o que me propõe o conceito de "Excelência" é quase um fim determinístico, que nos deveria impelir para...
É como se existisse um fim a atingir, que fosse ele, só por si, de Excelência.
Quando releio este e alguns outros meus textos sobre esta temática, fico, quase sempre, com a ideia que este meu discurso é confuso e sem desenvolvimento, por isso, vou tentar clarificar o meu conceito de Excelência:
Moro numa zona recentemente urbanizada. No plano de urbanização inicial, constam, além de um jardim público, um conjunto de lagos com os devidos "efeitos" de água, qual fonte luminosa. Quando, há três anos, me mudei, estavam a iniciar o processo de "construção" dos ditos lagos. Hoje, três anos depois, estão dois (de seis) a semi-funcionar (faltam luzes, acertos com os reguladores de água, etc.).
Claro está, que ao longo destes anos, foram inúmeras as visitas de técnicos, engenheiros, agentes municipais, etc.
Claro está, também, que o espaço em questão, desde que ajardinado, é visita frequente de centenas de cidadãos à procura de um espaço de passeio e repouso (apesar das fontes!), fundamentalmente, aos fins de semana.
Ninguém nos (aos residentes) sabe dizer o porquê deste atraso (ou incapacidade), mas, e é aqui que entra a minha perspectiva de Excelência, o que esta situação revela é uma incapacidade de nós fazermos as coisas com um objectivo cumprível no tempo e no espaço.
As perguntas que se impõem são: não estava já planeado, previamente, a existência deste espaço? não estava já (em urbanização) orçamentado? não fazia parte do processo de promoção/venda da urbanização? não estará já (é quase certo!) pago?
Se as respostas a estas perguntas são (como acredito serem), positivas, então porque raio de razão não está já o lago concluído? porque raio de razão se fica, tanto tempo, até se completar algo que, não tem razão para demorar?
É nesta perspectiva que reflicto a Excelência.
Excelência é, no meu modesto entender, o fazer as coisas de forma a que o seu resultado seja mais do que o nível standard normalmente assumido. Excelência é procurar fazer mais e melhor do que o antes feito. É objectivar o realizável mas exigir que o efeito seja superior. É evoluir para um novo patamar sempre que o anterior esteja, devidamente, assumido.
E não me venham com conversas de "telhados de vidro". Essa conversa não é para aqui.
Todos nós temos os nossos defeitos, as nossas incoerências, os nossos desejos.
Mas, Excelência, neste sentido, é TODOS fazermos pelos outros o que gostaríamos que nos fizessem. É, nesse sentido, uma espécie de vontade colectiva, um inconsciente colectivo, que nos mobiliza para queremos mais e melhor. Mas, acima de tudo, que nos dê vontade de participar nesse processo!
Excelência é, por exemplo, assumir que o critério define o espaço normalizado de intervenção e que a excepção é devidamente enquadrada (e não o contrário!)
Mas, como já disse, esta coisas da Excelência não é assim tão complexa como isso. Basta pensar um bocadinho!
(vide, a este respeito, as irreflectidas discussões - entre docentes - sobre as questões de faltas "possíveis", os tais 95% de "presença", para os docentes poderem obter a avaliação de Excelente.
Será que não é óbvio? será que só eu é que tenho de ser prejudicado com as faltas dos "outros"?
A trabalhar há mais de dez anos como docente, tenho a minha ficha bibliográfica limpa, sem qualquer tipo de falta (justificada ou injustificada), e isso, para mim, não é motivo especial de orgulho. Apenas aceito que é o meu dever e obrigação. Mas gosto de saber que, se tiver de faltar por alguma razão, posso justificar-me, e não o contrário, ou seja, que "justifico" a minha possibilidade de faltar. Além do mais, se fosse eu o "patrão", não gostaria, de certeza, que os meus funcionários faltassem tanto...)
27 de abril de 2008
25 de Abril. E depois???!!
Pois é.
Por mais um ano consecutivo um apelo veemente à "congregação de esforços" para que as comemorações do 25 de Abril não passem ao espaço dos "esquecidos"...
E, mais uma vez, este apelo vem do mais alto dignitário da Nação.
Pois é. Como eu dizia!
Mas o que é mau não é a repetição do apelo. O que é realmente mau é que, para "encorpar" o apelo, o Exmo. Sr. Presidente da República se tenha baseado em dados estatísticos que (com)provam que "os jovens estão distantes da realidade" (sic).
Mas vamos por partes.
Não terá o Sr. Presidente da República tido (em algum tempo, em algum lugar...) alguma responsabilidade pelo facto?
Não continuará a ter, ao, de forma tão parcimoniosa, não apontar, verdadeiramente o dedo aos que (se calhar como ele) terão interesse em manter este "estado de coisas"?
Não seria bem mais efectivo, dentro dos poderes que lhe competem, exigir uma mais eficaz "realização de Abril" junto daqueles que, realmente, podem fazê-lo?
E não seria mais eficaz também, disponibilizar-se para, nas escolas, nos centros cívicos, nos espaços comunitários, promover a participação e a partilha?
E, por último, não faria sentido, para que se "cumprisse Abril", que "coisas" simples como a discussão pública do "Tratado de Lisboa" ou a alteração da Lei Eleitoral (para permitir uma efectiva participação dos cidadãos!) fossem, realmente, consideradas IMPORTANTES!
Pois é, Sr. Presidente, as estatísticas só nos mostram os dados. As pessoas podem mudá-los!
Por mais um ano consecutivo um apelo veemente à "congregação de esforços" para que as comemorações do 25 de Abril não passem ao espaço dos "esquecidos"...
E, mais uma vez, este apelo vem do mais alto dignitário da Nação.
Pois é. Como eu dizia!
Mas o que é mau não é a repetição do apelo. O que é realmente mau é que, para "encorpar" o apelo, o Exmo. Sr. Presidente da República se tenha baseado em dados estatísticos que (com)provam que "os jovens estão distantes da realidade" (sic).
Mas vamos por partes.
Não terá o Sr. Presidente da República tido (em algum tempo, em algum lugar...) alguma responsabilidade pelo facto?
Não continuará a ter, ao, de forma tão parcimoniosa, não apontar, verdadeiramente o dedo aos que (se calhar como ele) terão interesse em manter este "estado de coisas"?
Não seria bem mais efectivo, dentro dos poderes que lhe competem, exigir uma mais eficaz "realização de Abril" junto daqueles que, realmente, podem fazê-lo?
E não seria mais eficaz também, disponibilizar-se para, nas escolas, nos centros cívicos, nos espaços comunitários, promover a participação e a partilha?
E, por último, não faria sentido, para que se "cumprisse Abril", que "coisas" simples como a discussão pública do "Tratado de Lisboa" ou a alteração da Lei Eleitoral (para permitir uma efectiva participação dos cidadãos!) fossem, realmente, consideradas IMPORTANTES!
Pois é, Sr. Presidente, as estatísticas só nos mostram os dados. As pessoas podem mudá-los!
22 de abril de 2008
Dia da Terra

Na nossa actividade profissional, quase que sabemos de cor os dias em que se comemoram efemérides ou que, de alguma forma, nos fazem sentido.
O dia do Pai, o dia da Mãe, o Natal, a Páscoa, o Carnaval, o Dia Mundial da Criança, o Dia da Árvore e tantos outros.
Mas poucos há tão universais e tão pertinentes como este: o Dia da Terra.
Que, se pudesse dizer algo (ela, a Terra!), de certeza que não seria, neste momento, mais que uma palavra de esperança.
Para que nos lembremos (e eu já fiz a minha parte!) do fundamento da sua criação:
O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992).
Actualmente, uma organização internacional, a Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.
O dia do Pai, o dia da Mãe, o Natal, a Páscoa, o Carnaval, o Dia Mundial da Criança, o Dia da Árvore e tantos outros.
Mas poucos há tão universais e tão pertinentes como este: o Dia da Terra.
Que, se pudesse dizer algo (ela, a Terra!), de certeza que não seria, neste momento, mais que uma palavra de esperança.
Para que nos lembremos (e eu já fiz a minha parte!) do fundamento da sua criação:
O Dia da Terra foi criado em 1970, pelo Senador norte-americano Gaylord Nelson, que convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição, protesto esse coordenado a nível nacional por Denis Hayes. Esse dia conduziu à criação da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
A partir de 1990, o dia 22 de Abril foi adoptado mundialmente como o Dia da Terra, dando um grande impulso aos esforços de reciclagem a nível mundial e ajudando a preparar o caminho para a Cimeira do Rio (1992).
Actualmente, uma organização internacional, a Rede Dia da Terra coordena eventos e actividades a nível mundial que celebram este dia.
4 de abril de 2008
50 Contribuições!
Este post é só mesmo pra assinalar que é o 50º comentário que insiro neste Blog.
Agora, passados quatro anos do primeiro comentário no Reflexões d'Hoje (criado, acima de tudo, como uma forma de "ver o que vem aí"), e depois de ter feito um rápido "viewing" sobre alguns deles, duas coisas me surgem de imediato à memória: a primeira, as palavras de um grande (enorme!, diria) "crítico construtivo" que tenho a honra de conhecer, que me desafiou (possivelmente sem o imaginar) para, na página de internet que tinha recentemente criado, "falar mais por mim, utilizando menos as palavras dos outros" (Obrigado Fernando Serra!), a segunda, que este espaço de auto-infligido prazer, se ficou a dever à necessidade que fui sentindo de "pôr cá fora" as coisas que me iam fazendo cabelos brancos.
Não sei se é lido. Não sei quem o lê. Não sei, sequer, se os que lêem concordam, discordam ou são imunes.
Também não sei que efeitos podem ter estas palavras nos outros.
Mas sei, isso sim, que este espaço me serve como um escape precioso e necessário. E além do mais, como está agora na moda, serve-me para "ter opinião" sobre tudo e sobre todos.
Só espero que, um dia, não sirva também para me cercearem o direito a ter uma!
Muito obrigado àqueles (acho que poucos!) que, de forma regular ou talvez não, aqui têm vindo dar "uma espreitadela"!
Agora, passados quatro anos do primeiro comentário no Reflexões d'Hoje (criado, acima de tudo, como uma forma de "ver o que vem aí"), e depois de ter feito um rápido "viewing" sobre alguns deles, duas coisas me surgem de imediato à memória: a primeira, as palavras de um grande (enorme!, diria) "crítico construtivo" que tenho a honra de conhecer, que me desafiou (possivelmente sem o imaginar) para, na página de internet que tinha recentemente criado, "falar mais por mim, utilizando menos as palavras dos outros" (Obrigado Fernando Serra!), a segunda, que este espaço de auto-infligido prazer, se ficou a dever à necessidade que fui sentindo de "pôr cá fora" as coisas que me iam fazendo cabelos brancos.
Não sei se é lido. Não sei quem o lê. Não sei, sequer, se os que lêem concordam, discordam ou são imunes.
Também não sei que efeitos podem ter estas palavras nos outros.
Mas sei, isso sim, que este espaço me serve como um escape precioso e necessário. E além do mais, como está agora na moda, serve-me para "ter opinião" sobre tudo e sobre todos.
Só espero que, um dia, não sirva também para me cercearem o direito a ter uma!
Muito obrigado àqueles (acho que poucos!) que, de forma regular ou talvez não, aqui têm vindo dar "uma espreitadela"!
1 de abril de 2008
A Identidade da Escola. Reflexões sobre uma reflexão
Mais uma vez, e nem sempre pelas melhores razões, a televisão pública dedica um programa de (pelo menos pretende-se que assim seja) grande audiência à escola (ou, neste caso, aos seus problemas!)
O mote foi a Indisciplina, ou no dizer do seu subtítulo: a Perda da Autoridade.
Mais uma vez, assisti a um debate interessante, mas que, invariavelmente, reteve muito ruído sobre a Educação. Nomeadamente para aqueles que (ou porque querem, ou porque os obrigam), estão fora do espaço proximal da relação educativa profissionalizada e ética, ou seja, todos aqueles que não estão, directamente, ligados à Escola.
Falou-se de muita(s) coisa(s), umas com maior e melhor direccionalidade e assertividade, outras com menor acuidade e proporcionalidade, mas falou-se. Isso sim. Falou-se!
E das muitas coisas que se disseram, uma delas, quase em jeito de conclusão, retive com maior empenho: falta à Escola (ou seja, às escolas) uma Identidade.
Concordo inteiramente. Também concordo que, como foi dito, parte desta Identidade nasce com uma liderança forte, com um projecto devidamente planeado e incorporado nas práticas, com um espaço de reflexão e compromisso entre todos os envolvidos e, sobretudo, com autonomia para o fazer.
E não falo de autonomia legal, económica e/ou financeira.
Falo, isso sim, de autonomia social, ética e cívica.
Mas, dessa, não estamos preparados para falar.
Retive também, nesse aspecto da autonomia que se precisa, que, casos como o da Escola da Ponte, ou do Agrupamento de Escolas de Vialonga, são considerados casos de sucesso, invejados e aplaudidos, plagiados ou citados.
Portanto, pergunto-me: se casos como este são (foram) possíveis de desenvolver (e deles obter sucesso) como referido, com a legislação em vigor, com as condicionantes que todos nós repetimos à exaustão (colocação de professores, desinteresse ministerial, condicionalismos sociais, etc., etc.) e com as pessoas (professores, alunos, famílias, etc.), porque é que estamos sempre a criticar a legislação, os sucessivos governos, as condições "deploráveis"?
Parece-me, neste caso, que se alguns foram capazes de fazer omoletes com os ovos que têm, então o problema não são os ovos nem a frigideira. Talvez seja do cozinheiro.
Por outro lado, e em outra pergunta: se todos nós reconhecemos que a sociedade está em mudança, que as crianças e jovens são "educadas pela televisão", não nos caberá a nós, pais e professores, chamarmos a responsabilidade desse facto? Não será competência nossa assumirmos o "controlo" das nossas vidas e as das gerações futuras?
Quanto a mim, apesar de se falar da televisão, penso como muito mais importante "olharmos" para a nova relação cognitiva (em rede), dependente de um conjunto complexo de novas formas de conhecer e compreender, instrumentalizadas (?) por um novo meio de comunicação de massas, mas eficaz e mais "presente" (a Internet) e, enquanto pais e professores, enfrentarmos, com segurança e consciência da sua pertinenência e adequabilidade a um "novo Mundo", esta nova relação social e geracional.
É que, também a este nível (autoridade Vs. disciplina), a certeza do Saber é um eficaz instrumento de respeito e liderança. Ou seja, continuar a ignorar a evidência é desprestigiante e, acima de tudo, redefine a hierarquia vigente.
No fundo, o que se conclui é que, para se ser respeitado (e, necessariamente, aceite como Líder e Autoridade) é imperioso que se Conheça (saiba, compreenda, aceite, reflicta, etc.).
Não necessariamente para se Saber Muito, mas para se Saber do quê (do que se fala, do que trata, do que é...)!
P.S. Sobre isto (e talvez por isso este post-scriptum), como formador na área das chamadas TIC, continuo a não compreender nem respeitar que, apesar de, nas nossas escolas se assistir a um quase completo estado de "analfabetismo funcional" (Ponte, J. P. (1998). Novas tecnologias, novos desafios na formação de professores. In A sociedade de informação na escola (pp. 171-176). Lisboa: Conselho Nacional de Educação) por parte de um dos importantes parceiros da educação - professores -, cursos como os por mim ministrados (e com acreditação pelo CCFCP e "organizados" pelo CRIE) não se realizem por "falta de formandos". É triste!
O mote foi a Indisciplina, ou no dizer do seu subtítulo: a Perda da Autoridade.
Mais uma vez, assisti a um debate interessante, mas que, invariavelmente, reteve muito ruído sobre a Educação. Nomeadamente para aqueles que (ou porque querem, ou porque os obrigam), estão fora do espaço proximal da relação educativa profissionalizada e ética, ou seja, todos aqueles que não estão, directamente, ligados à Escola.
Falou-se de muita(s) coisa(s), umas com maior e melhor direccionalidade e assertividade, outras com menor acuidade e proporcionalidade, mas falou-se. Isso sim. Falou-se!
E das muitas coisas que se disseram, uma delas, quase em jeito de conclusão, retive com maior empenho: falta à Escola (ou seja, às escolas) uma Identidade.
Concordo inteiramente. Também concordo que, como foi dito, parte desta Identidade nasce com uma liderança forte, com um projecto devidamente planeado e incorporado nas práticas, com um espaço de reflexão e compromisso entre todos os envolvidos e, sobretudo, com autonomia para o fazer.
E não falo de autonomia legal, económica e/ou financeira.
Falo, isso sim, de autonomia social, ética e cívica.
Mas, dessa, não estamos preparados para falar.
Retive também, nesse aspecto da autonomia que se precisa, que, casos como o da Escola da Ponte, ou do Agrupamento de Escolas de Vialonga, são considerados casos de sucesso, invejados e aplaudidos, plagiados ou citados.
Portanto, pergunto-me: se casos como este são (foram) possíveis de desenvolver (e deles obter sucesso) como referido, com a legislação em vigor, com as condicionantes que todos nós repetimos à exaustão (colocação de professores, desinteresse ministerial, condicionalismos sociais, etc., etc.) e com as pessoas (professores, alunos, famílias, etc.), porque é que estamos sempre a criticar a legislação, os sucessivos governos, as condições "deploráveis"?
Parece-me, neste caso, que se alguns foram capazes de fazer omoletes com os ovos que têm, então o problema não são os ovos nem a frigideira. Talvez seja do cozinheiro.
Por outro lado, e em outra pergunta: se todos nós reconhecemos que a sociedade está em mudança, que as crianças e jovens são "educadas pela televisão", não nos caberá a nós, pais e professores, chamarmos a responsabilidade desse facto? Não será competência nossa assumirmos o "controlo" das nossas vidas e as das gerações futuras?
Quanto a mim, apesar de se falar da televisão, penso como muito mais importante "olharmos" para a nova relação cognitiva (em rede), dependente de um conjunto complexo de novas formas de conhecer e compreender, instrumentalizadas (?) por um novo meio de comunicação de massas, mas eficaz e mais "presente" (a Internet) e, enquanto pais e professores, enfrentarmos, com segurança e consciência da sua pertinenência e adequabilidade a um "novo Mundo", esta nova relação social e geracional.
É que, também a este nível (autoridade Vs. disciplina), a certeza do Saber é um eficaz instrumento de respeito e liderança. Ou seja, continuar a ignorar a evidência é desprestigiante e, acima de tudo, redefine a hierarquia vigente.
No fundo, o que se conclui é que, para se ser respeitado (e, necessariamente, aceite como Líder e Autoridade) é imperioso que se Conheça (saiba, compreenda, aceite, reflicta, etc.).
Não necessariamente para se Saber Muito, mas para se Saber do quê (do que se fala, do que trata, do que é...)!
P.S. Sobre isto (e talvez por isso este post-scriptum), como formador na área das chamadas TIC, continuo a não compreender nem respeitar que, apesar de, nas nossas escolas se assistir a um quase completo estado de "analfabetismo funcional" (Ponte, J. P. (1998). Novas tecnologias, novos desafios na formação de professores. In A sociedade de informação na escola (pp. 171-176). Lisboa: Conselho Nacional de Educação) por parte de um dos importantes parceiros da educação - professores -, cursos como os por mim ministrados (e com acreditação pelo CCFCP e "organizados" pelo CRIE) não se realizem por "falta de formandos". É triste!
26 de março de 2008
(In)Disciplina...
Como é necessário e imperioso que exista sempre algo a circular na comunicação social sobre a Escola e sobre os Professores, eis agora a chegada da Indisciplina.
O que é engraçado, e não é, de todo, estranho, é que estes "discursos paralelos" não são sobre a Educação, entendida como um sistema amplo, macrossocial e fundamental para o Desenvolvimento (humano, de um Estado, de uma população....), mas sim sobre pequenas parcelas desse todo, quase como se houvesse o objectivo de "dividir para reinar".
E é interessante constatar que, agora que o YouTube até permite uma rápida (e eficaz) generalização dos acontecimentos, todos se pareçam interrogar sobre as questões, segundo parece, primordiais, da indisciplina na Escola.
Poucos foram, de certeza, os que acharam que esta questão, a da indisciplina, é nova.
E não é.
Contudo, é interessante constatar algumas questões à volta deste tema.
Começando...
O uso dos telemóveis: com as imagens agora divulgadas, soltou-se a verborreia sobre se estes devem ou não, ser presença assídua nas aulas. Até se fala do Estatuto do Aluno, que, de uma forma clara e eficaz(?), penaliza o seu uso na sala.
Mas minhas questões são: e os professores, não são penalizados por dar maus modelos? E os alunos que os usam para documentar metodologias de trabalho (não nos esqueçamos que os telemóveis possuem capacidades absolutamente aproveitáveis no contexto escolar) também devem ser punidos? E então e se as operadoras de telefones móveis forem parceiras das Escolas? e por último, se se considera punível o comportamento da aluna que não queria entregar o seu telemóvel, o que dizer do uso de um outro para a recolha das imagens divulgadas?
Numa segunda ordem de ideias, surge a inevitável pergunta: A professora deveria ou não agir de outra forma?
Também aqui se especula imenso, e, na maior parte das vezes, a ideia consensualmente aceite é a de que teria de ter agido de uma outra forma, mais liminar e brusca.
Não concordo.
Sinceramente, o problema não tem de ver com a atitude do professor, num ou outro caso concreto. É ele quem conhece a turma, quem conhece os alunos dessa turma, quem conhece, no fundo, o contexto situacional do acontecimento.
Contudo, em relação a isto, devo dizer o seguinte: onde estão os senhores presidentes de conselhos directivos, coordenadores de escola, directores de turma que, ao longo de mais de vinte anos, deveriam ter agido, de forma "liminar e brusca", e não o fizeram?
Onde estão os efeitos punitivos das devidas situações relatadas e identificadas ao longo dos últimos anos?
Onde estão as instituições de acompanhamento (CPCJs, Tribunais de Menores, Segurança Social, etc.), que, há anos, têm casos à sua guarda?
Onde estão as punições exemplares da justiça poruguesa para os pais, familiares e vizinhos que confrontaram, sem razão, a instituição escolar?
A indisciplina actual, mais visível e imediata não é de agora. Mas é de agora a incapacidade de a debelar.
Mas este, ao contrário do que às vezes se quer fazer crer, não é um problema da Escola, nem deve ser um dos tais "discursos paralelos". Este é um problema da Educação, e tem de ser reflectido e discutido num contexto mais amplo.
Não faz grande sentido continuar a tentar resolver problemas de forma parcial, porque, se nos centrarmos nos seres humanos, que são quem, de forma objectiva, necessita da Escola e da Educação, não nos podemos esquecer que são eles que se vão perdendo à medida que os currículos da Escola, centrados nos conteúdos e no saber fazer, os vão desviando do verdadeiro interesse em construir as competências que serão o cerne da sua evolução como seres pensantes e intervenientes.
Mas se calhar é isso que queremos. Ou não??!
O que é engraçado, e não é, de todo, estranho, é que estes "discursos paralelos" não são sobre a Educação, entendida como um sistema amplo, macrossocial e fundamental para o Desenvolvimento (humano, de um Estado, de uma população....), mas sim sobre pequenas parcelas desse todo, quase como se houvesse o objectivo de "dividir para reinar".
E é interessante constatar que, agora que o YouTube até permite uma rápida (e eficaz) generalização dos acontecimentos, todos se pareçam interrogar sobre as questões, segundo parece, primordiais, da indisciplina na Escola.
Poucos foram, de certeza, os que acharam que esta questão, a da indisciplina, é nova.
E não é.
Contudo, é interessante constatar algumas questões à volta deste tema.
Começando...
O uso dos telemóveis: com as imagens agora divulgadas, soltou-se a verborreia sobre se estes devem ou não, ser presença assídua nas aulas. Até se fala do Estatuto do Aluno, que, de uma forma clara e eficaz(?), penaliza o seu uso na sala.
Mas minhas questões são: e os professores, não são penalizados por dar maus modelos? E os alunos que os usam para documentar metodologias de trabalho (não nos esqueçamos que os telemóveis possuem capacidades absolutamente aproveitáveis no contexto escolar) também devem ser punidos? E então e se as operadoras de telefones móveis forem parceiras das Escolas? e por último, se se considera punível o comportamento da aluna que não queria entregar o seu telemóvel, o que dizer do uso de um outro para a recolha das imagens divulgadas?
Numa segunda ordem de ideias, surge a inevitável pergunta: A professora deveria ou não agir de outra forma?
Também aqui se especula imenso, e, na maior parte das vezes, a ideia consensualmente aceite é a de que teria de ter agido de uma outra forma, mais liminar e brusca.
Não concordo.
Sinceramente, o problema não tem de ver com a atitude do professor, num ou outro caso concreto. É ele quem conhece a turma, quem conhece os alunos dessa turma, quem conhece, no fundo, o contexto situacional do acontecimento.
Contudo, em relação a isto, devo dizer o seguinte: onde estão os senhores presidentes de conselhos directivos, coordenadores de escola, directores de turma que, ao longo de mais de vinte anos, deveriam ter agido, de forma "liminar e brusca", e não o fizeram?
Onde estão os efeitos punitivos das devidas situações relatadas e identificadas ao longo dos últimos anos?
Onde estão as instituições de acompanhamento (CPCJs, Tribunais de Menores, Segurança Social, etc.), que, há anos, têm casos à sua guarda?
Onde estão as punições exemplares da justiça poruguesa para os pais, familiares e vizinhos que confrontaram, sem razão, a instituição escolar?
A indisciplina actual, mais visível e imediata não é de agora. Mas é de agora a incapacidade de a debelar.
Mas este, ao contrário do que às vezes se quer fazer crer, não é um problema da Escola, nem deve ser um dos tais "discursos paralelos". Este é um problema da Educação, e tem de ser reflectido e discutido num contexto mais amplo.
Não faz grande sentido continuar a tentar resolver problemas de forma parcial, porque, se nos centrarmos nos seres humanos, que são quem, de forma objectiva, necessita da Escola e da Educação, não nos podemos esquecer que são eles que se vão perdendo à medida que os currículos da Escola, centrados nos conteúdos e no saber fazer, os vão desviando do verdadeiro interesse em construir as competências que serão o cerne da sua evolução como seres pensantes e intervenientes.
Mas se calhar é isso que queremos. Ou não??!
16 de março de 2008
Coisas estranhas
Ele há mesmo coisas muito estranhas.
Dir-se-ia que, nesta “paz podre” (que tem sido evidente desde a “Manifestação dos 100 mil”), não há lugar para opiniões contrárias às dos Sindicatos, tidos como senhores absolutos e inatacáveis, cuja Grande Verdade é superior às restantes verdades.
Gostaria, aqui, de contrapor algumas lógicas que têm sido manipuladas, digo, apresentadas, por eles:
Não é verdade que os Professores sintam como “injusta e complexa” a avaliação que “nos querem impor”.
O que é verdade é que alguns professores sentem como injusta e complexa a avaliação imposta pelo seu patrão.
Também é verdade que, nos tais cem mil, haveria muita gente que não se manifestava contra a Avaliação, mas sim contra o Estatuto da Carreira Docente (que os sindicatos deixaram “passar”…); contra a eleição destes Professores-Titulares; contra a existência de um novo Dec.-Lei que define normas “Médicas” para a caracterização de dificuldades de aprendizagem (afinal parece que é por isso que há tanta gente a dizer que a homossexualidade é uma patologia clínica); contra a existência de Conselhos Executivos incompetentes e dissimulados, que, face à sua incapacidade bem gerir a “coisa pública” vêm, desde há anos, a manchar a reputação dos que querem, efectivamente, trabalhar (e por isso, com receio, legítimo, do novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas); contra a manutenção do estado de laxismo e de “deixa andar” em que se encontram muitas escolas por vontade própria (sim, e não vale a pena “acusar” o Governo, as Câmaras Municipais e/ou os outros todos, porque, numa grande parte das vezes nós somos os responsáveis efectivos); contra a existência de Professores que não andam nem deixam andar; contra a existência de Sindicatos que se “movem” bem demais “ao sabor das correntes” (e de repente até se fala da CONFAP nos jornais…)….
E além disso, não é verdade (como nos fizeram crer algumas mensagens enviadas por correio electrónico) que outros países não avaliem o desempenho dos professores, ou que (em alguns casos era isso que parecia) os professores tenham “mais tempo para o que de facto querem fazer bem”. Nessas mensagens não era referido, por exemplo, que os professores alemães e suecos reúnem, quase diariamente, em reuniões curtas, concisas e directas, para avaliação de alunos, da escola e do seu desempenho, antes de iniciar a sua actividade lectiva diária.
Ou que os professores Belgas, Franceses e Espanhóis são muito mais facilmente “despedidos” se incumprirem com o seu estatuto e/ou deveres deontológicos e profissionais.
Ou ainda que os docentes ingleses têm um quadro ético muito mais exigente e que as escolas inglesas apenas têm dotações orçamentais em face dos “bons resultados obtidos”…
Por tudo isto, e apesar de:
1. Não ter votado neste Governo;
2. Não me identificar minimamente com esta “onda neo-liberal” que invadiu Portugal;
3. Acreditar, profundamente, que as principais razões de todas estas “mudanças” na Educação são puramente economicistas;
4. Ter estado, desde sempre, na posição de crítico interventivo;
5. Não acreditar que o mal destas coisas é só de uma(s) pessoa(s) - neste caso até é fácil culpar um(a) Ministro(a) -;
6. Me ter manifestado, sempre e quando o achei útil e necessário, da forma mais responsável que sinto (ou seja, apresentando propostas de solução), quer na Escola, quer nos fóruns e espaços devidos;
7. Conseguir, sempre que necessário, situar-me no “outro lado da barricada” – pais, autarcas, alunos -, de forma a aprender com isso, e;
8. Ter sido prejudicado por um Sindicato(!) numa situação de oposição ao Ministério da Educação (e não foi há tanto tempo como isso),
Gostaria de manifestar a minha mais veemente repulsa por este tipo de desinformação que, em vez de contribuir para a clara afirmação do papel e do estatuto do Professor, o torna refém de uma opinião pública desinteressada e desinformada que é, no fundo, resultado da sua Educação.
Não é só a Avaliação de Desempenho que interessa. Não usem o peso de cem mil manifestantes para manter o status-quo…
Dir-se-ia que, nesta “paz podre” (que tem sido evidente desde a “Manifestação dos 100 mil”), não há lugar para opiniões contrárias às dos Sindicatos, tidos como senhores absolutos e inatacáveis, cuja Grande Verdade é superior às restantes verdades.
Gostaria, aqui, de contrapor algumas lógicas que têm sido manipuladas, digo, apresentadas, por eles:
Não é verdade que os Professores sintam como “injusta e complexa” a avaliação que “nos querem impor”.
O que é verdade é que alguns professores sentem como injusta e complexa a avaliação imposta pelo seu patrão.
Também é verdade que, nos tais cem mil, haveria muita gente que não se manifestava contra a Avaliação, mas sim contra o Estatuto da Carreira Docente (que os sindicatos deixaram “passar”…); contra a eleição destes Professores-Titulares; contra a existência de um novo Dec.-Lei que define normas “Médicas” para a caracterização de dificuldades de aprendizagem (afinal parece que é por isso que há tanta gente a dizer que a homossexualidade é uma patologia clínica); contra a existência de Conselhos Executivos incompetentes e dissimulados, que, face à sua incapacidade bem gerir a “coisa pública” vêm, desde há anos, a manchar a reputação dos que querem, efectivamente, trabalhar (e por isso, com receio, legítimo, do novo regime de autonomia, administração e gestão das escolas); contra a manutenção do estado de laxismo e de “deixa andar” em que se encontram muitas escolas por vontade própria (sim, e não vale a pena “acusar” o Governo, as Câmaras Municipais e/ou os outros todos, porque, numa grande parte das vezes nós somos os responsáveis efectivos); contra a existência de Professores que não andam nem deixam andar; contra a existência de Sindicatos que se “movem” bem demais “ao sabor das correntes” (e de repente até se fala da CONFAP nos jornais…)….
E além disso, não é verdade (como nos fizeram crer algumas mensagens enviadas por correio electrónico) que outros países não avaliem o desempenho dos professores, ou que (em alguns casos era isso que parecia) os professores tenham “mais tempo para o que de facto querem fazer bem”. Nessas mensagens não era referido, por exemplo, que os professores alemães e suecos reúnem, quase diariamente, em reuniões curtas, concisas e directas, para avaliação de alunos, da escola e do seu desempenho, antes de iniciar a sua actividade lectiva diária.
Ou que os professores Belgas, Franceses e Espanhóis são muito mais facilmente “despedidos” se incumprirem com o seu estatuto e/ou deveres deontológicos e profissionais.
Ou ainda que os docentes ingleses têm um quadro ético muito mais exigente e que as escolas inglesas apenas têm dotações orçamentais em face dos “bons resultados obtidos”…
Por tudo isto, e apesar de:
1. Não ter votado neste Governo;
2. Não me identificar minimamente com esta “onda neo-liberal” que invadiu Portugal;
3. Acreditar, profundamente, que as principais razões de todas estas “mudanças” na Educação são puramente economicistas;
4. Ter estado, desde sempre, na posição de crítico interventivo;
5. Não acreditar que o mal destas coisas é só de uma(s) pessoa(s) - neste caso até é fácil culpar um(a) Ministro(a) -;
6. Me ter manifestado, sempre e quando o achei útil e necessário, da forma mais responsável que sinto (ou seja, apresentando propostas de solução), quer na Escola, quer nos fóruns e espaços devidos;
7. Conseguir, sempre que necessário, situar-me no “outro lado da barricada” – pais, autarcas, alunos -, de forma a aprender com isso, e;
8. Ter sido prejudicado por um Sindicato(!) numa situação de oposição ao Ministério da Educação (e não foi há tanto tempo como isso),
Gostaria de manifestar a minha mais veemente repulsa por este tipo de desinformação que, em vez de contribuir para a clara afirmação do papel e do estatuto do Professor, o torna refém de uma opinião pública desinteressada e desinformada que é, no fundo, resultado da sua Educação.
Não é só a Avaliação de Desempenho que interessa. Não usem o peso de cem mil manifestantes para manter o status-quo…
12 de março de 2008
Sobre a Avaliação dos professores e outros assuntos "sindicais"…
Onde estavam os Sindicatos quando da discussão (e posterior aprovação) do novo da Estatuto da Carreira Docente (ECD)?
Por que razão, nessa altura, não mobilizaram os professores para os verdadeiros problemas?
Será que esta atitude mais “permeável” dos sindicatos se deveu à protecção de interesses pessoais? Não quero imaginar isso. Mas…
Mas em relação aos factos, vejamos:
Se atentarmos na rubrica “Avaliação do desempenho de professores - Perguntas e respostas” (http://www.min-edu.pt/np3/1741.html) do Ministério da Educação, uma das perguntas constantes é a seguinte: Quem avalia os professores? para a qual a resposta é: Os professores são avaliados nas suas escolas pela direcção executiva e pelos professores coordenadores de departamento curricular. O presidente do Conselho Executivo pode delegar a avaliação nos restantes membros da direcção executiva, e os coordenadores do departamento curricular podem delegá-la noutros professores titulares. Os professores responsáveis pela avaliação são, em regra, os professores mais experientes.
Ficamos com a ideia clara de que serão os Coordenadores (que por sua vez são, maioritariamente, Professores Titulares), quem terão “a faca e o queijo na mão”.
Interpretemos, então, o ECD:
O primeiro grande requisito que encontramos para a candidatura a Professor Titular é a obrigatoriedade de ter 18 anos de serviço docente prestado (Art.º 38.º, n.º 2, alínea a).
Ora, professores de reconhecida qualidade (com mais e melhor formação, com mais trabalho “extra-escolar”, e com outras competências profissionais – os mestrados e doutoramento não eram tão “regulares” há 10 anos -) nem sequer concorreram a tal grau de “Titularidade”, pois, em alguns casos, nem sequer esse tempo de profissão tinham.
Foram, sabe-se, preteridos por outros que, embora mais velhos (mais experientes?), não possuem metade das suas certificações e habilitações (não nos podemos esquecer que ainda há, no ensino, professores com cursos de formação de três semestres - Dec.-Lei 32.343 de 5 de Setembro de 1942 - e bacharelatos das escolas do Magistério Primário).
Como foram alguns desses que foram “seleccionados” (?), no Concurso para Professor Titular de Junho de 2007 e os quadros estarão cheios nos próximos 20 anos, quem verá os professores mais preparados a avaliar?
Será que é assim que se promove o Mérito, ou, mais importante, se poupam alguns (muitos) euros (pois a progressão agora, é complexa e nos próximos Orçamentos de Estado poder-se-ão manter com as verbas já definidas)?
Outro grande “truque”, no ECD, é a questão da transparência da Avaliação de Desempenho.
No Art.º 49.º do ECD, pode ler-se que «o processo de avaliação tem carácter confidencial» e refere-se que as escolas apenas publicarão os «resultados globais da avaliação de desempenho de informação não nominativa».
Ou seja, o “público em geral” só saberá quantos Excelentes, Muito Bons, Bons, Regulares e Insuficientes foram atribuídos nessa escola, mas não a quem e porquê.
Ora então, dessa forma, o “amigo A” que tem estado na escola desde os “idos” 60’ e que até já participou em algumas “negociatas” interessantes para “todos” pode ser “recompensado” por isso, sem que se descortine a razão de ser de tal facto, entre outras posibilidades.
É que ninguém vai andar pela Sala de Professores a perguntar quem é que teve “Excelente”, ou quem é que teve “Muito Bom”, apenas para confirmar que esses níveis foram atribuídos a profissionais de elevada competência. Pois, como refere o ECD, apenas os próprios terão acesso à sua avaliação…
Mais uma vez, o Mérito não é, de todo, o objectivo, pois a evidência é, também, formativa.
Por último, faz sentido a existência de “quotas” na progressão de Professores?
Será por questões financeiras? Ou para proteger “interesses instalados”?
É que, se em Portugal os professores (todos) forem excelentes, mais rapidamente se atingirão (de forma global) outros patamares de Qualidade, e essa deveria ser a primordial razão do Mérito…
Onde estiveram, então, os sindicatos que deixaram "passar" estes pequenos "truques"?
É que agora parece que os professores estão contra a Avaliação...
Mais palavras para quê?
Por que razão, nessa altura, não mobilizaram os professores para os verdadeiros problemas?
Será que esta atitude mais “permeável” dos sindicatos se deveu à protecção de interesses pessoais? Não quero imaginar isso. Mas…
Mas em relação aos factos, vejamos:
Se atentarmos na rubrica “Avaliação do desempenho de professores - Perguntas e respostas” (http://www.min-edu.pt/np3/1741.html) do Ministério da Educação, uma das perguntas constantes é a seguinte: Quem avalia os professores? para a qual a resposta é: Os professores são avaliados nas suas escolas pela direcção executiva e pelos professores coordenadores de departamento curricular. O presidente do Conselho Executivo pode delegar a avaliação nos restantes membros da direcção executiva, e os coordenadores do departamento curricular podem delegá-la noutros professores titulares. Os professores responsáveis pela avaliação são, em regra, os professores mais experientes.
Ficamos com a ideia clara de que serão os Coordenadores (que por sua vez são, maioritariamente, Professores Titulares), quem terão “a faca e o queijo na mão”.
Interpretemos, então, o ECD:
O primeiro grande requisito que encontramos para a candidatura a Professor Titular é a obrigatoriedade de ter 18 anos de serviço docente prestado (Art.º 38.º, n.º 2, alínea a).
Ora, professores de reconhecida qualidade (com mais e melhor formação, com mais trabalho “extra-escolar”, e com outras competências profissionais – os mestrados e doutoramento não eram tão “regulares” há 10 anos -) nem sequer concorreram a tal grau de “Titularidade”, pois, em alguns casos, nem sequer esse tempo de profissão tinham.
Foram, sabe-se, preteridos por outros que, embora mais velhos (mais experientes?), não possuem metade das suas certificações e habilitações (não nos podemos esquecer que ainda há, no ensino, professores com cursos de formação de três semestres - Dec.-Lei 32.343 de 5 de Setembro de 1942 - e bacharelatos das escolas do Magistério Primário).
Como foram alguns desses que foram “seleccionados” (?), no Concurso para Professor Titular de Junho de 2007 e os quadros estarão cheios nos próximos 20 anos, quem verá os professores mais preparados a avaliar?
Será que é assim que se promove o Mérito, ou, mais importante, se poupam alguns (muitos) euros (pois a progressão agora, é complexa e nos próximos Orçamentos de Estado poder-se-ão manter com as verbas já definidas)?
Outro grande “truque”, no ECD, é a questão da transparência da Avaliação de Desempenho.
No Art.º 49.º do ECD, pode ler-se que «o processo de avaliação tem carácter confidencial» e refere-se que as escolas apenas publicarão os «resultados globais da avaliação de desempenho de informação não nominativa».
Ou seja, o “público em geral” só saberá quantos Excelentes, Muito Bons, Bons, Regulares e Insuficientes foram atribuídos nessa escola, mas não a quem e porquê.
Ora então, dessa forma, o “amigo A” que tem estado na escola desde os “idos” 60’ e que até já participou em algumas “negociatas” interessantes para “todos” pode ser “recompensado” por isso, sem que se descortine a razão de ser de tal facto, entre outras posibilidades.
É que ninguém vai andar pela Sala de Professores a perguntar quem é que teve “Excelente”, ou quem é que teve “Muito Bom”, apenas para confirmar que esses níveis foram atribuídos a profissionais de elevada competência. Pois, como refere o ECD, apenas os próprios terão acesso à sua avaliação…
Mais uma vez, o Mérito não é, de todo, o objectivo, pois a evidência é, também, formativa.
Por último, faz sentido a existência de “quotas” na progressão de Professores?
Será por questões financeiras? Ou para proteger “interesses instalados”?
É que, se em Portugal os professores (todos) forem excelentes, mais rapidamente se atingirão (de forma global) outros patamares de Qualidade, e essa deveria ser a primordial razão do Mérito…
Onde estiveram, então, os sindicatos que deixaram "passar" estes pequenos "truques"?
É que agora parece que os professores estão contra a Avaliação...
Mais palavras para quê?
7 de março de 2008
Condições para a Excelência na Profissão Docente...
Nota: Antes de mais, quero alertar para o facto deste "post" dever ser lido com algum espírito crítico, boa disposição e capacidade de entender a ironia.
Estive para aqui a pensar com os meus botões em quais deverão ser as condições preferenciais para a excelência na profissão docente.
Não que me seja difícil compreendê-las naturalmente, mas as dúvidas surgem-me apenas pela constatação da incapacidade (pelo muito que se tem lido, dito e ouvido nestes últimos tempos) de, realmente, compreender do que se fala quando se fala de Avaliação de Desempenho.
Principalmente quando frequento diariamente a Escola (lembrei-me agora que têm alguma razão os meus irmãos, quando me dizem: "deves ser muito burro: com esse tamanho ainda andas no Jardim de Infância...").
Por isso, reuni alguns dos parâmetros (ou indicadores) que, penso, deverão presidir à construção dos tais "instrumentos normalizados" tão badalados ultimamente, de forma a objectivar a Excelência.
Acho até que este é um enorme contributo para acabar, de vez, com a tal "indignação" de muitos professores...
Então cá vai:
1. Ter, pelo menos, 25 anos de serviço docente;
2. Dizer a todos os jovens professores, quando os vêem pela primeira vez: "Nem sabes onde te viste meter...";
3. Dizer muitas vezes por dia: "Eu gosto é dos meus alunos..."
4. Ser sindicalizado (em pelo menos um dos 23 sindicatos disponíveis);
5. Ter, pelo menos, apresentado a candidatura a Professor Titular (se tiver sido escolhido, é melhor);
6. Continuar a dizer, pelo menos três vezes por semana, "Este Ministro(a) é o(a) pior que a educação teve...", desde há, pelo menos, 15 anos;
7. Ter votado num dos dois partidos que têm ocupado o poder em duas das últimas quatro eleições legislativas;
8. Faltar apenas a três reuniões de docentes por ano com a desculpa: "Tenho de ir ao médico. De qualquer forma, estas reuniões não servem para nada...". Se a média for 5x/ano, é melhor;
9. Ter estado ausente de reflexões, debates, propostas e votações nas reuniões em que participou para: fumar um cigarro/comer qualquer coisa/apanhar ar/ir à casa de banho/etc.;
10. Ter-se sentido "traído(a), humilhado(a), enganado(a) pelo Governo" quando: foram aprovadas as reformas do 2º CEB, foi alterado o calendário escolar do Pré-Escolar, foram apresentados os dados do primeiro estudo PISA (em 1989), foi apresentado o projecto "Escola a Tempo inteiro", foram alteradas as regras de aproveitamento e frequência de acções de formação contínua (passando a obtenção de Créditos a exigir algum esforço), ou em qualquer outra alteração na Educação;
11. Recusar a Avaliação de Desempenho porque é "confusa e injusta" e preferir o modelo anterior que "igualava" todos os candidatos, mesmo que eles fossem diferentes;
12. Referir em público, qualquer coisa como: "Nós somos avaliados todos os dias!", mas, em privado, dizer: "Nós é que damos o litro, mas os outros é que ganham o bem-bom...";
13. Ser pai/mãe de dois filhos (ou mais) em idade escolar e dizer constantemente na Sala de Professores: "Mas que competências é que têm os pais para nos avaliar?";
14. Culpar constantemente o Governo/Conselho Executivo/Conselho Pedagógico dos "males" da educação, e ir votar, consciente e livremente, nas "listas únicas" que são sufragadas em eleições;
15. Ter recusado fazer formação com a desculpa que "essa acção de formação não vem trazer nada de novo" ou "só dá dois créditos....";
16. Não ter lido nenhum dos documentos legais da Educação publicado desde Janeiro de 2004, mas manifestar forte oposição ao "seu articulado";
17. Desconsiderar, em privado, a formação e a competência dos estagiários de cursos de formação inicial e, em público, achar que "se farão bons profissionais" e/ou relevar a importância de uma boa Supervisão Pedagógica de acompanhamento;
18. Ter manifestado, por mais de uma vez, o seu desagrado por políticas locais e comunitárias de aproximação à Escola (das autarquias, das associações de pais, de instituições locais) por "serem intrusivas e descabidas";
19. Ter reunido com pais e famílias o "apenas estritamente necessário";
20. Ter defendido à exaustão a "sua escola" contra as dinâmicas de outras escolas do mesmo Agrupamento em situações que se assemelhassem a boas práticas de articulação educativa.
Se constatar que não reúne a totalidade de respostas positivas a estes indicadores, não desespere: as quotas para Excelente são parcas. Pode ser que daqui a uns anos...
Nota 2: Sou apenas uma moeda de 0.2€, mas há moedas de 2€ a empurrar-me...
Será que o Presidente da República, com aquelas balelas da "moeda fraca..." sabe alguma coisa sobre esta sensação???!
Estive para aqui a pensar com os meus botões em quais deverão ser as condições preferenciais para a excelência na profissão docente.
Não que me seja difícil compreendê-las naturalmente, mas as dúvidas surgem-me apenas pela constatação da incapacidade (pelo muito que se tem lido, dito e ouvido nestes últimos tempos) de, realmente, compreender do que se fala quando se fala de Avaliação de Desempenho.
Principalmente quando frequento diariamente a Escola (lembrei-me agora que têm alguma razão os meus irmãos, quando me dizem: "deves ser muito burro: com esse tamanho ainda andas no Jardim de Infância...").
Por isso, reuni alguns dos parâmetros (ou indicadores) que, penso, deverão presidir à construção dos tais "instrumentos normalizados" tão badalados ultimamente, de forma a objectivar a Excelência.
Acho até que este é um enorme contributo para acabar, de vez, com a tal "indignação" de muitos professores...
Então cá vai:
1. Ter, pelo menos, 25 anos de serviço docente;
2. Dizer a todos os jovens professores, quando os vêem pela primeira vez: "Nem sabes onde te viste meter...";
3. Dizer muitas vezes por dia: "Eu gosto é dos meus alunos..."
4. Ser sindicalizado (em pelo menos um dos 23 sindicatos disponíveis);
5. Ter, pelo menos, apresentado a candidatura a Professor Titular (se tiver sido escolhido, é melhor);
6. Continuar a dizer, pelo menos três vezes por semana, "Este Ministro(a) é o(a) pior que a educação teve...", desde há, pelo menos, 15 anos;
7. Ter votado num dos dois partidos que têm ocupado o poder em duas das últimas quatro eleições legislativas;
8. Faltar apenas a três reuniões de docentes por ano com a desculpa: "Tenho de ir ao médico. De qualquer forma, estas reuniões não servem para nada...". Se a média for 5x/ano, é melhor;
9. Ter estado ausente de reflexões, debates, propostas e votações nas reuniões em que participou para: fumar um cigarro/comer qualquer coisa/apanhar ar/ir à casa de banho/etc.;
10. Ter-se sentido "traído(a), humilhado(a), enganado(a) pelo Governo" quando: foram aprovadas as reformas do 2º CEB, foi alterado o calendário escolar do Pré-Escolar, foram apresentados os dados do primeiro estudo PISA (em 1989), foi apresentado o projecto "Escola a Tempo inteiro", foram alteradas as regras de aproveitamento e frequência de acções de formação contínua (passando a obtenção de Créditos a exigir algum esforço), ou em qualquer outra alteração na Educação;
11. Recusar a Avaliação de Desempenho porque é "confusa e injusta" e preferir o modelo anterior que "igualava" todos os candidatos, mesmo que eles fossem diferentes;
12. Referir em público, qualquer coisa como: "Nós somos avaliados todos os dias!", mas, em privado, dizer: "Nós é que damos o litro, mas os outros é que ganham o bem-bom...";
13. Ser pai/mãe de dois filhos (ou mais) em idade escolar e dizer constantemente na Sala de Professores: "Mas que competências é que têm os pais para nos avaliar?";
14. Culpar constantemente o Governo/Conselho Executivo/Conselho Pedagógico dos "males" da educação, e ir votar, consciente e livremente, nas "listas únicas" que são sufragadas em eleições;
15. Ter recusado fazer formação com a desculpa que "essa acção de formação não vem trazer nada de novo" ou "só dá dois créditos....";
16. Não ter lido nenhum dos documentos legais da Educação publicado desde Janeiro de 2004, mas manifestar forte oposição ao "seu articulado";
17. Desconsiderar, em privado, a formação e a competência dos estagiários de cursos de formação inicial e, em público, achar que "se farão bons profissionais" e/ou relevar a importância de uma boa Supervisão Pedagógica de acompanhamento;
18. Ter manifestado, por mais de uma vez, o seu desagrado por políticas locais e comunitárias de aproximação à Escola (das autarquias, das associações de pais, de instituições locais) por "serem intrusivas e descabidas";
19. Ter reunido com pais e famílias o "apenas estritamente necessário";
20. Ter defendido à exaustão a "sua escola" contra as dinâmicas de outras escolas do mesmo Agrupamento em situações que se assemelhassem a boas práticas de articulação educativa.
Se constatar que não reúne a totalidade de respostas positivas a estes indicadores, não desespere: as quotas para Excelente são parcas. Pode ser que daqui a uns anos...
Nota 2: Sou apenas uma moeda de 0.2€, mas há moedas de 2€ a empurrar-me...
Será que o Presidente da República, com aquelas balelas da "moeda fraca..." sabe alguma coisa sobre esta sensação???!
26 de fevereiro de 2008
Pressupostos errados...
Segui atentamente (como, de resto, imagino que o tenham feito algumas dezenas de milhar de docentes e seus familiares) o debate sobre Avaliação de Desempenho e Novo Regime de Autonomia das Escolas no programa de televisão Prós & Contras, no passado dia 25.
Uma coisa devo afirmar desde já, e utilizando uma parábola bíblica adaptada: Surdo não é quem não ouve. É quem não quer ouvir!
Se quisermos ouvir o que foi, efectivamente "dito", devemos deter-nos numa ideia chave (Desadequação), subdividida em cinco tópicos gerais, que são:
Desadequação do modelo educativo (o que a Escola ensina e para quê?)
Referido por mais do que uma vez e por mais do que um interveniente (João Formosinho, Arsélio Martins, Albino Almeida...), sempre com acuidade e pertinência invulgar, este é, talvez, o Nó Górdio das eternas mudanças. Mudar parece ser o caminho, se, contudo, se fizer uma efectiva análise reflexiva da necessidade de se proceder a essas mudanças. É claro que o Mundo está em mudança, as Sociedades estão em mudança, logo, porque razão não aceitamos nós que a Escola está também em mudança e que o conhecimento, também ele, é fruto da mudança?
Desadequação dos modelos impostos/definidos (organização e gestão escolar, Coordenadores, Lideranças, avaliadores, etc.)
Outro pressuposto errado. A confiança depositada nas lógicas instrumentalizadoras da organização escolar. Ou seja, supõe-se que a política educativa é baseada nos agentes (políticos) da educação, contudo, são estes que se viram "posicionados" pelo sistema e que se alimentam dele, com, claro está, todos os convenientes (e inconvenientes) que daí advêem. Que é como quem diz: "fizeste a cama, agora deita-te nela"...
Desadequação da função educativa face às exigências sociais actuais.
Repetindo o já anteriormente referido, mas destacando a especificidade das aprendizagens, e, talvez aqui se deva reflectir a permência de "fazer bem". Os conteúdos básicos que possibilitam uma efectiva aprendizagem social (ou seja, o que é necessário uma nação aprender - formal, social e culturalmente, etc.) não são os mesmos a cada dia que passa. Logo, a Escola tem de saber isso e adequar-se, constantemente, a essa realidade. E segundo ficou evidente, há 30 anos que se esqueceu disso.
Desadequação dos pressupostos de avaliação do sistema, com fundamento nos Resultados
Partir do princípio de que a melhoria da qualidade do sistema implica, necessariamente uma melhoria dos resultados pode ser partir de um pressuposto correcto. No entanto, ficou por demais evidente que a inexiquibilidade da alteração do edifício legal, sem antes se proceder a uma efectiva clarificação dos seus fundamentos, é desastroso, na medida em que apenas quantifica os resultados da avaliação de forma "económica" e não social.
Desadequação da política educativa face à realidade político-social do país
Este é o país que temos. Estes são os portugueses que somos. Terá de ser, obviamente, para este país que as leis (e consequentemente, as mudanças) terão de ser objectivadas.
Como dizia o Arsélio: "Não é possível exigir seriedade aos professores, a partir de modelos pouco sérios e credíveis, i. e., veja-se o caso dos políticos profissionais..."
Sem querer produzir considerandos do tipo quem ganhou e/ou quem perdeu, uma coisa é certa, e utilizando as palavras da ministra: "O risco de tomar decisões é provocar o descontentamento!". Cabe-nos a todos nós ficarmos descontentes. É sinal que decisões foram tomadas!
Mas é fundamental que aceitemos que é necessário mudar!
Uma coisa devo afirmar desde já, e utilizando uma parábola bíblica adaptada: Surdo não é quem não ouve. É quem não quer ouvir!
Se quisermos ouvir o que foi, efectivamente "dito", devemos deter-nos numa ideia chave (Desadequação), subdividida em cinco tópicos gerais, que são:
Desadequação do modelo educativo (o que a Escola ensina e para quê?)
Referido por mais do que uma vez e por mais do que um interveniente (João Formosinho, Arsélio Martins, Albino Almeida...), sempre com acuidade e pertinência invulgar, este é, talvez, o Nó Górdio das eternas mudanças. Mudar parece ser o caminho, se, contudo, se fizer uma efectiva análise reflexiva da necessidade de se proceder a essas mudanças. É claro que o Mundo está em mudança, as Sociedades estão em mudança, logo, porque razão não aceitamos nós que a Escola está também em mudança e que o conhecimento, também ele, é fruto da mudança?
Desadequação dos modelos impostos/definidos (organização e gestão escolar, Coordenadores, Lideranças, avaliadores, etc.)
Outro pressuposto errado. A confiança depositada nas lógicas instrumentalizadoras da organização escolar. Ou seja, supõe-se que a política educativa é baseada nos agentes (políticos) da educação, contudo, são estes que se viram "posicionados" pelo sistema e que se alimentam dele, com, claro está, todos os convenientes (e inconvenientes) que daí advêem. Que é como quem diz: "fizeste a cama, agora deita-te nela"...
Desadequação da função educativa face às exigências sociais actuais.
Repetindo o já anteriormente referido, mas destacando a especificidade das aprendizagens, e, talvez aqui se deva reflectir a permência de "fazer bem". Os conteúdos básicos que possibilitam uma efectiva aprendizagem social (ou seja, o que é necessário uma nação aprender - formal, social e culturalmente, etc.) não são os mesmos a cada dia que passa. Logo, a Escola tem de saber isso e adequar-se, constantemente, a essa realidade. E segundo ficou evidente, há 30 anos que se esqueceu disso.
Desadequação dos pressupostos de avaliação do sistema, com fundamento nos Resultados
Partir do princípio de que a melhoria da qualidade do sistema implica, necessariamente uma melhoria dos resultados pode ser partir de um pressuposto correcto. No entanto, ficou por demais evidente que a inexiquibilidade da alteração do edifício legal, sem antes se proceder a uma efectiva clarificação dos seus fundamentos, é desastroso, na medida em que apenas quantifica os resultados da avaliação de forma "económica" e não social.
Desadequação da política educativa face à realidade político-social do país
Este é o país que temos. Estes são os portugueses que somos. Terá de ser, obviamente, para este país que as leis (e consequentemente, as mudanças) terão de ser objectivadas.
Como dizia o Arsélio: "Não é possível exigir seriedade aos professores, a partir de modelos pouco sérios e credíveis, i. e., veja-se o caso dos políticos profissionais..."
Sem querer produzir considerandos do tipo quem ganhou e/ou quem perdeu, uma coisa é certa, e utilizando as palavras da ministra: "O risco de tomar decisões é provocar o descontentamento!". Cabe-nos a todos nós ficarmos descontentes. É sinal que decisões foram tomadas!
Mas é fundamental que aceitemos que é necessário mudar!
12 de fevereiro de 2008
Que grande confusão...!
É mesmo uma grande confusão, a que vai na cabeça de muitas pessoas ligadas à Escola e à Educação!
Como acredito estar a acontecer um pouco por todo o lado, andamos todos (pelo menos os que estão ligados à educação) que nem baratas tontas à volta com critérios, instrumentos e relatórios e port-folios...
Mas que grande confusão!
A ajudar a confusão, os sindicatos, que, do alto da sua imensa "sabedoria", em vez de traduzir e operacionalizar, se limitam a complexificar e a intensificar o desnorte.
E pior ainda é que, em vez de nos dirigirmos a quem, de facto, nos pode ajudar, temos uma natural mania de achar que "nós é que sabemos".
Depois do triste episódio de "ver" os CPs a desenvolver Fichas de Avaliação (que, de resto, para quem leu com atenção o Artº 20º do Dec. Regulamentar 2/2008, estavam já definidas pelo ME) eis agora que surge a necessidade imperiosa de andar às voltas com a forma de apresentação das evidências do trabalho do docente...
Desculpem-me a ignorância, mas porquê definir o que está definido?
Desde sempre, que me lembre, me foram solicitados Relatórios de Análise Crítica, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos Individuais, Planos Anuais de Actividades, envolvimento na elaboração de Projectos Educativos de Agrupamento, Planos de Recuperação, Relatórios da Avaliação Trimestrais e Anuais de Cumprimento do PCT e tudo o resto.
Desde sempre os fiz (e continuo a fazer!).
Porquê então darmo-nos ao trabalho de desenvolver novas formas (os tais Port-folios que apenas duplicam o trabalho anteriormente feito, ou, quanto muito, lhe dão uma organização comum*) para aquilo que sempre fizemos??!!
E porquê perder horas de reunião/reflexão a tentar encontrar um fio condutor para a sua organização/elaboração, quando os critérios de observação/avaliação estão já, tão claramente, definidos?
Será que ainda ninguém leu as Fichas de avaliação do ME?
O que interessa agora, e é neste ponto que me parece haver muita confusão, é criar os critérios e tipos de registo que deverão reduzir a subjectividade inerente aos tópicos definidos nas referidas Fichas.
Quando se refere que o Coordenador deve, por exemplo, observar a "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas" (A.1 da Ficha de Avaliação Efectuada pelo Coordenador - Educação de Infância), o que me interessa a mim saber é como é que ele chegará ao sub-valor de A (0-4, em princípio), que contribuirá para a soma total (A+B+C+D) da avaliação.
Estas ponderações (se cada ponto deverá ser avaliado de 0 a 4, ou de 1 a 10, ou de 0 a 100) apesar de estarem dependentes do ME (como definido no ponto 2 do Artº 20º do acima citado Dec. Regulamentar), não impedem a possibilidade (ou a tentativa) de objectivação dos vários indicadores (itens) a "observar" pelo Coordenador para a questão A.1.
Por outras palavras, o que penso ser fundamental existir, neste momento, são os itens que permitam ao Coordenador (de entre documentos escritos, materiais produzidos, textos publicados, entrevistas, observações de aulas, etc.) atribuir um valor quantitativo!
Não podemos (eu pelo menos não posso e não quero!) ser avaliado apenas pela subjectividade e inferência da pessoa humana.
É importante definirmos que indicadores (ou itens) implicarão uma tomada de posição (ou, neste caso, valoração) por parte do Coordenador sobre, por exemplo, a tal "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas".
Se planifica; se não planifica; quantas vezes; sobre que critérios; com base em que modelo(s), de forma legível e clara; de forma diversificada; de forma coerente...
Estes sim. Estes são alguns dos indicadores (itens) que me importa definir, pois se tivermos estes indicadores definidos, será muito mais objectiva a avaliação pelo Coordenador. Basta que ele observe a sua existência e que a quantifique (em grelhas que devemos também ser nós a definir!). Seja da observação da prática, seja da análise de documentos escritos ou da Ficha de Auto-Avaliação!
Será assim tão difícil compreender que é isto que temos de fazer, AGORA!!!???
* O que, de resto, me levanta algumas dúvidas, na medida em que o Port-folio, e tal como definido no Documento de Recomendações do CCAP (sobre instrumentos de registo normalizados), não é um instrumento de registo normalizado.
Como acredito estar a acontecer um pouco por todo o lado, andamos todos (pelo menos os que estão ligados à educação) que nem baratas tontas à volta com critérios, instrumentos e relatórios e port-folios...
Mas que grande confusão!
A ajudar a confusão, os sindicatos, que, do alto da sua imensa "sabedoria", em vez de traduzir e operacionalizar, se limitam a complexificar e a intensificar o desnorte.
E pior ainda é que, em vez de nos dirigirmos a quem, de facto, nos pode ajudar, temos uma natural mania de achar que "nós é que sabemos".
Depois do triste episódio de "ver" os CPs a desenvolver Fichas de Avaliação (que, de resto, para quem leu com atenção o Artº 20º do Dec. Regulamentar 2/2008, estavam já definidas pelo ME) eis agora que surge a necessidade imperiosa de andar às voltas com a forma de apresentação das evidências do trabalho do docente...
Desculpem-me a ignorância, mas porquê definir o que está definido?
Desde sempre, que me lembre, me foram solicitados Relatórios de Análise Crítica, Projectos Curriculares de Turma, Planos Educativos Individuais, Planos Anuais de Actividades, envolvimento na elaboração de Projectos Educativos de Agrupamento, Planos de Recuperação, Relatórios da Avaliação Trimestrais e Anuais de Cumprimento do PCT e tudo o resto.
Desde sempre os fiz (e continuo a fazer!).
Porquê então darmo-nos ao trabalho de desenvolver novas formas (os tais Port-folios que apenas duplicam o trabalho anteriormente feito, ou, quanto muito, lhe dão uma organização comum*) para aquilo que sempre fizemos??!!
E porquê perder horas de reunião/reflexão a tentar encontrar um fio condutor para a sua organização/elaboração, quando os critérios de observação/avaliação estão já, tão claramente, definidos?
Será que ainda ninguém leu as Fichas de avaliação do ME?
O que interessa agora, e é neste ponto que me parece haver muita confusão, é criar os critérios e tipos de registo que deverão reduzir a subjectividade inerente aos tópicos definidos nas referidas Fichas.
Quando se refere que o Coordenador deve, por exemplo, observar a "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas" (A.1 da Ficha de Avaliação Efectuada pelo Coordenador - Educação de Infância), o que me interessa a mim saber é como é que ele chegará ao sub-valor de A (0-4, em princípio), que contribuirá para a soma total (A+B+C+D) da avaliação.
Estas ponderações (se cada ponto deverá ser avaliado de 0 a 4, ou de 1 a 10, ou de 0 a 100) apesar de estarem dependentes do ME (como definido no ponto 2 do Artº 20º do acima citado Dec. Regulamentar), não impedem a possibilidade (ou a tentativa) de objectivação dos vários indicadores (itens) a "observar" pelo Coordenador para a questão A.1.
Por outras palavras, o que penso ser fundamental existir, neste momento, são os itens que permitam ao Coordenador (de entre documentos escritos, materiais produzidos, textos publicados, entrevistas, observações de aulas, etc.) atribuir um valor quantitativo!
Não podemos (eu pelo menos não posso e não quero!) ser avaliado apenas pela subjectividade e inferência da pessoa humana.
É importante definirmos que indicadores (ou itens) implicarão uma tomada de posição (ou, neste caso, valoração) por parte do Coordenador sobre, por exemplo, a tal "Correcção científico‐pedagógica e didáctica da planificação das actividades educativas".
Se planifica; se não planifica; quantas vezes; sobre que critérios; com base em que modelo(s), de forma legível e clara; de forma diversificada; de forma coerente...
Estes sim. Estes são alguns dos indicadores (itens) que me importa definir, pois se tivermos estes indicadores definidos, será muito mais objectiva a avaliação pelo Coordenador. Basta que ele observe a sua existência e que a quantifique (em grelhas que devemos também ser nós a definir!). Seja da observação da prática, seja da análise de documentos escritos ou da Ficha de Auto-Avaliação!
Será assim tão difícil compreender que é isto que temos de fazer, AGORA!!!???
* O que, de resto, me levanta algumas dúvidas, na medida em que o Port-folio, e tal como definido no Documento de Recomendações do CCAP (sobre instrumentos de registo normalizados), não é um instrumento de registo normalizado.
8 de fevereiro de 2008
Mais do mesmo
Em momentos de ansiedade, vale a pena gritar. Este é o meu grito!
De que serve investir (e insistir!) numa Escola aberta, cooperante, integradora e inclusiva, quando aqueles que a constroem, dia após dia, são os que não permitem que estes adjectivos passem à realidade do verbo?
Para quando uma reflexão individual (mas com um sentido colectivo) sobre o que fazemos à nossa querida e amada Escola?
Para quando a assunção efectiva do nossos erros, omissões e incertezas como espaço e caminho de mudança?
Há tempos, numa crónica do brasileiro mais integrado que conheço (o Edson Athaíde), lia que "a culpa de Portugal são os portugueses", onde ele, numa muito divertida escrita, analisava, sem temor nem dó, algumas das mais reais dificuldades que sentimos diariamente. E o mais engraçado é que ele reflectia, e bem, que essas dificuldades se devem à nossa forma de pensar, de agir, de avaliar.
O nosso mesquinho individualismo, que se sente nas mais pequenas coisas, fazem, sem dúvida, a plena justificação da nossa inoperância e da nossa incapacidade de crescermos enquanto comunidade.
E por mais que possamos, todos ou só alguns, achar que "a culpa é dos outros", quem de nós não conduziu já em excesso de velocidade, ou não pegou no carro mesmo sabendo que, alcoolicamente, não estaria em condições de o fazer?
Ou, de forma mais simples, quem de nós ao passar por um qualquer sem-abrigo no centro da cidade, preferiu virar a cara como que a negar que a miséria existe?
São tantos, e ao mesmo tempo tão graves, os exemplos da nossa pouca (ou melhor, nenhuma) solidariedade nacional que, como muito bem diz o meu amigo Pedro "a hipócrita manifestação nacionalista em torno de uma bandeira, por ocasião de um qualquer campeonato de futebol, serve como a excepção que confirma a regra".
Eu, por mim, continuarei a ser um Ambientalista de algibeira.
De que serve investir (e insistir!) numa Escola aberta, cooperante, integradora e inclusiva, quando aqueles que a constroem, dia após dia, são os que não permitem que estes adjectivos passem à realidade do verbo?
Para quando uma reflexão individual (mas com um sentido colectivo) sobre o que fazemos à nossa querida e amada Escola?
Para quando a assunção efectiva do nossos erros, omissões e incertezas como espaço e caminho de mudança?
Há tempos, numa crónica do brasileiro mais integrado que conheço (o Edson Athaíde), lia que "a culpa de Portugal são os portugueses", onde ele, numa muito divertida escrita, analisava, sem temor nem dó, algumas das mais reais dificuldades que sentimos diariamente. E o mais engraçado é que ele reflectia, e bem, que essas dificuldades se devem à nossa forma de pensar, de agir, de avaliar.
O nosso mesquinho individualismo, que se sente nas mais pequenas coisas, fazem, sem dúvida, a plena justificação da nossa inoperância e da nossa incapacidade de crescermos enquanto comunidade.
E por mais que possamos, todos ou só alguns, achar que "a culpa é dos outros", quem de nós não conduziu já em excesso de velocidade, ou não pegou no carro mesmo sabendo que, alcoolicamente, não estaria em condições de o fazer?
Ou, de forma mais simples, quem de nós ao passar por um qualquer sem-abrigo no centro da cidade, preferiu virar a cara como que a negar que a miséria existe?
São tantos, e ao mesmo tempo tão graves, os exemplos da nossa pouca (ou melhor, nenhuma) solidariedade nacional que, como muito bem diz o meu amigo Pedro "a hipócrita manifestação nacionalista em torno de uma bandeira, por ocasião de um qualquer campeonato de futebol, serve como a excepção que confirma a regra".
Eu, por mim, continuarei a ser um Ambientalista de algibeira.
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