colectivo (èt) (latim collectivus, -a, -um , recolhido)
adj.
1. Que forma colectividade! ou provém dela.
2. Que pertence a muitos.
Porquê Colectivo?
Assaltam-me, muitas vezes, as "razões" das nossas dificuldades. Das nossas dificuldades enquanto Povo, enquanto País, enquanto Nação...
Muitos são (e, possivelmente eu serei um mais) aqueles que, através de escritos, reflexões, sugestões ou apenas "estados de alma" têm manifestado, de forma mais ou menos pública, as "razões das dificuldades", a "origem da crise".
Por mim, além de muitas das opiniões me merecerem crédito e respeito, sinto como causa maior a inexistência de um verdadeiro espírito de solidariedade. De uma verdadeira "consciência colectiva"* que nos impede, que nos atrasa, que nos dificulta o crescimento.
Na escola, não educamos os nossos alunos (e futuros cidadãos e líderes de pleno direito) para um "espírito" colaborativo, colectivista, associativo.
Desde cedo os "manipulamos", criando (às vezes) pequenas barreiras que, de forma inconsciente, molda o comportamento individual de forma a desvalorizar o colectivo.
Porque será que o "sucesso educativo" é, tendencialmente individual?
Porque razão a competitividade (tão presente no "sistema escolar e educativo") individualista é a "fonte" do progresso académico?
Se formos sérios, e nos quisermos interrogar sobre estes conceitos, chegaremos, depressa, à conclusão de que a nossa base identitária é egoísta, individualista e narcisista.
Se pensarmos, por exemplo, nos critérios de avaliação que usamos para atribuir "valor" às aprendizagens dos alunos, identificaremos, facilmente, que os seus resultados conjunturais, apesar de existirem alguns preceitos globalizadores, "vivem" do modelo comparativo do sucesso individual, acima de qualquer outro.
Quantos indicadores comportamentais e cognitivos do "pensar global" estão presentes nos modelos de avaliação da escola portuguesa?
Que valor tem, efectivamente, nas "pautas" avaliativas, o comportamento solidário, a percepção do conjunto, a participação cívica, a colaboração, a cooperação?...
Bem sei que, quase como uma "moda", muitos docentes apelam a esses "valores", incluindo-os nos seus próprios "esquemas" avaliativos. Mas o que faz o "Estado"? Valoriza o resultado individual sobre a percepção do conhecimento (através das fichas de avaliação, exames nacionais, etc.).
E, se refiro "percepção do conhecimento", faço-o conscientemente, pois analisando a estrutura avaliativa em uso na escola, não podemos falar mais do que uma percepção do conhecimento, pois a forma como a avaliação está organizada, não permitindo a evidência multi-cognitiva, determina uma avaliação perceptiva e não consubstanciada na competência e no saber-fazer.
Não é fácil mudar os esquemas de avaliação. Admito.
Mas, a dificuldade não reside no processo em si. Reside, muito mais, nos seus actores.
Chegados que estamos ao final de mais um ano lectivo, começam a observar-se as evidências do que atrás referi.
Quando os docentes (e sem querer generalizar) começam a ultimar os espaços e os modos de reconhecimento da aprendizagem dos seus alunos, invariavelmente o que farão será o reconhecimento da sua "competência técnica" enquanto educadores.
Já aqui o escrevi, por exemplo, que a grande confusão que existe entre "objectivos de aprendizagem" e "competências" é um dos grandes males da Educação.
Tendo por exemplo "o uso dos computadores na educação" (área em que me sinto mais confortável), detenhamo-nos neste exemplo: o docente refere que o aluno "utiliza o rato do computador de forma adequada e consciente". Este é o seu objectivo, plasmado no "resultado" de avaliação final.
Mas, o que me interessará saber é se o aluno em questão "sabe usar o rato do computador de forma adequada e contextualizada e se, à falta deste, conseguirá responder positivamente à tarefa que o corporiza". Ou seja, correr e saltar todos nós sabemos fazer, a questão é saber se o conseguimos fazer quando e como for conveniente...
E deveria ser isso que teríamos de avaliar.
Como é que se explica, por exemplo, que um aluno que desenvolve blogues, software educativo ou instrumentos tecnológicos em casa, não seja mais do que um "razoável" aluno na "aula" de informática?
Não é fácil destinguir os "objectivos" do docente das "competências" a adquirir pelos seus alunos e é esta, talvez, a razão da tal falta de espírito colectivo de que falava.
Ora, se o docente apresenta os "seus" resultados individuais como base do conhecimento esperado dos seus alunos, mais não estará a fazer do que a penalizaro objectivo último da educação: o desenvolvimento social e comunitário!
E, infelizmente, este modelo cognitivo está para durar.
Alguns exemplos: que "moral" terão os docentes que trabalham de "porta fechada", esquecendo todo o contexto social e cultural da escola, para "desenvolver competências de formação colaborativa e colectiva"? Que "moral terão os Agrupamentos de Escolas para falar de "cidadania" e "cooperação" quando se fecham em si, guiados por normativos "superiores" que impedem a sua efectiva intervenção local? Que "moral" terá o Estado para exigir participação cívica dos seus cidadãos quando os exemplos que dá (desde os "fundos" que servem interesses particulares e privados até aos "maus" exemplos de utilização dos orçamentos públicos), ou mesmo a "confusão organizativa" dos seus serviços (vulgo burocracia) penalizam os cidadãos mais do que os "envolvem". E, numa perspectiva ainda mais individualizada, que exemplo dá o professor que, acabado de sair de uma reunião que perspectivou a "acção geral", opta por fazer, inversamente ao decidido, o seu percurso individual, apenas porque "se sente mais confortável e a mudança custa"?
Pode até parecer rebuscado e sem qualquer ligação, mas estes exemplos serão poucos, se nos quisermos, realmente, deter no que eles ilustram.
Infelizmente, todos nós, portugueses, temos vindo a esquecer que o país somos nós. Todos!
Um último exemplo: estando eu a conversar junto à escola com um encarregado de educação, reparei num papel branco, evidente e notório, que teria caído à frente da porta de entrada. Enquanto conversava, atravessaram a porta três docentes, duas assistentes e seis alunos. Sabem quem se dobrou para apanhar o papel e o pôr numa papeleira?
Eu, quando terminei de conversar com o encarregado de educação e me dirigi à escola.
Pergunta: será tão difícil, de forma (in)consciente e integrada, desenvolver comportamentos colectivos e colectivistas?
Talvez... Não sei. Mas a Escola não tem ajudado!
*Émile Durkheim
21 de junho de 2011
5 de junho de 2011
E agora?...
Pois é.
Há dias, dizia eu numa conversa informal com colegas, que a "mudança" esperada (em termos eleitorais) iria acontecer, com um resultado expressivo do PSD. Negaram-mo os meus amigos.
Que não iria acontecer, que o Pedro Passos Coelho não iria conseguir....
Eu estava convicto, apenas por uma razão: os portugueses, tendencialmente, são conservadores. Mas, apesar disso, decidiram (a esta hora é o que as previsões dizem) apostar num neoliberal para os guiar nos próximos tempos.
Acredito, sinceramente, que a maior vitória do Presidente do PSD é interna: os "barões" e os "instalados" não vão gostar.
Mas também acredito que vamos ver, mesmo, a mudança, quando os "boys" do PS forem substituídos pelos "boys" do PSD.
Antes da apresentação do programa eleitoral, foram muitas as afirmações do PSD "contra" os "inumeráveis institutos públicos, fundações e Direcções-gerais", e que "seriam fechados"...
No programa eleitoral, apenas uma referência à constituição de uma equipa que "fará a análise sobre os que possam ser pertinentes"...
Este é um exemplo da mudança que nos espera.
Tenho pena.
Mas, para que fique claro e que não haja dúvidas: eu não votei no PSD.
E, sinceramente, não acredito numa efectiva mudança com estas pessoas.
Mas, se tal for possível, serei dos primeiros a reconhecê-lo.
Parabéns aos vencedores. E porque precisam de todos nós: estarei disponível: no meu dia-a-dia, na minha prática pessoal e profissional, na minha atitude solidária e colectiva.
Façamos todos os mesmo!
O país precisa!
Há dias, dizia eu numa conversa informal com colegas, que a "mudança" esperada (em termos eleitorais) iria acontecer, com um resultado expressivo do PSD. Negaram-mo os meus amigos.
Que não iria acontecer, que o Pedro Passos Coelho não iria conseguir....
Eu estava convicto, apenas por uma razão: os portugueses, tendencialmente, são conservadores. Mas, apesar disso, decidiram (a esta hora é o que as previsões dizem) apostar num neoliberal para os guiar nos próximos tempos.
Acredito, sinceramente, que a maior vitória do Presidente do PSD é interna: os "barões" e os "instalados" não vão gostar.
Mas também acredito que vamos ver, mesmo, a mudança, quando os "boys" do PS forem substituídos pelos "boys" do PSD.
Antes da apresentação do programa eleitoral, foram muitas as afirmações do PSD "contra" os "inumeráveis institutos públicos, fundações e Direcções-gerais", e que "seriam fechados"...
No programa eleitoral, apenas uma referência à constituição de uma equipa que "fará a análise sobre os que possam ser pertinentes"...
Este é um exemplo da mudança que nos espera.
Tenho pena.
Mas, para que fique claro e que não haja dúvidas: eu não votei no PSD.
E, sinceramente, não acredito numa efectiva mudança com estas pessoas.
Mas, se tal for possível, serei dos primeiros a reconhecê-lo.
Parabéns aos vencedores. E porque precisam de todos nós: estarei disponível: no meu dia-a-dia, na minha prática pessoal e profissional, na minha atitude solidária e colectiva.
Façamos todos os mesmo!
O país precisa!
24 de maio de 2011
(Re) Começou a saga...
O Nietchze tinha razão.
A história é mesmo composta por períodos cíclicos.
Há cinco anos, tendo sido convidado para participar como conferencista no Encontro Mundial de Educadores de Infância (no México) e sendo o único portugês a receber tal convite, optei por, ao contrário dos "conselhos" que recebi, solicitar devidamente e oficialmente, autorização para a referida participação.
Após uma imensidão de contactos, mensagens, telefonemas, para o Ministério da Educação, para a Direcção Regional de Educação, para tudo quanto é serviço público, porque ninguém me respondia cabalmente, pela evidente "falta de legislação" adequada ao caso, acabei por entrar em contacto com a Provedoria de Justiça.
Depois de oito (!) meses de troca de informação, a Provedoria de Justiça referiu-me que, para tal efeito, a "situação poderá eventualmente resolver-se (na ausência de Portaria que regula o art.º 111 do ECD) através de pedido, fundamentado no n.º 1 do art.º 27 ou do art.º 28º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro".
No final de todo este esforço, acabei por não ir ao México, pois a Gripe das Aves inviabilizou a realização do Encontro.
Mas fiquei sem resposta oficial.
Repete-se agora a história.
Tendo sido convidado para ir a Madrid participar na "Escuela Internacional de Verano" da Asociación Mundial de Educadores Infantiles (AMEI-WAECE), volto ao universo kafkiano de serviços e burocracia do Ministério da Educação. E contibua a não haver uma resposta clara: do gabinete da Ministra remetem-me para a DRE, da DRE "escudam-se" na legislação existente (e desadequada a este caso em concreto), da Direcção do Agrupamento não se vê coragem para assumir o interesse pedagógico, educativo e formativo de tal participação, bastando para isso, por exemplo, assumir que tal participação se faz no "interesse da realização do projecto Educativo do Agrupamento, na medida em que a divulgação de práticas é um dos objectivos deste"...
Será que alguém me ajuda?
Será que, a Autonomia das Escolas é, mesmo, uma expressão vã?
A história é mesmo composta por períodos cíclicos.
Há cinco anos, tendo sido convidado para participar como conferencista no Encontro Mundial de Educadores de Infância (no México) e sendo o único portugês a receber tal convite, optei por, ao contrário dos "conselhos" que recebi, solicitar devidamente e oficialmente, autorização para a referida participação.
Após uma imensidão de contactos, mensagens, telefonemas, para o Ministério da Educação, para a Direcção Regional de Educação, para tudo quanto é serviço público, porque ninguém me respondia cabalmente, pela evidente "falta de legislação" adequada ao caso, acabei por entrar em contacto com a Provedoria de Justiça.
Depois de oito (!) meses de troca de informação, a Provedoria de Justiça referiu-me que, para tal efeito, a "situação poderá eventualmente resolver-se (na ausência de Portaria que regula o art.º 111 do ECD) através de pedido, fundamentado no n.º 1 do art.º 27 ou do art.º 28º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro".
No final de todo este esforço, acabei por não ir ao México, pois a Gripe das Aves inviabilizou a realização do Encontro.
Mas fiquei sem resposta oficial.
Repete-se agora a história.
Tendo sido convidado para ir a Madrid participar na "Escuela Internacional de Verano" da Asociación Mundial de Educadores Infantiles (AMEI-WAECE), volto ao universo kafkiano de serviços e burocracia do Ministério da Educação. E contibua a não haver uma resposta clara: do gabinete da Ministra remetem-me para a DRE, da DRE "escudam-se" na legislação existente (e desadequada a este caso em concreto), da Direcção do Agrupamento não se vê coragem para assumir o interesse pedagógico, educativo e formativo de tal participação, bastando para isso, por exemplo, assumir que tal participação se faz no "interesse da realização do projecto Educativo do Agrupamento, na medida em que a divulgação de práticas é um dos objectivos deste"...
Será que alguém me ajuda?
Será que, a Autonomia das Escolas é, mesmo, uma expressão vã?
22 de maio de 2011
Escolhas...
Todas as crises conduzem a um aumento da vulnerabilidade, mas nem todas as crises são necessariamente um momento de risco.
Está nas nossas mãos agir para mudar. Muito se tem falado de "consumir português", "emigrar", "escolher outros políticos" e de tantas outras "soluções boas, baratas e eficazes".
Mas a saída da crise (de todas as crises) é uma viagem pessoal. Interior. Egoísta.
Por mais que possamos agir (ou reagir) como um conjunto, é nos pequenos (grandes) momentos das nossas escolhas individuais que decidimos o futuro da nossa comunidade.
Quando falamos de comportamentos, não devemos (podemos) esquecer-nos que o movimento assertivo é, tal como na divisão celular, a base do desenvolvimento.
"Se eu não for, tu não vais". "Se eu não fizer, tu não fazes". "Se eu não pensar, tu não pensas".
Infelizmente, é pela negativa que nos temos vindo a "reproduzir".
Mas é chegado o tempo de nos mudarmos a nós próprios.
É chegado o tempo de não deixar lixo espalhado, apenas porque "já lá havia lixo", de não deixar o carro estacionado em cima do passeio, porque "já lá estavam outros", de não deixar de ir votar, porque os "outros também não vão..."
É chegado o momento de fazer escolhas e de as assumir.
A indefinição, a incapacidade de tomar decisões, a "facilidade" de deixar a "vontade de fazer" para os outros é o que nos tem arruinado.
Já chega!
Para bom entendedor...
Está nas nossas mãos agir para mudar. Muito se tem falado de "consumir português", "emigrar", "escolher outros políticos" e de tantas outras "soluções boas, baratas e eficazes".
Mas a saída da crise (de todas as crises) é uma viagem pessoal. Interior. Egoísta.
Por mais que possamos agir (ou reagir) como um conjunto, é nos pequenos (grandes) momentos das nossas escolhas individuais que decidimos o futuro da nossa comunidade.
Quando falamos de comportamentos, não devemos (podemos) esquecer-nos que o movimento assertivo é, tal como na divisão celular, a base do desenvolvimento.
"Se eu não for, tu não vais". "Se eu não fizer, tu não fazes". "Se eu não pensar, tu não pensas".
Infelizmente, é pela negativa que nos temos vindo a "reproduzir".
Mas é chegado o tempo de nos mudarmos a nós próprios.
É chegado o tempo de não deixar lixo espalhado, apenas porque "já lá havia lixo", de não deixar o carro estacionado em cima do passeio, porque "já lá estavam outros", de não deixar de ir votar, porque os "outros também não vão..."
É chegado o momento de fazer escolhas e de as assumir.
A indefinição, a incapacidade de tomar decisões, a "facilidade" de deixar a "vontade de fazer" para os outros é o que nos tem arruinado.
Já chega!
Para bom entendedor...
12 de maio de 2011
O que temos...
Hoje, em trabalho, estive uma parte da tarde na lindíssima Vila de Cascais.
E assaltou-me o desejo de me "vestir" de turista e descobrir, com maior pormenor, os cantos e recantos daquela nunca conhecida, mas fantástica, área de beleza estimada.
Como cidadão, não autóctone, dou os parabéns àqueles que têm protegido (e desenvolvido) aquele espaço que brilha e se destaca.
Fez-me sentir bem.
Deu-me alento.
Acima de tudo, mostrou-me que (nós, os portugueses!), sabemos fazer.
Então, porque esperamos?
(uma pequena nota: no regresso, "inaugurei" o último troço do IC17 até Odivelas. Obra esperada e, sem dúvida, facilitadora, tem, contudo, demasiadas evidências deste "desenvolvimento" nacional a várias velocidades: três quilómetros de "obra" de ricos: centenas de "avisos" led, redundantes entre si; centenas de equipamentos sinalizadores, que, pela sua repetição se tornam desnecessários e centenas de "luxos" completamente inócuos e desadequados. Para uma "obra" que "derrapou" muitos milhares de euros, se atrasou seis anos e tem 3 quilómetros, é demais!
Só me deu para pensar que, uns quilómetros mais à frente (KM13 do IC17), morrem, mensalmente, duas pessoas em média, devido à insuficiente sinalização... Coisas!)
E assaltou-me o desejo de me "vestir" de turista e descobrir, com maior pormenor, os cantos e recantos daquela nunca conhecida, mas fantástica, área de beleza estimada.
Como cidadão, não autóctone, dou os parabéns àqueles que têm protegido (e desenvolvido) aquele espaço que brilha e se destaca.
Fez-me sentir bem.
Deu-me alento.
Acima de tudo, mostrou-me que (nós, os portugueses!), sabemos fazer.
Então, porque esperamos?
(uma pequena nota: no regresso, "inaugurei" o último troço do IC17 até Odivelas. Obra esperada e, sem dúvida, facilitadora, tem, contudo, demasiadas evidências deste "desenvolvimento" nacional a várias velocidades: três quilómetros de "obra" de ricos: centenas de "avisos" led, redundantes entre si; centenas de equipamentos sinalizadores, que, pela sua repetição se tornam desnecessários e centenas de "luxos" completamente inócuos e desadequados. Para uma "obra" que "derrapou" muitos milhares de euros, se atrasou seis anos e tem 3 quilómetros, é demais!
Só me deu para pensar que, uns quilómetros mais à frente (KM13 do IC17), morrem, mensalmente, duas pessoas em média, devido à insuficiente sinalização... Coisas!)
3 de maio de 2011
Mudança?!
Já aqui o escrevi algumas vezes, mas não me canso de o repetir: a Mudança (em Portugal!) é uma ideia vã!
Todos os dias (infelizmente), são dias de comprovar que os portugueses não são o que julgam ser.
Os portugueses são mesmo o que são.
Há uns tempos partilhava aqui, num post, uma alegoria que nos relatava um exemplo evidente de "quem são os portugueses". Nessa alegoria, dizia-se que, ao contrário do que se pensa, os portugueses contemporâneos não são descendentes dos navegadores que "deram novos mundos ao Mundo". São descendentes do portugueses que ficaram...
Hoje, mais uma vez (eu já nem devia comentar este tipo de acontecimentos...) ficou demonstrada a vontade de imobilidade tão característica do nosso "ser".
Enquanto membro de um grupo de decisão, que, na maior parte das vezes sofre de um modelo governativo incompetente, ignorante e desadequado, tenho a possibilidade (com suporte legal!) de mudar algumas práticas que, efectivamente, prejudicam seriamente a minha função profissional, a minha capacidade de resposta e, acima de tudo, a minha disponibilidade.
Também já aqui referi que, por questões de educação, cultura e (acho) conhecimento de um mundo maior do que o por aqui se respira, tenho em mim uma qualquer incapacidade de "comer e calar", tão ao gosto dos meus pares.
Por tal, não me canso de propor, em vários espaços, soluções que, no mínimo, poderiam ser reflectidas e analisadas à luz das contínuas "queixas e reclamações" de que, na maior parte das vezes, sou ouvinte e confidente.
Por isso, tendo a apresentar propostas que reúnam (pelo menos tacitamente) um apoio alargado.
Mas o que é que, também normalmente, se passa?
Quando chega a hora de votar (e assumir) as propostas, há sempre alguém (que é como quem diz: a maior parte!) que "salta fora!". É este o nosso "karma".
Como exemplo: sendo eu docente, estando eu incluído naqueles milhares de profissionais que sente as reuniões como "uma perda de tempo, inconsequentes, desastrosas e desadequadas", apresentei uma proposta clara (legal e consubstanciada em práticas realizadas em outros espaços) que pretendia não só tornar esses espaços mais adequados como, acima de tudo, mais produtivos.
Após mais de uma hora de análises e reflexão sobre a proposta, eis que a votação revela o já esperado: que "não é tempo de mudar".
E o "melhor de tudo foram as justificações pessoais": "a tua proposta é boa, mas há algumas coisinhas que não vão ser aceites pelos outros", ou "se não tivesses incluído aquela segunda linha, até as outras nova eram boas", ou ainda "eu votei assim porque já sabia que, se calhar as pessoas também iam votar como eu"...
Como imaginam, é nestes momentos que, realmente, me sinto bem!
E, melhor ainda: é nestes momentos que eu tenho ainda mais vontade de mudar...
...de País!
Nota: neste preciso momento em que escrevo, o nosso ex-futuro-primeiro-ministro anuncia que a "troika" não vai cortar o 13º nem o 14º mês... E as pensões vão ser só reduzidas para alguns... Efeitos desta "mudança" tipicamente portuguesa. Tudo está bem quando acaba em bem!....
SOCOOOOOOOORRRO!
Todos os dias (infelizmente), são dias de comprovar que os portugueses não são o que julgam ser.
Os portugueses são mesmo o que são.
Há uns tempos partilhava aqui, num post, uma alegoria que nos relatava um exemplo evidente de "quem são os portugueses". Nessa alegoria, dizia-se que, ao contrário do que se pensa, os portugueses contemporâneos não são descendentes dos navegadores que "deram novos mundos ao Mundo". São descendentes do portugueses que ficaram...
Hoje, mais uma vez (eu já nem devia comentar este tipo de acontecimentos...) ficou demonstrada a vontade de imobilidade tão característica do nosso "ser".
Enquanto membro de um grupo de decisão, que, na maior parte das vezes sofre de um modelo governativo incompetente, ignorante e desadequado, tenho a possibilidade (com suporte legal!) de mudar algumas práticas que, efectivamente, prejudicam seriamente a minha função profissional, a minha capacidade de resposta e, acima de tudo, a minha disponibilidade.
Também já aqui referi que, por questões de educação, cultura e (acho) conhecimento de um mundo maior do que o por aqui se respira, tenho em mim uma qualquer incapacidade de "comer e calar", tão ao gosto dos meus pares.
Por tal, não me canso de propor, em vários espaços, soluções que, no mínimo, poderiam ser reflectidas e analisadas à luz das contínuas "queixas e reclamações" de que, na maior parte das vezes, sou ouvinte e confidente.
Por isso, tendo a apresentar propostas que reúnam (pelo menos tacitamente) um apoio alargado.
Mas o que é que, também normalmente, se passa?
Quando chega a hora de votar (e assumir) as propostas, há sempre alguém (que é como quem diz: a maior parte!) que "salta fora!". É este o nosso "karma".
Como exemplo: sendo eu docente, estando eu incluído naqueles milhares de profissionais que sente as reuniões como "uma perda de tempo, inconsequentes, desastrosas e desadequadas", apresentei uma proposta clara (legal e consubstanciada em práticas realizadas em outros espaços) que pretendia não só tornar esses espaços mais adequados como, acima de tudo, mais produtivos.
Após mais de uma hora de análises e reflexão sobre a proposta, eis que a votação revela o já esperado: que "não é tempo de mudar".
E o "melhor de tudo foram as justificações pessoais": "a tua proposta é boa, mas há algumas coisinhas que não vão ser aceites pelos outros", ou "se não tivesses incluído aquela segunda linha, até as outras nova eram boas", ou ainda "eu votei assim porque já sabia que, se calhar as pessoas também iam votar como eu"...
Como imaginam, é nestes momentos que, realmente, me sinto bem!
E, melhor ainda: é nestes momentos que eu tenho ainda mais vontade de mudar...
...de País!
Nota: neste preciso momento em que escrevo, o nosso ex-futuro-primeiro-ministro anuncia que a "troika" não vai cortar o 13º nem o 14º mês... E as pensões vão ser só reduzidas para alguns... Efeitos desta "mudança" tipicamente portuguesa. Tudo está bem quando acaba em bem!....
SOCOOOOOOOORRRO!
7 de abril de 2011
Desinformação e manipulação....
É inegável que a Internet e todas as redes sociais nela existentes são um espaço enorme de informação e conhecimento. Contudo, cabe-nos a nós (a cada um de nós!) "desmontar" as manobras de diversão, de desinformação e de manipulação que nela circulam e (intencionalmente ou não) proliferam.
Nestes últimos dias tenho recebido, por correio electrónico, inúmeras mensagens que, ou me reenviam um documento anexo, em forma de Diário da República, ou falam de um pretenso despacho ministerial que estipula "o fim do subsídio de férias".
Este pretenso despacho (ou melhor, a sua circulação incessante) faz-me pensar, mais uma vez, na forma como (não) lemos o que, realmente interessa ler.
Este (despacho) é mais uma daquelas provas que nos mostram o quanto somos manipuláveis e sôfregos em busca de "confirmações externas" dos nossos mais temidos receios.
Junto também, a esta reflexão, a já por mim muitas vezes referida, em "posts" anterirores, incapacidade de ler efectivamente, reflectir e agir conforme.
Relembro, por exemplo, que quando da publicação do Estatuto da Carreira Docente, do Despacho Regulamentar da Avaliação de Desempenho Docente ou, mais recentemente, do despacho de Organização do Ano Escolar, foram as muitas vozes que nos fizeram "contestar, reclamar e combater" textos que nunca foram lidos sequer por quem os recebeu.
Como exemplo, refiro aquele em que um Departamento inteiro (21 docentes!) "perdeu", literalmente, um mês a trabalhar intensamente em "fichas" de avaliação docente, "solicitadas" por um despacho que, no seu Art.º 20º, referia que "o Governo fará publicar, nos próximos 30 dias as fichas referidas no Artº 12º"... E isto apesar dos aviso de quem, efectivamente, leu o tal despacho...
Mas, voltando à ideia de "perda do subsídio de férias", quero deixar, antes de mais, duas "opiniões" fortes: a primeira é que, independentemente deste "despacho", o fim do subsídio de férias, tal como o conhecemos, é uma realidade a curto prazo e, segundo, que este tipo de "desinformação" potencia atitudes e comportamentos das "massas" que, invariavelmente, atingem os objectivos propostos por quem os "lança"...
Mas, sobre o tal "despacho":
1. Os despachos governativos têm uma numeração própria, constituída pelo número do despacho (linear) e pala data (ano) da sua publicação. atendendo que num ano civil, no máximo, os despachos emanados pelas estruturas ministeriais não excedem os dez mil, é difícil encontrarmos um despacho numerado com um número com mais de cinco dígitos, ora este tem 8. E, e, ainda por cima, na seguinte conjugação: 20110401. Se "desmontarmos este número ficamos com a data 2011/04/01, ou seja: primeiro de Abril.
De seguida, temos que este despacho, conjunto, discrimina o "pessoal docente e não docente". Se é um despacho conjunto (Cultura, Administração Interna, Educação e Finanças), deveria referir-se "agentes públicos" ou "funcionários públicos, de forma a abranger os agentes sob alçada dos signatários.
Por último (apesar de haver mais), o dito "despacho" é assinado por uma "Ministra da Educação e Cultura" Isabel Gabriela da Silva Ferreira Canavilhas. A minha pergunta é: em que Governo terá sido?
Será que todos estes "alertas" não fazem sentido? ou estamos todos tão condicionados?
Sei de notícias em que, em estruturas de gestão importantes, as chefias já andam a divulgar, como se de "Lei" se tratasse, esta brincadeira do Dia das Mentiras.
Estaremos assim tão "deprimidos"?
Nestes últimos dias tenho recebido, por correio electrónico, inúmeras mensagens que, ou me reenviam um documento anexo, em forma de Diário da República, ou falam de um pretenso despacho ministerial que estipula "o fim do subsídio de férias".
Este pretenso despacho (ou melhor, a sua circulação incessante) faz-me pensar, mais uma vez, na forma como (não) lemos o que, realmente interessa ler.
Este (despacho) é mais uma daquelas provas que nos mostram o quanto somos manipuláveis e sôfregos em busca de "confirmações externas" dos nossos mais temidos receios.
Junto também, a esta reflexão, a já por mim muitas vezes referida, em "posts" anterirores, incapacidade de ler efectivamente, reflectir e agir conforme.
Relembro, por exemplo, que quando da publicação do Estatuto da Carreira Docente, do Despacho Regulamentar da Avaliação de Desempenho Docente ou, mais recentemente, do despacho de Organização do Ano Escolar, foram as muitas vozes que nos fizeram "contestar, reclamar e combater" textos que nunca foram lidos sequer por quem os recebeu.
Como exemplo, refiro aquele em que um Departamento inteiro (21 docentes!) "perdeu", literalmente, um mês a trabalhar intensamente em "fichas" de avaliação docente, "solicitadas" por um despacho que, no seu Art.º 20º, referia que "o Governo fará publicar, nos próximos 30 dias as fichas referidas no Artº 12º"... E isto apesar dos aviso de quem, efectivamente, leu o tal despacho...
Mas, voltando à ideia de "perda do subsídio de férias", quero deixar, antes de mais, duas "opiniões" fortes: a primeira é que, independentemente deste "despacho", o fim do subsídio de férias, tal como o conhecemos, é uma realidade a curto prazo e, segundo, que este tipo de "desinformação" potencia atitudes e comportamentos das "massas" que, invariavelmente, atingem os objectivos propostos por quem os "lança"...
Mas, sobre o tal "despacho":
1. Os despachos governativos têm uma numeração própria, constituída pelo número do despacho (linear) e pala data (ano) da sua publicação. atendendo que num ano civil, no máximo, os despachos emanados pelas estruturas ministeriais não excedem os dez mil, é difícil encontrarmos um despacho numerado com um número com mais de cinco dígitos, ora este tem 8. E, e, ainda por cima, na seguinte conjugação: 20110401. Se "desmontarmos este número ficamos com a data 2011/04/01, ou seja: primeiro de Abril.
De seguida, temos que este despacho, conjunto, discrimina o "pessoal docente e não docente". Se é um despacho conjunto (Cultura, Administração Interna, Educação e Finanças), deveria referir-se "agentes públicos" ou "funcionários públicos, de forma a abranger os agentes sob alçada dos signatários.
Por último (apesar de haver mais), o dito "despacho" é assinado por uma "Ministra da Educação e Cultura" Isabel Gabriela da Silva Ferreira Canavilhas. A minha pergunta é: em que Governo terá sido?
Será que todos estes "alertas" não fazem sentido? ou estamos todos tão condicionados?
Sei de notícias em que, em estruturas de gestão importantes, as chefias já andam a divulgar, como se de "Lei" se tratasse, esta brincadeira do Dia das Mentiras.
Estaremos assim tão "deprimidos"?
4 de abril de 2011
Como será "não querer saber"...?
Sou, muitas vezes, acusado de ser pessimista (ou melhor, de "valorizar" os aspectos negativos da "coisa"), e de estar, quase sempre, a "criticar" e a "dizer mal".
Infelizmente (mais para mim do que para a maioria das pessoas que conheço), este meu péssimo hábito, de estar sempre a "imaginar" que poderia ser melhor, se nos dedicássemos a isso, nasceu comigo.
E, devo escrevê-lo: não são poucas as vezes que os meus pares são "obrigados" a dar-me razão.
Na maior parte das vezes que "critico" e "digo mal", faço-o, porque não consigo entender (e juro que me esforço por conseguir) a atitude de "deixar andar" que, normalmente nos acomete quando estamos em tempo de "fazer algo".
E esta atitude é notória nas grandes e nas pequenas coisas. A expressão "fazer para quê?" é uma das expressões que mais me incomoda. Esta forma de "não fazer", que enerva e imobiliza é, na minha modesta opinião, um dos principais responsáveis pela dita "crise" que temos vindo a atravessar e que terá, ainda, efeitos ainda mais devastadores.
Expressões co-relacionadas ("votar para quê?", "falar para quê?", "ir porquê?"...) são a evidência de uma certa forma de demissão que impede que se cresça e que se melhore. E, em sequência, vem a tal questão da "Excelência", que já reflecti em textos anteriores...
Quando "falo" (nesse tão interessante "tom" crítico de que sou acusado), e digo, por exemplo, que, na profissão docente os que se inflamaram contra a ADD serão os maiores prejudicados (quer se queira, quer não se queira, algum critério terá de existir quando os cortes forem reais - na Irlanda foram 25000 funcionários despedidos sem apelo nem agravo quando o FMI chegou... e os critérios foram esses mesmos, os da avaliação -) e poucos acham que se "deve fazer" alguma coisa.
De forma normal e natural, continuam nessa sua atitude de "laisser faire, laissez passer..." que nos vai, literalmente "matar" a todos.
E, se sou crítico e "negativista", é porque não me sinto nem estúpido nem incompetente, e custa-me pagar pelos erros dos outros.
E como dizia, e não é que goste disso, na maior parte das críticas e "sugestões negativas", o tempo acaba por me dar razão.
Mas, independentemente dessa "razão" a posteriori, admito que não consigo mesmo compreender essa atitude de inacção tão típica que, por exemplo, leva que apenas um em três pessoas faça o que tem de fazer (a "bem" da produtividade!) durante um período mais ou menos prolongado. No entanto, findo esse período, quem sofre somos todos nós...
Deixo-vos agora com uma das minhas "críticas" que acabou de ser confirmada:
Infelizmente (mais para mim do que para a maioria das pessoas que conheço), este meu péssimo hábito, de estar sempre a "imaginar" que poderia ser melhor, se nos dedicássemos a isso, nasceu comigo.
E, devo escrevê-lo: não são poucas as vezes que os meus pares são "obrigados" a dar-me razão.
Na maior parte das vezes que "critico" e "digo mal", faço-o, porque não consigo entender (e juro que me esforço por conseguir) a atitude de "deixar andar" que, normalmente nos acomete quando estamos em tempo de "fazer algo".
E esta atitude é notória nas grandes e nas pequenas coisas. A expressão "fazer para quê?" é uma das expressões que mais me incomoda. Esta forma de "não fazer", que enerva e imobiliza é, na minha modesta opinião, um dos principais responsáveis pela dita "crise" que temos vindo a atravessar e que terá, ainda, efeitos ainda mais devastadores.
Expressões co-relacionadas ("votar para quê?", "falar para quê?", "ir porquê?"...) são a evidência de uma certa forma de demissão que impede que se cresça e que se melhore. E, em sequência, vem a tal questão da "Excelência", que já reflecti em textos anteriores...
Quando "falo" (nesse tão interessante "tom" crítico de que sou acusado), e digo, por exemplo, que, na profissão docente os que se inflamaram contra a ADD serão os maiores prejudicados (quer se queira, quer não se queira, algum critério terá de existir quando os cortes forem reais - na Irlanda foram 25000 funcionários despedidos sem apelo nem agravo quando o FMI chegou... e os critérios foram esses mesmos, os da avaliação -) e poucos acham que se "deve fazer" alguma coisa.
De forma normal e natural, continuam nessa sua atitude de "laisser faire, laissez passer..." que nos vai, literalmente "matar" a todos.
E, se sou crítico e "negativista", é porque não me sinto nem estúpido nem incompetente, e custa-me pagar pelos erros dos outros.
E como dizia, e não é que goste disso, na maior parte das críticas e "sugestões negativas", o tempo acaba por me dar razão.
Mas, independentemente dessa "razão" a posteriori, admito que não consigo mesmo compreender essa atitude de inacção tão típica que, por exemplo, leva que apenas um em três pessoas faça o que tem de fazer (a "bem" da produtividade!) durante um período mais ou menos prolongado. No entanto, findo esse período, quem sofre somos todos nós...
Deixo-vos agora com uma das minhas "críticas" que acabou de ser confirmada:
"O prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, disse há pouco que a resposta à crise resultaria numa perda de rendimento em 30%. Acusaram-no de pessimista. Tudo indica que Krugman foi optimista. A perda de rendimento será muito maior. Só este ano, por efeito da inflação, da subida do IVA e dos cortes salariais foi superior a 10%. nada comprado com o que aí vem. O aumento do preço do dinheiro que o BCE vai aprovar esta semana e que será seguido por outras subidas até ao final de 2011 (estima-se que os juros passarão dos actuais 1% para 1,75% no Verão) vão provocar uma perda brutal do rendimento disponível de todos os professores que tiverem créditos à habitação."
Quem o disse foi o Álvaro Santos Pereira no ProfBlog...
29 de março de 2011
O "País" somos nós...
Não é fácil viver num país que está sempre "no fim da lista".
Esta expressão de "reconhecimento" é, desde há muitos anos, sinónimo da "maneira de ser" lusa.
Há dias lia uma "estória" (teoricamente) verdadeira, na qual dois diplomatas portugueses reflectiam sobre o tal "Ser Português".
Dizia um que "não compreendia o porquê de um povo que viu nascer grandes exploradores e navegadores, que deram Mundo ao Mundo, se ter afogado numa proverbial mesquinhez e insensatez".
Ao que o outro responde: "Não, amigo. Estás enganado. Os portugueses que temos hoje não são descendentes dos que foram. São-no dos que ficaram!"
Infelizmente, sou tentado a concordar com esta sábia resposta.
Escrevo hoje agastado com os "acontecimentos do dia". Por mais que tente, neste espaço, reflectir apenas "a frio" as incidências da minha "vida" profissional, não posso deixar de "comentar" como me sinto tão "pequeno" quando testemunho, no dia-a-dia profissional, a evidência que a "culpa" de Portugal são mesmo os portugueses.
Podemos esmerar-nos por fazer aquilo em que acreditamos, individualmente, e, ao acreditarmos, podemos potenciar um conjunto alargado de mais-valias em nós e nos outros.
Podemos dar o que (sabemos) os outros não dão, apenas porque acreditamos que, num espírito solidário e de apoio mútuo, é importante construir, mais do que destruir.
Podemos envolver-nos porque esse envolvimento funciona como um convite à participação de outros. Podemos empenhar-nos porque sabemos que, num âmbito global, esse empenhamento nos será devolvido, mesmo que de formas muito simples.
O que não podemos é combater a inveja, a mesquinhez, o egoísmo destrutivo que tem, como objectivo único, a debilidade do conjunto.
Num momento em que ouvimos o nosso colega, o nosso vizinho, o nosso familiar a "queixar-se" da situação do "país", dos governantes, das instituições burocráticas e imobilistas...
Num momento em que, para "sair da crise" é fundamental "pensar mais além"...
Num momento em que, acima de tudo, deveríamos acreditar no esforço cooperativo e colaborativo...
...É-nos difícil aceitar que as palavras são vãs.
Sou profissional num local onde, por variadíssimas razões (e sobretudo pela minha "história" profissional), sinto que se trabalha com um espírito incomum de dedicação, de competência, de criatividade e de excelência.
Ao contrário da maior parte dos locais por onde passei anteriormente, assisto hoje a dinâmicas que nos permitem, localmente, "dar o melhor de nós". Fazemo-lo porque acreditamos que, numa perspectiva global,os ganhos desse envolvimento serão aproveitados por muitos. Muitos mais do que apenas os "clientes" naturais dessa acção.
Mas, esse nível de dedicação causa inveja. E, naturalmente, cria "anti-corpos".
E o mais difícil é encontrar vacinas para esse espírito mesquinho de inveja.
Sempre acreditei que, das boas ideias e das boas práticas se deve pensar: "Excelente. Também quero fazer assim!".
Infelizmente, em Portugal, a maior parte das pessoas (mesmo que diga o contrário), pensa: "Que m.... Não fui eu que tive essa ideia. Ora deixa lá pôr aqui um grãozinho de areia na engrenagem..."
E, pior mesmo, é que, normalmente, esta atitude negativa causa mais mal do que bem.
E desmotiva.
Talvez amanhã seja outro dia!
Esta expressão de "reconhecimento" é, desde há muitos anos, sinónimo da "maneira de ser" lusa.
Há dias lia uma "estória" (teoricamente) verdadeira, na qual dois diplomatas portugueses reflectiam sobre o tal "Ser Português".
Dizia um que "não compreendia o porquê de um povo que viu nascer grandes exploradores e navegadores, que deram Mundo ao Mundo, se ter afogado numa proverbial mesquinhez e insensatez".
Ao que o outro responde: "Não, amigo. Estás enganado. Os portugueses que temos hoje não são descendentes dos que foram. São-no dos que ficaram!"
Infelizmente, sou tentado a concordar com esta sábia resposta.
Escrevo hoje agastado com os "acontecimentos do dia". Por mais que tente, neste espaço, reflectir apenas "a frio" as incidências da minha "vida" profissional, não posso deixar de "comentar" como me sinto tão "pequeno" quando testemunho, no dia-a-dia profissional, a evidência que a "culpa" de Portugal são mesmo os portugueses.
Podemos esmerar-nos por fazer aquilo em que acreditamos, individualmente, e, ao acreditarmos, podemos potenciar um conjunto alargado de mais-valias em nós e nos outros.
Podemos dar o que (sabemos) os outros não dão, apenas porque acreditamos que, num espírito solidário e de apoio mútuo, é importante construir, mais do que destruir.
Podemos envolver-nos porque esse envolvimento funciona como um convite à participação de outros. Podemos empenhar-nos porque sabemos que, num âmbito global, esse empenhamento nos será devolvido, mesmo que de formas muito simples.
O que não podemos é combater a inveja, a mesquinhez, o egoísmo destrutivo que tem, como objectivo único, a debilidade do conjunto.
Num momento em que ouvimos o nosso colega, o nosso vizinho, o nosso familiar a "queixar-se" da situação do "país", dos governantes, das instituições burocráticas e imobilistas...
Num momento em que, para "sair da crise" é fundamental "pensar mais além"...
Num momento em que, acima de tudo, deveríamos acreditar no esforço cooperativo e colaborativo...
...É-nos difícil aceitar que as palavras são vãs.
Sou profissional num local onde, por variadíssimas razões (e sobretudo pela minha "história" profissional), sinto que se trabalha com um espírito incomum de dedicação, de competência, de criatividade e de excelência.
Ao contrário da maior parte dos locais por onde passei anteriormente, assisto hoje a dinâmicas que nos permitem, localmente, "dar o melhor de nós". Fazemo-lo porque acreditamos que, numa perspectiva global,os ganhos desse envolvimento serão aproveitados por muitos. Muitos mais do que apenas os "clientes" naturais dessa acção.
Mas, esse nível de dedicação causa inveja. E, naturalmente, cria "anti-corpos".
E o mais difícil é encontrar vacinas para esse espírito mesquinho de inveja.
Sempre acreditei que, das boas ideias e das boas práticas se deve pensar: "Excelente. Também quero fazer assim!".
Infelizmente, em Portugal, a maior parte das pessoas (mesmo que diga o contrário), pensa: "Que m.... Não fui eu que tive essa ideia. Ora deixa lá pôr aqui um grãozinho de areia na engrenagem..."
E, pior mesmo, é que, normalmente, esta atitude negativa causa mais mal do que bem.
E desmotiva.
Talvez amanhã seja outro dia!
20 de março de 2011
Género?
Mais uma vez (sim, já "respondi" a alguns apelos destes!), irei dar o "meu testemunho" num programa de televisão sobre a questão do género no trabalho.
Partimos, normalmente, do princípio que algumas profissões são muito identificadas com um género. Os polícias têm de ser homens. Os construtores civis também. As costureiras só podem ser mulheres...
Não me revejo nesta "divisão machista" do trabalho.
Sei (por experiência), que, muito mais importante que a questão do género é a questão da competência no exercício da função. E, acima desta, a questão dos resultados obtidos.
É esperado que "seja notícia" um homem que desempenha uma função identificada como "feminina".
Não compreendo, mas aceito, dada a "anormalidade" da coisa.
Mas interessa-me, sobretudo, reflectir a competência para a realizar (a função) e não tanto a lógica de género.
Tenho em mim a ideia que qualquer que seja a função, deve ser, fundamentalmente um espaço de realização pessoal e de procura pela "Excelência".
Nesta perspectiva, não há (ou não deveria haver) profissões masculinas ou femininas. Aceito que, devido a essa "desigualdade" de tratamento, exista quem "sofra". E não posso deixar de reconhecer que, na maioria das vezes, as mulheres são mais prejudicadas.
Mas, quanto a mim, posso afirmar que não me é fácil ser Educador de Infância.
Tenho passado muito tempo a provar que o facto de "não ser mãe, mulher...", não me impede de ser bom profissional. Tenho, inclusive, passado bastante tempo a demonstrar inequivocamente que a "falta de instinto maternal" não é impedimento para se ser um profissional competente.
E, independentemente do esforço, é entre pares que as coisas são mais difíceis.
Mas, para que fique claro, a questão da competência é assexuada. Perseguir a Excelência não é uma responsabilidade de género. É um imperativo social.
Sei que teria a mesma atitude face ao trabalho em qualquer outra profissão que tivesse escolhido.
Mas, enquanto for mais importante "falar" das questões de género, dificilmente daremos real importância ao que interessa: produzir com qualidade e procurando a excelência no que fazemos.
Por tal, enquanto se "falar" de género, não se falará de Qualidade. E isso é problemático, principalmente num país que luta deseperadamente para sair do fosso em que se meteu...
Talvez da Finlândia não necessitemos apenas do exemplo educativo, mas, sobretudo, do modelo de "igualdade de género"...
Partimos, normalmente, do princípio que algumas profissões são muito identificadas com um género. Os polícias têm de ser homens. Os construtores civis também. As costureiras só podem ser mulheres...
Não me revejo nesta "divisão machista" do trabalho.
Sei (por experiência), que, muito mais importante que a questão do género é a questão da competência no exercício da função. E, acima desta, a questão dos resultados obtidos.
É esperado que "seja notícia" um homem que desempenha uma função identificada como "feminina".
Não compreendo, mas aceito, dada a "anormalidade" da coisa.
Mas interessa-me, sobretudo, reflectir a competência para a realizar (a função) e não tanto a lógica de género.
Tenho em mim a ideia que qualquer que seja a função, deve ser, fundamentalmente um espaço de realização pessoal e de procura pela "Excelência".
Nesta perspectiva, não há (ou não deveria haver) profissões masculinas ou femininas. Aceito que, devido a essa "desigualdade" de tratamento, exista quem "sofra". E não posso deixar de reconhecer que, na maioria das vezes, as mulheres são mais prejudicadas.
Mas, quanto a mim, posso afirmar que não me é fácil ser Educador de Infância.
Tenho passado muito tempo a provar que o facto de "não ser mãe, mulher...", não me impede de ser bom profissional. Tenho, inclusive, passado bastante tempo a demonstrar inequivocamente que a "falta de instinto maternal" não é impedimento para se ser um profissional competente.
E, independentemente do esforço, é entre pares que as coisas são mais difíceis.
Mas, para que fique claro, a questão da competência é assexuada. Perseguir a Excelência não é uma responsabilidade de género. É um imperativo social.
Sei que teria a mesma atitude face ao trabalho em qualquer outra profissão que tivesse escolhido.
Mas, enquanto for mais importante "falar" das questões de género, dificilmente daremos real importância ao que interessa: produzir com qualidade e procurando a excelência no que fazemos.
Por tal, enquanto se "falar" de género, não se falará de Qualidade. E isso é problemático, principalmente num país que luta deseperadamente para sair do fosso em que se meteu...
Talvez da Finlândia não necessitemos apenas do exemplo educativo, mas, sobretudo, do modelo de "igualdade de género"...
13 de março de 2011
Auto Retrato...
Normalmente, tenho alguma relutância em "falar de mim" na primeira pessoa.
Assumo o que digo, o que escrevo e mesmo o que penso, mas, poucas vezes o faço de forma directa. Talvez por modéstia, ou mesmo por timidez, mas acima de tudo porque é importante que me "ouçam" pelo que penso e pelo que sou, e não tanto pelo que tenho ou quero.
Mas este texto, publicado no Jornal de Letras (quinzena de 9 a 22 de Março), faz jus ao que sou...
Espero que gostem...
Assumo o que digo, o que escrevo e mesmo o que penso, mas, poucas vezes o faço de forma directa. Talvez por modéstia, ou mesmo por timidez, mas acima de tudo porque é importante que me "ouçam" pelo que penso e pelo que sou, e não tanto pelo que tenho ou quero.
Mas este texto, publicado no Jornal de Letras (quinzena de 9 a 22 de Março), faz jus ao que sou...
Espero que gostem...
Quem somos?
Desde há algum tempo que recebo, por correio electrónico, por mensagens instantâneas, através do facebook ou por outros canais, informação, divulgação e convocatórias sobre grupos, ajuntamentos, colectividades e outro tipo de associações, para me juntar a movimentos e ideologias que se querem, elas próprias, "livres de ideologias".
Lia ontem, na Visão desta semana as prerrogativas governativas do "novo" PSD...
Fico preocupado.
Sim. Bastante preocupado.
Estou preocupado porque, somando tudo, há algumas coisas que necessitam de uma profunda reflexão, que não vejo estar a ser feita:
- O facto de ser crescente o número de "iniciativas" que visam "destituir" o modelo governativo (como por exemplo, o "1 milhão pela a demissão..."), revela, não só um crescente descontentamento das pessoas mas, acima de tudo, uma crescente incapacidade para lidar com os "problemas", pois, em nenhuma iniciativa, nos é apresentada uma alternativa credível;
- Como é que um partido como o PSD (com longo historial neste país "democrático", onde os apoiantes "de agora", foram os "indefectíveis de outros", num passado recente) se propõe a mudar, sabendo nós que a história é cíclica e confirma as escolhas passadas;
- Como é que este país, de cidadãos que acabaram de votar, para Presidente da República, num rosto sobejamente conhecido (para o bem e para o mal!), antecipa as mudanças obrigatórias, se pela mão dos "mesmos de sempre"?
- E, por último, como é que, no fim do túnel, nos libertaremos dos interesses económicos e financeiros que têm sustentado os "delírios" governativos dos últimos anos?
Sei que, normalmente, quem questiona é "advogado do Diabo", "mal-intencionado" ou ainda "mau Português". É o costume.
Mas gostava mesmo de saber quantos dos que ontem se manifestaram em todo o país estão disposto a mudar(-se) mesmo?
Mas mudar-se a eles próprios: deixar de pensar em si e no seu umbigo e pensar, solidariamente, no país que nos alberga e no Estado que nos ajuda...
Quantos?
A culpa é sempre dos outros. Mas talvez fosse a hora de começarmos por nós mesmos.
Frases como "se me tiram 3% do ordenado, não dou nem mais um minuto..." têm de ser reequacionadas...
Porque, se "me tiram" agora foi porque me habituei a "viver dos outros" antes...
Pode este discurso parecer reaccionário, violento e/ou despropositado, mas, para quem me conhece e tem acompanhado alguns dos escritos aqui divulgados, sabe que defendo que a mudança começa em cada um de nós, no dia-a-dia, no grau de exigência com o nosso trabalho, com as nossas chefias, com os nossos colegas, com as nossas famílias...
Um exemplo "brando": se todos os portugueses fizessem uma efectiva reciclagem de resíduos, a "factura energética" ganhava cerca de 35%(!!!), e assim, todos poderíamos beneficiar de uma menor pressão financeira sobre os produtos energéticos...
E este é apenas um de muitos exemplos possíveis.
Por isso reafirmo: mudemo-nos antes de querermos a mudança dos outros!
Lia ontem, na Visão desta semana as prerrogativas governativas do "novo" PSD...
Fico preocupado.
Sim. Bastante preocupado.
Estou preocupado porque, somando tudo, há algumas coisas que necessitam de uma profunda reflexão, que não vejo estar a ser feita:
- O facto de ser crescente o número de "iniciativas" que visam "destituir" o modelo governativo (como por exemplo, o "1 milhão pela a demissão..."), revela, não só um crescente descontentamento das pessoas mas, acima de tudo, uma crescente incapacidade para lidar com os "problemas", pois, em nenhuma iniciativa, nos é apresentada uma alternativa credível;
- Como é que um partido como o PSD (com longo historial neste país "democrático", onde os apoiantes "de agora", foram os "indefectíveis de outros", num passado recente) se propõe a mudar, sabendo nós que a história é cíclica e confirma as escolhas passadas;
- Como é que este país, de cidadãos que acabaram de votar, para Presidente da República, num rosto sobejamente conhecido (para o bem e para o mal!), antecipa as mudanças obrigatórias, se pela mão dos "mesmos de sempre"?
- E, por último, como é que, no fim do túnel, nos libertaremos dos interesses económicos e financeiros que têm sustentado os "delírios" governativos dos últimos anos?
Sei que, normalmente, quem questiona é "advogado do Diabo", "mal-intencionado" ou ainda "mau Português". É o costume.
Mas gostava mesmo de saber quantos dos que ontem se manifestaram em todo o país estão disposto a mudar(-se) mesmo?
Mas mudar-se a eles próprios: deixar de pensar em si e no seu umbigo e pensar, solidariamente, no país que nos alberga e no Estado que nos ajuda...
Quantos?
A culpa é sempre dos outros. Mas talvez fosse a hora de começarmos por nós mesmos.
Frases como "se me tiram 3% do ordenado, não dou nem mais um minuto..." têm de ser reequacionadas...
Porque, se "me tiram" agora foi porque me habituei a "viver dos outros" antes...
Pode este discurso parecer reaccionário, violento e/ou despropositado, mas, para quem me conhece e tem acompanhado alguns dos escritos aqui divulgados, sabe que defendo que a mudança começa em cada um de nós, no dia-a-dia, no grau de exigência com o nosso trabalho, com as nossas chefias, com os nossos colegas, com as nossas famílias...
Um exemplo "brando": se todos os portugueses fizessem uma efectiva reciclagem de resíduos, a "factura energética" ganhava cerca de 35%(!!!), e assim, todos poderíamos beneficiar de uma menor pressão financeira sobre os produtos energéticos...
E este é apenas um de muitos exemplos possíveis.
Por isso reafirmo: mudemo-nos antes de querermos a mudança dos outros!
20 de fevereiro de 2011
Às voltas...
Alguns dizeres, opiniões, artigos da comunicação social, textos editados e publicados nos mais insuspeitos espaços e até comentários ouvidos no café me deixam, não raramente, literalmente, às voltas.
Nestas últimas semanas, a propósito da nova canção dos Deolinda, dos idosos encontrados mortos em casa, das reflexões à volta dos lucros dos bancos (e dos seus diminutos impostos!), da redução do número de deputados na Assembleia da República e até da proverbial Moção de Censura, a apresentar pelo Bloco de Esquerda, foram muitas (mas muitas mesmo!) as vozes que vieram a lume fazer a "queixa" do costume: "a culpa é deles!".
É sempre interessante revermo-nos nos outros. É ainda mais interessante "opinar", criticar, culpar, ofender, relativizar, responsabilizar, e todas aquelas outras coisas que (dizem os outros) é "expressão do ser português".
Não quero (e não vou) entrar em grandes análises e reflexões filosóficas, etológicas, étnicas (e éticas) ou de valores, mas deixo algumas perguntas...
1. Quem, de entre nós, nunca estacionou o veículo num passeio, impedindo, dessa forma, a fácil circulação de pessoas com mobilidade reduzida?
2. Quem, de entre nós, "olhou para o lado" sempre que testemunha de um acto de agressão física e/ou verbal, entre conhecidos, por "não ser nada comigo"?
3. Quem, de entre nós, nunca ameaçou o filho/sobrinho/educando com um "portas-te mal e eu vou dizer ao polícia"?
4. Quem, de entre nós, nunca deixou de ir votar por alegar "que eles são todos iguais"?
5. Quem, de entre nós, nunca perguntou ao amigo/conhecido se "não tens ninguém lá na repartição que possa dar uma ajudinha para desbloquear o meu caso"?
6. Quem, de entre nós, não pediu a respectiva factura depois de ter mandado reparar o esquentador/o cano/os sapatos, apenas porque "sem IVA é mais barato"?
Estes, e muito mais exemplos que aqui poderia escrever são, sem sombra de dúvida, o melhor retrato desta insistente e definida cultura de "deixa andar" que tão bem nos caracteriza.
Num post anterior, reflectia, com base em palavras de outros, sobre essa luta que é (seria!) a solução para "todos os males": a acepção da Excelência.
Mas, para isso, seria necessário que conseguíssemos, num rasgo de inteligência colectiva, substituir a expressão "a culpa é deles" por "a culpa é nossa"!
Mas isso obrigaria a que a solidariedade do Estado fosse, acima de tudo, a solidariedade do indivíduo.
Pois é. Infelizmente, o Estado somos todos nós. Até quando nos demitimos de o ser!
Era bom pensar nisto (designadamente, antes de falar em coisas das quais somos os primeiros e últimos responsáveis)!
Breve glossário:
1. Aqui se vê, por exemplo, o "respeito" que temos pelo "outro". E, mesmo quando compramos uma casa, não nos interessa mesmo muito saber se, daqui a uns anos, quando já não conseguirmos subir um degrau, a rampa de acesso seria útil...
2. Um dos principais problemas de autoridade é mesmo o autoritarismo. E, sem querer entrar em grandes análises comparativas, os países onde a "igualdade de género" é maior, poupam cerca de 0,01% do PIB (este valor, em Portugal, é cerca de 2.000.000€) em despesas médicas derivadas de assistência a situações de agressão "menor"...
3. Novamente a questão da autoridade: Quem respeita um Agente de Autoridade, cuja função é (deveria ser) manter a "segurança pública e mobilizar os cidadãos para a vida em sociedade", com "expressões" destas?
4. Votar é um direito e um dever. Escolher é sempre uma opção. Se não o fizermos, estaremos a desresponsabilizarmo-nos e, dessa forma, excluirmo-nos do "sistema". Que razão então para o criticar?
5. Sem mais delongas: Portugal ocupa a 32ª posição entre 172 países cuja "percepção sobre corrupção" foi "aferida " pela Transparency International. Nota importante, da Europa a 25, apenas três depois de nós...
6. "Fugir ao Fisco"... Mais palavras para quê? Se o país não tem dinheiro para distribuir, aumenta os impostos, e pagam os mesmos... ou seja, aqueles que não podem "fugir" (entre estes, por acaso, encontram-se os "funcionários públicos", sobre quem, por exemplo, se diz serem a "causa da desgraça"...)
Nestas últimas semanas, a propósito da nova canção dos Deolinda, dos idosos encontrados mortos em casa, das reflexões à volta dos lucros dos bancos (e dos seus diminutos impostos!), da redução do número de deputados na Assembleia da República e até da proverbial Moção de Censura, a apresentar pelo Bloco de Esquerda, foram muitas (mas muitas mesmo!) as vozes que vieram a lume fazer a "queixa" do costume: "a culpa é deles!".
É sempre interessante revermo-nos nos outros. É ainda mais interessante "opinar", criticar, culpar, ofender, relativizar, responsabilizar, e todas aquelas outras coisas que (dizem os outros) é "expressão do ser português".
Não quero (e não vou) entrar em grandes análises e reflexões filosóficas, etológicas, étnicas (e éticas) ou de valores, mas deixo algumas perguntas...
1. Quem, de entre nós, nunca estacionou o veículo num passeio, impedindo, dessa forma, a fácil circulação de pessoas com mobilidade reduzida?
2. Quem, de entre nós, "olhou para o lado" sempre que testemunha de um acto de agressão física e/ou verbal, entre conhecidos, por "não ser nada comigo"?
3. Quem, de entre nós, nunca ameaçou o filho/sobrinho/educando com um "portas-te mal e eu vou dizer ao polícia"?
4. Quem, de entre nós, nunca deixou de ir votar por alegar "que eles são todos iguais"?
5. Quem, de entre nós, nunca perguntou ao amigo/conhecido se "não tens ninguém lá na repartição que possa dar uma ajudinha para desbloquear o meu caso"?
6. Quem, de entre nós, não pediu a respectiva factura depois de ter mandado reparar o esquentador/o cano/os sapatos, apenas porque "sem IVA é mais barato"?
Estes, e muito mais exemplos que aqui poderia escrever são, sem sombra de dúvida, o melhor retrato desta insistente e definida cultura de "deixa andar" que tão bem nos caracteriza.
Num post anterior, reflectia, com base em palavras de outros, sobre essa luta que é (seria!) a solução para "todos os males": a acepção da Excelência.
Mas, para isso, seria necessário que conseguíssemos, num rasgo de inteligência colectiva, substituir a expressão "a culpa é deles" por "a culpa é nossa"!
Mas isso obrigaria a que a solidariedade do Estado fosse, acima de tudo, a solidariedade do indivíduo.
Pois é. Infelizmente, o Estado somos todos nós. Até quando nos demitimos de o ser!
Era bom pensar nisto (designadamente, antes de falar em coisas das quais somos os primeiros e últimos responsáveis)!
Breve glossário:
1. Aqui se vê, por exemplo, o "respeito" que temos pelo "outro". E, mesmo quando compramos uma casa, não nos interessa mesmo muito saber se, daqui a uns anos, quando já não conseguirmos subir um degrau, a rampa de acesso seria útil...
2. Um dos principais problemas de autoridade é mesmo o autoritarismo. E, sem querer entrar em grandes análises comparativas, os países onde a "igualdade de género" é maior, poupam cerca de 0,01% do PIB (este valor, em Portugal, é cerca de 2.000.000€) em despesas médicas derivadas de assistência a situações de agressão "menor"...
3. Novamente a questão da autoridade: Quem respeita um Agente de Autoridade, cuja função é (deveria ser) manter a "segurança pública e mobilizar os cidadãos para a vida em sociedade", com "expressões" destas?
4. Votar é um direito e um dever. Escolher é sempre uma opção. Se não o fizermos, estaremos a desresponsabilizarmo-nos e, dessa forma, excluirmo-nos do "sistema". Que razão então para o criticar?
5. Sem mais delongas: Portugal ocupa a 32ª posição entre 172 países cuja "percepção sobre corrupção" foi "aferida " pela Transparency International. Nota importante, da Europa a 25, apenas três depois de nós...
6. "Fugir ao Fisco"... Mais palavras para quê? Se o país não tem dinheiro para distribuir, aumenta os impostos, e pagam os mesmos... ou seja, aqueles que não podem "fugir" (entre estes, por acaso, encontram-se os "funcionários públicos", sobre quem, por exemplo, se diz serem a "causa da desgraça"...)
10 de fevereiro de 2011
"Falta-nos um bocadinho assim..."
"Os portugueses parecem estar constantemente a pedir desculpa e a prever que não conseguem alcançar os seus objectivos"
Mats Olsson (Seleccionador Nacional de Andebol)
Tive hoje a oportunidade de ler uma das, senão a melhor, melhores reportagens feitas sobre "o que é ser português".
A ocasião foi um excelente trabalho da Visão, através dos seus jornalistas Francisco Cruz e Pedro Justino Alves ("Quando os de fora nos levam longe", Visão nº935), onde, como o título indica, se faz uma análise aos resultados obtidos por diferentes "estrangeiros" que desenvolvem a sua actividade profissional (neste caso, desportiva) nas selecções nacionais de diversas modalidades.
Começa a reportagem por esclarecer sobre o que, até agora, foi alcançado por cada um deles (os profissionais, entenda-se) e continua, discorrendo sobre as suas (deles) análises sobre o que contribui para o (in)sucesso nacional nas áreas que lhes competem.
Tendencialmente achamos que o que "vem de fora" é bom. Na maior parte das vezes não discordo. Claro está que, na maior parte das vezes deveríamos fazer uma efectiva adaptação dos modelos à nossa realidade. Mas, se na maior parte das vezes essa adaptação é, pelo menos, planeada, o que, na realidade acontece é que, invariavelmente, nos esquecemos de um "pormenor" importante: quem, na realidade efectiva o que se importa, são os agentes, os executores, ou seja, os portugueses!
E, daí, a pertinência e acuidade desta reportagem: um conjunto de "estrangeiros" com resultados observáveis, explicam e exemplificam a "incompetência" que, não poucas vezes, faz não alcançar um efectivo sucesso nacional.
Da leitura desta reportagem surgem diversas possíveis leituras: por um lado, o "dedo na ferida" é real e justamente aplicado, por outro, este "prognóstico" não é, decididamente uma novidade (nem sequer uma verdade de La Palisse); de certa forma, esta análise é generalizável para outras realidades (que não a desportiva) e, por último, a "leitura" que se pode fazer destas opiniões muito localizadas é que nós, portugueses, somos muito bem lidos e interpretados por quem connosco convive e/ou trabalha.
Posto isto, esta "visão"merece-nos uma reflexão: tal como também referido pelo Mats Olsson, "Quem sabe ter a capacidades para chegar aos 100%, e embora tenha consciência de que 80% bastam, não desiste de se aplicar" luta por uma constante melhoria da sua Condição. É esse o objectivo da Excelência.
Ora, neste particular, quando os Docentes (por exemplo) contestam (entre eles) que "não há professores Excelentes" (como tantas vezes ouço!), como que a justificar a sua pouca vontade de obter uma classificação de desempenho que se situe entre os valores de 9,0 e 10 (na escala escolhida no modelo de ADD em vigor), estão, na realidade, a demonstrar, ipsis verbis, o que "dizem de nós".
Por outro lado, e aproveitando ainda uma outra citação, desta vez do Juan Diaz (Seleccionador Nacional de Voleibol) "...um dos problemas dos portugueses é, exactamente, o «medo de mudança», a falta de coragem para mudar de fórmula, quando os resultados não são satisfatórios", sublinho que, mais do que nunca, é este que se constitui como o paradigma da "modernidade" nacional: não se muda de governo, não se muda de vontade, não se muda de modelo porque "é mais fácil manter tudo como está", mesmo que a nossa vida esteja, como está, a atingir patamares de insolvência...
E, para terminar e, de certa forma "dar o laço" ao presente, a última citação (também do Diaz): "a passividade nacional tem causas sociais: os pais portugueses dão tudo de mão beijada aos filhos apresentando-lhes a vida como algo fácil e sem exigir responsabilidades em troca...".
No fundo, também nós, pais, fomos filhos!
Será que esta reportagem terá a audiência que deveria ter? Será que os 530 mil leitores da visão (anunciados pela própria) vão (mesmo!) ler esta reportagem e, espero eu, iniciar a respectiva "mudança"?...
Eu, posso dizê-lo, já a comecei (por acaso há algum tempo): não me contento com os 80%. E apesar de, ter, normalmente mais dissabores com essa atitude do que efectivas recompensas (sim, também fui desvalorizado em 3.5% da minha remuneração!), continuarei a tentar mostrar que vale a pena lutar por mais e melhor!
Mats Olsson (Seleccionador Nacional de Andebol)
Tive hoje a oportunidade de ler uma das, senão a melhor, melhores reportagens feitas sobre "o que é ser português".
A ocasião foi um excelente trabalho da Visão, através dos seus jornalistas Francisco Cruz e Pedro Justino Alves ("Quando os de fora nos levam longe", Visão nº935), onde, como o título indica, se faz uma análise aos resultados obtidos por diferentes "estrangeiros" que desenvolvem a sua actividade profissional (neste caso, desportiva) nas selecções nacionais de diversas modalidades.
Começa a reportagem por esclarecer sobre o que, até agora, foi alcançado por cada um deles (os profissionais, entenda-se) e continua, discorrendo sobre as suas (deles) análises sobre o que contribui para o (in)sucesso nacional nas áreas que lhes competem.
Tendencialmente achamos que o que "vem de fora" é bom. Na maior parte das vezes não discordo. Claro está que, na maior parte das vezes deveríamos fazer uma efectiva adaptação dos modelos à nossa realidade. Mas, se na maior parte das vezes essa adaptação é, pelo menos, planeada, o que, na realidade acontece é que, invariavelmente, nos esquecemos de um "pormenor" importante: quem, na realidade efectiva o que se importa, são os agentes, os executores, ou seja, os portugueses!
E, daí, a pertinência e acuidade desta reportagem: um conjunto de "estrangeiros" com resultados observáveis, explicam e exemplificam a "incompetência" que, não poucas vezes, faz não alcançar um efectivo sucesso nacional.
Da leitura desta reportagem surgem diversas possíveis leituras: por um lado, o "dedo na ferida" é real e justamente aplicado, por outro, este "prognóstico" não é, decididamente uma novidade (nem sequer uma verdade de La Palisse); de certa forma, esta análise é generalizável para outras realidades (que não a desportiva) e, por último, a "leitura" que se pode fazer destas opiniões muito localizadas é que nós, portugueses, somos muito bem lidos e interpretados por quem connosco convive e/ou trabalha.
Posto isto, esta "visão"merece-nos uma reflexão: tal como também referido pelo Mats Olsson, "Quem sabe ter a capacidades para chegar aos 100%, e embora tenha consciência de que 80% bastam, não desiste de se aplicar" luta por uma constante melhoria da sua Condição. É esse o objectivo da Excelência.
Ora, neste particular, quando os Docentes (por exemplo) contestam (entre eles) que "não há professores Excelentes" (como tantas vezes ouço!), como que a justificar a sua pouca vontade de obter uma classificação de desempenho que se situe entre os valores de 9,0 e 10 (na escala escolhida no modelo de ADD em vigor), estão, na realidade, a demonstrar, ipsis verbis, o que "dizem de nós".
Por outro lado, e aproveitando ainda uma outra citação, desta vez do Juan Diaz (Seleccionador Nacional de Voleibol) "...um dos problemas dos portugueses é, exactamente, o «medo de mudança», a falta de coragem para mudar de fórmula, quando os resultados não são satisfatórios", sublinho que, mais do que nunca, é este que se constitui como o paradigma da "modernidade" nacional: não se muda de governo, não se muda de vontade, não se muda de modelo porque "é mais fácil manter tudo como está", mesmo que a nossa vida esteja, como está, a atingir patamares de insolvência...
E, para terminar e, de certa forma "dar o laço" ao presente, a última citação (também do Diaz): "a passividade nacional tem causas sociais: os pais portugueses dão tudo de mão beijada aos filhos apresentando-lhes a vida como algo fácil e sem exigir responsabilidades em troca...".
No fundo, também nós, pais, fomos filhos!
Será que esta reportagem terá a audiência que deveria ter? Será que os 530 mil leitores da visão (anunciados pela própria) vão (mesmo!) ler esta reportagem e, espero eu, iniciar a respectiva "mudança"?...
Eu, posso dizê-lo, já a comecei (por acaso há algum tempo): não me contento com os 80%. E apesar de, ter, normalmente mais dissabores com essa atitude do que efectivas recompensas (sim, também fui desvalorizado em 3.5% da minha remuneração!), continuarei a tentar mostrar que vale a pena lutar por mais e melhor!
23 de janeiro de 2011
Porque será que não queremos ver o óbvio?
Neste momento em que escrevo (e faço-o depois de uma interrupção de quase um mês), acabo de ouvir a "declaração" de vitória do nosso "novo" Presidente da República.
Já há uns anos (quando da primeira eleição) escrevi algumas coisas que, então, me "atormentavam a alma" sobre a eterna dúvida dos portugueses acreditarem em si próprios, mas, desculpem-me o desabafo, acho, neste momento, que já não é uma dúvida: é uma certeza. Mas no sentido inverso: os portugueses têm a certeza que não acreditam em si próprios.
Não me é estranha nem inesperada a vitória do Presidente hoje eleito. Mas faz-me confusão que o tenha sido (e por mais de uma vez)!
Pode parecer uma posição partidária, mas, tenham a certeza, não é!
O actual Presidente é um conhecido e reputado(?) político, antes governante, inspirador de um modelo específico de governabilidade, no qual, por exemplo, o investimento em betão e maquinaria (que é uma metáfora para "investimento em Capital") foi o maior dos últimos cinquenta anos do país: Auto-Estradas, com as devidas "valorizações" para Brisas e outras concessionárias; divisão da Rede Ferroviária Nacional, com evidentes "valorizações" para empresas municipais e "amigos" (veja-se o caso do Metro do Mondego: 15 anos de Administrações muito bem remuneradas e, de Metro, nem os carris...); Centro Cultural(?) de Belém que aloja o espólio particular de um coleccionador, com evidentes vantagens para ele próprio; "morte" anunciada do Serviço Nacional de Saúde, com o maior aumento de sempre da iniciativa legal sobre "Seguros e Seguradoras de que há memória em Portugal; desinvestimento na Educação, com o Orçamento da Educação a baixar, em quatro anos de governo, 1,7% e, por último, a "nomenclatura" dispersa pelos "lugares-chave" das instituições (públicas e privadas) que sustentam a economia nacional...
Por tudo isto (e muito mais que haveria a discriminar), custa-me que os portugueses (pelo menos os que votaram) tenham dito, novamente, sim a este modelo social.
E, para aqueles que defendam que a eleição deste candidato será melhor para o "equílibrio" de poderes, relembro que, ao longo do último mandato, foram mais as "sintonias" (mesmo que de conveniência) do que as efectivas oposições. Porque terá sido?
Provavelmente porque o espectro político e ideológico é o mesmo. E para ambos os "modelos" representados nas principais figuras de Estado, há que fazer a classe média suportar as dificuldades, pois os "poderes" instalados deverão "continuar a convergir no esforço nacional", mesmo que isso signifique que empresas portuguesas tremendamente apoiadas para exportar, para desenvolver competência e para "proporcionar emprego" continuem (como se quer no modelo económico) a procurar o lucro (para alguns, diria eu), independentemente desse "lucro" não significar uma efectiva melhoria das condições de vida das pessoas.
Mas, parece, ficamos todos felizes, não é?
Já há uns anos (quando da primeira eleição) escrevi algumas coisas que, então, me "atormentavam a alma" sobre a eterna dúvida dos portugueses acreditarem em si próprios, mas, desculpem-me o desabafo, acho, neste momento, que já não é uma dúvida: é uma certeza. Mas no sentido inverso: os portugueses têm a certeza que não acreditam em si próprios.
Não me é estranha nem inesperada a vitória do Presidente hoje eleito. Mas faz-me confusão que o tenha sido (e por mais de uma vez)!
Pode parecer uma posição partidária, mas, tenham a certeza, não é!
O actual Presidente é um conhecido e reputado(?) político, antes governante, inspirador de um modelo específico de governabilidade, no qual, por exemplo, o investimento em betão e maquinaria (que é uma metáfora para "investimento em Capital") foi o maior dos últimos cinquenta anos do país: Auto-Estradas, com as devidas "valorizações" para Brisas e outras concessionárias; divisão da Rede Ferroviária Nacional, com evidentes "valorizações" para empresas municipais e "amigos" (veja-se o caso do Metro do Mondego: 15 anos de Administrações muito bem remuneradas e, de Metro, nem os carris...); Centro Cultural(?) de Belém que aloja o espólio particular de um coleccionador, com evidentes vantagens para ele próprio; "morte" anunciada do Serviço Nacional de Saúde, com o maior aumento de sempre da iniciativa legal sobre "Seguros e Seguradoras de que há memória em Portugal; desinvestimento na Educação, com o Orçamento da Educação a baixar, em quatro anos de governo, 1,7% e, por último, a "nomenclatura" dispersa pelos "lugares-chave" das instituições (públicas e privadas) que sustentam a economia nacional...
Por tudo isto (e muito mais que haveria a discriminar), custa-me que os portugueses (pelo menos os que votaram) tenham dito, novamente, sim a este modelo social.
E, para aqueles que defendam que a eleição deste candidato será melhor para o "equílibrio" de poderes, relembro que, ao longo do último mandato, foram mais as "sintonias" (mesmo que de conveniência) do que as efectivas oposições. Porque terá sido?
Provavelmente porque o espectro político e ideológico é o mesmo. E para ambos os "modelos" representados nas principais figuras de Estado, há que fazer a classe média suportar as dificuldades, pois os "poderes" instalados deverão "continuar a convergir no esforço nacional", mesmo que isso signifique que empresas portuguesas tremendamente apoiadas para exportar, para desenvolver competência e para "proporcionar emprego" continuem (como se quer no modelo económico) a procurar o lucro (para alguns, diria eu), independentemente desse "lucro" não significar uma efectiva melhoria das condições de vida das pessoas.
Mas, parece, ficamos todos felizes, não é?
21 de dezembro de 2010
5 de dezembro de 2010
Fama e Proveito
"Fama sem proveito, faz dor de peito"
Provérbio Popular
Este será, quase de certeza, o meu "post" mais pessoal (por "falar" de mim, do que sou e do que sinto...), mas, não será, estou em crer, o mais individualista.
O título radica na constatação de que, na maior parte das vezes, o adágio popular tem razão de ser.
Na passada semana, desloquei-me a Espanha, a Madrid mais exactamente, para, na sequência de um convite da AMEI (Asociación Mundial de Educadores Infantiles) apresentar uma comunicação sobre o trabalho que desenvolvo, no Congresso Internacional "Capacidades, Competências e Desenvolvimento Infantil".
Tal convite, não só me honra enquanto profissional, mas dá-me também a nítida sensação de que o que fazemos (aqui, em Portugal), fazemos bem e merece reconhecimento.
Não posso deixar de dizer, neste âmbito, e apesar de ter sido o único representante português a apresentar evidências do trabalho desenvolvido, nomeadamente na Educação de Infância, que o reconhecimento que recebi indica, no que concerne ao trabalho de qualidade (assim referenciado pela organização), só temos de nos orgulhar por sermos entendidos como estando no patamar superior de práticas em Educação de Infância.
Voltando ao título do "post", quero ainda referir também (e nesta sequência de raciocínio) que a avaliação que obtive no último ciclo de avaliação da Avaliação de Desempenho Docente (independentemente da sua pertinência, acuidade e justiça, como de resto já o referi em outros "posts" deste blogue), me deixa num patamar superior, em termos de avaliação da prática.
Devo também referir que, no longínquo ano lectivo de 2007/2008, fui surpreendido pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento onde à data desenvolvia a minha prática profissional, com um pedido de organização de um port-fólio para enviar para o então criado "Prémio Nacional de Professores", também, neste caso, em reconhecimento da minha prática profissional.
Servem estes (apenas) três exemplos para, então, reflectir sobre Fama e Proveito.
Dir-me-ão alguns que, tais factos justificam o proveito. Contudo, pergunto: qual proveito?
Refiro eu que são apenas uma forma de "fama". E porquê?
Porque, desde há muitos anos que o que faço, em termos profissionais, faço-o com o objectivo de fazer bem. De fazer de uma forma construtiva, reflectida, interventiva e atenta. Faço-o porque acredito que se "fizermos", na senda da Excelência, podemos, todos nós, beneficiar de uma efectiva melhoria da qualidade do que fazemos.
Mas, infelizmente, em Portugal, não é esse o caso.
Neste país onde a "recompensa" é, simplesmente, pensada em termos de "ganhos pessoais", ou em termos remunerativos, fazer bem só porque se acredita na qualidade do que fazemos (e, como referi, as evidências assim o sugerem) implica, necessariamente, passar para o "lado dos maus".
Ou seja, se, por acaso que seja, és reconhecido como competente, eficaz, pertinente e com qualidade, passas a ser um alvo a abater. Mesmo que essa tua "qualidade" o seja apenas porque acreditas nela.
No fundo, este país que recompensa a não intervenção, o seguidismo/carneirismo e (como li há pouco tempo) o "ouvidismo" (de "ouvi dizer"...), acaba por desmotivar e menorizar.
Não me move o protagonismo nem sequer a recompensa pecuniária. Ficaria feliz (bastante, diga-se) o reconhecimento de que as práticas, as reflexões e a sugestões podem ser úteis.
E mais feliz ficaria se não nos recusássemos a mudar o que pode ser mudado para melhor.
Há alguns dias, um colega de um outro agrupamento onde estive há já uns anos, telefonou-me a "dar a novidade" de que, algumas ideias que eu teria apresentado "tinham sido aceites e postas em prática", reconhecendo (o Departamento), dessa forma, a pertinência das mesmas.
Esse telefonema., julgo eu, pretendia dar-me uma espécie de "razão a posteriori" e, nas palavras ditas, deixar-me feliz.
Não fiquei.
Por mais que custe entender, o que sugeri em tempos fi-lo numa atitude eminententemente egoísta: pretendia, com a assumpção dessas "alterações" melhorar a minha capacidade e qualidade de trabalho. Nesse momento. Enquanto poderia ser usuário dessas alterações.
Sabê-las, agora, escolhidas (quando já nem sequer estou nesse agrupamento) não me deixa feliz. Pelo contrário. Faz-me pensar que sou eu a razão da "negação".
Infelizmente, e como referia antes, a tal questão da Fama e do Proveito é sempre relativa: se os "outros" referem a tua fama, melhor será então, que te aproveites disso, ou então, deixa-os pensar que só tens proveito, porque Fama é má publicidade.
Esta é a (infeliz) realidade.
"Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos"
Anaïs Nin
Provérbio Popular
Este será, quase de certeza, o meu "post" mais pessoal (por "falar" de mim, do que sou e do que sinto...), mas, não será, estou em crer, o mais individualista.
O título radica na constatação de que, na maior parte das vezes, o adágio popular tem razão de ser.
Na passada semana, desloquei-me a Espanha, a Madrid mais exactamente, para, na sequência de um convite da AMEI (Asociación Mundial de Educadores Infantiles) apresentar uma comunicação sobre o trabalho que desenvolvo, no Congresso Internacional "Capacidades, Competências e Desenvolvimento Infantil".
Tal convite, não só me honra enquanto profissional, mas dá-me também a nítida sensação de que o que fazemos (aqui, em Portugal), fazemos bem e merece reconhecimento.
Não posso deixar de dizer, neste âmbito, e apesar de ter sido o único representante português a apresentar evidências do trabalho desenvolvido, nomeadamente na Educação de Infância, que o reconhecimento que recebi indica, no que concerne ao trabalho de qualidade (assim referenciado pela organização), só temos de nos orgulhar por sermos entendidos como estando no patamar superior de práticas em Educação de Infância.
Voltando ao título do "post", quero ainda referir também (e nesta sequência de raciocínio) que a avaliação que obtive no último ciclo de avaliação da Avaliação de Desempenho Docente (independentemente da sua pertinência, acuidade e justiça, como de resto já o referi em outros "posts" deste blogue), me deixa num patamar superior, em termos de avaliação da prática.
Devo também referir que, no longínquo ano lectivo de 2007/2008, fui surpreendido pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento onde à data desenvolvia a minha prática profissional, com um pedido de organização de um port-fólio para enviar para o então criado "Prémio Nacional de Professores", também, neste caso, em reconhecimento da minha prática profissional.
Servem estes (apenas) três exemplos para, então, reflectir sobre Fama e Proveito.
Dir-me-ão alguns que, tais factos justificam o proveito. Contudo, pergunto: qual proveito?
Refiro eu que são apenas uma forma de "fama". E porquê?
Porque, desde há muitos anos que o que faço, em termos profissionais, faço-o com o objectivo de fazer bem. De fazer de uma forma construtiva, reflectida, interventiva e atenta. Faço-o porque acredito que se "fizermos", na senda da Excelência, podemos, todos nós, beneficiar de uma efectiva melhoria da qualidade do que fazemos.
Mas, infelizmente, em Portugal, não é esse o caso.
Neste país onde a "recompensa" é, simplesmente, pensada em termos de "ganhos pessoais", ou em termos remunerativos, fazer bem só porque se acredita na qualidade do que fazemos (e, como referi, as evidências assim o sugerem) implica, necessariamente, passar para o "lado dos maus".
Ou seja, se, por acaso que seja, és reconhecido como competente, eficaz, pertinente e com qualidade, passas a ser um alvo a abater. Mesmo que essa tua "qualidade" o seja apenas porque acreditas nela.
No fundo, este país que recompensa a não intervenção, o seguidismo/carneirismo e (como li há pouco tempo) o "ouvidismo" (de "ouvi dizer"...), acaba por desmotivar e menorizar.
Não me move o protagonismo nem sequer a recompensa pecuniária. Ficaria feliz (bastante, diga-se) o reconhecimento de que as práticas, as reflexões e a sugestões podem ser úteis.
E mais feliz ficaria se não nos recusássemos a mudar o que pode ser mudado para melhor.
Há alguns dias, um colega de um outro agrupamento onde estive há já uns anos, telefonou-me a "dar a novidade" de que, algumas ideias que eu teria apresentado "tinham sido aceites e postas em prática", reconhecendo (o Departamento), dessa forma, a pertinência das mesmas.
Esse telefonema., julgo eu, pretendia dar-me uma espécie de "razão a posteriori" e, nas palavras ditas, deixar-me feliz.
Não fiquei.
Por mais que custe entender, o que sugeri em tempos fi-lo numa atitude eminententemente egoísta: pretendia, com a assumpção dessas "alterações" melhorar a minha capacidade e qualidade de trabalho. Nesse momento. Enquanto poderia ser usuário dessas alterações.
Sabê-las, agora, escolhidas (quando já nem sequer estou nesse agrupamento) não me deixa feliz. Pelo contrário. Faz-me pensar que sou eu a razão da "negação".
Infelizmente, e como referia antes, a tal questão da Fama e do Proveito é sempre relativa: se os "outros" referem a tua fama, melhor será então, que te aproveites disso, ou então, deixa-os pensar que só tens proveito, porque Fama é má publicidade.
Esta é a (infeliz) realidade.
"Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos"
Anaïs Nin
7 de novembro de 2010
Greves e outras formas de Luta...
Começo por referir, para que fique claro, que nunca fiz greve e não tenciono fazer.
E porque é que não faço greve?
Antes de mais, quero também esclarecer que considero que todas as formas de luta, se justificadas, são pertinentes e objectivam um resultado. Contudo, a minha análise face às greves é que são, globalmente, estratégias desadequadas.
E porquê?
Porque, acima de tudo, uma greve não consegue (não tem conseguido!) atingir os objectivos a que se propõe. Logo, é minha opinião que se devam encontrar outras formas de protesto.
Em três pontos tentarei esclarecer a minha posição:
1. Uma greve é uma paragem no trabalho que, quanto muito, beneficia patrões e Estado.
A cada paragem "geral", em termos de produtividade do país, fica em causa um valor aproximado de 0,01% do PIB (se a greve for bem sucedida). Uma paragem num "fim-de-semana prolongado" (ponte) atinge um valor próximo dos 0.1% do PIB.
Na prática, os portugueses "gostam" mais de uma boa "ponte" do que de uma greve. É a história que nos tem mostrado isso.
Ora, se a ideia é prejudicar o "Estado" (que somos todos nós!), façamos então mais "pontes".
Por outro lado, só na função pública, uma greve com uma média de 50% de "grevistas" faz o estado "economizar" 1M€! E o Governo (qualquer Governo!) agradece. Poupa e nem por isso tem de mudar políticas (ainda mais aquelas em que não pode mexer!)
Além de, como é sabido, uma greve significar, em média, menos 50€ nos bolsos do "grevista". A mim, esse dinheiro faz diferença.
2. Uma greve é, tendencialmente, um espaço de "manifestação" esgotado.
Veja-se, por exemplo, o caso de França (aumento da idade da reforma). Há mais de um mês que as greves se sucedem e se mantêm "em alta". Efeitos? Nenhuns.
A política social europeia "prefere" greves a alterar o seu caminho.
Como docente, dou ainda mais um exemplo: quantas greves do passado fizeram mudar políticas? Poucas ou nenhumas.
Dou exemplos: Greve e Manifestação contra a alteração do calendário escolar para o pré-escolar (nos dados do sindicato, 91% de adesão). Efeitos: continuamos com o calendário que foi, nessa altura, aprovado.
Greve e Manifestações de docentes contra a ADD (120 mil na rua, greves na ordem dos 80%). Efeitos: A ADD está aí, e em força.
Um pouco "mais longe": Greves e Manifestações contra a entrada de Portugal na CEE. Efeitos: agora somos todos "Europeus"!
3. Uma greve não mostra o "poder" dos trabalhadores.
A primeira vez que me "convocaram" para uma greve (há já alguns anos), perguntei o que poderíamos fazer (trabalhando numa escola, seria fundamental) para informar e esclarecer os utentes do espaço sobre as nossas razões. Para isso mostrei a disponibilidade de estar, na escola, todo o dia da paralisação, a informar e esclarecer os alunos e as famílias sobre os motivos da greve. Resposta de TODOS os colegas: "Estás maluco ou quê? Eu cá vou aproveitar para ficar em casa a corrigir testes!"
Por outro lado, as razões (aparentemente) são tantas para a greve que, na maior parte das vezes, nem são distinguidas por quem "vê" de fora o movimento.
Há uns anos, por ocasião dos plenários de educadores de infância (sobre o Calendário Escolar) sugeri, numa sala com mais de 400 profissionais que fossemos para um Centro Comercial, ao sábado, informar sobre as "nossas razões". Iam-me comendo vivo.
Desde aí tenho aceitado que, a melhor forma de agir colectivamente é fazendo-o de forma individual: votando esclarecido; colaborando com colegas e parceiros no sentido de, todos juntos, fazermos melhor no dia-a-dia; participando activamente nos fóruns e locais de reflexão sobre a nossa profissão; exigindo, das nossas chefias, qualidade e atenção e, além de tudo isso, intervindo activamente na nossa vida: quer exigindo qualidade, quer procurando a excelência.
Podem parecer palavras desadequadas e irrealistas, mas, infelizmente, se, entre nós, tivessemos durante os últimos 35 anos, procurado a Excelência naquilo que somos, que fazemos, que queremos, talvez a "Crise" não nos atingisse tão profundamente...
Mas, parafraseando (mais uma vez) o Edson Atayde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"...
Por mim, estarei individualmente solidário com a Greve, mas estarei na escola, a explicar aos meus alunos porque é fundamental "intervir, exigir e manifestar"!
E já agora, seria interessante que todos nós reflectíssemos sobre os "objectivos" de uma greve.
(veja "Greve" na Wikipédia)
E porque é que não faço greve?
Antes de mais, quero também esclarecer que considero que todas as formas de luta, se justificadas, são pertinentes e objectivam um resultado. Contudo, a minha análise face às greves é que são, globalmente, estratégias desadequadas.
E porquê?
Porque, acima de tudo, uma greve não consegue (não tem conseguido!) atingir os objectivos a que se propõe. Logo, é minha opinião que se devam encontrar outras formas de protesto.
Em três pontos tentarei esclarecer a minha posição:
1. Uma greve é uma paragem no trabalho que, quanto muito, beneficia patrões e Estado.
A cada paragem "geral", em termos de produtividade do país, fica em causa um valor aproximado de 0,01% do PIB (se a greve for bem sucedida). Uma paragem num "fim-de-semana prolongado" (ponte) atinge um valor próximo dos 0.1% do PIB.
Na prática, os portugueses "gostam" mais de uma boa "ponte" do que de uma greve. É a história que nos tem mostrado isso.
Ora, se a ideia é prejudicar o "Estado" (que somos todos nós!), façamos então mais "pontes".
Por outro lado, só na função pública, uma greve com uma média de 50% de "grevistas" faz o estado "economizar" 1M€! E o Governo (qualquer Governo!) agradece. Poupa e nem por isso tem de mudar políticas (ainda mais aquelas em que não pode mexer!)
Além de, como é sabido, uma greve significar, em média, menos 50€ nos bolsos do "grevista". A mim, esse dinheiro faz diferença.
2. Uma greve é, tendencialmente, um espaço de "manifestação" esgotado.
Veja-se, por exemplo, o caso de França (aumento da idade da reforma). Há mais de um mês que as greves se sucedem e se mantêm "em alta". Efeitos? Nenhuns.
A política social europeia "prefere" greves a alterar o seu caminho.
Como docente, dou ainda mais um exemplo: quantas greves do passado fizeram mudar políticas? Poucas ou nenhumas.
Dou exemplos: Greve e Manifestação contra a alteração do calendário escolar para o pré-escolar (nos dados do sindicato, 91% de adesão). Efeitos: continuamos com o calendário que foi, nessa altura, aprovado.
Greve e Manifestações de docentes contra a ADD (120 mil na rua, greves na ordem dos 80%). Efeitos: A ADD está aí, e em força.
Um pouco "mais longe": Greves e Manifestações contra a entrada de Portugal na CEE. Efeitos: agora somos todos "Europeus"!
3. Uma greve não mostra o "poder" dos trabalhadores.
A primeira vez que me "convocaram" para uma greve (há já alguns anos), perguntei o que poderíamos fazer (trabalhando numa escola, seria fundamental) para informar e esclarecer os utentes do espaço sobre as nossas razões. Para isso mostrei a disponibilidade de estar, na escola, todo o dia da paralisação, a informar e esclarecer os alunos e as famílias sobre os motivos da greve. Resposta de TODOS os colegas: "Estás maluco ou quê? Eu cá vou aproveitar para ficar em casa a corrigir testes!"
Por outro lado, as razões (aparentemente) são tantas para a greve que, na maior parte das vezes, nem são distinguidas por quem "vê" de fora o movimento.
Há uns anos, por ocasião dos plenários de educadores de infância (sobre o Calendário Escolar) sugeri, numa sala com mais de 400 profissionais que fossemos para um Centro Comercial, ao sábado, informar sobre as "nossas razões". Iam-me comendo vivo.
Desde aí tenho aceitado que, a melhor forma de agir colectivamente é fazendo-o de forma individual: votando esclarecido; colaborando com colegas e parceiros no sentido de, todos juntos, fazermos melhor no dia-a-dia; participando activamente nos fóruns e locais de reflexão sobre a nossa profissão; exigindo, das nossas chefias, qualidade e atenção e, além de tudo isso, intervindo activamente na nossa vida: quer exigindo qualidade, quer procurando a excelência.
Podem parecer palavras desadequadas e irrealistas, mas, infelizmente, se, entre nós, tivessemos durante os últimos 35 anos, procurado a Excelência naquilo que somos, que fazemos, que queremos, talvez a "Crise" não nos atingisse tão profundamente...
Mas, parafraseando (mais uma vez) o Edson Atayde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"...
Por mim, estarei individualmente solidário com a Greve, mas estarei na escola, a explicar aos meus alunos porque é fundamental "intervir, exigir e manifestar"!
E já agora, seria interessante que todos nós reflectíssemos sobre os "objectivos" de uma greve.
(veja "Greve" na Wikipédia)
17 de outubro de 2010
Desadequações em forma de "Metas de Aprendizagem"....
Não sei se será este o espaço mais adequado para expressar a minha indignação, mas como quero fazê-lo, talvez (pelo menos) me chegue informação sobre como o fazer de forma mais direccionada.
Bem, mas passando ao que interessa.
Sendo eu educador de Infância, formador PTE e investigador na área das tecnologias, não me reconheço nas "Metas de Aprendizagem" que, de certa forma, nos são "impostas" pelo ME.
Especificamente na chamada nova área de Tecnologias de Informação e da Comunicação.
Se atentarmos nas ditas "metas", o que se propõe é que uma criança saiba manipular alguns "instrumentos tecnológicos" assumindo, contudo, o computador o espaço central desta "manipulação".
Também no 1º ciclo se repetem, de certa forma, as "indicações" instrumentais.
Ora, se como temos vindo a observar (até para os menos atentos) uma constante e exponencial evolução no que concerne aos "instrumentos" digitais, não só no seu espaço "hardware", mas, fundamentalmente, no espaço de aplicativos e, acima de tudo, interfaces, custa-me um pouco, enquanto docente, formador e investigador, que as "Metas de Aprendizagem" não abram já a porta a um conjunto de outras dinâmicas que, penso eu, em breve se tornarão fundamentais.
As questões da virtualidade, os novos instrumentos tecnológicos postos à disposição (de entre muitos, destaco os telemóveis), as redes sociais e e a Web 2.0 no seu todo, as novas estruturas do conhecimento multimédia (TDT, GPS, etc.) e até as plataformas multiacesso de carácter mais lúdico (PSPs, Nintendos, Wii e outras) mereceriam, penso eu, um superior enfoque em termos de organização de objectivos/metas de aprendizagem.
Mais uma vez se perdeu a oportunidade de dar um passo em frente.
Será porque são sempre os mesmos a pensar?
Não quero acreditar nisso. Até porque a informação e a disseminação de práticas e investigação desenvolvidas em todo o mundo são cada vez mais evidentes...
Será que ainda vamos a tempo? ou é apenas mais uma "trabalho" de Hércules?
Fica aqui a minha indignação, já que não posso fazê-lo em mais lado nenhum...
Bem, mas passando ao que interessa.
Sendo eu educador de Infância, formador PTE e investigador na área das tecnologias, não me reconheço nas "Metas de Aprendizagem" que, de certa forma, nos são "impostas" pelo ME.
Especificamente na chamada nova área de Tecnologias de Informação e da Comunicação.
Se atentarmos nas ditas "metas", o que se propõe é que uma criança saiba manipular alguns "instrumentos tecnológicos" assumindo, contudo, o computador o espaço central desta "manipulação".
Também no 1º ciclo se repetem, de certa forma, as "indicações" instrumentais.
Ora, se como temos vindo a observar (até para os menos atentos) uma constante e exponencial evolução no que concerne aos "instrumentos" digitais, não só no seu espaço "hardware", mas, fundamentalmente, no espaço de aplicativos e, acima de tudo, interfaces, custa-me um pouco, enquanto docente, formador e investigador, que as "Metas de Aprendizagem" não abram já a porta a um conjunto de outras dinâmicas que, penso eu, em breve se tornarão fundamentais.
As questões da virtualidade, os novos instrumentos tecnológicos postos à disposição (de entre muitos, destaco os telemóveis), as redes sociais e e a Web 2.0 no seu todo, as novas estruturas do conhecimento multimédia (TDT, GPS, etc.) e até as plataformas multiacesso de carácter mais lúdico (PSPs, Nintendos, Wii e outras) mereceriam, penso eu, um superior enfoque em termos de organização de objectivos/metas de aprendizagem.
Mais uma vez se perdeu a oportunidade de dar um passo em frente.
Será porque são sempre os mesmos a pensar?
Não quero acreditar nisso. Até porque a informação e a disseminação de práticas e investigação desenvolvidas em todo o mundo são cada vez mais evidentes...
Será que ainda vamos a tempo? ou é apenas mais uma "trabalho" de Hércules?
Fica aqui a minha indignação, já que não posso fazê-lo em mais lado nenhum...
10 de outubro de 2010
O que podemos nós fazer?...
Por hábito e por interesse, sou, posso dizê-lo, leitor compulsivo de jornais, revistas e outras leituras que me possam dar (pelo menos) a sensação de "estar informado".
Aprendi, muito por "culpa própria" a fazer uma leitura crítica da maior parte dos escritos da Comunicação Social. Habituei-me a tentar encontrar uma espécie de "meio termo" que me permita ter uma visão mais aproximada do que realmente se passa.
Nas pequenas "notícias", há, na maior parte das vezes, mais informação pertinente do que nas "grandes reportagens" ou artigos de opinião de famosos (e bem colocados) "opinion makers". Grosso modo, estes, os últimos, limitam-se a reproduzir uma certa "visão", que, na maior parte das vezes é parcial e, muitas outras, "encomendada".
Nestes últimos tempos, mercê da tão propalada "crise", muitos têm sido os escritos que, quase de forma inocente, acabam por impor uma vontade culpabilizante, para que todos nós (os que trabalham, os que acreditam, os que se esforçam e, acima de tudo, os que somos vítimas de um "esforço concertado de manipulação") nos sintamos como que encurralados e sem grandes hipóteses de "respirar".
posto isto, pergunto-me (e ao expô-lo aqui, alargo a pergunta a todos os poucos que poderão ler-me) o que, na realidade, podemos fazer para partilhar das soluções.
Está visto, porque no-lo dizem insistentemente, que, acima de tudo, devemos "partilhar" da diminuição dos valores (reais) dos nossos salários, das maiores contribuições sociais e das "colectivas" acções de "solidariedade institucional"...
Mas o que é que nós podemos, mesmo, fazer diariamente?
Eu aponto três possibilidades; se cada um de nós apontar outras tantas, se calhar podemos, num esforço independente e autónomo, que, na pior das hipóteses, não prejudicará, mudar alguma coisa...
Ora cá vão as minhas:
1. Usar mais os transportes públicos e menos os veículos próprios. Se, de cada vez que abastecermos, estamos a "importar" energia (na forma de combustível), podemos diminuir, "a la longue", a dependência energética e, consequentemente, os gastos de importação;
2. Comprar mais produtos "Made in Portugal". Se tivermos o cuidado de escolher os artigos que, normalmente consumimos, feitos em Portugal (mesmo que com know-how estrangeiro), apoiaremos a produção nacional e contribuímos, mais uma vez, para a redução das importações;
3. Nos nossos locais de trabalho, assumirmos um comportamento menos despesista. se tivermos em conta, por exemplo, que o custo médio do envio de um fax é de 0.60€, e um e-mail nos "custa" 0,04€, há que fazer "escolhas" interessantes. O orçamento disponível integra todas estas "pequenas contas".
E já agora, se em vez de levarmos a esferográfica no bolso, a deixarmos para que outros a utilizem, também estamos a evitar que nos "invadam" os rendimentos mensais...
Sei que não são "soluções"milagrosas, nomeadamente comparando-as com os gastos que os organismos públicos usam em aquisições de viaturas, medalhas comemorativas e outros tais, mas, se cada um de nós fizer o seu esforço, pode ser que alguma coisa mude.
Porque, no final de contas (e como já está mais do que demonstrado, nos últimos 24 anos em Portugal), não serão os políticos eleitos que nos livrarão da "crise".
Dá que pensar, não dá?
Aprendi, muito por "culpa própria" a fazer uma leitura crítica da maior parte dos escritos da Comunicação Social. Habituei-me a tentar encontrar uma espécie de "meio termo" que me permita ter uma visão mais aproximada do que realmente se passa.
Nas pequenas "notícias", há, na maior parte das vezes, mais informação pertinente do que nas "grandes reportagens" ou artigos de opinião de famosos (e bem colocados) "opinion makers". Grosso modo, estes, os últimos, limitam-se a reproduzir uma certa "visão", que, na maior parte das vezes é parcial e, muitas outras, "encomendada".
Nestes últimos tempos, mercê da tão propalada "crise", muitos têm sido os escritos que, quase de forma inocente, acabam por impor uma vontade culpabilizante, para que todos nós (os que trabalham, os que acreditam, os que se esforçam e, acima de tudo, os que somos vítimas de um "esforço concertado de manipulação") nos sintamos como que encurralados e sem grandes hipóteses de "respirar".
posto isto, pergunto-me (e ao expô-lo aqui, alargo a pergunta a todos os poucos que poderão ler-me) o que, na realidade, podemos fazer para partilhar das soluções.
Está visto, porque no-lo dizem insistentemente, que, acima de tudo, devemos "partilhar" da diminuição dos valores (reais) dos nossos salários, das maiores contribuições sociais e das "colectivas" acções de "solidariedade institucional"...
Mas o que é que nós podemos, mesmo, fazer diariamente?
Eu aponto três possibilidades; se cada um de nós apontar outras tantas, se calhar podemos, num esforço independente e autónomo, que, na pior das hipóteses, não prejudicará, mudar alguma coisa...
Ora cá vão as minhas:
1. Usar mais os transportes públicos e menos os veículos próprios. Se, de cada vez que abastecermos, estamos a "importar" energia (na forma de combustível), podemos diminuir, "a la longue", a dependência energética e, consequentemente, os gastos de importação;
2. Comprar mais produtos "Made in Portugal". Se tivermos o cuidado de escolher os artigos que, normalmente consumimos, feitos em Portugal (mesmo que com know-how estrangeiro), apoiaremos a produção nacional e contribuímos, mais uma vez, para a redução das importações;
3. Nos nossos locais de trabalho, assumirmos um comportamento menos despesista. se tivermos em conta, por exemplo, que o custo médio do envio de um fax é de 0.60€, e um e-mail nos "custa" 0,04€, há que fazer "escolhas" interessantes. O orçamento disponível integra todas estas "pequenas contas".
E já agora, se em vez de levarmos a esferográfica no bolso, a deixarmos para que outros a utilizem, também estamos a evitar que nos "invadam" os rendimentos mensais...
Sei que não são "soluções"milagrosas, nomeadamente comparando-as com os gastos que os organismos públicos usam em aquisições de viaturas, medalhas comemorativas e outros tais, mas, se cada um de nós fizer o seu esforço, pode ser que alguma coisa mude.
Porque, no final de contas (e como já está mais do que demonstrado, nos últimos 24 anos em Portugal), não serão os políticos eleitos que nos livrarão da "crise".
Dá que pensar, não dá?
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