25 de setembro de 2010

Aferições...

Foi apresentado (sem pompa nem circunstância, como a actual "crise" obriga) o Plano da Educação para o próximo triénio.
Das novidades esperadas, poucas (ou nenhuma, para ser sincero) surpreendem. Contudo, há uma ou duas questões que nos podem (devem) assustar.
A primeira (e para mim mais pertinente) prende-se com o "objectivo" de "aumentar e melhorar os resultados escolares dos alunos". Este objectivo, sem dúvida adequado, vem, no entanto, "embrulhado" num presente explosivo: faz-se depender os níveis de partida dos resultados das provas de aferição.
Até aqui, para um leigo, julgo não existir qualquer tipo de problema.
Mas, se quisermos ir um pouco mais ao fundo, e, principalmente se conhecermos algumas das premissas que consubstanciaram a existência de provas de aferição, não podemos deixar de nos preocupar.
As provas de aferição, apresentadas, na sua génese como uma forma de "aferir" as aprendizagens dos alunos em diversos momentos da sua frequência escolar, foram, num primeiro tempo, "construídas" como elementos avaliativos de "menor importância". Posteriormente, com o surgimento da regulamentação do modelo de Avaliação de Desempenho dos Docentes, foram apontadas como elementos contributivos.
Após a contestação que tal procedimento motivou, o Ministério da Educação recuou e deu por "dispensáveis" estes elementos de avaliação.
Contudo, porque havia que enviar dados para a Europa, continuaram a realizar-se e (aqui é que é importante parar!) de certa forma, porque seria importante maquilhar os números (subsídios "oblige"!), organizaram-se de forma a "simplificar" e "inflacionar" os resultados reais.
Quem esteve envolvido nos imensos grupos de correctores, supervisores e acompanhantes, sabe que a "ordem" era (é!) para "subir", ou seja, "em caso de dúvida, favorece-se o aluno". Claro está que, neste momento nem me interessa discorrer sobre as "enormidades" que daí advieram, com especial enfoque nas "actualizações conceptuais", que, em alguns casos tornaram credíveis e acertadas lógicas e procedimentos que, desde sempre, foram considerados errados e negativamente "educativos"...
Mas, como escrevia, o que me assusta não é tanto as questões das "enormidades" nas próprias provas e no processo de elaboração/execução, mas sim no "futuro próximo", que faz garantir os resultados a atingir pelas Escolas com base nos resultados das Provas de Aferição.
Se tivermos em conta o estado bastante inflacionado dos resultados, podemos, desde já, imaginar o esforço hercúleo que as escolas terão para suplantar os valores que, por "obrigação" administrativa, tiveram de apresentar. Quer isto dizer que, por exemplo, as escolas terão como valores de referência (para a "melhoria dos resultados escolares dos alunos") valores completamente inalcançáveis.
Posto isto, resta-me dizer: e nós, estamos à espera de quê?

3 de setembro de 2010

5 Mitos sobre "Complexos Escolares"...

Muito se tem falado, por estes últimos dias e na sequência do encerramento de (tantas!) escolas, nomeadamente no já desertificado interior rural do país, dos Complexos Escolares.
Sem dúvida que, na maior parte dos casos, devemos reconhecer que os custos associados à manutenção de espaços, equipamentos e pessoal, bem como à rentabilização social e pedagógica do investimento são, à luz dos "novos" parâmetros económicos (ou economicistas!), desnecessários e até de evitar.
Contudo, esta "normalização económica" faz com que as velhinhas "escolas" do Plano Centenário, as P3 ou mesmo as escolas da República que, em alguns casos, durante mais de 50 anos se mantiveram como efectivo centro cultural e social de um determinado local, fiquem, literalmente, votadas ao abandono.
Esta é, talvez, uma das análises a fazer, no que concerne às questões associadas ao problema da "desertificação".
Contudo, e após prática de cinco anos em "Complexos Escolares", que, grosso modo, dou como positiva, levantam-se algumas questões que resolvi considerar como Mitos Associados aos Complexos Escolares.
A ver:

Mito 1. Os complexos escolares disponibilizam melhores espaços.
Não sendo completamente errada esta afirmação, há, contudo, que fazer algumas ressalvas, nomeadamente no que diz respeito à qualidade dos espaços, à sua adequação e adaptação.
Acredito que as equipas que os planeiam, organizam e constroem estão imbuídas de nobres intenções, contudo (e claro que falo apenas da minha experiência) falta alguma sensibilidade pedagógica e mesmo social na sua concepção.
Como "casos concretos", apresento apenas algumas "questões" que vale a pena reflectir: porque é que, na maior parte das vezes, os espaços (salas) dedicados a actividades de complementos educativo (prolongamentos, ATL, CAF, etc.) são espaços mal equipados, distantes da entrada/saída dos edifícios (tendo em conta que, será, teoricamente nestes espaços que se fará a recepção/entrega dos alunos) e, normalmente insuficientes para a totalidade dos alunos que o vão frequentar (se considerarmos, num complexo escolar de média dimensão - cerca de 300 alunos - que a(s) sala(s) dedicadas a estas actividades têm, no máximo 60mt2 para cerca de 20% dos alunos, ou seja, cerca de 60 alunos, significará menos de 1mt2 por aluno)?
Ou, em alternativa, a questão de acessibilidade: quando se juntam salas de pré-escolar e de primeiro ciclo na mesma escola, com, normalmente as primeiras a ocuparem os pisos térreos, porque então colocar "serviços" (biblioteca, salas de informática, etc.) nos pisos superiores?
Impedem um fácil acesso e tornam-se "pouco utilizados".

Mito 2. Os complexos escolares dispõem de melhor equipamento
Sem dúvida que, na maior parte das vezes, o equipamento disponível é melhor adequado e em maior quantidade, contudo, as "salas de informática", as bibliotecas, os refeitórios e outros espaços "multidisciplinares" e multifuncionais pecam pela necessidade de manutenção e gestão que, na maior parte das vezes é inexistente ou desadequada.
Veja-se o caso das salas de informática. Com equipamentos "avançados" (nas palavras dos gestores), mas, normalmente, mal organizados e com questões complexas de gestão. A organização e manutenção é assegurada por técnicos autárquicos, correntemente sem qualquer formação pedagógica e "com pouco tempo" para assegurar um efectivo acompanhamento; as salas não são desenhadas de acordo com as necessidades educativas; não dispõem de equipamento acessível a todos (especialmente nos casos de alunos com Necessidades Educativas) e, na maior parte das vezes, nem sequer "funcionam" como espaços pedagógicos.
Há ainda a questão dos espaços de trabalho para docentes: normalmente deficitários em termos de equipamento, não promovem, por exemplo, uma efectiva articulação educativa, pois, globalmente, mantêm as características/paradigmas das escolas que lhes deram lugar: cada um no seu canto!

Mito 3. Os complexos escolares dispõem de mais pessoal
Este mito é, automaticamente, descredibilizado pelo tipo de "atribuição" de pessoal não docente às escolas: a partir do momento em que funciona o critério "rácio", as coisas complicam-se. Ou seja, de que forma é que, existindo um rácio suportado pelo número de alunos (e, dessa forma, presumindo que a existência de pessoal não-docente é, fundamentalmente, para apoio pedagógico) se limpam e mantêm espaços "extra" (bibliotecas, salas de apoio, salas de informática, refeitórios, etc...)?
Tomemos como exemplo um espaço de jardim de infância com três salas (75 alunos) incluído num complexo escolar: se existirem duas assistentes operacionais (rácio de 1 adulto por cada 40 crianças), para, fundamentalmente, se proceder ao apoio pedagógico educativo (5 horas lectivas diárias), quem mantém (limpa) o polidesportivo, a biblioteca, os WCs, etc.? Além de que os espaços comuns da escola são também utilizados por todos os alunos e famílias do jardim de infância...

Mito 4. Os complexos escolares disponibilizam melhores serviços de apoio
Sem dúvida que, se centrarmos a "oferta" de serviços nas questões da alimentação (refeições) e do acompanhamento extra-horário (prolongamentos, actividades de enriquecimento curricular, etc.), há uma melhoria efectiva que deve ser destacada, contudo, e mais uma vez (e até por algumas "razões" antes apresentadas), se falarmos de "serviços", não podemos descurar a qualidade da oferta destes serviços, e se tivermos em atenção que, na maior parte das vezes, os serviços que realmente se poderiam destacar são fornecidos por empresas, por técnicos com pouca (ou nenhuma) formação ou ainda por funcionários com também outras funções (ou até mesmo por docentes), chegaremos, facilmente, à conclusão que os "serviços" e a forma como são prestados não correspondem aos desejos antes enunciados.

Mito 5. Os complexos escolares favorecem a Articulação/Continuidade Educativa
Este é, talvez, o mito que o é apenas porque, neste momento, é ainda cedo para avaliar, efectivamente, a transversalidade da oferta e a efectiva articulação pedagógica conseguida.
No entanto (e mais uma vez refiro a minha prática), quando estes complexos escolares comportam, fisicamente, mais de um ciclo de ensino mas apresentam, na sua construção e organização, diversos espaços delimitados e confinados, é difícil, senão impossível, aproximar técnicos, docentes, alunos...
Se num complexo escolar com dois ciclos, há duas salas de professores, uma porta que divide, fisicamente, os espaços, uma gestão que "obriga" a um "pedido de licença" específico de utilização de espaços comuns ou ainda uma "discriminação" relativa ao uso de equipamentos e materiais (fotocopiadoras, faxes, etc...), então, a "articulação" (que deveria passar por uma efectiva aproximação entre profissionais), fica condicionada à partida...
Também para os alunos, que se vêem "obrigados" a viver em espaços (parques, recreios, etc.) distintos, a articulação (pessoal e social) com outros alunos e esquemas de funcionamento, não existirá.
Pelas "razões" que apresentei e outras mais que poderia referir, há, julgo eu, bastantes condicionantes (e meramente em termos pedagógicos e educativos) a uma efectiva "vantagem competitiva" dos novos espaços escolares.
Que estas reflexões possam ajudar a resolver problemas. Sinceramente que gostava.

1 de setembro de 2010

Porquê ir "para fora cá dentro"?

A pergunta que faço, no título deste post, deve-se às experiências que me foram concedidas neste período de férias.
Por opção (forçada, mas opção), dediquei estes (poucos) dias de descanso profissional a "visitar" o que por cá temos. Devo dizer, antes de mais, que me orgulho de conhecer bastante bem o nosso país (que desde cedo escolhi conhecer) e, em alguns casos, o que optei por fazer este ano foi "revisitar" alguns sítios que não visitava há bastante tempo.
Apesar de ter começado por locais tão distantes como Caminha ou Sobral de Monte Agraço (só para lá chegar foram quase 45 minutos!), o que me chocou mais foi mesmo visitar o Castelo de S. Jorge.
Começando: já não ia visitar o local há cerca de dez anos. As memórias que dele tinham eram, apesar disso, bastante presentes. Lembrava-o como um local interessante mas um tudo nada "parado". Ou seja: um local que merece uma visita esporádica, nesse intervalo de tempo. É interessante "ver" Lisboa desse ângulo...
O que não esperava era que me pedissem sete euros (!) para aceder ao seu interior. E ainda menos esperava que se mantivesse tudo (mas absolutamente tudo!) na mesma.
É inacreditável o elevado preço para nem sequer existirem umas placas descritivas, ou algum tipo de animação, ou mesmo algo por que o preço valha...
Começa tudo na bilheteira: um conjunto de diferentes "modelos" de bilhete (com exclusão de professores que, como eu, pretendam, também, preparar uma possível visita pedagógica com os seus alunos), no qual apenas os residentes no Concelho de Lisboa têm entrada gratuita (azar o meu que resido em Odivelas!). Dos muitos "tipos" de bilhetes, nem um que pudesse "favorecer" um visitante como eu: que até convidei uns amigos para me acompanharem, e, por isso, senti-me na obrigação de lhes pagar a entrada...
Depois, lá dentro, uma imensa pobreza paisagística: apenas as fabulosas vistas de Lisboa (que, contudo, são igualmente esplendorosas a partir do "gratuito" Jardim do Príncipe Real), mas tudo o resto, decididamente, inócuo e repetitivo. O castelo de Beja, apesar de despojado de "animação", está bem melhor. E a visita é gratuita.
Por último, apenas uma esplanada (integrada no restaurante do local) onde me pediram dois euros por uma garrafa de água de 33cl...
Mas para acabar em grande, a visita pelo bairro do Castelo (que me mostrou um Teatro Romano cada vez mais votado ao abandono), grosso modo, mal cuidado e pouco "turístico (com o miradouro João Castilho votado ao abandono e à degradação) culminou no pagamento da módica quantia de 4.90€ de parque, por duas horas de "visita"...
Tudo somado, o dia saiu-me por muito mais do que uma diária na República Dominicana na tarifa "tudo incluído"... E no Castelo de S. Jorge nem sequer passei a noite...
Não fossem as "mais-valias" de um "passeio" a Caminha, onde ainda é possível aproveitar, quase gratuitamente, das excelentes condições de visita e animação (além de óptimas paisagens, cuidadas e mantidas), o "ir para fora cá dentro" deixaria muito a desejar... (e nem falo no Algarve, em Torres Vedras ou no Cartaxo, por onde também andei...).
Se me sentisse bem, poderia, de certeza, ter deixado umas migalhas nos cofres das empresas (e instituições) portuguesas e, dessa forma, contribuir também com um pequeno quinhão para a recuperação económica nacional, mas, assim, a coragem não é muita.
Juro que não gastarei muito mais dinheiro a "ir para fora cá dentro". Na realidade, e apesar de defender até à exaustão o que de tão bom temos, começo a ficar cansado de que não olhem por nós. Se calhar tenho de imigrar, para que tudo me pareça mais belo quando voltar...
Tenho pena. Muita pena!

5 de agosto de 2010

Não há longe, nem distância...

Hoje relembrei o título de um livro do Richard Bach que li nos "fulgores" da minha adolescência...
Já não o lembrava, mas, quando se recuperam memórias de amigos, de "prazeres", de momentos, tudo funciona como uma espécie de "marcador".
É, sem dúvida, uma verdade inquestionável: Não há longe, nem distância!
E que bom é confirmar isso. Está tudo tão perto. Tão docemente perto. Os sons, os cheiros. As "vibrações" dos momentos vividos.
Voar para perto dos que nos querem e a quem nós queremos não é assim tão difícil.
Façamo-lo!

1 de agosto de 2010

Ler, Ver, Sentir...

Hoje não me apetece ler.
É raro o dia em que não me apeteça fazê-lo.
E sinto-me triste, melancólico, desinteressado por não querer fazê-lo.
Os livros (e as revistas e os jornais, e os folhetos e as legendas...) fazem parte daquele tipo de "instituições" sem as quais não posso viver. É nos livros (ou melhor, nos "escritos") que encontro, quase sempre, aquela força, aquela vontade de continuar. Aquela capacidade de suportar, de imaginar que o melhor está a chegar.
Mas hoje não me apetece ler.
Porque será?
Espero que me passe depressa esta não-vontade e que tudo se recomponha.
Sinto-me estranho por isto...

22 de julho de 2010

"Mudar as regras"...

Ontem ouvi o Ministro Adjunto (Pedro da Silva Pereira) afirmar, entusiasticamente e com toda a "certeza" do seu ser, em relação à proposta do PSD de Revisão Constitucional, que "mudar as regras do jogo a meio não faz parte da consciência política deste Governo"...
Será que se esqueceu que foi o "seu" Governo que alterou, "a meio do jogo", a idade da reforma, o sistema de avaliação dos funcionários públicos (professores incluídos), as regras para acesso aos serviços (mínimos) de saúde, a organização do mapa de escolas, o atendimento (de segurança) às populações...
Claro está (como eu sempre aqui defendi) que as mudanças, globalmente, são boas. Mas uma coisa é fazerem-se "porque sim", outra coisa é ter o período adequado para as reflectir e, se necessário, integrar.
Ou seja, mudar as regras a meio do jogo: Sim! Mas se todos os jogadores as analisarem e integrarem em devido tempo. E acima de tudo, que haja um consenso generalizados sobre as suas mais-valias...

Tempos cheios

Há muito que por aqui não parava...
Têm sido dias cheios, intensos, demorados, em alguns casos, irracionais. Sem tempo para parar. Sem tempo para pensar. Sem tempo para agir...
Tem-me movido a vontade de avançar, independentemente dos precalços, das dúvidas, das incertezas.
Dou por mim a reagir em vez de agir. E isso não é uma característica minha.
Mas espero que a chegada das férias, do tempo morno de suavidade e de "calorzinho bom" me ajudem a re-equilibrar os níveis.
Espero que sim.
Não sei se sim, mas espero que sim!
Até já!

20 de maio de 2010

Datas Marcantes...

Chega amanhã mais uma daquela que dizem ser "uma data marcante".
Comemorarei mais um aniversário.
E já lá vão alguns.
Costuma dizer-se (não eu!) que a idade nos traz uma paz, uma "certa forma" de ser e de estar...
Sou educador de infância com muito orgulho e com enorme vontade de aprender, diariamente, a sê-lo (e fazê-lo) cada vez melhor.
Nesse aspecto, sinto que os "mais anos de vida" me afastam, por vezes, do essencial: tenho como objectivo profissional ser, cada vez mais, uma criança em estado puro de prazer e brincadeira.
Só assim, sinto, serei um profissional aceitável.
Pergunto-me muitas vezes porque nos esquecemos nós do prazer da nossa infância: das árvores que subimos, das quedas que demos, dos "ralhetes" de que fomos vítimas...
Não terão sido (todos esses "incidentes críticos") fundamentais para o que somos hoje?
Porque razão negar, então, àqueles que hoje acompanhamos, o prazer do lúdico, da descoberta, da experimentação, da desilusão?...
Não estaremos a proteger demasiado aqueles que nos são essenciais?
Que dirão eles, daqui a uns anos, quando comemorarem os seus (muitos) aniversários?
Que não fizeram, que não sentiram, que não puderam ser e estar...
Nesta data de aniversário, mais do que pensar em mim e na minha experiência, pensarei naqueles que, todo so dia, me enchem os anos de ternura, de prazer, de descoberta: os meus alunos.
E terei a certeza que, quantos mais anos terei, mais próximo deles quererei estar.
Os meus Parabéns a todos eles. Por não desistirem, apesar das condições...

10 de maio de 2010

Ficar....

A situação dos que ficam é sempre mais triste do que a dos que partem. Partir é um movimento que se dissipa, e nada distrai as pessoas que ficam
Pierre Marivaux
Ficar.
Imaginar que tudo vai ser diferente. Que tudo se transformará, como se de um fenómeno de renovação se tratasse.
Ficar.
Imaginar que há o alento de potenciar a mudança. De provocar o caos que restabeleça o caminho.
Ficar.
Imaginar que o caminho acabou, e não ter forças para o retomar.
Ficar.
Sentir que o fim é "ali".
Ficar.
E depois?
Acreditar no que dizem os "entendidos"? Assumir que ficar é o princípio do caminho? Saber que a imobilidade é desestruturante?
E depois?
Ficar é sempre ficar... 

2 de maio de 2010

Mudanças...

Por mais de uma vez reflecti, neste espaço, sobre a(s) Mudança(s).
Reconheço, com cada vez maior pertinência, que o estado natural do ser humano é o de mudança.
Mudam as dinâmicas, as lógicas, as vontades, até as células mudam.
Mas para que as mudanças sejam reconhecidas sinto, cada vez mais, que tem de partir de cada um de nós a vontade de as aceitar. Esperamos pelo "clique" significativo. Pelo "sinal" que nos impõe um desvio na direcção que (achamos nós) é a correcta.
E esse processo não é fácil.
Nem sequer simples.
Mudar significa, também, deixar de aceitar como certo tudo aquilo que foi a nossa construção cultural, social, pessoal...
E, se não formos "assim tão novos", a mudança implica ainda mais uma sensação de desconforto que se torna imobilizadora, agressiva, difícil...
Mudar, no fundo, é escolher um caminho desconhecido, mas acreditar que ele nos levará ao nosso objectivo.
É deixar-mo-nos guiar pelo inconstante, pelo incerto, pelo oculto, mas sabermos que lá chegaremos.
Mudar é acreditar!
Mudemos, então...

28 de abril de 2010

Acordos...

Devo começar por escrever que, neste momento em que, sentado com o portátil à frente, me transformo em palavras, sinto como que uma comunhão com o Mundo (com o meu desejado Mundo), patente na minha expressão de aligeirada loucura.
Tudo isto porque tive a oportunidade de presenciar (em óptima companhia) e usufruir de um tempo de prazer inigualável, concedido pelo José Eduardo Agualusa (com excelente acompanhamento do Carlos Vaz Marques) no "Café com Letras" na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Poderia estar para aqui a escrever sobre múltiplas incidências desta conversa-quase-lição-e-também-sobremesa, mas seriam tantas que me perderia, quase de certeza.
Mas aproveito este post para reflectir (em "voz" alta) sobre uma das questões abordadas e que foi, talvez, a mais polémica.
A páginas tantas entrámos pelas análises à questão da lusofonia e, principalmente, do Acordo Ortográfico. O Agualusa, que tem o condão de dizer, tão bem, o que muitos de nós pensamos mas somos incapazes de verbalizar, justificou, de forma cabal e devidamente contextualizada, a necessidade de existência do acordo. E apesar das muitas sugestões de reflexão/compreensão, a que mais fundo me tocou prende-se com a petulância e arrogância de um pequeno grupo (portugueses) em relação à maioria (de mais de 90%) dos falantes.
Reflectia ele que a Língua Portuguesa é muito mais do que ortografia e que é a cultura imbuída, que nasce na diferença e na capacidade única de incorporar, que dá razão de ser a uma língua, no âmbito da união e da partilha social e cultural. Logo, qualquer Acordo que regule a terminologia ortográfica é "pormenor de somenos importância". Como exemplo, falou-nos do Euro, que dois dias antes de se tornar "cidadão de pleno direito da Europa", provocou cataclismos há muito (agora) esquecidos.
Neste âmbito, os Acordos (quaisquer que sejam), apenas regulam uma parte do todo, e se puderem ser entendidos de forma conveniente (e deixando de lado a arrogância natural daqueles que querem fechar em si a razão de qualquer existência), não afectam o fundamental: a Língua Portuguesa é muito mais do que a soma de muitas partes.
Por tal, e parafraseando o Agualusa, "O conceito de Lusofonia não pode encerrar em si a ideia de "origem". Por si, o termo é incompleto. Mas não tenho outro melhor...."
Mas, nas minhas palavras, também concordo que, "fechar" num termo cuja origem define a "fonia" (de fonética, de som) todo um espaço de cumplicidade, partilha, irmandade, é redutor...
Mas valerá a pena pensar nisto!

20 de abril de 2010

Mestres...

"Ser mestre não é de modo algum um emprego e a sua actividade não se pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro"
Agostinho da Silva
Há sempre coincidências que são inexplicáveis.
Andando eu em "leituras" desconexas, eis que encontro esta citação do professor Agostinho da Silva.
Poderia (e tenho vontade disso) discorrer sobre os conceitos, os princípios, os objectivos e a intencionalidade de tal frase, mas como a acho absolutamente completa, deixa-la-ei "falar" por si.
Sem mais delongas!

2 de abril de 2010

Às vezes...

Às vezes, achamos que "tudo está mal!".
Outras, julgamos que "está tudo contra nós!".
Na maior parte das vezes, fingimos acreditar que há como que uma "ordem geral" que define o nosso passado, age no nosso presente e condiciona o nosso futuro.
Mas, invariavelmente, acreditamos na "sorte" e no "acaso".
Porque em Educação o "acaso" e a "sorte" são conceitos pouco compreensíveis, perdemos bastante tempo a achar que "não nos é possível" fazer a mudança.
Mudar implica, antes de mais, acreditar. Acreditar que é possível.
Claro está que, para compreendermos a possibilidade de mudar temos de nos tornar proactivos e geradores da mudança. Das pequenas mudanças.
Saído recentemente de uma reunião de docentes, e apesar dos assuntos "escalpelizados", e das propostas de mudança, ficou-me nítida a sensação de que, para mudar, não basta querer. É necessário acreditar na mudança.
A atitude passiva, o discurso destrutivo ou desadequado, a opinião inconsequente, a reflexão oca são, infelizmente, "notas" importantes em reuniões de e com docentes.
Por mais que exista quem, de forma sincera, opte por uma atitude disruptiva e consequente com as suas práticas, tende-se a desvalorizar o benefício da mudança em nome de uma determinada "forma de fazer".
Até quando?
Até quando continuaremos a "fazer de conta" que o Bullying (por exemplo) ou a Indisciplina, ou a incapacidade de aprender não é só "culpa" dos outros?
Quando é que chegaremos à conclusão de que, enquanto docentes, somos também, de certa forma, culpados...
E não teremos de mudar?

20 de março de 2010

Limpar Portugal...

Hoje foi dia de "pôr em prática", segundo alguns, o "gesto nobre de contribuir para o espaço cívico comum"...
Chamaram-lhe Iniciativa "Limpar Portugal".
Desde já devo deixar escrito que (e tal como é possível "ler" em muitos dos meus "posts" neste blogue) concordo, por princípio e em absoluto, com todas as iniciativas que visem promover um sentimento de pertença cultural e social e que, globalmente, sejam movidos por uma forte dinâmica de solidariedade.
Em relação a isso, que não fiquem dúvidas.
Contudo, e porque este espaço é mesmo o de "reflexões" diárias, a quente, descomprometidas (ou bastante comprometidas!) e completamente irresponsáveis, apetece-me zurzir um pouco (ou muito) contra este tipo de "carneirada" irreflectida em que, por vezes, nos metemos (ou nos metem!).
Por pontos:
Ponto um. Chamaram-lhe "inovadora", mas só quem tem memória curta poderá dizer uma coisa dessas. Em 2000 e 2001, na sequência de um movimento internacional (que nasceu na Austrália) chamado "Pensar Global, Agir Local!", milhares de pessoas, em todo o mundo, uniram-se num esforço local e delimitado que teve (tinha) como objectivo os mesmos desta agora chamada "inovadora" iniciativa. Relembro que, em Portugal, a iniciativa acabou por esmorecer dada a ineficaz colaboração das entidades competentes (Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Ministério do Ambiente, etc.) pois, como está de ver, podemos contar com o voluntariado mas "não pagamos para limpar...", e as luvas, os sacos e o transporte para os locais de deposição final de resíduos não podem (não devem) ficar por conta dos voluntários...
Ponto dois. É sempre interessante constatar que, por mais que se apresentem "milhares" de voluntários ligados à iniciativa, muitos mais poderiam ser, se, e tal como se deseja, estas iniciativas "tocassem" fundo nos sentimentos de cooperação, partilha e responsabilidade social das pessoas...
Ponto três. Nesta iniciativa, que "centrou" o esforço conjunto nas "lixeiras a céu aberto" que por aí existem, pouco ou nada (apesar da "contribuição" de muitas entidades com responsabilidade na matéria) se disse sobre "o dia seguinte". Ou seja, e agora? Quem vai evitar que os locais agora "limpos" não se transformem, rapidamente, em "mais do mesmo"?
Ponto quatro. Fomos , em alguns casos, fazer alguns quilómetros para nos juntarmos a um grupo de amigos, conhecidos, interessados (o que seja), para limpar um bocadinho do nosso país (esse país abstaracto e distante). E a nossa rua? Quem a limpou? Melhor: será que, apesar da viagem, vamos continuar a deixar cair, discretamente, o lenço de papel no chão, atirar a beata pela janela do carro, deixar os restos do piquenique na mata ou deixar a lata de sumo na praia?
E quando trocarmos de móveis em casa, será que vamos ligar para a linha dos Monos e ficar com o traste velho em casa mais uns dias, até que venham fazer a recolha?
Pois é.
Estas iniciativas são sempre de louvar.
Mas não deixaria de ser bastante interessante que, além destes dias "comemorativos e de celebração", nos lembrássemos que, tal como o Dia da Mulher, o Dia da Terra, O Dia da Não Violência e muitos outros dias comemorativos (ou , como prefiro, "de memória"), seria preferível não os comemorar por não haver razão para tal...
Mas a quem possa ter servido, como escape, como penitência ou como "ajuste de contas" consigo (e com alguém mais), deixo o repto: e amanhã, limpamos a nossa rua?

P.S. Não li nem ouvi nas notícias, mas será que alguém foi Limpar Portugal para os lados de S. Bento e de Belém? E terão recolhido os monos? Gostava de saber...
Pode ser que amanhã os jornais digam que "somos um país desgovernado"...

14 de março de 2010

PEC ou, por outras palavras Paguem Esses (do) Costume

Amanhã, com toda a pompa e circunstância, lá irão os representantes da Nação (entenda-se: os representantes de uma "certa" Nação), entregar "em Bruxelas", o "plano de esforço que os portugueses farão, ao longo dos próximos anos, para evitar uma situação catastrófica"...
Hoje, pelas bandas de Mafra, dão-se os últimos tiros numa guerra que não interessa a ninguém, mas, na realidade nos toca a todos: "escolhe-se" o próximo candidato a Primeiro-Ministro de Portugal (ou talvez não!).
Neste fim de semana de "boas notícias" para os tais PEC (ou seja, os que vão pagar) são poucas as hipóteses de vislumbrar, efectivamente, alguma luz ao fundo do túnel.
Reconheço (não reconheceremos todos?) que a situação está complicada. Reconheço também que, neste momento, teremos mesmo de ser todos a contribuir para não deixar a situação piorar. São muitas as empresas a fechar, o desemprego a subir assustadoramente, a capacidade financeira do País a extinguir-se...
Mas será que esta situação se fica a dever apenas aos "suspeitos do costume"?
Será que a compra de bólides de topo de gama para quase todos os ministérios em 2005, "derrapagens" nas obras públicas, acordos de concessão de "auto-estradas", investimento em empresas de comunicações e energia em nome do "desígnio nacional" ou as luvas de venda e compra de material militar, entre outros, não são mais "responsáveis" do que os "pobres" dos contribuintes que, mesmo que quisessem, não conseguem pôr o seu dinheiro em "off-shores"...
Mas, e num momento em que se apertam mais os atilhos (porque nem cinto já há), não se vislumbram melhorias.
Ao menos que nos dessem a ideia que a coisa poderia, efectivamente, melhorar.
Mas, de Mafra, também só o Palácio/Convento, obra prima do "Gastadorismo Nacional"...
Mas o Aeroporto continua lá... E o TGV também.
E nós pagaremos!

4 de março de 2010

Como será quando acontecer?...

Nos últimos tempos, têm-nos chamado Porcos (PIGS) em todo o mundo e nós temos deixado.
E parece que não fazemos nada para o evitar.
Comparam-nos à Grécia (cujos resultados económicos de muitos anos a iludir o "povão" e a viver à grande e à grega - Jogos Olímpicos incluídos... - deram no que está à vista: inflação de 12%, dívida internacional de mais de trezentos mil milhões de euros, os trabalhadores a perderem direitos assumidamente garantidos, como o chamado 14ª mês...) e nós cá nos ficamos...
Uma ou outra grevezita (já aqui refeiri que não faço greves por princípio...), um ou outro "comentador" a levantar a voz e a ser rapidamente silenciado e um Governo a viver à custa de pseudo-escândalos distractivos (Freeports, Faces Ocultas, TVI/PTs e outros tantos)...
Mas não nos podemos esquecer que foi eleito (o Governo) com base em "promessas" eleitorais que custam, grosso modo, 700 mil milhões de euros: Aeroporto, TGV...
Será que não temos capacidade de ver um pouco mais à frente?
Será que só "copiamos" o que vem de fora quando vem rotulado de "sucesso"?...
E o "caso Grego", não nos deveria fazer pensar?...
Ou so o faremos quando se for o 14ª mês??!!!...

24 de fevereiro de 2010

Este país não é para novos!

Antes de mais, aproveito este "post" para prestar uma homenagem aos madeirenses que, nestes momentos de infortúnio, clamam aos "céus" um pouco de conforto e de paz. Sejamos nós os Céus de que eles tanto precisam!
Mas aproveito ainda este "post" para reflectir algumas questões que, dada a situação, se tornam pertinentes, designadamente aquelas que nos relevam a "Portugalidade" e a tão exigida (nestas situações de infortúnio) "solidariedade nacional".
Vem isto a propósito, por um lado, devido à situação em si, que, não tenho dúvidas, nos faz pensar, justamente, no nosso contributo individual enquanto cidadãos de um país, de uma nação...
Tal como tenho vindo a escrever em alguns dos textos aqui publicados, devemos sentir-nos solidários e portugueses não apenas em casos extremos, mas no dia-a-dia e, sobretudo, nas nossas acções comuns, seja no trabalho, em casa ou com os amigos.
Neste sentido, parece-me fundamental que, perante situações destas, que nos tocam a todos, pensemos:
- O que fazemos quando somos confrontados com momentos (de eleições, por exemplo) que podem, efectivamente "mudar" a perspectiva que temos de algo que não nos afecta directamente (e tanto se fala das questões da corrupção municipal, por exemplo, onde podem estar radicadas algumas das "dinâmicas" tão referidas agora das "construções impensadas" em leitos de cheia e outros)?
- O que fazemos quando ouvimos que situações de catástrofe natural (cheias, terramotos, etc.) se tornam tão comuns actualmente, e que nos podem estar mais próximas do que julgamos?
- Porque nos esquecemos, em momentos de "paz" social, que, depois, as coisas podem piorar?
- Porque teimamos em achar que "o pior só acontece aos outros"?
Estas minhas dúvidas, que mais não são do que constatações de uma realidade tão presente em nós, são apenas uma "leitura" simplificada das situações que tenho assistido, nomeadamente em termos profissionais:
- Nunca há tempo (nem disponibilidade) para "ensaiar/treinar/preparar" situações de prevenção sísmica e/ou de incêndio nas escolas, pois "temos muito que fazer" (neste particular, revelo que, ao longo de mais de 15 anos de prática profissional, em diferentes estabelecimentos, só fiz um (!) exercício de prevenção sísmica, apesar de sempre ter trabalhado na região de Lisboa, que, sabemos nós, está sobre uma falha geológica);
- Habituámo-nos a esperar a intervenção divina (que é como quem diz do "Estado") mas apresentar uma reclamação sobre um serviço mal prestado é sempre "desnecessário";
- Tememos sempre "incomodar" um vizinho que teve um comportamento social desadequado porque "achamos que não vale a pena aborrecermo-nos com isso"...
Estes (poucos) exemplos mostram bem o que tento conceptualizar, ou seja, somos sempre "solidários" e "portugueses" quando toca a reunir, mas, prevenir é uma palavra vã...
Deixamos para depois, porque não queremos evitar...
Será que é isso que caracteriza o chamado "desenrrascanço" português?

13 de fevereiro de 2010

Insistir...

Continuo a acreditar que é possível mudar o Mundo.
Apesar das dificuldades, sei que se cada um de nós tentar, é possível fazê-lo.
Uma amiga dizia-me que "agora, aos quarenta, vemos as coisas de forma diferente...". Tenho a certeza que é verdade, mas ainda quero usar os anos que me faltam para me recusar a desistir...
Não sei se por cansaço, pela idade ou, pura e simplesmente, por me recusar a "fazer igual", mas esta sensação de impossibilidade, de ver todas a "boas intenções" esbarrarem num obstáculo intransponível, deixa-me confuso e desmotivado.
Não sei se conseguirei resistir por muito mais tempo, mas começo a sentir que não vale a pena Ser e Pensar por mim e pela minha cabeça. Se calhar é mais fácil seguir a onda, ser ovelha.
Tento, em cada minuto da minha vida fazer as coisas de forma a que a minha pequena "migalha" possa contribuir para um Mundo melhor. Faço-o no trabalho, na família, no lazer...
E por mais que possa, por vezes, ser "recompensado" por isso, sou-o num círculo muito restrito. É evidente que, como no jogo do hipopótamo (quem se lembra?), há sempre uma marreta à espera para me "dar na cabeça".
Porque será?
Será assim tão desafiador entregar-me ao que faço e querer, dessa forma, mudar alguma coisa?
Profissionalmente sinto um reconforto enorme quando sou reconhecido pela prática profissional que desenvolvo, seja em forma de "nomeação", de reconhecimento público, de avaliação de desempenho ou apenas de felicitações...
Mas parece que isso não chega para pararem de me "azucrinar"...
A dor de cotovelo de que ouço falar parece ser mesmo persistente...
Insistir ou desistir?
Eis a questão...

8 de fevereiro de 2010

Mais de 100 "posts"...

Hoje faço o meu centésimo primeiro "comentário" neste Blog.
Quando o criei, há uns anos, não imaginei que "me" servisse tanto.
Fi-lo, numa primeira fase, para "experimentar", para me manter atento e actualizado no que concerne às disponibilidades tecnológicas. Na altura tinha já uma "página pessoal" e algumas "páginas web" dos jardins de infância onde tinha trabalhado.
Foi como um bichinho...
Começou a aumentar e devo deixar escrito que a existência de um espaço virtual onde vou discorrendo sobre tudo e sobre nada, onde me exprimo, onde "afuguento" alguns dos meus fantasmas é terapeutico.
E vale a pena.
Talvez um dia, com calma, e ao reler todos os comentários, consiga fazer a "minha história de vida"...
Quem sabe.
Mas não há dúvida que manter este "diário", pessoal e (in)transmissível é fascinante. Principalmente quando recebo alguns comentários e respostas que me fazem, realmente pensar. Que me mudam o Mundo!
Obrigado!

2 de fevereiro de 2010

Doutores...

No passado fim-de-semana assisti a um encontro de ideias, de reflexões, de práticas, de sugestões...
No passado fim-de-semana estive presente num espaço que, por excelência, "pertence" à investigação, à comprovação, à pesquisa.
No passado fim-de-semana participei, activamente, numa dinâmica de partilha, de colaboração, de cooperação.
Do passado fim-de-semana ficou-me a ideia de que é possível fazer muito. De que é possível fazer mais e melhor.
De que nós, portugueses, envolvidos, conhecedores, dinâmicos, temos muito (de bom!) para dar.
E de que não devemos temer fazê-lo!
Contudo, uma nota: porquê insistir nesta "décalage" entre os que "fazem" e os que "pensam"?
Foi notório, no fim-de-semana, que quem não "estuda", quem não tem um Mestrado ou um Doutoramento nem sequer "merece o tratamento por doutor...", dificilmente estará integrado no "topo" do conhecimento...
Que pena sinto de a nossa magnífica língua não permitir (como no Inglês ou no Espanhol) que o você signifique mesmo que "tu"...
Tantas distâncias se esbatiam...
No fim-de-semana que me "encheu as medidas" tive pena de, por não ter "estudado", de não me ter sido dado a mesma "oportunidade" de mostrar que o que faço, também posso fazer bem...
Pode ser que mude.