12 de dezembro de 2008

Portugal, Um país a Brincar!

Apesar de, enquanto profissional de educação, ter sempre defendido a importância do brincar e da actividade lúdica como eixo central do desenvolvimento humano, este título, que agora apresento, não é, de todo, nem expressão nem a defesa da qualidade do país e da sua autonomia identitária.
Infelizmente, este título tem o seu quê de irónico, até por isso mesmo: por revelar um país triste e desorientado.
Passo a explicar:
- Em que outro país do mundo, que tenha, pelo menos duas montanhas de altura superior a 1000m é que existe apenas um Limpa-neves?
- Em que outro país do mundo (e há poucos) que tenha uma mancha florestal superior a 1/4 do seu território é que não existem meios adequados de combate a incêndios?
- Em que outro país do mundo, que se queira incluir no grupo dos "Em via de Desenvolvimento" ou "Desenvolvidos" é que, possuindo uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) três vezes maior do que o seu território continental é que tem, apenas, quatro cursos superiores sobre Ciências do Mar (e isto para não falar dos meios de vigilância e acção marítima)?
- Em que outro país do mundo é que os deputados da nação faltam que se desunham a sessões parlamentares, se aumentam anualmente e possuem ligações exclusivas com empresas e entidades sobre as quais legislam?
- Em que outro país do mundo é que a criação literária e cultural é mais taxada (impostos, rendas, etc.) do que actividade desportiva (ou pseudo-desportiva)?
- Em que outro país do mundo é que os espaços desportivos (de futebol, é claro!) excedem, quase em triplo, a oferta per capita do conjunto de todas as outras modalidades desportivas?
- Em que país do mundo é que o Presidente de uma Região Autónoma ofende a identidade nacional, quase todas as semanas, e nunca foi sancionado?
- Em que outro local do mundo é que os cidadãos se resignam com todas estas situações?
Estaremos satisfeitos?
Valia a pena pensar (também) nisto!

1 de dezembro de 2008

Eu quero ser Avaliado!

Às vezes sinto-me muito pequeno.
E tem isto a ver com a sensação de impotência que as grandes, as largas maiorias nos impõem...
Depois de manifestações de 100 e 120 mil... depois de greves (que foram e que vêem)... depois de discursos de "ou vai ou racha", os que não são carneiros e que pensam pela sua cabeça são uma espécie de anormais, olhados de lado, estigmatizados e "corridos" dos espaços onde os "bons e interessantes" estão e conversam...
É assim que me sinto.
Não posso dizer que vivemos numa sociedade democrática.
Estamos até, bastante longe disso. E eu, que só tenho este espaço de opinião, pequeno e mudo, digo: Eu quero ser avaliado!
E quero ser avaliado com qualquer modelo de avaliação. E quero ser avaliado mesmo com este modelo de avaliação!
Já aqui o disse, este modelo enferma de bastantes questões complexas que não são, de todo, as mais eficazes, as mais correctas, as mais justas.
Também já referi que não concordo com o modelo de transparência e justiça que ele "oferece".
Também já escrevi que não aceito que um modelo que propala o Mérito seja tão disfuncional e iníquo.
Mas que raio! Eu quero ser avaliado!
E quero que seja com este ou com outro qualquer modelo de avaliação.
E que tal experimentar este e tentar corrigi-lo? Só depois de experimentarmos podemos, coerentemente, avaliá-lo!
Ou não estaremos já a avaliar negativamente antes do processo estar completo?
Será esse o medo de tantos e tantos carneiros? (desculpem, professores?)
Desculpem-me esta (parece que) deriva, mas não me sinto satisfeito quando aderimos à greve ou somos contra um sistema de avaliação sem sequer termos lido, atentamente, do que se trata. E digo isto com conhecimento de causa.
Há ainda muitos professores que não sabem que existe um Decreto Regulamentar 11/2008e ainda falam da avaliação referindo apenas o Decreto Regulamentar 2/2008, que, por sinal, não leram. E há também aqueles que se "encostam" aos que leram, analisara, reflectiram, para, com eles, "ganhar algum tempo"...
São esses que se manifestam. São esses que sempre se manifestaram. São esses que não querem ser avaliados (de forma nenhuma!)
Será possível?
São estas situações que nos demotivam e retiram do sério.
Não ao discurso incoerente do "Eu quero ser avaliado mas exijo a suspensão deste modelo!"
Já não estamos no PREC...
Que tal começarmos a pensar pelas nossa próprias cabeças?
Eu quero ser avaliado!

19 de novembro de 2008

A Avaliação pressupõe respostas, não impasses....

Estamos todos, como soi dizer-se "fartos desta treta!".
E razão teremos para isso.
Agora, assiste-se a uma espécie de "impasse negocial", que mais não é do que a continuação do mesmo.
Tenho ouvido, lido e comentado, com especial atenção, os múltiplos discursos, debates e reflexões que por aí andam.
O que me tem interessado é, como à maioria das pessoas, as possibilidades de "desempate", ou seja, a apresentação de efectivas soluções para o transtorno.
Não tem havido.
Quem fala, fala do que vê, do que ouve, do que sente...
Os professores, nas escola, esperam... Os sindicatos, continuam a gritaria muda, o Ministério, "joga para o lado", o governo mantém-se "firme e hirto" e, no final de contas, paga o "elo mais fraco": os alunos!
Revolta-me este estado de coisas. Mas revolta-me mais não apresentar soluções.
Durante algum (muito) tempo, ainda tentei, nos espaços que me obrigam, avançar com tentativas de trabalho (propostas concretas) que me pareceriam viáveis. Neste particular, há um especial "senão": o que é Lei, é Lei! E eu fui educado a ser respeitador da Lei (mesmo não concordando com ela!).
A Avaliação de Desempenho dos Docentes assumiu forma de Lei (mesmo sendo um Decreto-Regulamentar).
Pedir a sua "suspensão" é um ultrage aos Professores. Pedir a sua anulação é, teoricamente impossível (e mostrava que os Professores não querem ser avaliados). Parece-me que a possibilidade mais imediata é tentar a sua correcção.
Claro está que esta Lei enferma de muitas condicionantes a montante: baseia-se num ECD mal estruturado, baseia-se em princípios incongruentemente utilizados (Mérito, Organização do trabalho, melhoria da qualidade, etc.), baseia-se numa estrutura educativa que não existe e, acima de tudo, baseia-se em legislação ainda não devidamente regulamentada (Autonomia e gestão das escolas, CCAP, etc...).
Mas, mesmo assim, penso que é possível fazer sugestões.
Vamos a algumas delas:
1. Permitir que os CCAD possm ser constituídos por especialistas em Avaliação e/ou Supervisão Pedagógica;
2. Abandonar o príncipio de quotas na classificação (se tivermos três alunos de vinte não vamos deixar de os atribuir, só porque todos se vão candidatar à Universidade. Algum deles até poderá desistir...)
3. Tornar claro e explícita a divulgação das classificações;
4. Fazer valer o "historial" do docente e
5. Reconhecer que os Professores Titulares podem, neste contexto, não ser uma mais valia.
Estas são algumas, mas podem vir mais.
Servem para ir reflectindo.
Mas podem colaborar, sugerindo outras...

16 de novembro de 2008

Consciência Educativa...

Nestes tempos de profundo distúrbio no meio da Educação (será que ainda se lhe pode chamar assim?) anda meio mundo a falar de uma coisa e outro meio mundo a falar de outra completamente diferente.
Diariamente recebo dezenas (se não centenas) de mensagens electrónicas que, invariavelmente, falam de Educação. Também, ao ler os jornais e revistas do burgo, não faltam referências (muitas!) à tal Educação. Os programas de televisão que vejo (e confesso que gostaria de ver mais do que vejo), falam, também eles, da Educação. E são chamados a fazê-lo inúmeros "colunáveis", fazedores de opinião, ministros e antigos ministros, colegas docentes, e até pessoas que, parecendo que sim, não têm nada que ver, directamente, com este mundo.
Como docente, sinto-me feliz.
Relembro, constantemente a frase que diz que "Falem de mim. Mal ou bem, falem de mim!"
Pegando nesta frase, é com comoção que me alegro, porque, há muitos anos que tento falar de Educação e ninguém (ou quase ninguém) me dá ouvidos...
Falei do crime que era eleger alguns dos nossos colegas para os Conselhos Executivos criados com a 115/A, pois sentia, na altura, que os estávamos, tão simplesmente, a afastar de nós (e com eles o que de prejudicial nos parecia que representavam na escola, na sala de aula, na sala de professores...), como se, dessa forma, os "estigmatizássemos"...
Falei do crime que era converter os mesmos profissionais em funcionários de duas categorias diferentes (educadores de infância e restantes docentes), por ocasião da Alteração do Calendário Escolar para o Pré-Escolar, e que poucos "ouviram"...
Falei do crime que era a possibilidade de os sindicatos se poderem "vender" em detrimento do nosso (dos docentes!) interesses comuns quando da alteração do ECD e posterior aprovação de um novo texto...
Falei também do facto de os "velhos professores", muitas vezes (e eu senti, e sinto isso na pele!) olharem para os "novos professores" como "pau para toda a obra", atribuindo-lhes as turmas de que não gostavam, que não queriam, que não os "motivavam"...
Falei ainda do facto de não haver, efectivamente, reconhecimento do Mérito dos docentes (de todos os docentes!), nomeadamente nas coisas que fazem (muito!) bem...
Falei também da necessidade de todos nós (docentes e não só) nos unirmos em volta das questões pedagógicas e educativas, e saber valorizá-las como definidoras da nossa razão de ser e de estar nesta profissão...
E, por último, falei também da necessidade de, em todos os momentos, em qualquer momento, afirmarmos, de forma democrática e consciente, consistente e persistentemente (no seio da nossa escola, dos órgãos que nos "dirigem", nas associações e sindicatos que nos representam e até mesmo na nossa família...)a nossa especificidade e competência.
Mas, ao que parece, fui dos únicos.
Se todos tívessemos falado, participado, contribuído, se calhar, falaríamos agora de Educação por outras razões.
Reflicta-se nisto. E já agora, alguns dos textos em que "falei disto", estão por aqui arrumados...

12 de novembro de 2008

"Não queremos aulas de substituição"

O título deste "post" é quase uma parábola à Educação em Portugal, neste momento.
Lia-se num dos cartazes empunhados por um dos alunos que, claramente por sua própria iniciativa, se manifestava em frente a uma escola onde a Ministra se deslocou para mais uma das imensas festas que são convenientes em ano pré eleitoral.
Mas o notório da situação (e aquilo que nos terá de fazer parar para pensar) é mesmo o conteúdo da frase: "Não queremos aulas de substituição".
É assim que estamos.
Não queremos aulas de substituição, não queremos ser substituídos e, mais que tudo, não quermos que substituam nada!
Andamos há muito tempo por aqui a criticar o colega que falta desalmadamente, os alunos que, não tendo aulas por falta deste ou daquele colega acabam por fazer coisas que não devem (ou não deveriam), o facto de os nossos filhos, quando não têm aulas, não saberem aproveitar o tempo, e, a nossa incapacidade de "fazer alguma coisa". Mas se a tónica é: "façamos algo!", logo surge o cartaz: ""Não queremos aulas de substituição".
Pois é. O melhor é não substituirmos nada. Deixemos como está. Deixemos a escola aberta só até às 15.30h, deixemos a escola com buracos no chão e com água a escorrer pela parede e deixemos a escola sem material.
Depois falamos...

11 de novembro de 2008

Sobre professores, ministras e outras coisas...

Há já algum tempo que, infelizmente, não passava por cá.
O meu último "post" falava de tristeza, de tempo ocupado, de pouca clareza, de confusão...
Há algum tempo que não passava por cá, mas a razão é a mesma.
Mas agora, depois de uma manifestação em que muitos dos colegas participaram, mais uma vez (e esta é a minha opinião) motivados por muito mais do que aquilo que realmente pareceu (a mim e a todos os que, ou não são docentes, ou não os compreendem!), tive de vir cá deixar a minha opinião (ou, pelo menos, a explicitação das minhas ideias...).
Agora, anunciaram, foram 120 mil! E, para a grande parte dos que lá estiveram, ficou a impressão que "agora é que foi!".
Nada mais errado. Mais uma vez de nada serviu (nem servirá!). Infelizmente (e tenho-o dito aqui, algumas vezes) não será com manifestações, mas sim com acções concretas e claras, nas escolas, junto das famílias, na relação diária com o empregado do café, da mercearia e do cableireiro que temos de clarificar a nossa posição.
Sou o único docente de uma família de muitos irmãos. Continuo a ouvir, nas reuniões familiares, o que não quero nem gosto de ouvir. Sou tio de sobrinhos e sobrinhas que frequentam a escola pública. Continuo a ouvir (e a ver) coisas que não quero nem gosto de ouvir e de ver. Sou docente numa escola grande, com muitos professores e professoras. E continuo a ver, a ouvir e a sentir o que não quero nem gosto.
É fácil olhar para o lado e ser implacável. É fácil criticar e sugerir mudanças nos outros...
O que é mais difícil é saber que temos também de mudar.
E este é um alerta especial aos sindicatos e aos movimentos sindicais...
Que discurso é o do Professor que vai para uma manifestação exigir a demissão de uma Ministra que diz, em voz alta, o que ouvimos todos os dias em surdina?
Que professor critica um Estatuto da Carreira Docente que torna evidente o que andou a defender durante muitos anos? parece que nos esquecemos que também somos pais...
Pois é. Parece que já nos esquecemos. E o pior é que os que agora criticam são os que chegaram até ao topo da carreira sem esforço, e que, no meu entender, nem se preocuparam muito com o estado "a que isto chegou"...
De que serve uma manifestação de 100 mil se, no dia seguinte, se aprova uma lei que permite que "deputados, presidentes de Câmara e sindicalistas" atinjam a carreira superior (Professor Titular) sem sequer estar na Escola????
Há que pensar (bem) nisto!

22 de outubro de 2008

Desmotivador!

Há dias assim!
Há dias em que apetece viajar para longe, emigrar, ir à Lua ou pura e simplesmente desaparecer. E, no que me diz respeito, estes dias demoram a chegar. Mas quando chegam...
Envolvidos que estamos num turbilhão de opiniões, acções, ideias, sugestões, grelhas e avaliações, sobra-nos pouco tempo (ou nenhum!) para as coisas realmente importantes.
Tenho sentido, ultimamente, que quem paga a factura têm sido os meus alunos.
Têm pago uma factura demasiado alta. E apesar de eu, por princípio, nunca faltar, tem havido momentos em que eu não estou.
Não estou porque estou a pensar no que fizeram à educação. Não estou porque não consigo deixar de me envolver em outras reflexões. Não estou porque, além da coisa mais importante para mim (estar com os meus alunos e dar-lhes um bocadinho de mim a cada minuto), também me é importante reflectir a educação de uma forma mais global e geral.
Claro que me interessa reflectir, discutir, criar e avaliar (todos) os processos da Educação. E claro que me interessa (muito) participar activamente na minha Avaliação (aproveito para dizer que acho até que é o mais fundamental), mas não posso de exasperar com o que tem acontecido.
E o que tem acontecido?
Muitas coisas, e quase todas não muito boas.
Reflexões inúteis e espúrias, pessoas a exacerbarem as suas funções e aptidões, sistemas inadequados e, infelizmente, muito pouca clareza de raciocínio.
O que estamos a fazer à Educação?
Tenho pena. Tenho muita pena.
O que me parece é que há como que uma tentativa de fazer mal de forma consciente e propositada. E, sinceramente não sei quem possa ganhar com isso!
Mas pode ser apenas uma má interpretação minha. Espero que sim!

5 de outubro de 2008

Dia do(s) Professor(es)...

Neste nosso burgo, há como que uma coincidência muito feliz: o Dia do Professor é o mesmo do Dia da Implantação da República.
Não estivessemos nós em constante aflição e desespero, até poderiamos achar esta coincidência como uma espécie de "sinal dos céus"...
Hoje, ao ouvir o nosso Presidente da República a proferir o seu discurso de celebração(?) da implantação da República, e a páginas tantas, quando ele referia a "necessidade de excelência na Educação, como forma de (...) preparar o futuro", pus-me a pensar o que é que nós, professores, deveríamos fazer para cumprir escrupulosamente essa intenção.
E por mais voltas que tenha dado, só me lembrei de algumas coisas que não deveríamos fazer. A saber:
1. Não desvalorizar a nossa competência técnica e pedagógica, com comportamentos seguidistas;
2. Não facilitar a vontade do ME de apresentar resultados magníficos dos alunos (nomeadamente não permitindo que os momentos de avaliação externa produzam resultados "fantasma");
3. Não compactuar com irregularidades sérias e manifestarmo-nos contra elas nos momentos indicados (Conselhos Pedagógicos, Assembleias de Escola/Conselhos Gerais Transitórios, etc.);
4. Não baixar os braços e achar que "isso é só para os outros";
5. Não entrar em "cavalarias" mas também evitar o descontrole, nomeadamente através da produção de mais burocracia na Escola (estamos sempre a acusar o executivo de transformar o processo de avaliação em mais trabalho burocrático para os professores, mas esquecemo-nos que somos nós que o estamos a produzir...);
6. Não nos ausentarmos da possibilidade de escolher outro caminho (designadamente, votando e apresentando listas e ideias que defendemos);
7. Não acharmos que "Não há nada a fazer!", pois há, e é possível fazer;
8. Não deixarmos passar a oportunidade de mostrarmos que o que fazemos, fazemos bem e é meritório (nomeadamente divulgando, de forma clara, a qualidade do que fazemos);
9. Não desistirmos e;
10. acima de tudo, Não estragarmos o que fizemos bem!
Apesar de parecer negativista, tal a repetição da negativa, acreditem que esta pretende ser uma mensagem positiva, pois eu Acredito!
Bom Dia do Professor!

22 de setembro de 2008

Planificações, projectos, programas e mais "tralha" para fazer pior o que já não fazemos muito bem...

(este post é uma síntese de uma conversa com duas colegas, bastante enriquecedora e útil. A elas o meu obrigado)

Agora que (re)começamos a nossa actividade lectiva (para todos aqueles que possam ler isto e sejam não docentes, eu regressei ao trabalho no dia 26 de Agosto, e ainda não parei!), surgem também as (eventualmente) necessárias solicitações de planos, programas, projectos e tudo o mais.
Já tive a oportunidade de reflectir algumas das ideias que me assistem, em outros tópicos anteriores, mas quero dedicar este, especificamente, à educação de infância.
Surgem-nos, agora, as necessidades de "fichas de diagnóstico" e às "planificações", com vista à preparação do processo de avaliação docente.
Em relação às primeira, apesar de reconhecer que é um trabalho de muita importância, continuo a achar que, por mais que façamos muitas fichas de observação, de diagnóstico e de caracterização, estaremos sempre longe do que deveríamos.
Sobre algumas das fichas de avaliação diagnóstica/caracterização que tenho visto "por aí", urge dizer o seguinte: apesar de concordar inteiramente com o facto de termos de evidenciar o nosso trabalho, e ser pertinente e fundamental para a nossa prática possuir informação fidedigna, continuo a achar que podemos transformarmo-nos em nossos próprios reféns, pois, ao considerar um conjunto tão grande de "habilidades" para avaliar/observar, incorremos no risco de termos de passar duas horas por dia a "observar" se determinada criança faz ou não aquelas coisas...
No fundo, saber (aferir, neste caso) se aquela criança é capaz de enfiar uma "linha numa agulha" é pouco determinante para saber se ela é capaz de utilizar essa competência quando para isso for requisitada.
Ou seja, o que, para mim é importante avaliar é a capacidade de cada criança saber utilizar os conhecimentos para responder a desafios. Por exemplo, nós podemos criar uma "habilidade" que seja, por exemplo: "domina o rato do computador...", mas isso não nos diz nada sobre a competência dessa mesma criança sobre o saber interagir com o computador através desse periférico, nem da sua capacidade de reagir a estímulos ou de, positivamente, moderar capazmente a coordenação óculo-manual necessária para definir uma determinada resposta... (terei sido claro???)
Além de que, no caso da educação de infância, se quisermos "analisar" as crianças recém chegadas pelo óculo escolar (que é como quem diz, pelos programas, projectos, planos e outros que produzimos incessantemente, às vezes sem pensar neles, repetindo-os à exaustão) então teremos o problema acrescido de considerar que "as famílias falharam no seu papel de educadores!" (que é o que muito boa gente já anda a querer fazer).
Por outro lado, ao definirmos (tantos) comportamentos admissíveis de ser observados, quase que retiramos "prazer" à aprendizagem, pois corremos o perigo de começar a "fazer" as coisas aos nossos meninos só para obtermos resultados para nós...
Posso parecer um pouco "bruto" nesta análise, mas não é a minha intenção.
Em relação aos documentos de Planificação, é importante que os docentes tenham a acapacidade de prever e antever os desafios da sua prática lectiva, bem como as orientações globais da sua estratégia pedagógica, contudo espero que não confundam os documentos que produzem como uma "tábua rasa" ou como Bíblia.
Todas as planificações são esquemas conceptuais muito interessantes, mas não se pode ficar por aí, pois a Educação de Infância é a base da pirâmide da educação e, por isso, haverá sempre muitos outros conteúdos e áreas a explorar, e não apenas os discriminados nas ditas Planificações.
Ao limitar apenas algumas (e mesmo assim muitas) "áreas de intervenção" estaremos sempre a fechar a porta a outros, e, por exemplo, as TIC estão, cada vez mais, a assumir protagonismo na escola.
Ora, se nos esquecermos disso (por exemplo, nas planificações não basta pôr "Utilização das TIC") então, continuaremos a cavar o fosso entre educação de infância e Educação, e entre Educação e Desenvolvimento (nestas áreas que nos "falham" constantemente, lembro, por exemplo, as "ciências" ligadas ao ambiente/energias renováveis, ou à biotecnlogia, ou à genética, que assumirão, brevemente, um espaço importante na formação do Cidadão, e que já podemos "encontrar" nas discussões sobre OGM - Organismos Geneticamente Modificados).
Por outro lado, e porque nos esquecemos sempre que as planificações deverão obedecer sempre à lógica de que são desenvolvidas para dar respostas aos alunos, é bom que tenhamos em atenção que os objectivos que pretendemos desenvolver e capacitar terão de ser objectivos preconizados nesse âmbito, ou seja, que serão para ser atingidos pelos alunos/crianças, e não pelos docentes (o que costuma ser um erro crasso e comum em muitas das planificações que leio).
Será que me fiz entender?
Resta-me desejar um bom trabalho e um excelente Ano Lectivo!

11 de setembro de 2008

Autonomias...

O que é isto da Autonomia???. É um conceito complexo de entender.
E sinto que a coisa vai ficar, cada vez, mais preta. Por um lado, o ME quer dar às escolas e professores autonomia, por outro, as escolas e os professores não a querem receber. A desculpa, invariavelmente, é que "esta" autonomia implica receber menos dinheiro, e, logo, ter menos capacidade de “fazer coisas”.
Mas isso é uma falsa questão.
E é essa a ideia que nos vendem e que nós, sem querer e sem saber (ou seja, sem ler!) aceitamos como única.
Mas, desculpem-me a intrusão, o que o termo “autonomia” (em educação) pressupõe é que as escolas persigam objectivos de Qualidade, e que vivam disso!.
Estamos constantemente importar modelos do estrangeiro, maior parte das vezes sem os testarmos ou conhecermos bem, mas eis um exemplo simples que pode pôr algumas cabeças a pensar:
Na Suécia, por exemplo, ao nível do Secundário as escolas são, efectivamente, autónomas, quase como colégios privados. Não nos podemos esquecer, contudo, que o país está dividido em regiões administrativas (“län, em sueco”) e que cada região é competente em termos educacionais, desde, é claro, que respeite as orientações nacionais.
Nesse país, cada escola "especializou-se" numa área ou num conteúdo específico (sem menosprezar todos os outros. Por exemplo, estive, Falun (na região de Dalarna) onde, no ano anterior à minha estadia, tinham tido lugar os Jogos Olímpicos de Inverno.
Toda a cidade construiu espaços e equipamentos de raiz: desportivos, sociais, culturais, residenciais, etc. Neste caso concreto, a escola secundária ficou a "tomar" conta de alguns dos espaços e equipamentos, com competência para os rentabilizar no pressuposto educativo. O que acabou por acontecer é que, a escola secundária de Falun funciona, actualmente, como uma espécie de Universidade de desporto de nível secundário, tendo-se especializado, por exemplo, na formação de atletas mas também de técnicos desportivos e outros agentes do desporto. Alguns dos melhores (e actuais) campeões da Suécia fazem (ou fizeram) o ensino secundário lá...
Claro está que este tipo de escola tem muitos apoios: de marcas desportivas, de empresas desportivas, de entidades estatais...
Mas, assim é possível atingir alguma autonomia, quanto muito porque os resultados obtidos com a formação e a educação convertem-se em créditos financeiros capazes de suportar investimentos globais (da Escola).
Paralelamente, os “gestores” são equipas constituídas por docentes, não docentes e gestores profissionais (em Conselhos Directivos que têm até cinco pessoas).
Comparativamente, em Portugal, queixamo-nos do estado mas depois queremos ser dependentes do Estado!!!!
Não sei se será só receio da mudança.
Hoje ao almoço uma colega minha dizia que "Cada vez há menos Professores e cada vez há mais Técnicos de Educação", pode parecer rebuscado, mas é mesmo isto. Há cada vez mais pessoas (nem me digno a chamar-lhes professores) para quem dar uma aula é "seguir o que está no manual"...
E são estas “pessoas” que nós temos eleito para os Conselhos Executivos…
No fundo, a culpa é (também) nossa, individual e colectivamente.
A nossa história mostra-nos que, como cidadãos, optamos pela opção de “não nos querermos envolver", ou "isso é para os outros", mas depois acabámos por escolher os mais incompetentes.
E não só os que são mais incompetentes na gestão da "coisa pública" como os incompetentes na Sala de Aula (que nós pensámos que era melhor retirar da sala, a bem das crianças)...
Pensemos um bocadinho nisto, agora que se aproximam as “nomeações” dos Directores.

15 de agosto de 2008

6 de agosto de 2008

Allgarves ou alarves????

Continua em mim uma réstea de esperança, sempre que vou ao Algarve, de encontrar algo diferente (para melhor!).
Mas, como é característico das "almas insatisfeitas", segundo dizem, ou as mudanças são suaves ou eu acho sempre que nada foi (é) feito...
Este ano, após o lançamento da mega-campanha de "promoção e valorização do "outro" Algarve" (sic), estive, durante um tempo, esperançado de encontrar algumas coisas diferentes e para melhor, nomeadamente naquele que era o cartaz de promoção: a cultura e a arte!
Sinceramente, ou eu visitei um outro (ainda outro) Algarve, ou nem com o anglicismo lá vamos.
Visitar a Fortaleza de Sagres e deambular por um promontório rico de história, numa localização invejável e sentir que o preço da entrada deverá ser apenas para evitar suícidios do alto das arribas (há-de sempre alguém pensar que "se pago, não vale a pena"), pois nem uma simples placa descritiva da importância histórica e/ou geográfica ou uma qualquer disponibilização de informação (um folheto, um poster, o que fosse...) estão disponíveis para visitantes incautos (como eu).
Mas já agora, o reparo ainda para o desconto de 50% sobre o preço de entrada por "alguns serviços estarem temporariamente encerrados" (sic). Ora, se os tais serviços eram todos (cafetaria, centro de interpretação, centro de exposições, etc.), para que não restem dúvidas, eis a melhor evidância de que nem com muitos programas e projectos, em inglês, francês ou espanhol, lá vamos.
E para que não achem que estou a abusar, convido-os, na próxima deslocação ao Algarve, a visitarem o centro de exposições da Câmara Municipal de Albufeira...
... se estiver aberto!
Boas Férias!

23 de julho de 2008

Desafios de férias

Agora que se aproxima o período de férias (obrigatório) de Agosto, e porque, como cerca de 75% da população portuguesa, irei, também eu, dar-me o espaço de descanso e reflexão-base para o reinício de um novo ano lectivo, deixo, fazendo juz ao título do "post", duas pequenas notas para reflexão (que também me servirão a mim):

1. Quem, como eu, aproveitou esta desacelaração de pré-férias para pôr em dia as leituras, e para fazer um ponto de situação sobre o "que anda aí", decerto constatou que, neste pequeno e mal plantado país e apesar das muitas variações, há uma espécie de movimento contínuo de sentido único que, em último caso, é em defesa do espaço de "participação cívica".
Por isso, e porque a maior parte de nós vai de férias deixando as escolas e agrupamentos entregues (no caso da Rede Pública) a mudanças graves que se adivinham (Conselhos Gerais, Avaliação de Desempenho, Contratos de Autonomia, Professores titulares, etc.), o prmeiro desafio consiste em levar para férias alguns documentos que nos podem mudar a vida (profissional e não só), para os ler e seriamente reflectir (Decretos, despachos e tudo o mais).
Sobre as questões do novo Regime de Autonomia cabe-me alertar para o facto de o novo Conselho Geral (CG), e que não é o Conselho Geral Transitório (CGT) (este apenas eleito com três objectivos: alterar o regulamento interno; preparar o Conselho Geral definitivo e, se for caso disso, eleger o Director), ser de fundamental importância para o futuro da educação de infância. Em alguns regulamentos internos de Agrupamentos não está plasmada a necessidade de se introduzir, obrigatoriamente, um educador de infância nos eleitos do CG, e, pelo menos os que eu conheço até têm feito uma interpretação livre da lei que apenas prevê a eleição de "um educador ou de um professor do 1ºCEB".
No fundo, a nossa "participação cívica" começa, também, aqui. Na necessidade de nos envolvermos e não ficarmos apenas a "assobiar para o lado".

2. A segunda "reflexão" prende-se com as discussões que vamos assistindo sobre as metodologias, técnicas, projectos de trabalho, dinâmicas de avaliação e reflexão em educação. Como muito bem dizia uma colega num fórum de reflexão sobre educação, e fazendo uma síntese livre do seu pensamento: já está na hora de não embarcarmos em modas!
Às vezes interrogo-me, mesmo, sobre o que é isto de "ser educador de infância".
Quando, desde a escolha do curso, me perguntam sobre o porquê da escolha, me recuso a usar o eterno cliché: "gosto muito de crianças". Não tenho nada contra esta resposta, mas sempre achei que é diminuidora do nosso espaço (enquanto profissionais) e, acima de tudo, redutora da nossa competência pessoal e profissional.
No fundo, acho que toda a gente gosta de crianças, uns mais e outros menos, e, como é óbvio, às vezes nós próprios gostamos mais de umas do que de outras. Isso é natural e dizer outra coisa é, isso sim, uma mentira. Mas não pode ser esse o eixo diferenciador da nossa competência profissional.
Se querem que eu vos diga, por mais de uma vez pensei sobre o "porquê ser educador de infância?".
E, se ainda continuo com muitas dúvidas, há, pelo menos, algumas respostas que já aceitei como evidentes: porque quero fazer a diferença; porque quero viver num mundo melhor; porque sei que a educação das crianças e das pessoas (ou seja da Humanidade) começa na 1ª infância; porque acredito que a formação pessoal e social do indíviduo tem como base os anos iniciais da sua vida; porque acredito que o desempenho docente é um factor diferenciador e determinante para o sucesso educativo, cultural e económico de um país e, acima de tudo, porque a minha velhice (se algum dia a terei) está absolutamente dependente da qualidade educativa que eu agora busco.
São, como podem ver, razões bastante egoístas, e, como podem também ver, são razões que não dependem apenas e exclusivamente da existência de "crianças". No fundo, o que me move é a possibilidade de, num palco que é fundamental (a Escola) poder actuar de forma integrada, para obter um bom "espectáculo". E esse espectáculo é a nossa Vida!.
Por tudo isto, o meu segundo desafio (e agora termino porque já vai longa esta prosa) é que todos nós aproveitemos as férias para reflectir sobre de que lado do palco é que queremos estar: na plateia, como simples espectadores, para quem não interessa se a "deixa" do personagem é a correcta, ou se o guarda-roupa é o adequado ou no palco e bastidores, trabalhando como actores, encenadores, técnicos de luz e/ou som, aderecistas e pontos, conjugando esforços para que a Peça tenha sucesso?

Valerá, penso eu, a pena pensar nisto.

Cumprimentos a todos e umas excelentes (e merecidas) férias!

18 de julho de 2008

Calores...

Entrámos agora (se bem que, com todas as oscilações de que temos sido vítimas, não podemos ter muitas certezas!) no período de "calor infernal".
E eu preocupo-me!
Preocupo-me não apenas pelo calor, nem apenas pelo facto de este período do ano estar sempre associado às férias (pelo menos para os docentes!) e nem sequer pelo facto deste ano existirem alguns indicadores sobre a possibilidade de ser um período violento em termos de incêndios de Verão.
Preocupo-me, acima de tudo, porque é nestes períodos (de interrupção lectiva) que se dão as grandes mudanças em Educação.
Ou seja, é, normalmente, nestes períodos em que os professores vão a banhos, que se produzem algumas das mais belas preciosidades da legislação actual.
Se não acreditam, atentem: Diploma que altera o ECD e regime jurídico da Formação Contínua - preparado entre Junho e Setembro de 2006; 1º Concurso para Professores Titulares (entre Junho e Setembro de 2007); Avaliação de Professores (entre Agosto e Novembro de 2007)...
Mais plavras para quê?
Por isso, caros amigos e colegas: Não se afastem muito.
Se estiverem nas Bahamas, podem não ouvir falar do que "se está a fazer"! (se bem que apenas vão para as Bahamas os que se apresentam como Docentes só depois de lhes ser perguntado se "Deputado é profissão?"!..).
Tenham cuidado...
E, já agora, boas Férias!

27 de junho de 2008

Portugal GRANDE...

É verdade. Até parece ironia.
Depois da desclassificação daquela que disseram, em tempos, ser a melhor equipa de jogadores em representação de um país (o nosso!) até parece uma brincadeira de mau gosto este título...
Mas o que aqui quero "repescar" é a efectiva grandeza deste nosso país. Em que outro país da Europa (pelo menos!) se faz apenas uma hora e meia das montanhas do interior até à soalheira e magnífica costa marítima? Em que outro país europeu (pelo menos) se adormece num "deserto" seco e agressivo (Alentejo interior) e se acorda num verdadeiro oásis de calma e diversão (Guadiana e Alqueva)? Em que outro país se fazem 100Km (ou mais) para comer uma verdadeia Feijoada à Transmontana, e se pode, para ajudar à digestão, percorrer uma das mais bonitas paisagens naturais transformadas pelo homem (Douro Internacional)?
Pois é. Este é mesmo um grande País!
Mas, como não há bela sem senão, eis que temos de conviver com os seus habitantes. E, como diria o Edson Athaíde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"
Tenho muito orgulho deste nosso país e ainda mais de ser português, mas, fruto da experiência, da observação e, infelizmente, da vivência do dia-a-dia, às vezes apetece-me fugir para outro qualquer país.
Este é um desabafo como muitos outros que aqui tenho feito. E, claro, haverá quem diga que "mordo a mão que me dá de comer". Mas, com pena minha, as coisas estão complicadas.
No fundo, que outro cidadão do mundo é que culpa um Governo que ajudou a eleger quando este se limita a cumprir um Programa que apresentou para eleições? ou que outro povo, unido e valoroso, desdenha as conquistas de um seu compatriota (e agora, depois dessa pequena exclamação de desagrado pelo lido, lembrem-se do Saramago, que vive em Espanha, do António Damásio, nos Estados Unidos ou da Paula Rego, na Inglaterra - só para citar alguns - que bem podiam viver entre nós se tivessem sido acarinhados...)
É este "desdizer do outro" que irrita e que cansa.
Se há quem queira fazer (e já não preciso de dizer "fazer bem"), há logo quem (e, infelizmente, muita "gente") se posiciona para "deitar abaixo"!
É como se a inveja fosse uma espécie de desporto nacional, arreigado até aos dentes em cada um de nós. É como uma espécie de informação genética descriminativa, neste caso, de um povo, que oblitera e desmotiva...
Nas mais pequenas coisas (no dia-a-dia de um trabalhador, por exemplo) até às grandes coisas ("para quê a EXPO98?", "para quê o CCB?", "não é melhor fazer escolas e hospitais em vez de...")
Pois é. Não há escolas nem hospitais, mas quando surge um entendimento comum (europeu) que nos permite, de forma simples e rápida, ir ao hospital a Espanha, fazer a licenciatura na Inglaterra, ou pagar com euros na Bulgária, aí, meus senhores, aí cai o Carmo e a Trindade...
Até parece que nos esquecemos que andámos (muitos) anos a comer com o dinheiro que nos chegou da tal "Europa"...
Que GRANDE PAÍS o nosso. Só é pena umas pessoas tão pequenas...

14 de junho de 2008

Sobre algumas questões da "Avaliação do Desempenho"...

Alguém me perguntava como "tornar simples" alguns dos conceitos definidos nas fichas de "Avaliação de Desempenho", nomeadamente aqueles sobre "os resultados escolares dos alunos"...
Também me referiam a "vontade" dos colegas dos outros ciclos de "uniformizar" a(s) nomenclatura(s)
Sinceramente, não sei o que responder. De facto, há algum tempo já reflecti algumas das questões associadas a estes "documentos" de avaliação que nos foram (são) impostos. Penso que uma parte importante das dificuldades sentidas se devem, não aos documentos em si, mas à (negativa) imagem que, em alguns casos, fomos "passando" (ao longo de muuuuitos anos...), principalmente aos colegas de outros ciclos. Ainda há quem, dentro dos nossos agrupamentos, considere a EPE um espaço "para tomar conta dos meninos", infelizmente!
Claro está que, na sequência desse "entendimento", seja "normal" que nos "venham pedir" este tipo de coisas, sem sequer se preocuparem em compreender que a nossa actividade não é mensurável através dos mesmos instrumentos. Mas nós deixámos que eles desenvolvessem essa "ideia". E agora é mais difícil desconstrui-la...
Com base nas "perguntas" formuladas nas ditas "fichas", e para "responder" com alguma qualidade (portanto, eficácia) é importante que exista uma "tradição" de elaborar "bons" projectos curriculares de turma (PCT). Mas esta é, no meu entender, uma dificuldade gritante que tenho observado na nossa prática. Há muitos anos que (andando eu a navegar de escola em escola) verifico que, ao PCT, poucos são os educadores que lhe dão REAL importância. A nossa prática mostra que fazemos "copy&paste" de um ano para o outro e, raramente, "actualizamos" (a sério) a informação pertinente.
Logo aqui começa o "problema". Nesse sentido, é complexo avaliar o "progresso dos resultados escolares dos alunos no ano lectivo anterior" e "progresso das aprendizagens dos alunos relativamente à avaliação diagnosticada realizada no início do ano", pois, se não os clarificámos (contextualízámos, aferimos, contabilizámos) torna-se inglório fazê-lo agora. A minha única (e modesta) solução passa por aferir, num quadro de competências ampla e colaborativamente definido, o "intervalo médio" de aquisições suficientes (e por exemplo podemos utilizar - aqui sim - a organização das OCEPE) e, depois, "classificar", grosso modo, a "evolução registada" e, no capítulo "evolução dos resultados escolares dos alunos relativamente à evolução média daquele ano de escolaridade", definir um conjunto de "elaborações empíricas" que nos possam dar um modelo aproximado para cada idade.
Contudo, e neste último campo, não devemos incorrer no risco de definir "comportamentos e competências expectáveis", pois, dessa forma, ficaremos reféns dos "manuais escolares e da organização etária" que, por exemplo, os espanhóis estão agora, neste momento, a abandonar (depois de 10 anos de más experiências!).
De qualquer forma, estas tais "elaborações" que refiro devem, no meu entende, ser simples e generalizáveis. Algo de funcional e "comunicável", inclusivamente a "outros agentes" e parceiros...
Pelo exposto, mais uma vez refiro a necessidade fundamental de elaborar BONS PCTs, pois essa será a base de toda e qualquer "vontade" de avaliar desempenho dos educadores. Pode parecer difícil mas, de certeza, apenas o é devido à nossa pouca prática. No fundo, fazêmo-lo de outras forma. Só temos de nos habituar a definir prioridades...
Sei que esta minha reflexão poderá criar alguma dificuldade de "entendimento", até porque acaba por não ser uma "resposta prática", mas sinto, ao mesmo tempo, que devemos chamar de novo a nós (e sei que isto é difícil porque há sempre muitos colegas nossos que não estão para aí virados) a decisão de definirmos o nosso caminho, que é como quem diz:
A Educação de Infância somos (também) nós!

4 de junho de 2008

Participação, Descentralização e outros assuntos...

Descentralizar para participar. É a palavra de ordem.
Surge este tema após alguns exemplos de práticas menos conseguidas (e não por vontade "própria") que pretendem promover o conceito de democracia participada. Centrar-me-ei em dois momentos, ou seja, dois exemplos do referido "conceito".
No passado sábado, desloquei-me até à bonita cidade de Pombal no âmbito de um projecto (integrado numa dinâmica da qual me sinto, pelo menos co-autor) iniciado há cerca de três anos pela Associação de Profissionais de Educação de Infância, a que se deu o título de Sábados Temáticos, Partilhar e Reflectir a(s) Prática(s).
Estes momentos de reflexão e partilha conjunta, que começaram a ser realizados no último sábado de cada mês, na sede da associação, têm como principal objectivo juntar um conjunto mais ou menos alargado de profissionais para analisar, avaliar e integrar práticas, com base em testemunhos de outros profissionais que, pela sua dinâmica, pela sua experiência ou tão só pela sua vontade, desenvolvem actividades que, ao longo dos tempos, vão produzindo efeitos positivos e visíveis, e que, por isso mesmo, poderão servir como exemplo a seguir, ou, quanto muito, a "ouvir".
Após um primeiro ano de adequado funcionamento e aparente sucesso (transmitido pelas diversas avaliações dos participantes), eis que a associação decidiu responder aos inúmeros pedidos de "descentralização" que lhe chegavam, muitas vezes com "acusações" de "falta de vertente nacional" de uma associação representativa de todos os profissionais da área.
Não querendo assumir qualquer tipo de "juízo de valor" sobre a minha ida a Pombal para encontrar três exímias representantes (de um total de catorze pré-inscritos) da educação de infância, dispostas a participar e a colaborar num espaço de reflexão conjunto, acho que devo, pelo menos, apresentar algumas ideias-chave que urge reflectir: a minha deslocação a Pombal, apesar de subsidiada pela referida associação, não contempla um pagamento devido ao esforço pessoal e familiar (um sábado longe da família), ao desgaste natural de uma deslocação deste tipo, material e humano (desloco-me a partir de Lisboa) nem a infame ideia de que a minha prática possa não ter qualquer interesse em ser escurtinada.
Por outro lado, a minha constante motivação para participar, enquanto profissional e docente, em espaços de partilha, nomeadamente ao serviço de uma associação representativa, deve-se ao facto de acreditar, de forma incisiva, na força do diálogo, da reflexão e da partilha, pelo que, mesmo que fosse apenas um interessado em "reflecir em conjunto", iria, na mesma, a Pombal. Contudo, não posso deixar de reflectir que (e é verdade que assumi já, em tempos, funções de direcção na referida associação) senti como pessoais as (muitas) críticas constantemente dirigidas sobre a tal "centralização" das actividades, à incapacidade de "desenvolver actividades e acções fora de Lisboa".
Pois então, depois desta experiência de "não participação" de que me senti vítima, num espaço de "descentralização", não posso de me deixar de me indignar, sentindo-me perplexo e incomodado com algum "discurso" que por aí anda, onde a tónica é dada ao "nunca pensam em nós" e depois, é o que se vê...
Ou seja, e em jeito de conclusão: há quem "se esforce", "se dedique", "se exponha", com um objectivo de alargar as opções de escolha e depois recebe críticas?
O outro espaço de indignação que me assiste também é o da "desinformação consciente" que leva (algumas) pessoas a "passar ao lado" de coisas importantíssimas para a sua prática (e percurso) profissional.
Isto a propósito do espaço de "participação" que agora se inicia em quase todas as escolas (agrupamentos) do país com a publicação do novo Regime de Autonomia e Gestão das Escolas, onde o Conselho Geral (CG) provisório assume especial importância.
Os educdores estão, literalmente "a dormir" e, pelo que tenho visto, nem se importam de não estarem representados no dito. Como diz a lei, a eleição para o CG obedece aos "rigores" do método da média mais alta de Hondt, o que significa que, a existirem, pelo menos duas listas candidatas, os últimos lugares não serão eleitos. E são nestes lugares (nos que conheço) os "ocupados" pelos educadores...
Mais um exemplo de "participação" activa!
E não hei-de eu preocupar-me com a minha profissão??!!

27 de maio de 2008

Futebóis...

E estamos de novo, como soi dizer-se, "na senda do Futebol!".
Pois eu acho que, esta "dinâmica" serve, e muito, os interesses do chamado 4º poder! E não é aquele que normalmente se designa, quando, como é hábito, se fala da "comunicação social". Ou seja, acaba por ser, pois a comunicação social, esta "comunicação social", é, no fundo, a parte vísivel do verdadeiro "Poder": o dos "decisores financeiros", dos "homens da finança", dos "ricos e poderosos"...
No fundo, do "poder" daqueles que, vivendo cada vez melhor (e este "vivendo" não se aplica apenas às boas condições financeiras, às grandes casas e carros, aos grandes luxos. Este "vivendo" é mesmo aquele que diz respeito à capacidade de iludir a lei que os outros fazem, à desresponsabilização de que gozam, à inimputabilidade no que concerne aos crimes ambientais, sociais e culturais que, comummente, provocam...) mais penalizam os "outros": aqueles que para eles "trabalham", sofrem e se consomem diariamente, sem sequer terem a oportunidade de, algum dia, serem felizes.
E este "crescimento" noticioso sobre os tais "futebóis", mais uma vez, serve para disfarçar, iludir e, literalmente, enganar, a grande maioria, ou seja, os "outros".
E nós, nas escolas, nos serviços, nas repartições, nos transportes, lá vamos sendo enrolados, e iludidos a acreditar que "desta vez é que é!".
Não nos interessa saber (ou se sabemos, fazemos de conta que não é nada connosco) se cada um dos jogadores que foi seleccionado vai receber cerca de 700€ (!) por dia, para "representar a selecção de Portugal", ou que, em "caso de vitória na final", recebam cerca de 170.000€ cada!
Isso não nos interessa. E interessa muito menos saber que os outros seleccionados (do rugby, da ginástica artística, do judo, etc.), que igualmente "representam Portugal", por vezes, pagam dos seu próprio bolso para "representar Portugal". E também que, por exemplo, os docentes que (como eu) são convidados para apresentar uma comunicação num congresso internacional sobre "Práticas de Qualidade em Educação" não só tenham de pagar parte do alojamento do seu bolso como tenham ainda enormes dificuldades para justificar a sua "falta ao trabalho"!
Também não nos incomoda "ver" uma hora de informação televisiva dedicada a uns sujeitos que se esforçam por falar em português, e que tiveram a sorte de gostar de jogar à bola, a passear os seus bólides de milhares de euros, as suas casas de milhões de euros e, ao mesmo tempo, a passearem-se por um "bairro de lata" e a dizer: "nem um campo de futebol nós tínhamos para jogar, e continua assim" e não serem capazes de o mandar construir.
Não que não tenham dinheiro para o mandar fazer, mas porque alguém lhes disse que é o Estado que deve fazer isso.
E não será porque o Estado deixa de fazer essas coisas (campos de futebol, ginásios, pistas de atletismo, etc.) porque "investiu" todo o seu dinheiro nas diárias e prémios de jogo de uns quantos "incríveis"?
É contra isto, contra estas coisas que nos devemos rebelar. Não contra um senhor chamado José, que até podia ser uma Senhora chamada Manuela.
Não. Isso não nos interessa nada. Também não nos interessa saber que a gasolina e o gasóleo, de que, infelizmente, somos dependentes, continue a subir desmesuradamente, estrangulando o pouco que ainda existe para estrangular, e as gasolineiras tenham a coragem de apresentar lucros recorde de 175 milhões de euros!!!
Nem nos interessa saber que o desemprego, apesar dos "malabarismos" e "contabilidades criativas" do Governo (e ainda se diz que a Matemática, em Portugal, é catastrófica!), continua a subir!
Não. O que nos interessa mesmo é desfraldar a bandeira (ou atá-la à janela), cantar o hino (que nem sabemos) e ficar "orgulhosos" do sucesso dos nossos "valentes incríveis"!
Depois, o que vier, virá. Nem que seja a fome, o desemprego e, em alguns casos, o suícidio.
Depois, logo se vê!

14 de maio de 2008

Caminhar para a Excelência.

Devo reconhecer que, tendo em conta que há algum tempo que não vinha aqui, um título como o que proponho poderá (deverá!) ser entendido como uma espécie de auto-imposição, quiçá uma auto-punição.
Mas é um facto que, se o procedimento a seguir for o do "Caminho da Excelência", então, cada um de nós tem o dever de se impor algumas "obrigações"...
Mas a questão da Excelência (que não é nova no meu discurso e pelo qual estou, continuamente a ouvir a chamada "boca foleira") é-me, mesmo, muito querida.
Quando verso a Excelência, claro está que estou, conscientemente, longe daquela ideia de perfeição, que é vulgarmente usada (e confundida) e que se aplica (ou aplicam) aos procedimentos. Ou seja, na minha ideia, quando discurso (ou reflicto) sobre Excelência, não estou, de forma alguma, a quantificar, a tentar observar, ou mesmo a avaliar os procedimentos de elaboração/execução de determinado espaço de intervenção e/ou acção das pessoas, dos profissionais, dos organismos...
Quando reflicto sobre este tema, o que me surge é, essencialmente, um espaço aglutinador, quase holístico, de "pensar", "fazer", "avaliar"...
No fundo, o que me propõe o conceito de "Excelência" é quase um fim determinístico, que nos deveria impelir para...
É como se existisse um fim a atingir, que fosse ele, só por si, de Excelência.
Quando releio este e alguns outros meus textos sobre esta temática, fico, quase sempre, com a ideia que este meu discurso é confuso e sem desenvolvimento, por isso, vou tentar clarificar o meu conceito de Excelência:
Moro numa zona recentemente urbanizada. No plano de urbanização inicial, constam, além de um jardim público, um conjunto de lagos com os devidos "efeitos" de água, qual fonte luminosa. Quando, há três anos, me mudei, estavam a iniciar o processo de "construção" dos ditos lagos. Hoje, três anos depois, estão dois (de seis) a semi-funcionar (faltam luzes, acertos com os reguladores de água, etc.).
Claro está, que ao longo destes anos, foram inúmeras as visitas de técnicos, engenheiros, agentes municipais, etc.
Claro está, também, que o espaço em questão, desde que ajardinado, é visita frequente de centenas de cidadãos à procura de um espaço de passeio e repouso (apesar das fontes!), fundamentalmente, aos fins de semana.
Ninguém nos (aos residentes) sabe dizer o porquê deste atraso (ou incapacidade), mas, e é aqui que entra a minha perspectiva de Excelência, o que esta situação revela é uma incapacidade de nós fazermos as coisas com um objectivo cumprível no tempo e no espaço.
As perguntas que se impõem são: não estava já planeado, previamente, a existência deste espaço? não estava já (em urbanização) orçamentado? não fazia parte do processo de promoção/venda da urbanização? não estará já (é quase certo!) pago?
Se as respostas a estas perguntas são (como acredito serem), positivas, então porque raio de razão não está já o lago concluído? porque raio de razão se fica, tanto tempo, até se completar algo que, não tem razão para demorar?
É nesta perspectiva que reflicto a Excelência.
Excelência é, no meu modesto entender, o fazer as coisas de forma a que o seu resultado seja mais do que o nível standard normalmente assumido. Excelência é procurar fazer mais e melhor do que o antes feito. É objectivar o realizável mas exigir que o efeito seja superior. É evoluir para um novo patamar sempre que o anterior esteja, devidamente, assumido.
E não me venham com conversas de "telhados de vidro". Essa conversa não é para aqui.
Todos nós temos os nossos defeitos, as nossas incoerências, os nossos desejos.
Mas, Excelência, neste sentido, é TODOS fazermos pelos outros o que gostaríamos que nos fizessem. É, nesse sentido, uma espécie de vontade colectiva, um inconsciente colectivo, que nos mobiliza para queremos mais e melhor. Mas, acima de tudo, que nos dê vontade de participar nesse processo!
Excelência é, por exemplo, assumir que o critério define o espaço normalizado de intervenção e que a excepção é devidamente enquadrada (e não o contrário!)
Mas, como já disse, esta coisas da Excelência não é assim tão complexa como isso. Basta pensar um bocadinho!

(vide, a este respeito, as irreflectidas discussões - entre docentes - sobre as questões de faltas "possíveis", os tais 95% de "presença", para os docentes poderem obter a avaliação de Excelente.
Será que não é óbvio? será que só eu é que tenho de ser prejudicado com as faltas dos "outros"?
A trabalhar há mais de dez anos como docente, tenho a minha ficha bibliográfica limpa, sem qualquer tipo de falta (justificada ou injustificada), e isso, para mim, não é motivo especial de orgulho. Apenas aceito que é o meu dever e obrigação. Mas gosto de saber que, se tiver de faltar por alguma razão, posso justificar-me, e não o contrário, ou seja, que "justifico" a minha possibilidade de faltar. Além do mais, se fosse eu o "patrão", não gostaria, de certeza, que os meus funcionários faltassem tanto...)

27 de abril de 2008

25 de Abril. E depois???!!

Pois é.
Por mais um ano consecutivo um apelo veemente à "congregação de esforços" para que as comemorações do 25 de Abril não passem ao espaço dos "esquecidos"...
E, mais uma vez, este apelo vem do mais alto dignitário da Nação.
Pois é. Como eu dizia!
Mas o que é mau não é a repetição do apelo. O que é realmente mau é que, para "encorpar" o apelo, o Exmo. Sr. Presidente da República se tenha baseado em dados estatísticos que (com)provam que "os jovens estão distantes da realidade" (sic).
Mas vamos por partes.
Não terá o Sr. Presidente da República tido (em algum tempo, em algum lugar...) alguma responsabilidade pelo facto?
Não continuará a ter, ao, de forma tão parcimoniosa, não apontar, verdadeiramente o dedo aos que (se calhar como ele) terão interesse em manter este "estado de coisas"?
Não seria bem mais efectivo, dentro dos poderes que lhe competem, exigir uma mais eficaz "realização de Abril" junto daqueles que, realmente, podem fazê-lo?
E não seria mais eficaz também, disponibilizar-se para, nas escolas, nos centros cívicos, nos espaços comunitários, promover a participação e a partilha?
E, por último, não faria sentido, para que se "cumprisse Abril", que "coisas" simples como a discussão pública do "Tratado de Lisboa" ou a alteração da Lei Eleitoral (para permitir uma efectiva participação dos cidadãos!) fossem, realmente, consideradas IMPORTANTES!
Pois é, Sr. Presidente, as estatísticas só nos mostram os dados. As pessoas podem mudá-los!