15 de janeiro de 2010

"Educar crianças"...

"Entre nós as crianças são educadas para a dissimulação. Aprendem a prescindir do pensamento. Viver sem pensar é uma arte difícil. Exige um treino árduo. Em situações em que o pensamento aflora (um descuido), as crianças são ensinadas a não abrir a boca. No caso de serem forçadas a abrir a boca, enquanto pensam, nunca, mas nunca, devem dizer o que lhes vai na alma. A hipocrisia constitui virtude muitíssimo apreciada na terra dos homens-camaleões. Outras normas:
- Ter o cuidado de não deixar marcas da nossa passagem. Varrer as pegadas que ficam para trás.
- Não respirar na presença de estranhos. Sendo mesmo necessário respirar, deve evitar-se o mais leve ruído.
- Esforçar-se, sempre, por confundir-se com a paisagem, em particular a paisagem política.
- Em Roma sê romano, e de preferência um pouco mais papista do que o Papa. Quando os outros disserem mata, grita esfola.
- Ser sempre o último a sair da mesa (das festas, do escritório, etc.). Numa mesa com angolanos, os que saem vão sendo sucessivamente caluniados pelos que ficam. A punhalada pelas costas é desde há muito um dos nossos desportos nacionais"


José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical, 2009


Poucas vezes, neste espaço, tenho usado palavras de outros para exprimir o que sinto. Deixo essa vertente para outros espaços virtuais.
Contudo, esta passagem é deveras clara e clarificadora. Apesar de devidamente "identificada e temporalizada", nunca eu tal conseguiria.
Que me desculpe o Agualusa mas quem publica o que escreve pode ter de se sujeitar...
E que bem está dito...

30 de dezembro de 2009

Para todos, um Bom 2010!

É, normalmente, nesta fase do ano (os últimos dias, o "estertor da morte")que se fazem os desejos para o ano que se segue.
Como é também "tradicional" nestes últimos momentos, deseja-se aquilo que "devia ter acontecido, mas não aconteceu!".
É assim, sempre foi assim e continuará a ser assim por muitos e muitos mais anos.
Contudo, porque somos animais de hábitos, não passamos sem essa formulação "fundamentada e lógica", que nos liberta (pelo menos um bocadinho) e projecta num referencial pouco efectivo (a Sorte) aquilo que gostaríamos que, realmente, acontecesse num futuro próximo.
Assim sendo, aqui vai:
- Que 2010 seja um ano de mudança em termos ecológicos e ambientais;
- Que 2010 faça chegar a todos os portugueses a consciência de que, todos juntos, podemos fazer melhor;
- Que 2010 traga uma efectiva aposta na Educação e na Justiça como espaço fundamental para a melhoria e para o crescimento da economia;
- Que 2010 permita que se "veja mais longe" e que, consequentemente, se comecem a fazer projectos a médio e longo prazo (coisa que tem sido difícil, especialmente na Educação);
- Que 2010 seja o ano do retorno ao básico: Saber Pensar, Saber Ser e Saber Estar!!!!;
- Que 2010 permita que, no seu final, não tenhamos de voltar a fazer os mesmos "pedidos";
E por último, que 2010 seja mesmo o ANO das MUDANÇAS!
Bom Ano!

11 de dezembro de 2009

Aprendizagem Colaborativa

São muitas as mensagens que, diariamente, recebemos.
Algumas são especiais. Este é um caso:

Participar...

Já aqui escrevi algumas vezes que me surpreendo com a alguma incapacidade que a maior parte das pessoas têm de se envolver na "coisa pública".
Já o referi também que essa pouca disponibilidade, nomeadamente no que concerne às suas próprias escolhas pessoais, me é aterradora, na perspectiva da luta por uma "vida feliz".
Parafraseando um comercial de televisão, "se eu não fizer por mim, quem o fará"?
Mas às vezes, também fico siderado com as respostas que alguns desafios obtêm.
Serve isto para explicar (se é possível) o apoio e envolvimento que tenho recebido (em nome de uma equipa maior) para a nossa "causa". E a causa até é uma "causa" menor, se tivermos em conta os problemas mais latos e globais que o país e as pessoas actualmente enfrentam.
Em torno de um projecto associativo e profissional, tem nascido uma onda de apoio e solidariedade que, devo confessá-lo, me espanta de alguma forma. Não pelo valor intrínseco que o projecto, por si, possa ter, mas pela globalidade e origem de referências de agrado e cumplicidade.
Surpreende-me e satisfaz-me, porque, sendo eu um optimista melancólico, apraz-me registar que ainda há movimentos que despoletam paixões e acções.
E isso, enquanto "forma de vida", deixa-me feliz.
O meu obrigado pela "participação".

18 de novembro de 2009

Em Espanha, a defender o "que é Nacional é bom"!

Já que são parcas as vezes em que me "deixam" dissertar sobre as questões da Educação e da Educação de Infância, em locais públicos, neste cantinho "à beira Mar plantado", lá vou até Madrid para dizer em Espanhol o que não consigo que ouçam em Português...
Podem acompanhar o congresso através da internet e, se quiserem, participar "à distância".
Discorrerei sobre "Competências Tecnológicas no Jardim de Infância" e acima de tudo, absorverei o que por aí fora se anda a fazer nesta área...

5 de novembro de 2009

Sobre “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância”*

Num outro fórum em que participo, reflecte-se à volta das “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância” e, como é comum neste tipo de partilha, muito se tem dito, nomeadamente sobre o espaço da formação académica e, claro está, de definição de um quadro ético e deontológico.
Os comentários, designadamente os que nos oferecem uma maior profundidade de reflexão, consubstanciam, na globalidade, uma dinâmica de assunção de um problema que “urge resolver”…
Mas, independentemente de parte da reflexão se apoiar na perspectiva da pertinência da formação (inicial, contínua, especializada, etc.), prefiro destacar a "construção pessoal da profissionalidade".
Neste conceito, devo, para melhor entendimento, "ir buscar" um tópico de base da citada reflexão que enunciava um conjunto de pressupostos de “Ser Educador” (dos quais retirei alguns: Acompanhar e apoiar o desenvolvimento de cada criança; Desempenhar um papel social da mais elevada responsabilidade. (Valores Implicados) Humildade, respeito, cumplicidade, parceria, solidariedade, curiosidade, vontade de saber mais, igualdade, resignação, espírito de iniciativa, saber trabalhar em grupo; Vocação, entrega total, imparcialidade, justiça, bondade, altruísmo, partilha; saber ir ao encontro das necessidades, dificuldades, opiniões, … das crianças; ajudar as crianças a serem pessoas mais cultas, educadas, formadas a vários níveis…) que me fez sorrir: a forma como são apresentados fez-me imaginar estar a folhear um qualquer livro de "comics" americanos onde, nas primeiras páginas, se desfiam as características do super-herói protagonista...
E essa foi mesmo a sensação: a de que para alguém, os educadores/professores/docentes são super-heróis.
Desculpem-me discordar com esta visão de "Um Mundo Perfeito".
Independentemente dos valores (construídos ou inatos) do espaço social, das "obrigações e deveres" profissionais e do quadro (regulamentador) da tarefa educativa, não nos podemos esquecer, nunca, que o educador/professor/docente é um ser humano, com todas as características e condicionalismos que estão associados a esse seu estado.
Por tal, ao reflectir o espaço da organização ética e deontológica do educador/professor/docente, é fundamental incluir as questões referentes a sua condição humana e social.
Quantos de nós não erramos, não invejamos, não somos pouco solidários, não estacionamos o veículo em cima do passeio, não gritamos, não nos zangamos desnecessariamente, não somos racistas ou xenófobos?...
Faz parte da condição humana.
Citando a Prof. Isabel Batista (em entrevista à Página da Educação): "Na minha opinião, os valores éticos fundamentais dos educadores baseiam-se na proximidade e na responsabilidade. Neste sentido, costumo defender três princípios básicos: o primeiro é o reconhecimento da perfectibilidade de todas as pessoas, ou seja, de que todos podem e devem fazer um percurso de aperfeiçoamento - que, no fundo, é o direito de realização da sua humanidade. Para um professor, esta dimensão deveria constituir uma condição prévia ao exercício da sua profissão.
Depois, a crença incondicional na educabilidade do outro. Um professor que não crê neste pressuposto não pode acreditar que o aluno pode fazer um percurso de evolução positiva, nomeadamente através da sua intervenção.
Por último, a aceitação ética do negativo da educabilidade, ou seja, o princípio de que a educabilidade não pode ser exercida influenciando o percurso do outro a qualquer custo, porque o outro não é uma "obra" minha."
aproveito para sublinhar o aspecto da formação pessoal e social do cidadão como base do desenvolvimento de uma competência profissional.
Neste particular, e independentemente da formação (académica) que nos seja permitida, é de particular importância a reflexão sobre o espaço da nossa intervenção individual enquanto modelo educativo. Não será "visível", no espaço formal de intervenção educativa, a nossa incapacidade de partilhar? a incapacidade de integrar, efectivamente, os nossos novos colegas de profissão (a este respeito, a conselho uma "vista de olhos" a teses ou artigos sobre "Dificuldades de Integração Profissional dos Novos Docentes", nas quais, invariavelmente, os resultados apontam como principais dificuldades percepcionadas as questões da integração na escola e o convívio com os colegas como as primeiras - destacadas - objecções...)?, de articular, efectiva e eficazmente, no pressuposto da Qualidade Educativa?, de construir um espaço relacional sem ambiguidades e, acima de tudo, de coragem e frontalidade????
Ou seja, independentemente do quadro legal, institucional, de crenças e valores profissionais, falar de ética e deontologia é também falar de mim, do EU e da minha relação com os outros e, sobretudo, predisponibilizar-me para a crítica, para a melhoria e para o crescimento individual. E estes, infelizmente, ainda são conceitos arredados da reflexão docente...
Mas não deviam…!

*ou de outros docentes!

26 de outubro de 2009

Nova vida, ou novos desafios?

Comentava-se hoje, por bandas da Sala de Professores, o que nos traria um novo Governo e um(a) novo(a) Ministra da Educação.
Não tenho respostas. Não sou futurólogo mas sinto que posso afirmar que, sem que nada se mova, tudo possa mudar.
E nada se mova porquê?
Porque é conveniente iniciar um novo período de "bodo aos pobres" que permita uma navegação segura e sem percalços.
Porque é importante que não caia nada que não se aguente em pé, e que nada seja içado que deva estar caído.
Ou seja. Para já, mudanças só na possibilidade de acharmos que alguma coisa mudará...

12 de outubro de 2009

Sobre Tudo e Coisa Nenhuma....

Chegámos a um ponto em que tudo nos é possível.
Sem nos darmos conta disso, fomo-nos tornando cada vez menos exigentes e cada vez mais permissivos.
Não basta acharmos que "alguma coisa deve ser feita". É fundamental que o façamos.
Vem este comentário a propósito da (recorrente) Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).
Já muito foi dito e escrito, mas continuamos a ter a possibilidade de acrescentar mais uns pozinhos...
Hoje, a novidade foi a de que "neste contexto, não há professores excelentes!"
Desculpem-me discordar.
Infelizmente, como já tive, por mais de uma vez, a oportunidade de aqui referir, a principal (na minha modesta opinião) causa de mal-estar no grupo docente (e reparem que não lhe chamo classe, porque, por definição, teria de ser uma mole - humana - com o mesmo sentido) sobre este modelo de Avaliação proposto é o facto de partir do princípio que todos os docentes são maus e, por isso, deverão melhorar.
Claro está que, nesta base empírica, teríamos de falar da economia de escala, da curva de Gauss, da necessidade imperiosa de adequar recursos a objectivos e a resultados...
Não é, contudo, sobre estes pressupostos que agora me apetece reflectir.
Defendo que, sobre este (errado) modelo de Avaliação, bastar-nos-ia "pô-lo a funcionar" para ele cair. Ou seja, se todos nós, docentes, tivessemos requerido a "Avaliação Científica e Pedagógica", em menos de dias, todo o sistema ruiria. Além de que mostraríamos a todos aqueles que acham que não queremos ser avaliados que não é bem essa a nossa razão.
Dou-vos um exemplo: requeri a dita avaliação científica e a colega Avaliadora era docente titular de um grupo de lugar único. Nos dias em que esteve a observar-me, o seu grupo foi assegurado (para que funcionasse) pela colega do Conselho Executivo que para o efeito se deslocou...
A conveniência da coisa é que só três (em 21) docentes do Departamento solicitaram a tal avaliação, senão, quantas escolas teriam de fechar?
Serve esta interrogação para explicitar a forma mais adequada de fazer cair o modelo de avaliação: é incomportável!
Mas só fazendo-o funcionar é possível objectivar o efeito negativo e pernicioso que lhe está adjacente.
Porque temos nós medo de arriscar?
Mas gostava ainda de reflectir um outro aspecto. Tenho ouvido (e acaba por ser muito geral) que, na maior parte dos CEs (ou Directores, agora) o nível "Excelente" não tem sido muito "atribuído". Dizem-me, na maior parte das vezes que se deve ao facto de que "nenhum de nós é excelente!".
Ora aqui está uma vez mais, a nossa forma de pactuarmos com o sistema que nasceu torto.
Por definição, "Excelência" representa um estado abstracto de superioridade ou o estado de ser Bom no mais alto grau.
Ora, neste caso concreto (o da ADD), o nível "Excelente" corresponde a um espaço da graduação de avaliação (entre 9,1 e 10), logo, não corresponde a essa definição abstracta de Excelência.
Tivessem chamado a esse intervalo gradual "Muitíssimo Bom" ou "Óptimo" e se calhar não haveria pruridos, mas, talvez a escolha de palavra (e conceito) fosse propositada. Se calhar era intenção criar este "efeito nuvem" para que o prurido pedagógico-administrativo funcionasse em desfavor dos docentes...
Não havendo "Excelência" cumprir-se-ia a estratégia de "afinar por baixo" (com as tais implicações que isso teria ao nível da Carreira, da Curva de Gauss, etc., etc.), e, logo, de justificar a afirmação de que os docentes "são maus e precisam melhorar"...
Cabe-nos mostrar o contrário: que todos os docentes são excelentes, mas podem ainda ser melhores!
Mas como disse no princípio: chegámos a um ponto em que parece que tudo "não nos interessa", e, usando uma imagem proverbial: que nos comam, então, as papas na cabeça!
E, dito isto, acrescento que, tal como atribuo nota 5 (ou 20) aos meus alunos, se eles o merecerem e trabalharem para isso, também o Excelente para os docentes não me preocupa!

8 de outubro de 2009

Sobre manuais escolares e outros assuntos em torno da educação de infância

Já fui acusado de "radicalismo", por ser completamente contra a utilização de "manuais escolares" na educação de infância.
Compreendo que a força do dinheiro (editores, autores, intermediários, etc.) é grande e absorvente, contudo, gostava de deixar umas pequenas observações sobre este tema: na década de 70, os muitos manuais escolares em uso (que, na maior parte enalteciam as virtudes do Estado Novo) foram abandonados (queimados e destruídos, diria), ao abrigo de uma consciência colectiva que pretendia "libertar" o povo e as jovens gerações do "jugo do fascismo".
Nas décadas de oitenta e noventa, as editoras começaram a "importar" para os manuais escolares referências (directas) a marcas e, de certa forma, a publicitar, comercialmente, produtos e bens.
Na actualidade, o Ministério da Educação constituiu uma equipa para "avaliar pedagogicamente a qualidade dos manuais escolares", o que fez com que as editoras se tivessem de voltar para “novos mercados”...
Posto isto, sobre os manuais escolares, tenho dito!
Mas sobre a sua utilização, primeiro, aos que os confrontam com a utilização dos instrumentos tecnológicos (pondo-os no mesmo saco), devo dizer o seguinte: fazer essa discussão numa perspectiva de confronto (de opções e estratégias pedagógicas) faz-me perguntar se quem usa manuais usa também, assiduamente, o polidesportivo (ou a área de actividade física), se costuma subir às árvores, se costuma passear pelo campo ou cidade à volta do espaço escolar, se costuma ir à loja comprar bens e produtos, se costuma ir ao Centro de Dia e à Junta de Freguesia, se vai muitas vezes à Biblioteca Pública da zona, se costuma passar pelo Centro de Saúde e, se, por fim, costuma visitar pais e encarregados de educação nas suas actividades profissionais...
Estas perguntas surgem-me, fundamentalmente, porque, para mim (e aqui digo-o claramente) depois de “fazer” coisas e pensar sobre elas, não me resta muito tempo para treinar habilidades motoras específicas (fazer bolas e traços, pintar dentro e pintar fora...), ou, se me sobra, prefiro fazê-lo com o rato do computador (porque mais motivador para as crianças), com as histórias da Biblioteca (porque muito mais imaginativo) e com a pintura de painéis e cartazes (e reparem que não disse "desenhos") onde nos podemos - todos - exprimir com muito mais "espaço" (físico e psicológico!).
Creio que me entendem que do que falo são de opções pedagógicas e que, neste "debate" deve ser também entendida a necessidade de “conquistar, “aprender”, "incluir", "diversificar", "apoiar", "reflectir", e, acima de tudo "imaginar" e "criar".
Normalmente, quando lemos textos do Sá ou de outros "pensadores da modernidade", temos uma clara consciência de que eles falam de um "Mundo idílico", onde as crianças têm o direito de brincar, de pensar, de imaginar e de criar. "Por culpa dos pais" (expressão nossa), é um mundo difícil de alcançar, e estamos, continuamente, a criticar as opções das famílias, dos colegas, dos "outros"...
Para terminar esta reflexão, gostaria apenas de deixar uma imagem forte: imaginem o dia-a-dia de uma criança de 4 ou 5 anos que chega ao JI às 8.15h da manhã, começa por pintar uma fichas copiadas (que a animadora, ou assistente operacional lhe dá para "matar o tempo"), e depois, das 9.00h até que os colegas cheguem e completem o grupo, brinca com um puzzles e jogos de encaixe, parando às 10 para um pequeno lanche. Segue-se a “brincadeira livre” (onde até pode ser a pintar umas "fichazitas", “porque gosta”) e, depois da higiene, vai, em fila indiana, de mão dada, até ao refeitório (que fica a 10 metros de distância, em linha recta e sem obstáculos)...
Depois de almoço, porque está a chover, vai até à sala polivalente onde a animadora lhe dá mais um postalinho do Dia da Mãe para pintar e, quando volta à sala de actividades, vai acabar aquele trabalhinho do saquinho com cheirinho para levar à Mãe. Depois, ao fim do dia, volta à sala polivalente onde a animadora lhe preparou aquele filme espectacular do "Rei Leão" que ela já viu 40 vezes mas que continua a "gostar de ver", até que a mãe a vá buscar, para quando chegar a casa, a por à frente da televisão (ou do computador) a ver o episódio novo do Noddy...
Imaginem que esta pequena descrição é meramente especulativa e que não será, nunca, realidade em Portugal.
Imaginem ainda que o Jardim de Infância não é (nem será nunca!) um espaço onde se toma conta de crianças e, por fim,
Imaginem que o trabalho dos educadores de infância é tão socialmente considerado, que os colegas dos outros ciclos lhes pedem, encarecidamente, para os receberem nas salas onde eles podem aprender algo sobre Educação Sexual, Formação Cívica, Abordagem de Projecto ou Formação Pessoal e Social.
Depois de imaginarem todas estas coisa, façam o exercício de perdoar a este desbocado e compreender que ele, por vezes, não consegue exprimir o que lhe vai na alma de forma concisa , pertinente e assertiva.
Por isso, aceitem-lhe o sincero pedido de desculpa que ele vos envia...

27 de setembro de 2009

Nova vida????...

Escrevia eu, no último post, que me afligia a possibilidade de termos mais do mesmo.
À hora que escrevo este post, estão a anunciar, na televisão, as primeiras sondagens (à "boca de urna", como gostam de dizer) nas quais os resultados eleitorais não surpreendem, globalmente, todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena pensar...
E não surpreendem não pelos resultados em si, mas mais pelo facto de, com eles, podermos constatar que os portugueses são, de facto, uns seres estranhos.
Por um lado ouvimos, ao longo dos últimos 4 anos, uma constante crítica violenta sobre os políticos e, consequentemente, sobre as suas políticas.
Ao longo dos últimos meses, estas mesmas críticas centraram-se, fundamentalmente, na pessoa do Primeiro-Ministro (e, no caso dos docentes, na Ministra da Educação).
Nos últimos dias, o Governo em funções "foi o pior de sempre", e o seu Primeiro-Ministro, o "culpado de todos os males".
Pois agora, com os resultados apresentados nas sondagens a confirmar que o partido do Governo continuará, nestes próximos tempos, a gerir a "coisa pública", confirma-se que os tais "portugueses" são, maioritariamente, masoquistas.
Coligado ou não, com coligações/acordos de conveniência, com constantes "golpes de rins" caso a necessidade obrigue, o que é facto é que esta forma de governar, bem como as políticas que a consubstanciam, continuarão.
Não quero, aqui, fazer uma análise da qualidade/pertinência dessas políticas, mas não deixa de ser estranho que, apesar das inúmeras críticas/manifestações/declarações de vontade, os "portugueses" (seja lá o que for que significa essa formulação) escolheram continuar como até aqui.
Claro está que é ainda mais estranho saber que foram esses mesmo "portugueses" que elegeram, por exemplo, o ex-Presidente do Conselho, António Salazar, como o "Melhor Português" de sempre. Foram também esses "portugueses" que optaram por escolher, para Presidente da República, a mesma pessoa que tinham, literalmente, "corrido" do Governo, quando as coisas começaram a "ficar feias"...
Pois é. Os "portugueses" merecem bem o que têm. E não me venham comparar o meu país com a Filândia ou com a Nova Zelândia: eles (esses países) podem ser óptimos para viver, mas por muito que queiram, jamais terão como cidadãos os ilustres "portugueses". E isso não lhes permitirá, nunca, ter a capacidade bivalente de serem vítimas e culpados.
E, para quem gosta de pensar, isso é um excelente desafio...

21 de setembro de 2009

Mais do mesmo...

Estamos, neste momento, a cinco dias de mais umas eleições legislativas.
Poderia (se estivessemos num "país normal") ser um momento envolvente, excitante, ansiosamente esperado...
Mas não é.
Frente-a-frente situam-se duas propostas por demais conhecidas: num lado, um Partido (dito) Socialista que, nos últimos quatro anos empurrou um país quase sem rumo para um abismo de onde será difícil sair.
Afirmo, mais uma vez, que não culpo, especialmente, o Partido Socialista (nem os seus "representantes"), pois, infelizmente, a "gestão da coisa pública" há muito que não está nas suas (deles, os políticos) mãos. Somos, cada vez mais, um "objecto" de intervenção europeu.
Independentemente de serem Sócrates e companhias, pouco diferente seria se fossem outros.
Do outro lado do frente-a-frente, uma Manuela (e reparem, não digo Partido Social Democrata) bem conhecida de todos nós: ex-Ministra da Educação (e que memórias!!!!), ex-Ministra das Finanças e de Estado (quem não se lembra do aumento do IVA e do PEC????). Mais palavras para quê?
Fica este post apenas para que todos aqueles que se manifestam fartos, irritados, descontentes, desesperados ou outra coisa qualquer, tenham consciência de que não vale a pena fugir das responsabilidades: será a vossa decisão de voto no próximo domingo de que falarão nos próximos quatro anos.
Tenham cuidado com o que querem dizer/decidir!
E já agora, bons resultados eleitorais!

13 de setembro de 2009

Bom ano (lectivo)!

A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado
Wilde, O.

Com esta citação, deixo aqui assinalado o início do ano lectivo (efectivo) que amanhã começa.
A Educação é, sem dúvida, uma coisa admirável. E os seus efeitos são-no mais.
Mas o que é facto é que não podemos confundir Educação com Ensino e, consequentemente, não podemos confundir "educados" com "ensinados".
Que consigamos, ao longo de mais um ano lectivo, motivar para a aprendizagem, para o conhecimento, para o interesse, para a cultura, para a solidariedade, para a humildade e, dessa forma, para a Educação.
Bom ano!

2 de setembro de 2009

Conhecimento

Não se percebe bem porquê, mas o facto é que se assiste, com demasiada frequência, a uma espécie de desejo colectivo de que os outros, os que nos rodeiam ou os que estão por perto, não prestem, não sejam capazes nem competentes. Como se as limitações dos outros fossem a nossa margem de manobra, como se os deméritos dos outros fossem os nossos méritos, como se a falta de esperteza dos outros fosse a nossa inteligência.
in em teoria, o amor é sempre bom. Leal, I.


Não são palavras minhas, mas podiam sê-lo. Quando reflectimos sobre competência, sobre capacidade de fazer, de pensar, de executar, tendemos, quase naturalmente, a assumir uma atitude etno e egocêntrica.
Defendo que competência (ou incompetência) é um conceito ligado, de forma irreversível, a um outro ao qual, muitas vezes, aparentemente, não se dá valor: Conhecimento!
Conhecer é saber e, consequentemente, saber é agir conscientemente e de forma capaz. Ora, se assim é, incompetência é sinónimo de ignorância (ou melhor, de desconhecimento).
Não saber, não conhecer, é o primeiro passo para agir de forma inconsistente, prejudicial e incorrecta. Logo, desconhecer é um sinal evidente de incompetência.
E quando refiro desconhecimento, não me debruço apenas na capacidade de saber-fazer, mas, e fundamentalmente, na capacidade de reflectir, de liderar, de proporcionar...
Ser ignorante é ser incapaz de delegar, de confiar, de trabalhar em equipa e de pôr em comum o que melhor nos servirá a todos.
Ser competente, é, por oposição, ser capaz de se envolver, fazer envolver, acreditar, confiar e produzir.
Por tudo o que agora exponho, desejo, neste início de ano lectivo, que todos tenhamos coragem de querer saber mais, de querer Conhecer!

16 de agosto de 2009

O Mundo é estranho...

Este é apenas um apontamento, algo enigmático, que quero deixar registado: o Mundo é estranho!
O nosso Mundo, o Mundo dos outros, o Mundo do Mundo, o lado do Mundo, o Mundo do lado...
Todo o Mundo é estranho.
Em quem podemos confiar senão em nós próprios?
E será que podemos?
"Vive pela Espada e morrerás pela Espada"...
Ouvia esta frase quando me diziam para evitar fazer algo de que arrependesse. Sempre que fiz algo,do mais pequeno ao maior feito, fi-lo convicto de que seria melhor para mim, em qualquer momento, viver pela e com a verdade.
Encarei, enfrentei, fiz-me forte quando me aptecia chorar, chorei quando era melhor rir.
Tudo isso porque dei a primazia à honestidade e à sinceridade.
E de que valeu?
Talvez um dia seja recompensado.
Talvez sim... Mas o mais provável é que não.
O Mundo é estranho!

10 de julho de 2009

(Muito) Mais do mesmo...

Já o escrevi, aqui. Algumas vezes.
Sei que escrever aqui não é sinal de que o conteúdo e a razão da escrita, só por si, altere o que quer que seja.
A escrita funciona como uma espécie de confissão partilhada de incapacidade e de saturação. E, por vezes, ajuda a fazer uma certa "digestão" das situações.
Tenho-me como um cidadão participativo e participante, empenhado e honesto, envolvido com as causas e orientado para o "bem comum".
Sei que, por vezes, essa solicitude é (bastas vezes) confundida com uma vontade de "brilhar" ou, num registo que considero mais ofensivo, de "vaidade pessoal".
Tenho plena consciência que não serei, facilmente, compreendido.
Devo, contudo, referir, em minha defesa, que sou avesso a "cargos", "tachos", "recompensas" e demais "prémios" que, normalmente se concedem (seja por justiça seja por "silenciamento") aos que, de forma quase permanente e impertinente, procuram a mudança.
Qualquer que seja.
Nos últimos tempos, seja em espaços de colaboração profissional, seja numa lógica social, envolvi-me em desafios (porque não dizer confrontos?) que tiveram como objectivo principal promover (provocar!) a mudança. Reconheço que foram desafios extremamente arriscados e díficeis, na sua maior parte porque de confronto com uma situação instalada e suportada num "modo de fazer" que é, desculpem-me a honestidade, demasiado "português".
Senti, ao longo desses processos, um apoio que não pedi, um envolvimento pelo qual não lutei e uma união que não julgava existir mas que, em determinados momentos, me mostravam que é possível ambicionar a mudança.
Mas reconheço agora que, tal apoio, não passou de uma "habitual" assunção de que "é preciso fazer algo, desde que sejam outros a fazê-lo".
A idade, o esforço, a paciência (que vai findando) mostram-me que não devo (e não quero!) fazer pelos outros o que eles próprios não fazem por si.
Custa-me ter de assumir isso. É contrário ao meu fundamento cívico e pessoal. Mas farei um esforço por respeitar esta minha nova vontade.
Tenho consciência que ninguém me "encomendou o sermão", mas custa-me assistir, diariamente, a injustiças, a queixas, a constatações de impotência.
Se me envolvi foi, também, para dar a cara por um conjunto de evidências de incompetência, ignorância, maus funcionamentos...
Sei-o agora que só na minha cabeça tais dislates eram censuráveis.
Porquê fazer uma manifestação de vontade, se, no íntimo, não queremos que nada mude? Porquê apelar à mudança se, no fundo, "estamos bem assim"? Porquê insistir na justiça se ganhamos com o seu contrário?
Custa-me este "baixar dos braços", mas digo-o aqui: não me venham com tretas sobre a necessidade de mudar de governo (de governar, gerir, dirigir...)!
Por mais que eu não o aceite (ao governo), aceito que, em Democracia, a maioria "dita"!
Mas neste(s) processos aprendi a reconhecer a maioria "a posteriori", ou seja, aquela em que todos ficam a ganhar, porque, no fundo, não quiseram que nada mudasse, apesar do apoio "incondicional" (prévio) à vontade de mudança....

30 de junho de 2009

Virtuosismos...

Num passado recente, bastou a "compra" de melhores condições para alguns (os que, há muito tempo, fazem das estruturas sindicais a sua casa), para se "deixar passar" a aprovação...
Agora, a quatro meses das eleições, rompem-se "negociatas"...
Será que não há mais nada para negociar?
Será que todas as pensões, destacamentos e acessos automáticos estão garantidos?

22 de junho de 2009

Calores...

Está prestes a começar aquela altura do ano (comummente chamada de "Silly Season") na qual todos começam a assumir um comportamento, no mínimo, estranho.
Este ano, apesar de estarmos a preparar eleições (legislativas e autárquicas) não vai ser muito diferente.
Tenho quase a certeza que a indolência provocada pelo calor alterará (negativamente) a atitude dos portugueses, e, como se espera, a época de acasalamento das Garças Reais e dos Flamingos será ocupada por um desinteresse evidente pelos "assuntos da nação".
Já aqui o escrevi, continuo a acreditar que todos os povos têm o país que merecem (ou será o contrário?!) e, como não poderia deixar de ser, também este se enquadra no perfil.
Possivelmente andaremos a ouvir falar do que foi feito e do que poderia ter sido feito...
É sempre assim, mas, para que, pelo menos fique mais fresco na memória, aqui deixo algumas "pérolas":
O que deveria ter sido feito e não foi...
...a avaliação dos professores;
...a redução da pobreza;
...a promoção do Turismo;
...a valorização dos recursos naturais do país;
...a reforma da justiça;
...a alteração do método eleitoral;
...o combate à corrupção...
Sei que esta lista é igual às inúmeras listas que vamos vendo escritas por aqui e por aí. Sei também que alguns dirão: "mas não falaram (eles, os outros, os políticos...) do mesmo?".
Deixo-a aqui escrita apenas para funcionar como "marcador de tempo". Até quando falaremos das mesmas "necessidades" de sempre????
Haja vontade de mudar! E não se esqueçam: as eleições estão já aí!!!

12 de junho de 2009

O que mudar...

Às vezes gosto de comentar as dissertações do nosso Presidente da República...
E tenho-o feito amiúde, normalmente a partir das peças oratórias com que ele nos brinda nos "dias especiais"...
Desta vez apetece-me comentar o discurso dele no 10 de Junho de 2009...
Disse ele, para quem quer ouvir, estar preocupado com os níveis de abstenção eleitoral que marcaram as eleições europeias, no passado dia 7 de Junho...
Mostrou-se ele atento à "mensagem" que tem recebido dos "vários agentes" sobre a "pobreza democrática" a que esse "comportamento" das pessoas levará...
Está ele consternado com a "qualidade das instituições democráticas"...
Pois bem, tem toda a razão para estar.
Também nós estamos.
Daí, as perguntas: Para quando uma remodelação dos processos eleitorais deste país? Para quando uma alteração ao procedimento de governação desta "democracia" forte? Para quando procedimentos claros e eficazes de organização administrativa da coisa pública? Para quando um processo claro de financiamento dos partidos políticos? Para quando um espaço de igualdade entre os que já são "políticos" e os outros que o querem ser? Para quando um tratamento justo aos que não se veêm reconhecidos nos partidos do espectro político nacional?...
Podem parecer perguntas "difíceis", mas têm (ou podem ter) respostas directas: Quando pessoas com responsabilidades políticas no país (como o Sr. Presidente da República!) o quiserem, pois será, a partir de dentro, que a mudança se fará.
E nós continuaremos mudos, surdos e imóveis...
"et pur se muove"...

1 de junho de 2009

O imobilismo é geral...

Sinceramente, às vezes sinto-me completamente incapaz de viver esta vida...
Já aqui o escrevi, e só por isso mantenho esta atitude que é a de defender o "experimentar antes de negar"...
Sendo educador, são muitas as vezes em que os meus alunos, ou por nunca terem experimentado, ou até porque "ouviram dizer", se negam a experimentar algo.
Seja a sopa, seja um novo jogo ou mesmo uma nova forma de fazer algo, o que é certo é que, por uma natural e quase inata resistência à mudança, o "Não quero!" ou "Não gosto!" sai muitas vezes antes de pensar.
Assim somos nós durante toda a vida.
São mais as vezes em que o nosso receio e incómodo de mudança nos impede de evoluir, que o contrário.
E é-o em todo o lado: na escola, na família, na comunidade...
Pensamos sempre (acho eu) que se tudo estiver "na mesma, como a lesma", não sofremos muito com isso: porque já conhecemos o que "aí vem", já "sabemos o que nos espera" e, além disso "eles são todos iguais!"
Mas quantos de nós se preparou convenientemente para a tal "crise" que muitos propalam?
E se há certeza que eu tenho é que ela, essa "crise", ainda não se mostrou. Por enquanto, há centenas (senão milhares) de novos desempregados que ainda continuam a subsistir graças aos subsídios de desemprego e ajudas de familiares...
Mas, e quando isso acabar?
E não faltará muito para que estes "adeptos" do imobilismo social (que somos todos!) venham para a rua e se manifestem.
Mas sei que essa "manifestação" não terá, em nenhum momento, a exigência de um novo comportamento e atitude de cada um de nós. Não!
O que teremos, estou certo, é a reclamação unilateral de cansaço e de saturação face "aos outros, aos que "nos governam"...
Mas então e nós?
Não teremos alguma "culpa"?
Não fomos nós que, constantemente nos recusámos a mudar?
Não sou adepto de "cheques em branco", mas se bem me lembro, até nas mudanças que teoricamente são simples (como mudar um Governo por pessoas sérias e honestas), nos tem sido difícil mudar, apesar das evidências.
E se continuarmos a negar o desconhecido, mais fundo bateremos!
Valeria a pena pensar nisto...

29 de maio de 2009

De onde vem isto?...

De onde virão os recursos para as faustosas cerimónias que se começam a observar, por esse país fora, no que à posse do Director diz respeito?
Chegam-me informações (algumas, admito, contraditórias) sobre as tomadas de posse que os recém escolhidos Directores têm encenado (ou alguém por eles) que, para quem, como eu, sempre se mostrou céptico sobre as reais intenções que, por vezes, se escondem debaixo de uma carapaça de "continuidade" e de "mais-valia", que me fazem saltar a pulga da desconfiança.
Que razão dá azo a que, num momento de convulsão social (pelo menos no que à Educação diz respeito), se produzam elementos de tamanha evidência festiva, com convites dirigidos a Directores Gerais, Presidentes disto e daquilo e órgãos de soberania para "presenciar e ser parte interessada" numa "revolução para a Educação em Portugal"?
Suspeito imenso destes unanimismos e, acima de tudo, sinto um enorme desconforto por achar que, mais uma vez, seremos enganados.
Que opções temos nós?
Há quem diga que as eleições legislativas farão o "acerto de contas", mas, apesar de optimista, sou céptico o suficiente para achar que não serão umas meras eleições que mudarão o "estado das coisas".
Já teria sido o tempo. Agora, tenho a certeza, há muitas mais "mãos molhadas"...
E terá de começar em cada um de nós a vontade de mudança. E não basta apenas "atribuir culpas e assobiar para o lado". Nas pequenas (e nas grandes) coisas, temos de assumir o que realmente pretendemos. Que até pode ser muito bem o que temos.
O que é importante é provocar a queda da máscara.
Estaremos prontos?
A acreditar no que vou vendo...
...ainda não estamos!