Alguns dizeres, opiniões, artigos da comunicação social, textos editados e publicados nos mais insuspeitos espaços e até comentários ouvidos no café me deixam, não raramente, literalmente, às voltas.
Nestas últimas semanas, a propósito da nova canção dos Deolinda, dos idosos encontrados mortos em casa, das reflexões à volta dos lucros dos bancos (e dos seus diminutos impostos!), da redução do número de deputados na Assembleia da República e até da proverbial Moção de Censura, a apresentar pelo Bloco de Esquerda, foram muitas (mas muitas mesmo!) as vozes que vieram a lume fazer a "queixa" do costume: "a culpa é deles!".
É sempre interessante revermo-nos nos outros. É ainda mais interessante "opinar", criticar, culpar, ofender, relativizar, responsabilizar, e todas aquelas outras coisas que (dizem os outros) é "expressão do ser português".
Não quero (e não vou) entrar em grandes análises e reflexões filosóficas, etológicas, étnicas (e éticas) ou de valores, mas deixo algumas perguntas...
1. Quem, de entre nós, nunca estacionou o veículo num passeio, impedindo, dessa forma, a fácil circulação de pessoas com mobilidade reduzida?
2. Quem, de entre nós, "olhou para o lado" sempre que testemunha de um acto de agressão física e/ou verbal, entre conhecidos, por "não ser nada comigo"?
3. Quem, de entre nós, nunca ameaçou o filho/sobrinho/educando com um "portas-te mal e eu vou dizer ao polícia"?
4. Quem, de entre nós, nunca deixou de ir votar por alegar "que eles são todos iguais"?
5. Quem, de entre nós, nunca perguntou ao amigo/conhecido se "não tens ninguém lá na repartição que possa dar uma ajudinha para desbloquear o meu caso"?
6. Quem, de entre nós, não pediu a respectiva factura depois de ter mandado reparar o esquentador/o cano/os sapatos, apenas porque "sem IVA é mais barato"?
Estes, e muito mais exemplos que aqui poderia escrever são, sem sombra de dúvida, o melhor retrato desta insistente e definida cultura de "deixa andar" que tão bem nos caracteriza.
Num post anterior, reflectia, com base em palavras de outros, sobre essa luta que é (seria!) a solução para "todos os males": a acepção da Excelência.
Mas, para isso, seria necessário que conseguíssemos, num rasgo de inteligência colectiva, substituir a expressão "a culpa é deles" por "a culpa é nossa"!
Mas isso obrigaria a que a solidariedade do Estado fosse, acima de tudo, a solidariedade do indivíduo.
Pois é. Infelizmente, o Estado somos todos nós. Até quando nos demitimos de o ser!
Era bom pensar nisto (designadamente, antes de falar em coisas das quais somos os primeiros e últimos responsáveis)!
Breve glossário:
1. Aqui se vê, por exemplo, o "respeito" que temos pelo "outro". E, mesmo quando compramos uma casa, não nos interessa mesmo muito saber se, daqui a uns anos, quando já não conseguirmos subir um degrau, a rampa de acesso seria útil...
2. Um dos principais problemas de autoridade é mesmo o autoritarismo. E, sem querer entrar em grandes análises comparativas, os países onde a "igualdade de género" é maior, poupam cerca de 0,01% do PIB (este valor, em Portugal, é cerca de 2.000.000€) em despesas médicas derivadas de assistência a situações de agressão "menor"...
3. Novamente a questão da autoridade: Quem respeita um Agente de Autoridade, cuja função é (deveria ser) manter a "segurança pública e mobilizar os cidadãos para a vida em sociedade", com "expressões" destas?
4. Votar é um direito e um dever. Escolher é sempre uma opção. Se não o fizermos, estaremos a desresponsabilizarmo-nos e, dessa forma, excluirmo-nos do "sistema". Que razão então para o criticar?
5. Sem mais delongas: Portugal ocupa a 32ª posição entre 172 países cuja "percepção sobre corrupção" foi "aferida " pela Transparency International. Nota importante, da Europa a 25, apenas três depois de nós...
6. "Fugir ao Fisco"... Mais palavras para quê? Se o país não tem dinheiro para distribuir, aumenta os impostos, e pagam os mesmos... ou seja, aqueles que não podem "fugir" (entre estes, por acaso, encontram-se os "funcionários públicos", sobre quem, por exemplo, se diz serem a "causa da desgraça"...)
20 de fevereiro de 2011
10 de fevereiro de 2011
"Falta-nos um bocadinho assim..."
"Os portugueses parecem estar constantemente a pedir desculpa e a prever que não conseguem alcançar os seus objectivos"
Mats Olsson (Seleccionador Nacional de Andebol)
Tive hoje a oportunidade de ler uma das, senão a melhor, melhores reportagens feitas sobre "o que é ser português".
A ocasião foi um excelente trabalho da Visão, através dos seus jornalistas Francisco Cruz e Pedro Justino Alves ("Quando os de fora nos levam longe", Visão nº935), onde, como o título indica, se faz uma análise aos resultados obtidos por diferentes "estrangeiros" que desenvolvem a sua actividade profissional (neste caso, desportiva) nas selecções nacionais de diversas modalidades.
Começa a reportagem por esclarecer sobre o que, até agora, foi alcançado por cada um deles (os profissionais, entenda-se) e continua, discorrendo sobre as suas (deles) análises sobre o que contribui para o (in)sucesso nacional nas áreas que lhes competem.
Tendencialmente achamos que o que "vem de fora" é bom. Na maior parte das vezes não discordo. Claro está que, na maior parte das vezes deveríamos fazer uma efectiva adaptação dos modelos à nossa realidade. Mas, se na maior parte das vezes essa adaptação é, pelo menos, planeada, o que, na realidade acontece é que, invariavelmente, nos esquecemos de um "pormenor" importante: quem, na realidade efectiva o que se importa, são os agentes, os executores, ou seja, os portugueses!
E, daí, a pertinência e acuidade desta reportagem: um conjunto de "estrangeiros" com resultados observáveis, explicam e exemplificam a "incompetência" que, não poucas vezes, faz não alcançar um efectivo sucesso nacional.
Da leitura desta reportagem surgem diversas possíveis leituras: por um lado, o "dedo na ferida" é real e justamente aplicado, por outro, este "prognóstico" não é, decididamente uma novidade (nem sequer uma verdade de La Palisse); de certa forma, esta análise é generalizável para outras realidades (que não a desportiva) e, por último, a "leitura" que se pode fazer destas opiniões muito localizadas é que nós, portugueses, somos muito bem lidos e interpretados por quem connosco convive e/ou trabalha.
Posto isto, esta "visão"merece-nos uma reflexão: tal como também referido pelo Mats Olsson, "Quem sabe ter a capacidades para chegar aos 100%, e embora tenha consciência de que 80% bastam, não desiste de se aplicar" luta por uma constante melhoria da sua Condição. É esse o objectivo da Excelência.
Ora, neste particular, quando os Docentes (por exemplo) contestam (entre eles) que "não há professores Excelentes" (como tantas vezes ouço!), como que a justificar a sua pouca vontade de obter uma classificação de desempenho que se situe entre os valores de 9,0 e 10 (na escala escolhida no modelo de ADD em vigor), estão, na realidade, a demonstrar, ipsis verbis, o que "dizem de nós".
Por outro lado, e aproveitando ainda uma outra citação, desta vez do Juan Diaz (Seleccionador Nacional de Voleibol) "...um dos problemas dos portugueses é, exactamente, o «medo de mudança», a falta de coragem para mudar de fórmula, quando os resultados não são satisfatórios", sublinho que, mais do que nunca, é este que se constitui como o paradigma da "modernidade" nacional: não se muda de governo, não se muda de vontade, não se muda de modelo porque "é mais fácil manter tudo como está", mesmo que a nossa vida esteja, como está, a atingir patamares de insolvência...
E, para terminar e, de certa forma "dar o laço" ao presente, a última citação (também do Diaz): "a passividade nacional tem causas sociais: os pais portugueses dão tudo de mão beijada aos filhos apresentando-lhes a vida como algo fácil e sem exigir responsabilidades em troca...".
No fundo, também nós, pais, fomos filhos!
Será que esta reportagem terá a audiência que deveria ter? Será que os 530 mil leitores da visão (anunciados pela própria) vão (mesmo!) ler esta reportagem e, espero eu, iniciar a respectiva "mudança"?...
Eu, posso dizê-lo, já a comecei (por acaso há algum tempo): não me contento com os 80%. E apesar de, ter, normalmente mais dissabores com essa atitude do que efectivas recompensas (sim, também fui desvalorizado em 3.5% da minha remuneração!), continuarei a tentar mostrar que vale a pena lutar por mais e melhor!
Mats Olsson (Seleccionador Nacional de Andebol)
Tive hoje a oportunidade de ler uma das, senão a melhor, melhores reportagens feitas sobre "o que é ser português".
A ocasião foi um excelente trabalho da Visão, através dos seus jornalistas Francisco Cruz e Pedro Justino Alves ("Quando os de fora nos levam longe", Visão nº935), onde, como o título indica, se faz uma análise aos resultados obtidos por diferentes "estrangeiros" que desenvolvem a sua actividade profissional (neste caso, desportiva) nas selecções nacionais de diversas modalidades.
Começa a reportagem por esclarecer sobre o que, até agora, foi alcançado por cada um deles (os profissionais, entenda-se) e continua, discorrendo sobre as suas (deles) análises sobre o que contribui para o (in)sucesso nacional nas áreas que lhes competem.
Tendencialmente achamos que o que "vem de fora" é bom. Na maior parte das vezes não discordo. Claro está que, na maior parte das vezes deveríamos fazer uma efectiva adaptação dos modelos à nossa realidade. Mas, se na maior parte das vezes essa adaptação é, pelo menos, planeada, o que, na realidade acontece é que, invariavelmente, nos esquecemos de um "pormenor" importante: quem, na realidade efectiva o que se importa, são os agentes, os executores, ou seja, os portugueses!
E, daí, a pertinência e acuidade desta reportagem: um conjunto de "estrangeiros" com resultados observáveis, explicam e exemplificam a "incompetência" que, não poucas vezes, faz não alcançar um efectivo sucesso nacional.
Da leitura desta reportagem surgem diversas possíveis leituras: por um lado, o "dedo na ferida" é real e justamente aplicado, por outro, este "prognóstico" não é, decididamente uma novidade (nem sequer uma verdade de La Palisse); de certa forma, esta análise é generalizável para outras realidades (que não a desportiva) e, por último, a "leitura" que se pode fazer destas opiniões muito localizadas é que nós, portugueses, somos muito bem lidos e interpretados por quem connosco convive e/ou trabalha.
Posto isto, esta "visão"merece-nos uma reflexão: tal como também referido pelo Mats Olsson, "Quem sabe ter a capacidades para chegar aos 100%, e embora tenha consciência de que 80% bastam, não desiste de se aplicar" luta por uma constante melhoria da sua Condição. É esse o objectivo da Excelência.
Ora, neste particular, quando os Docentes (por exemplo) contestam (entre eles) que "não há professores Excelentes" (como tantas vezes ouço!), como que a justificar a sua pouca vontade de obter uma classificação de desempenho que se situe entre os valores de 9,0 e 10 (na escala escolhida no modelo de ADD em vigor), estão, na realidade, a demonstrar, ipsis verbis, o que "dizem de nós".
Por outro lado, e aproveitando ainda uma outra citação, desta vez do Juan Diaz (Seleccionador Nacional de Voleibol) "...um dos problemas dos portugueses é, exactamente, o «medo de mudança», a falta de coragem para mudar de fórmula, quando os resultados não são satisfatórios", sublinho que, mais do que nunca, é este que se constitui como o paradigma da "modernidade" nacional: não se muda de governo, não se muda de vontade, não se muda de modelo porque "é mais fácil manter tudo como está", mesmo que a nossa vida esteja, como está, a atingir patamares de insolvência...
E, para terminar e, de certa forma "dar o laço" ao presente, a última citação (também do Diaz): "a passividade nacional tem causas sociais: os pais portugueses dão tudo de mão beijada aos filhos apresentando-lhes a vida como algo fácil e sem exigir responsabilidades em troca...".
No fundo, também nós, pais, fomos filhos!
Será que esta reportagem terá a audiência que deveria ter? Será que os 530 mil leitores da visão (anunciados pela própria) vão (mesmo!) ler esta reportagem e, espero eu, iniciar a respectiva "mudança"?...
Eu, posso dizê-lo, já a comecei (por acaso há algum tempo): não me contento com os 80%. E apesar de, ter, normalmente mais dissabores com essa atitude do que efectivas recompensas (sim, também fui desvalorizado em 3.5% da minha remuneração!), continuarei a tentar mostrar que vale a pena lutar por mais e melhor!
23 de janeiro de 2011
Porque será que não queremos ver o óbvio?
Neste momento em que escrevo (e faço-o depois de uma interrupção de quase um mês), acabo de ouvir a "declaração" de vitória do nosso "novo" Presidente da República.
Já há uns anos (quando da primeira eleição) escrevi algumas coisas que, então, me "atormentavam a alma" sobre a eterna dúvida dos portugueses acreditarem em si próprios, mas, desculpem-me o desabafo, acho, neste momento, que já não é uma dúvida: é uma certeza. Mas no sentido inverso: os portugueses têm a certeza que não acreditam em si próprios.
Não me é estranha nem inesperada a vitória do Presidente hoje eleito. Mas faz-me confusão que o tenha sido (e por mais de uma vez)!
Pode parecer uma posição partidária, mas, tenham a certeza, não é!
O actual Presidente é um conhecido e reputado(?) político, antes governante, inspirador de um modelo específico de governabilidade, no qual, por exemplo, o investimento em betão e maquinaria (que é uma metáfora para "investimento em Capital") foi o maior dos últimos cinquenta anos do país: Auto-Estradas, com as devidas "valorizações" para Brisas e outras concessionárias; divisão da Rede Ferroviária Nacional, com evidentes "valorizações" para empresas municipais e "amigos" (veja-se o caso do Metro do Mondego: 15 anos de Administrações muito bem remuneradas e, de Metro, nem os carris...); Centro Cultural(?) de Belém que aloja o espólio particular de um coleccionador, com evidentes vantagens para ele próprio; "morte" anunciada do Serviço Nacional de Saúde, com o maior aumento de sempre da iniciativa legal sobre "Seguros e Seguradoras de que há memória em Portugal; desinvestimento na Educação, com o Orçamento da Educação a baixar, em quatro anos de governo, 1,7% e, por último, a "nomenclatura" dispersa pelos "lugares-chave" das instituições (públicas e privadas) que sustentam a economia nacional...
Por tudo isto (e muito mais que haveria a discriminar), custa-me que os portugueses (pelo menos os que votaram) tenham dito, novamente, sim a este modelo social.
E, para aqueles que defendam que a eleição deste candidato será melhor para o "equílibrio" de poderes, relembro que, ao longo do último mandato, foram mais as "sintonias" (mesmo que de conveniência) do que as efectivas oposições. Porque terá sido?
Provavelmente porque o espectro político e ideológico é o mesmo. E para ambos os "modelos" representados nas principais figuras de Estado, há que fazer a classe média suportar as dificuldades, pois os "poderes" instalados deverão "continuar a convergir no esforço nacional", mesmo que isso signifique que empresas portuguesas tremendamente apoiadas para exportar, para desenvolver competência e para "proporcionar emprego" continuem (como se quer no modelo económico) a procurar o lucro (para alguns, diria eu), independentemente desse "lucro" não significar uma efectiva melhoria das condições de vida das pessoas.
Mas, parece, ficamos todos felizes, não é?
Já há uns anos (quando da primeira eleição) escrevi algumas coisas que, então, me "atormentavam a alma" sobre a eterna dúvida dos portugueses acreditarem em si próprios, mas, desculpem-me o desabafo, acho, neste momento, que já não é uma dúvida: é uma certeza. Mas no sentido inverso: os portugueses têm a certeza que não acreditam em si próprios.
Não me é estranha nem inesperada a vitória do Presidente hoje eleito. Mas faz-me confusão que o tenha sido (e por mais de uma vez)!
Pode parecer uma posição partidária, mas, tenham a certeza, não é!
O actual Presidente é um conhecido e reputado(?) político, antes governante, inspirador de um modelo específico de governabilidade, no qual, por exemplo, o investimento em betão e maquinaria (que é uma metáfora para "investimento em Capital") foi o maior dos últimos cinquenta anos do país: Auto-Estradas, com as devidas "valorizações" para Brisas e outras concessionárias; divisão da Rede Ferroviária Nacional, com evidentes "valorizações" para empresas municipais e "amigos" (veja-se o caso do Metro do Mondego: 15 anos de Administrações muito bem remuneradas e, de Metro, nem os carris...); Centro Cultural(?) de Belém que aloja o espólio particular de um coleccionador, com evidentes vantagens para ele próprio; "morte" anunciada do Serviço Nacional de Saúde, com o maior aumento de sempre da iniciativa legal sobre "Seguros e Seguradoras de que há memória em Portugal; desinvestimento na Educação, com o Orçamento da Educação a baixar, em quatro anos de governo, 1,7% e, por último, a "nomenclatura" dispersa pelos "lugares-chave" das instituições (públicas e privadas) que sustentam a economia nacional...
Por tudo isto (e muito mais que haveria a discriminar), custa-me que os portugueses (pelo menos os que votaram) tenham dito, novamente, sim a este modelo social.
E, para aqueles que defendam que a eleição deste candidato será melhor para o "equílibrio" de poderes, relembro que, ao longo do último mandato, foram mais as "sintonias" (mesmo que de conveniência) do que as efectivas oposições. Porque terá sido?
Provavelmente porque o espectro político e ideológico é o mesmo. E para ambos os "modelos" representados nas principais figuras de Estado, há que fazer a classe média suportar as dificuldades, pois os "poderes" instalados deverão "continuar a convergir no esforço nacional", mesmo que isso signifique que empresas portuguesas tremendamente apoiadas para exportar, para desenvolver competência e para "proporcionar emprego" continuem (como se quer no modelo económico) a procurar o lucro (para alguns, diria eu), independentemente desse "lucro" não significar uma efectiva melhoria das condições de vida das pessoas.
Mas, parece, ficamos todos felizes, não é?
21 de dezembro de 2010
5 de dezembro de 2010
Fama e Proveito
"Fama sem proveito, faz dor de peito"
Provérbio Popular
Este será, quase de certeza, o meu "post" mais pessoal (por "falar" de mim, do que sou e do que sinto...), mas, não será, estou em crer, o mais individualista.
O título radica na constatação de que, na maior parte das vezes, o adágio popular tem razão de ser.
Na passada semana, desloquei-me a Espanha, a Madrid mais exactamente, para, na sequência de um convite da AMEI (Asociación Mundial de Educadores Infantiles) apresentar uma comunicação sobre o trabalho que desenvolvo, no Congresso Internacional "Capacidades, Competências e Desenvolvimento Infantil".
Tal convite, não só me honra enquanto profissional, mas dá-me também a nítida sensação de que o que fazemos (aqui, em Portugal), fazemos bem e merece reconhecimento.
Não posso deixar de dizer, neste âmbito, e apesar de ter sido o único representante português a apresentar evidências do trabalho desenvolvido, nomeadamente na Educação de Infância, que o reconhecimento que recebi indica, no que concerne ao trabalho de qualidade (assim referenciado pela organização), só temos de nos orgulhar por sermos entendidos como estando no patamar superior de práticas em Educação de Infância.
Voltando ao título do "post", quero ainda referir também (e nesta sequência de raciocínio) que a avaliação que obtive no último ciclo de avaliação da Avaliação de Desempenho Docente (independentemente da sua pertinência, acuidade e justiça, como de resto já o referi em outros "posts" deste blogue), me deixa num patamar superior, em termos de avaliação da prática.
Devo também referir que, no longínquo ano lectivo de 2007/2008, fui surpreendido pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento onde à data desenvolvia a minha prática profissional, com um pedido de organização de um port-fólio para enviar para o então criado "Prémio Nacional de Professores", também, neste caso, em reconhecimento da minha prática profissional.
Servem estes (apenas) três exemplos para, então, reflectir sobre Fama e Proveito.
Dir-me-ão alguns que, tais factos justificam o proveito. Contudo, pergunto: qual proveito?
Refiro eu que são apenas uma forma de "fama". E porquê?
Porque, desde há muitos anos que o que faço, em termos profissionais, faço-o com o objectivo de fazer bem. De fazer de uma forma construtiva, reflectida, interventiva e atenta. Faço-o porque acredito que se "fizermos", na senda da Excelência, podemos, todos nós, beneficiar de uma efectiva melhoria da qualidade do que fazemos.
Mas, infelizmente, em Portugal, não é esse o caso.
Neste país onde a "recompensa" é, simplesmente, pensada em termos de "ganhos pessoais", ou em termos remunerativos, fazer bem só porque se acredita na qualidade do que fazemos (e, como referi, as evidências assim o sugerem) implica, necessariamente, passar para o "lado dos maus".
Ou seja, se, por acaso que seja, és reconhecido como competente, eficaz, pertinente e com qualidade, passas a ser um alvo a abater. Mesmo que essa tua "qualidade" o seja apenas porque acreditas nela.
No fundo, este país que recompensa a não intervenção, o seguidismo/carneirismo e (como li há pouco tempo) o "ouvidismo" (de "ouvi dizer"...), acaba por desmotivar e menorizar.
Não me move o protagonismo nem sequer a recompensa pecuniária. Ficaria feliz (bastante, diga-se) o reconhecimento de que as práticas, as reflexões e a sugestões podem ser úteis.
E mais feliz ficaria se não nos recusássemos a mudar o que pode ser mudado para melhor.
Há alguns dias, um colega de um outro agrupamento onde estive há já uns anos, telefonou-me a "dar a novidade" de que, algumas ideias que eu teria apresentado "tinham sido aceites e postas em prática", reconhecendo (o Departamento), dessa forma, a pertinência das mesmas.
Esse telefonema., julgo eu, pretendia dar-me uma espécie de "razão a posteriori" e, nas palavras ditas, deixar-me feliz.
Não fiquei.
Por mais que custe entender, o que sugeri em tempos fi-lo numa atitude eminententemente egoísta: pretendia, com a assumpção dessas "alterações" melhorar a minha capacidade e qualidade de trabalho. Nesse momento. Enquanto poderia ser usuário dessas alterações.
Sabê-las, agora, escolhidas (quando já nem sequer estou nesse agrupamento) não me deixa feliz. Pelo contrário. Faz-me pensar que sou eu a razão da "negação".
Infelizmente, e como referia antes, a tal questão da Fama e do Proveito é sempre relativa: se os "outros" referem a tua fama, melhor será então, que te aproveites disso, ou então, deixa-os pensar que só tens proveito, porque Fama é má publicidade.
Esta é a (infeliz) realidade.
"Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos"
Anaïs Nin
Provérbio Popular
Este será, quase de certeza, o meu "post" mais pessoal (por "falar" de mim, do que sou e do que sinto...), mas, não será, estou em crer, o mais individualista.
O título radica na constatação de que, na maior parte das vezes, o adágio popular tem razão de ser.
Na passada semana, desloquei-me a Espanha, a Madrid mais exactamente, para, na sequência de um convite da AMEI (Asociación Mundial de Educadores Infantiles) apresentar uma comunicação sobre o trabalho que desenvolvo, no Congresso Internacional "Capacidades, Competências e Desenvolvimento Infantil".
Tal convite, não só me honra enquanto profissional, mas dá-me também a nítida sensação de que o que fazemos (aqui, em Portugal), fazemos bem e merece reconhecimento.
Não posso deixar de dizer, neste âmbito, e apesar de ter sido o único representante português a apresentar evidências do trabalho desenvolvido, nomeadamente na Educação de Infância, que o reconhecimento que recebi indica, no que concerne ao trabalho de qualidade (assim referenciado pela organização), só temos de nos orgulhar por sermos entendidos como estando no patamar superior de práticas em Educação de Infância.
Voltando ao título do "post", quero ainda referir também (e nesta sequência de raciocínio) que a avaliação que obtive no último ciclo de avaliação da Avaliação de Desempenho Docente (independentemente da sua pertinência, acuidade e justiça, como de resto já o referi em outros "posts" deste blogue), me deixa num patamar superior, em termos de avaliação da prática.
Devo também referir que, no longínquo ano lectivo de 2007/2008, fui surpreendido pelo Conselho Pedagógico do Agrupamento onde à data desenvolvia a minha prática profissional, com um pedido de organização de um port-fólio para enviar para o então criado "Prémio Nacional de Professores", também, neste caso, em reconhecimento da minha prática profissional.
Servem estes (apenas) três exemplos para, então, reflectir sobre Fama e Proveito.
Dir-me-ão alguns que, tais factos justificam o proveito. Contudo, pergunto: qual proveito?
Refiro eu que são apenas uma forma de "fama". E porquê?
Porque, desde há muitos anos que o que faço, em termos profissionais, faço-o com o objectivo de fazer bem. De fazer de uma forma construtiva, reflectida, interventiva e atenta. Faço-o porque acredito que se "fizermos", na senda da Excelência, podemos, todos nós, beneficiar de uma efectiva melhoria da qualidade do que fazemos.
Mas, infelizmente, em Portugal, não é esse o caso.
Neste país onde a "recompensa" é, simplesmente, pensada em termos de "ganhos pessoais", ou em termos remunerativos, fazer bem só porque se acredita na qualidade do que fazemos (e, como referi, as evidências assim o sugerem) implica, necessariamente, passar para o "lado dos maus".
Ou seja, se, por acaso que seja, és reconhecido como competente, eficaz, pertinente e com qualidade, passas a ser um alvo a abater. Mesmo que essa tua "qualidade" o seja apenas porque acreditas nela.
No fundo, este país que recompensa a não intervenção, o seguidismo/carneirismo e (como li há pouco tempo) o "ouvidismo" (de "ouvi dizer"...), acaba por desmotivar e menorizar.
Não me move o protagonismo nem sequer a recompensa pecuniária. Ficaria feliz (bastante, diga-se) o reconhecimento de que as práticas, as reflexões e a sugestões podem ser úteis.
E mais feliz ficaria se não nos recusássemos a mudar o que pode ser mudado para melhor.
Há alguns dias, um colega de um outro agrupamento onde estive há já uns anos, telefonou-me a "dar a novidade" de que, algumas ideias que eu teria apresentado "tinham sido aceites e postas em prática", reconhecendo (o Departamento), dessa forma, a pertinência das mesmas.
Esse telefonema., julgo eu, pretendia dar-me uma espécie de "razão a posteriori" e, nas palavras ditas, deixar-me feliz.
Não fiquei.
Por mais que custe entender, o que sugeri em tempos fi-lo numa atitude eminententemente egoísta: pretendia, com a assumpção dessas "alterações" melhorar a minha capacidade e qualidade de trabalho. Nesse momento. Enquanto poderia ser usuário dessas alterações.
Sabê-las, agora, escolhidas (quando já nem sequer estou nesse agrupamento) não me deixa feliz. Pelo contrário. Faz-me pensar que sou eu a razão da "negação".
Infelizmente, e como referia antes, a tal questão da Fama e do Proveito é sempre relativa: se os "outros" referem a tua fama, melhor será então, que te aproveites disso, ou então, deixa-os pensar que só tens proveito, porque Fama é má publicidade.
Esta é a (infeliz) realidade.
"Nós não vemos as coisas como elas são, vemo-las como nós somos"
Anaïs Nin
7 de novembro de 2010
Greves e outras formas de Luta...
Começo por referir, para que fique claro, que nunca fiz greve e não tenciono fazer.
E porque é que não faço greve?
Antes de mais, quero também esclarecer que considero que todas as formas de luta, se justificadas, são pertinentes e objectivam um resultado. Contudo, a minha análise face às greves é que são, globalmente, estratégias desadequadas.
E porquê?
Porque, acima de tudo, uma greve não consegue (não tem conseguido!) atingir os objectivos a que se propõe. Logo, é minha opinião que se devam encontrar outras formas de protesto.
Em três pontos tentarei esclarecer a minha posição:
1. Uma greve é uma paragem no trabalho que, quanto muito, beneficia patrões e Estado.
A cada paragem "geral", em termos de produtividade do país, fica em causa um valor aproximado de 0,01% do PIB (se a greve for bem sucedida). Uma paragem num "fim-de-semana prolongado" (ponte) atinge um valor próximo dos 0.1% do PIB.
Na prática, os portugueses "gostam" mais de uma boa "ponte" do que de uma greve. É a história que nos tem mostrado isso.
Ora, se a ideia é prejudicar o "Estado" (que somos todos nós!), façamos então mais "pontes".
Por outro lado, só na função pública, uma greve com uma média de 50% de "grevistas" faz o estado "economizar" 1M€! E o Governo (qualquer Governo!) agradece. Poupa e nem por isso tem de mudar políticas (ainda mais aquelas em que não pode mexer!)
Além de, como é sabido, uma greve significar, em média, menos 50€ nos bolsos do "grevista". A mim, esse dinheiro faz diferença.
2. Uma greve é, tendencialmente, um espaço de "manifestação" esgotado.
Veja-se, por exemplo, o caso de França (aumento da idade da reforma). Há mais de um mês que as greves se sucedem e se mantêm "em alta". Efeitos? Nenhuns.
A política social europeia "prefere" greves a alterar o seu caminho.
Como docente, dou ainda mais um exemplo: quantas greves do passado fizeram mudar políticas? Poucas ou nenhumas.
Dou exemplos: Greve e Manifestação contra a alteração do calendário escolar para o pré-escolar (nos dados do sindicato, 91% de adesão). Efeitos: continuamos com o calendário que foi, nessa altura, aprovado.
Greve e Manifestações de docentes contra a ADD (120 mil na rua, greves na ordem dos 80%). Efeitos: A ADD está aí, e em força.
Um pouco "mais longe": Greves e Manifestações contra a entrada de Portugal na CEE. Efeitos: agora somos todos "Europeus"!
3. Uma greve não mostra o "poder" dos trabalhadores.
A primeira vez que me "convocaram" para uma greve (há já alguns anos), perguntei o que poderíamos fazer (trabalhando numa escola, seria fundamental) para informar e esclarecer os utentes do espaço sobre as nossas razões. Para isso mostrei a disponibilidade de estar, na escola, todo o dia da paralisação, a informar e esclarecer os alunos e as famílias sobre os motivos da greve. Resposta de TODOS os colegas: "Estás maluco ou quê? Eu cá vou aproveitar para ficar em casa a corrigir testes!"
Por outro lado, as razões (aparentemente) são tantas para a greve que, na maior parte das vezes, nem são distinguidas por quem "vê" de fora o movimento.
Há uns anos, por ocasião dos plenários de educadores de infância (sobre o Calendário Escolar) sugeri, numa sala com mais de 400 profissionais que fossemos para um Centro Comercial, ao sábado, informar sobre as "nossas razões". Iam-me comendo vivo.
Desde aí tenho aceitado que, a melhor forma de agir colectivamente é fazendo-o de forma individual: votando esclarecido; colaborando com colegas e parceiros no sentido de, todos juntos, fazermos melhor no dia-a-dia; participando activamente nos fóruns e locais de reflexão sobre a nossa profissão; exigindo, das nossas chefias, qualidade e atenção e, além de tudo isso, intervindo activamente na nossa vida: quer exigindo qualidade, quer procurando a excelência.
Podem parecer palavras desadequadas e irrealistas, mas, infelizmente, se, entre nós, tivessemos durante os últimos 35 anos, procurado a Excelência naquilo que somos, que fazemos, que queremos, talvez a "Crise" não nos atingisse tão profundamente...
Mas, parafraseando (mais uma vez) o Edson Atayde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"...
Por mim, estarei individualmente solidário com a Greve, mas estarei na escola, a explicar aos meus alunos porque é fundamental "intervir, exigir e manifestar"!
E já agora, seria interessante que todos nós reflectíssemos sobre os "objectivos" de uma greve.
(veja "Greve" na Wikipédia)
E porque é que não faço greve?
Antes de mais, quero também esclarecer que considero que todas as formas de luta, se justificadas, são pertinentes e objectivam um resultado. Contudo, a minha análise face às greves é que são, globalmente, estratégias desadequadas.
E porquê?
Porque, acima de tudo, uma greve não consegue (não tem conseguido!) atingir os objectivos a que se propõe. Logo, é minha opinião que se devam encontrar outras formas de protesto.
Em três pontos tentarei esclarecer a minha posição:
1. Uma greve é uma paragem no trabalho que, quanto muito, beneficia patrões e Estado.
A cada paragem "geral", em termos de produtividade do país, fica em causa um valor aproximado de 0,01% do PIB (se a greve for bem sucedida). Uma paragem num "fim-de-semana prolongado" (ponte) atinge um valor próximo dos 0.1% do PIB.
Na prática, os portugueses "gostam" mais de uma boa "ponte" do que de uma greve. É a história que nos tem mostrado isso.
Ora, se a ideia é prejudicar o "Estado" (que somos todos nós!), façamos então mais "pontes".
Por outro lado, só na função pública, uma greve com uma média de 50% de "grevistas" faz o estado "economizar" 1M€! E o Governo (qualquer Governo!) agradece. Poupa e nem por isso tem de mudar políticas (ainda mais aquelas em que não pode mexer!)
Além de, como é sabido, uma greve significar, em média, menos 50€ nos bolsos do "grevista". A mim, esse dinheiro faz diferença.
2. Uma greve é, tendencialmente, um espaço de "manifestação" esgotado.
Veja-se, por exemplo, o caso de França (aumento da idade da reforma). Há mais de um mês que as greves se sucedem e se mantêm "em alta". Efeitos? Nenhuns.
A política social europeia "prefere" greves a alterar o seu caminho.
Como docente, dou ainda mais um exemplo: quantas greves do passado fizeram mudar políticas? Poucas ou nenhumas.
Dou exemplos: Greve e Manifestação contra a alteração do calendário escolar para o pré-escolar (nos dados do sindicato, 91% de adesão). Efeitos: continuamos com o calendário que foi, nessa altura, aprovado.
Greve e Manifestações de docentes contra a ADD (120 mil na rua, greves na ordem dos 80%). Efeitos: A ADD está aí, e em força.
Um pouco "mais longe": Greves e Manifestações contra a entrada de Portugal na CEE. Efeitos: agora somos todos "Europeus"!
3. Uma greve não mostra o "poder" dos trabalhadores.
A primeira vez que me "convocaram" para uma greve (há já alguns anos), perguntei o que poderíamos fazer (trabalhando numa escola, seria fundamental) para informar e esclarecer os utentes do espaço sobre as nossas razões. Para isso mostrei a disponibilidade de estar, na escola, todo o dia da paralisação, a informar e esclarecer os alunos e as famílias sobre os motivos da greve. Resposta de TODOS os colegas: "Estás maluco ou quê? Eu cá vou aproveitar para ficar em casa a corrigir testes!"
Por outro lado, as razões (aparentemente) são tantas para a greve que, na maior parte das vezes, nem são distinguidas por quem "vê" de fora o movimento.
Há uns anos, por ocasião dos plenários de educadores de infância (sobre o Calendário Escolar) sugeri, numa sala com mais de 400 profissionais que fossemos para um Centro Comercial, ao sábado, informar sobre as "nossas razões". Iam-me comendo vivo.
Desde aí tenho aceitado que, a melhor forma de agir colectivamente é fazendo-o de forma individual: votando esclarecido; colaborando com colegas e parceiros no sentido de, todos juntos, fazermos melhor no dia-a-dia; participando activamente nos fóruns e locais de reflexão sobre a nossa profissão; exigindo, das nossas chefias, qualidade e atenção e, além de tudo isso, intervindo activamente na nossa vida: quer exigindo qualidade, quer procurando a excelência.
Podem parecer palavras desadequadas e irrealistas, mas, infelizmente, se, entre nós, tivessemos durante os últimos 35 anos, procurado a Excelência naquilo que somos, que fazemos, que queremos, talvez a "Crise" não nos atingisse tão profundamente...
Mas, parafraseando (mais uma vez) o Edson Atayde: "A culpa de Portugal são os portugueses!"...
Por mim, estarei individualmente solidário com a Greve, mas estarei na escola, a explicar aos meus alunos porque é fundamental "intervir, exigir e manifestar"!
E já agora, seria interessante que todos nós reflectíssemos sobre os "objectivos" de uma greve.
(veja "Greve" na Wikipédia)
17 de outubro de 2010
Desadequações em forma de "Metas de Aprendizagem"....
Não sei se será este o espaço mais adequado para expressar a minha indignação, mas como quero fazê-lo, talvez (pelo menos) me chegue informação sobre como o fazer de forma mais direccionada.
Bem, mas passando ao que interessa.
Sendo eu educador de Infância, formador PTE e investigador na área das tecnologias, não me reconheço nas "Metas de Aprendizagem" que, de certa forma, nos são "impostas" pelo ME.
Especificamente na chamada nova área de Tecnologias de Informação e da Comunicação.
Se atentarmos nas ditas "metas", o que se propõe é que uma criança saiba manipular alguns "instrumentos tecnológicos" assumindo, contudo, o computador o espaço central desta "manipulação".
Também no 1º ciclo se repetem, de certa forma, as "indicações" instrumentais.
Ora, se como temos vindo a observar (até para os menos atentos) uma constante e exponencial evolução no que concerne aos "instrumentos" digitais, não só no seu espaço "hardware", mas, fundamentalmente, no espaço de aplicativos e, acima de tudo, interfaces, custa-me um pouco, enquanto docente, formador e investigador, que as "Metas de Aprendizagem" não abram já a porta a um conjunto de outras dinâmicas que, penso eu, em breve se tornarão fundamentais.
As questões da virtualidade, os novos instrumentos tecnológicos postos à disposição (de entre muitos, destaco os telemóveis), as redes sociais e e a Web 2.0 no seu todo, as novas estruturas do conhecimento multimédia (TDT, GPS, etc.) e até as plataformas multiacesso de carácter mais lúdico (PSPs, Nintendos, Wii e outras) mereceriam, penso eu, um superior enfoque em termos de organização de objectivos/metas de aprendizagem.
Mais uma vez se perdeu a oportunidade de dar um passo em frente.
Será porque são sempre os mesmos a pensar?
Não quero acreditar nisso. Até porque a informação e a disseminação de práticas e investigação desenvolvidas em todo o mundo são cada vez mais evidentes...
Será que ainda vamos a tempo? ou é apenas mais uma "trabalho" de Hércules?
Fica aqui a minha indignação, já que não posso fazê-lo em mais lado nenhum...
Bem, mas passando ao que interessa.
Sendo eu educador de Infância, formador PTE e investigador na área das tecnologias, não me reconheço nas "Metas de Aprendizagem" que, de certa forma, nos são "impostas" pelo ME.
Especificamente na chamada nova área de Tecnologias de Informação e da Comunicação.
Se atentarmos nas ditas "metas", o que se propõe é que uma criança saiba manipular alguns "instrumentos tecnológicos" assumindo, contudo, o computador o espaço central desta "manipulação".
Também no 1º ciclo se repetem, de certa forma, as "indicações" instrumentais.
Ora, se como temos vindo a observar (até para os menos atentos) uma constante e exponencial evolução no que concerne aos "instrumentos" digitais, não só no seu espaço "hardware", mas, fundamentalmente, no espaço de aplicativos e, acima de tudo, interfaces, custa-me um pouco, enquanto docente, formador e investigador, que as "Metas de Aprendizagem" não abram já a porta a um conjunto de outras dinâmicas que, penso eu, em breve se tornarão fundamentais.
As questões da virtualidade, os novos instrumentos tecnológicos postos à disposição (de entre muitos, destaco os telemóveis), as redes sociais e e a Web 2.0 no seu todo, as novas estruturas do conhecimento multimédia (TDT, GPS, etc.) e até as plataformas multiacesso de carácter mais lúdico (PSPs, Nintendos, Wii e outras) mereceriam, penso eu, um superior enfoque em termos de organização de objectivos/metas de aprendizagem.
Mais uma vez se perdeu a oportunidade de dar um passo em frente.
Será porque são sempre os mesmos a pensar?
Não quero acreditar nisso. Até porque a informação e a disseminação de práticas e investigação desenvolvidas em todo o mundo são cada vez mais evidentes...
Será que ainda vamos a tempo? ou é apenas mais uma "trabalho" de Hércules?
Fica aqui a minha indignação, já que não posso fazê-lo em mais lado nenhum...
10 de outubro de 2010
O que podemos nós fazer?...
Por hábito e por interesse, sou, posso dizê-lo, leitor compulsivo de jornais, revistas e outras leituras que me possam dar (pelo menos) a sensação de "estar informado".
Aprendi, muito por "culpa própria" a fazer uma leitura crítica da maior parte dos escritos da Comunicação Social. Habituei-me a tentar encontrar uma espécie de "meio termo" que me permita ter uma visão mais aproximada do que realmente se passa.
Nas pequenas "notícias", há, na maior parte das vezes, mais informação pertinente do que nas "grandes reportagens" ou artigos de opinião de famosos (e bem colocados) "opinion makers". Grosso modo, estes, os últimos, limitam-se a reproduzir uma certa "visão", que, na maior parte das vezes é parcial e, muitas outras, "encomendada".
Nestes últimos tempos, mercê da tão propalada "crise", muitos têm sido os escritos que, quase de forma inocente, acabam por impor uma vontade culpabilizante, para que todos nós (os que trabalham, os que acreditam, os que se esforçam e, acima de tudo, os que somos vítimas de um "esforço concertado de manipulação") nos sintamos como que encurralados e sem grandes hipóteses de "respirar".
posto isto, pergunto-me (e ao expô-lo aqui, alargo a pergunta a todos os poucos que poderão ler-me) o que, na realidade, podemos fazer para partilhar das soluções.
Está visto, porque no-lo dizem insistentemente, que, acima de tudo, devemos "partilhar" da diminuição dos valores (reais) dos nossos salários, das maiores contribuições sociais e das "colectivas" acções de "solidariedade institucional"...
Mas o que é que nós podemos, mesmo, fazer diariamente?
Eu aponto três possibilidades; se cada um de nós apontar outras tantas, se calhar podemos, num esforço independente e autónomo, que, na pior das hipóteses, não prejudicará, mudar alguma coisa...
Ora cá vão as minhas:
1. Usar mais os transportes públicos e menos os veículos próprios. Se, de cada vez que abastecermos, estamos a "importar" energia (na forma de combustível), podemos diminuir, "a la longue", a dependência energética e, consequentemente, os gastos de importação;
2. Comprar mais produtos "Made in Portugal". Se tivermos o cuidado de escolher os artigos que, normalmente consumimos, feitos em Portugal (mesmo que com know-how estrangeiro), apoiaremos a produção nacional e contribuímos, mais uma vez, para a redução das importações;
3. Nos nossos locais de trabalho, assumirmos um comportamento menos despesista. se tivermos em conta, por exemplo, que o custo médio do envio de um fax é de 0.60€, e um e-mail nos "custa" 0,04€, há que fazer "escolhas" interessantes. O orçamento disponível integra todas estas "pequenas contas".
E já agora, se em vez de levarmos a esferográfica no bolso, a deixarmos para que outros a utilizem, também estamos a evitar que nos "invadam" os rendimentos mensais...
Sei que não são "soluções"milagrosas, nomeadamente comparando-as com os gastos que os organismos públicos usam em aquisições de viaturas, medalhas comemorativas e outros tais, mas, se cada um de nós fizer o seu esforço, pode ser que alguma coisa mude.
Porque, no final de contas (e como já está mais do que demonstrado, nos últimos 24 anos em Portugal), não serão os políticos eleitos que nos livrarão da "crise".
Dá que pensar, não dá?
Aprendi, muito por "culpa própria" a fazer uma leitura crítica da maior parte dos escritos da Comunicação Social. Habituei-me a tentar encontrar uma espécie de "meio termo" que me permita ter uma visão mais aproximada do que realmente se passa.
Nas pequenas "notícias", há, na maior parte das vezes, mais informação pertinente do que nas "grandes reportagens" ou artigos de opinião de famosos (e bem colocados) "opinion makers". Grosso modo, estes, os últimos, limitam-se a reproduzir uma certa "visão", que, na maior parte das vezes é parcial e, muitas outras, "encomendada".
Nestes últimos tempos, mercê da tão propalada "crise", muitos têm sido os escritos que, quase de forma inocente, acabam por impor uma vontade culpabilizante, para que todos nós (os que trabalham, os que acreditam, os que se esforçam e, acima de tudo, os que somos vítimas de um "esforço concertado de manipulação") nos sintamos como que encurralados e sem grandes hipóteses de "respirar".
posto isto, pergunto-me (e ao expô-lo aqui, alargo a pergunta a todos os poucos que poderão ler-me) o que, na realidade, podemos fazer para partilhar das soluções.
Está visto, porque no-lo dizem insistentemente, que, acima de tudo, devemos "partilhar" da diminuição dos valores (reais) dos nossos salários, das maiores contribuições sociais e das "colectivas" acções de "solidariedade institucional"...
Mas o que é que nós podemos, mesmo, fazer diariamente?
Eu aponto três possibilidades; se cada um de nós apontar outras tantas, se calhar podemos, num esforço independente e autónomo, que, na pior das hipóteses, não prejudicará, mudar alguma coisa...
Ora cá vão as minhas:
1. Usar mais os transportes públicos e menos os veículos próprios. Se, de cada vez que abastecermos, estamos a "importar" energia (na forma de combustível), podemos diminuir, "a la longue", a dependência energética e, consequentemente, os gastos de importação;
2. Comprar mais produtos "Made in Portugal". Se tivermos o cuidado de escolher os artigos que, normalmente consumimos, feitos em Portugal (mesmo que com know-how estrangeiro), apoiaremos a produção nacional e contribuímos, mais uma vez, para a redução das importações;
3. Nos nossos locais de trabalho, assumirmos um comportamento menos despesista. se tivermos em conta, por exemplo, que o custo médio do envio de um fax é de 0.60€, e um e-mail nos "custa" 0,04€, há que fazer "escolhas" interessantes. O orçamento disponível integra todas estas "pequenas contas".
E já agora, se em vez de levarmos a esferográfica no bolso, a deixarmos para que outros a utilizem, também estamos a evitar que nos "invadam" os rendimentos mensais...
Sei que não são "soluções"milagrosas, nomeadamente comparando-as com os gastos que os organismos públicos usam em aquisições de viaturas, medalhas comemorativas e outros tais, mas, se cada um de nós fizer o seu esforço, pode ser que alguma coisa mude.
Porque, no final de contas (e como já está mais do que demonstrado, nos últimos 24 anos em Portugal), não serão os políticos eleitos que nos livrarão da "crise".
Dá que pensar, não dá?
7 de outubro de 2010
Recessões...
Nos últimos dias, tem sido evidente que a palavra (e o conceito) de Recessão tem sido a que mais tem estado na "boca de toda a gente"...
Qual pasta medicinal, todos falam dela, todos esgrimem argumentos, todos (se) justificam.
É o FMI, é a OCDE, é o Banco de Portugal e ainda do próprio Governo.
Com estimativas de queda do PIB de 1,4%, a coisa não será fácil.
Mas interessa, por agora, saber se as "medidas de austeridade" resolverão alguma coisa.
Os cortes, o desemprego, a taxa de inflação, não perdoam.
E nós?
Os 18,5% de Pobreza (dados de 2008!) têm, necessariamente, de nos assustar.
Mas a minha pergunta é: continuaremos (individualmente, nos nosso postos de trabalho - quem os tem -, nas nossas actividades profissionais e pessoais) a ignorar a "crise"?
Esta pergunta relaciona-se, acima de tudo, com a capacidade de, no nosso "pequeno" mundo pensarmos (e agirmos) solidariamente. Será que, quando, nos nossos "serviços" tivermos de escrever um apontamento, uma nota, utilizaremos uma folha de papel já usada (reaproveitando-a)? ou que, em vez de mandarmos o fax necessário, seremos capazes de ligar o computador e enviar uma mensagem de e-mail? ou ainda, no momento de comprar produtos de limpeza, optaremos pelos mais indicados (que, normalmente, por se destinarem a um fim específico, são mais baratos)?
Ou, em outra perspectiva, vamos optar por andar de transportes públicos (favorecendo, dessa forma, a Economia) em vez de levarmos o nosso veículo privado?
Pode parecer pouco indicado e até algo estúpido, mas é nestes "pequenos pormenores" que podemos fazer a diferença.
Mas, sinceramente, acho que não o faremos. Estamos demasiado habituados (e porque não dizer: dependentes) aos "pequenos luxos individuais" para pensar de outra forma...
Como bons portugueses, costumamos achar que "quem vier atrás que feche a porta".
Mas vamos entalar-nos. Somos mesmo quem "vem atrás"...
Pensemos então...
Qual pasta medicinal, todos falam dela, todos esgrimem argumentos, todos (se) justificam.
É o FMI, é a OCDE, é o Banco de Portugal e ainda do próprio Governo.
Com estimativas de queda do PIB de 1,4%, a coisa não será fácil.
Mas interessa, por agora, saber se as "medidas de austeridade" resolverão alguma coisa.
Os cortes, o desemprego, a taxa de inflação, não perdoam.
E nós?
Os 18,5% de Pobreza (dados de 2008!) têm, necessariamente, de nos assustar.
Mas a minha pergunta é: continuaremos (individualmente, nos nosso postos de trabalho - quem os tem -, nas nossas actividades profissionais e pessoais) a ignorar a "crise"?
Esta pergunta relaciona-se, acima de tudo, com a capacidade de, no nosso "pequeno" mundo pensarmos (e agirmos) solidariamente. Será que, quando, nos nossos "serviços" tivermos de escrever um apontamento, uma nota, utilizaremos uma folha de papel já usada (reaproveitando-a)? ou que, em vez de mandarmos o fax necessário, seremos capazes de ligar o computador e enviar uma mensagem de e-mail? ou ainda, no momento de comprar produtos de limpeza, optaremos pelos mais indicados (que, normalmente, por se destinarem a um fim específico, são mais baratos)?
Ou, em outra perspectiva, vamos optar por andar de transportes públicos (favorecendo, dessa forma, a Economia) em vez de levarmos o nosso veículo privado?
Pode parecer pouco indicado e até algo estúpido, mas é nestes "pequenos pormenores" que podemos fazer a diferença.
Mas, sinceramente, acho que não o faremos. Estamos demasiado habituados (e porque não dizer: dependentes) aos "pequenos luxos individuais" para pensar de outra forma...
Como bons portugueses, costumamos achar que "quem vier atrás que feche a porta".
Mas vamos entalar-nos. Somos mesmo quem "vem atrás"...
Pensemos então...
25 de setembro de 2010
Aferições...
Foi apresentado (sem pompa nem circunstância, como a actual "crise" obriga) o Plano da Educação para o próximo triénio.
Das novidades esperadas, poucas (ou nenhuma, para ser sincero) surpreendem. Contudo, há uma ou duas questões que nos podem (devem) assustar.
A primeira (e para mim mais pertinente) prende-se com o "objectivo" de "aumentar e melhorar os resultados escolares dos alunos". Este objectivo, sem dúvida adequado, vem, no entanto, "embrulhado" num presente explosivo: faz-se depender os níveis de partida dos resultados das provas de aferição.
Até aqui, para um leigo, julgo não existir qualquer tipo de problema.
Mas, se quisermos ir um pouco mais ao fundo, e, principalmente se conhecermos algumas das premissas que consubstanciaram a existência de provas de aferição, não podemos deixar de nos preocupar.
As provas de aferição, apresentadas, na sua génese como uma forma de "aferir" as aprendizagens dos alunos em diversos momentos da sua frequência escolar, foram, num primeiro tempo, "construídas" como elementos avaliativos de "menor importância". Posteriormente, com o surgimento da regulamentação do modelo de Avaliação de Desempenho dos Docentes, foram apontadas como elementos contributivos.
Após a contestação que tal procedimento motivou, o Ministério da Educação recuou e deu por "dispensáveis" estes elementos de avaliação.
Contudo, porque havia que enviar dados para a Europa, continuaram a realizar-se e (aqui é que é importante parar!) de certa forma, porque seria importante maquilhar os números (subsídios "oblige"!), organizaram-se de forma a "simplificar" e "inflacionar" os resultados reais.
Quem esteve envolvido nos imensos grupos de correctores, supervisores e acompanhantes, sabe que a "ordem" era (é!) para "subir", ou seja, "em caso de dúvida, favorece-se o aluno". Claro está que, neste momento nem me interessa discorrer sobre as "enormidades" que daí advieram, com especial enfoque nas "actualizações conceptuais", que, em alguns casos tornaram credíveis e acertadas lógicas e procedimentos que, desde sempre, foram considerados errados e negativamente "educativos"...
Mas, como escrevia, o que me assusta não é tanto as questões das "enormidades" nas próprias provas e no processo de elaboração/execução, mas sim no "futuro próximo", que faz garantir os resultados a atingir pelas Escolas com base nos resultados das Provas de Aferição.
Se tivermos em conta o estado bastante inflacionado dos resultados, podemos, desde já, imaginar o esforço hercúleo que as escolas terão para suplantar os valores que, por "obrigação" administrativa, tiveram de apresentar. Quer isto dizer que, por exemplo, as escolas terão como valores de referência (para a "melhoria dos resultados escolares dos alunos") valores completamente inalcançáveis.
Posto isto, resta-me dizer: e nós, estamos à espera de quê?
Das novidades esperadas, poucas (ou nenhuma, para ser sincero) surpreendem. Contudo, há uma ou duas questões que nos podem (devem) assustar.
A primeira (e para mim mais pertinente) prende-se com o "objectivo" de "aumentar e melhorar os resultados escolares dos alunos". Este objectivo, sem dúvida adequado, vem, no entanto, "embrulhado" num presente explosivo: faz-se depender os níveis de partida dos resultados das provas de aferição.
Até aqui, para um leigo, julgo não existir qualquer tipo de problema.
Mas, se quisermos ir um pouco mais ao fundo, e, principalmente se conhecermos algumas das premissas que consubstanciaram a existência de provas de aferição, não podemos deixar de nos preocupar.
As provas de aferição, apresentadas, na sua génese como uma forma de "aferir" as aprendizagens dos alunos em diversos momentos da sua frequência escolar, foram, num primeiro tempo, "construídas" como elementos avaliativos de "menor importância". Posteriormente, com o surgimento da regulamentação do modelo de Avaliação de Desempenho dos Docentes, foram apontadas como elementos contributivos.
Após a contestação que tal procedimento motivou, o Ministério da Educação recuou e deu por "dispensáveis" estes elementos de avaliação.
Contudo, porque havia que enviar dados para a Europa, continuaram a realizar-se e (aqui é que é importante parar!) de certa forma, porque seria importante maquilhar os números (subsídios "oblige"!), organizaram-se de forma a "simplificar" e "inflacionar" os resultados reais.
Quem esteve envolvido nos imensos grupos de correctores, supervisores e acompanhantes, sabe que a "ordem" era (é!) para "subir", ou seja, "em caso de dúvida, favorece-se o aluno". Claro está que, neste momento nem me interessa discorrer sobre as "enormidades" que daí advieram, com especial enfoque nas "actualizações conceptuais", que, em alguns casos tornaram credíveis e acertadas lógicas e procedimentos que, desde sempre, foram considerados errados e negativamente "educativos"...
Mas, como escrevia, o que me assusta não é tanto as questões das "enormidades" nas próprias provas e no processo de elaboração/execução, mas sim no "futuro próximo", que faz garantir os resultados a atingir pelas Escolas com base nos resultados das Provas de Aferição.
Se tivermos em conta o estado bastante inflacionado dos resultados, podemos, desde já, imaginar o esforço hercúleo que as escolas terão para suplantar os valores que, por "obrigação" administrativa, tiveram de apresentar. Quer isto dizer que, por exemplo, as escolas terão como valores de referência (para a "melhoria dos resultados escolares dos alunos") valores completamente inalcançáveis.
Posto isto, resta-me dizer: e nós, estamos à espera de quê?
3 de setembro de 2010
5 Mitos sobre "Complexos Escolares"...
Muito se tem falado, por estes últimos dias e na sequência do encerramento de (tantas!) escolas, nomeadamente no já desertificado interior rural do país, dos Complexos Escolares.
Sem dúvida que, na maior parte dos casos, devemos reconhecer que os custos associados à manutenção de espaços, equipamentos e pessoal, bem como à rentabilização social e pedagógica do investimento são, à luz dos "novos" parâmetros económicos (ou economicistas!), desnecessários e até de evitar.
Contudo, esta "normalização económica" faz com que as velhinhas "escolas" do Plano Centenário, as P3 ou mesmo as escolas da República que, em alguns casos, durante mais de 50 anos se mantiveram como efectivo centro cultural e social de um determinado local, fiquem, literalmente, votadas ao abandono.
Esta é, talvez, uma das análises a fazer, no que concerne às questões associadas ao problema da "desertificação".
Contudo, e após prática de cinco anos em "Complexos Escolares", que, grosso modo, dou como positiva, levantam-se algumas questões que resolvi considerar como Mitos Associados aos Complexos Escolares.
A ver:
Mito 1. Os complexos escolares disponibilizam melhores espaços.
Não sendo completamente errada esta afirmação, há, contudo, que fazer algumas ressalvas, nomeadamente no que diz respeito à qualidade dos espaços, à sua adequação e adaptação.
Acredito que as equipas que os planeiam, organizam e constroem estão imbuídas de nobres intenções, contudo (e claro que falo apenas da minha experiência) falta alguma sensibilidade pedagógica e mesmo social na sua concepção.
Como "casos concretos", apresento apenas algumas "questões" que vale a pena reflectir: porque é que, na maior parte das vezes, os espaços (salas) dedicados a actividades de complementos educativo (prolongamentos, ATL, CAF, etc.) são espaços mal equipados, distantes da entrada/saída dos edifícios (tendo em conta que, será, teoricamente nestes espaços que se fará a recepção/entrega dos alunos) e, normalmente insuficientes para a totalidade dos alunos que o vão frequentar (se considerarmos, num complexo escolar de média dimensão - cerca de 300 alunos - que a(s) sala(s) dedicadas a estas actividades têm, no máximo 60mt2 para cerca de 20% dos alunos, ou seja, cerca de 60 alunos, significará menos de 1mt2 por aluno)?
Ou, em alternativa, a questão de acessibilidade: quando se juntam salas de pré-escolar e de primeiro ciclo na mesma escola, com, normalmente as primeiras a ocuparem os pisos térreos, porque então colocar "serviços" (biblioteca, salas de informática, etc.) nos pisos superiores?
Impedem um fácil acesso e tornam-se "pouco utilizados".
Mito 2. Os complexos escolares dispõem de melhor equipamento
Sem dúvida que, na maior parte das vezes, o equipamento disponível é melhor adequado e em maior quantidade, contudo, as "salas de informática", as bibliotecas, os refeitórios e outros espaços "multidisciplinares" e multifuncionais pecam pela necessidade de manutenção e gestão que, na maior parte das vezes é inexistente ou desadequada.
Veja-se o caso das salas de informática. Com equipamentos "avançados" (nas palavras dos gestores), mas, normalmente, mal organizados e com questões complexas de gestão. A organização e manutenção é assegurada por técnicos autárquicos, correntemente sem qualquer formação pedagógica e "com pouco tempo" para assegurar um efectivo acompanhamento; as salas não são desenhadas de acordo com as necessidades educativas; não dispõem de equipamento acessível a todos (especialmente nos casos de alunos com Necessidades Educativas) e, na maior parte das vezes, nem sequer "funcionam" como espaços pedagógicos.
Há ainda a questão dos espaços de trabalho para docentes: normalmente deficitários em termos de equipamento, não promovem, por exemplo, uma efectiva articulação educativa, pois, globalmente, mantêm as características/paradigmas das escolas que lhes deram lugar: cada um no seu canto!
Mito 3. Os complexos escolares dispõem de mais pessoal
Este mito é, automaticamente, descredibilizado pelo tipo de "atribuição" de pessoal não docente às escolas: a partir do momento em que funciona o critério "rácio", as coisas complicam-se. Ou seja, de que forma é que, existindo um rácio suportado pelo número de alunos (e, dessa forma, presumindo que a existência de pessoal não-docente é, fundamentalmente, para apoio pedagógico) se limpam e mantêm espaços "extra" (bibliotecas, salas de apoio, salas de informática, refeitórios, etc...)?
Tomemos como exemplo um espaço de jardim de infância com três salas (75 alunos) incluído num complexo escolar: se existirem duas assistentes operacionais (rácio de 1 adulto por cada 40 crianças), para, fundamentalmente, se proceder ao apoio pedagógico educativo (5 horas lectivas diárias), quem mantém (limpa) o polidesportivo, a biblioteca, os WCs, etc.? Além de que os espaços comuns da escola são também utilizados por todos os alunos e famílias do jardim de infância...
Mito 4. Os complexos escolares disponibilizam melhores serviços de apoio
Sem dúvida que, se centrarmos a "oferta" de serviços nas questões da alimentação (refeições) e do acompanhamento extra-horário (prolongamentos, actividades de enriquecimento curricular, etc.), há uma melhoria efectiva que deve ser destacada, contudo, e mais uma vez (e até por algumas "razões" antes apresentadas), se falarmos de "serviços", não podemos descurar a qualidade da oferta destes serviços, e se tivermos em atenção que, na maior parte das vezes, os serviços que realmente se poderiam destacar são fornecidos por empresas, por técnicos com pouca (ou nenhuma) formação ou ainda por funcionários com também outras funções (ou até mesmo por docentes), chegaremos, facilmente, à conclusão que os "serviços" e a forma como são prestados não correspondem aos desejos antes enunciados.
Mito 5. Os complexos escolares favorecem a Articulação/Continuidade Educativa
Este é, talvez, o mito que o é apenas porque, neste momento, é ainda cedo para avaliar, efectivamente, a transversalidade da oferta e a efectiva articulação pedagógica conseguida.
No entanto (e mais uma vez refiro a minha prática), quando estes complexos escolares comportam, fisicamente, mais de um ciclo de ensino mas apresentam, na sua construção e organização, diversos espaços delimitados e confinados, é difícil, senão impossível, aproximar técnicos, docentes, alunos...
Se num complexo escolar com dois ciclos, há duas salas de professores, uma porta que divide, fisicamente, os espaços, uma gestão que "obriga" a um "pedido de licença" específico de utilização de espaços comuns ou ainda uma "discriminação" relativa ao uso de equipamentos e materiais (fotocopiadoras, faxes, etc...), então, a "articulação" (que deveria passar por uma efectiva aproximação entre profissionais), fica condicionada à partida...
Também para os alunos, que se vêem "obrigados" a viver em espaços (parques, recreios, etc.) distintos, a articulação (pessoal e social) com outros alunos e esquemas de funcionamento, não existirá.
Pelas "razões" que apresentei e outras mais que poderia referir, há, julgo eu, bastantes condicionantes (e meramente em termos pedagógicos e educativos) a uma efectiva "vantagem competitiva" dos novos espaços escolares.
Que estas reflexões possam ajudar a resolver problemas. Sinceramente que gostava.
Sem dúvida que, na maior parte dos casos, devemos reconhecer que os custos associados à manutenção de espaços, equipamentos e pessoal, bem como à rentabilização social e pedagógica do investimento são, à luz dos "novos" parâmetros económicos (ou economicistas!), desnecessários e até de evitar.
Contudo, esta "normalização económica" faz com que as velhinhas "escolas" do Plano Centenário, as P3 ou mesmo as escolas da República que, em alguns casos, durante mais de 50 anos se mantiveram como efectivo centro cultural e social de um determinado local, fiquem, literalmente, votadas ao abandono.
Esta é, talvez, uma das análises a fazer, no que concerne às questões associadas ao problema da "desertificação".
Contudo, e após prática de cinco anos em "Complexos Escolares", que, grosso modo, dou como positiva, levantam-se algumas questões que resolvi considerar como Mitos Associados aos Complexos Escolares.
A ver:
Mito 1. Os complexos escolares disponibilizam melhores espaços.
Não sendo completamente errada esta afirmação, há, contudo, que fazer algumas ressalvas, nomeadamente no que diz respeito à qualidade dos espaços, à sua adequação e adaptação.
Acredito que as equipas que os planeiam, organizam e constroem estão imbuídas de nobres intenções, contudo (e claro que falo apenas da minha experiência) falta alguma sensibilidade pedagógica e mesmo social na sua concepção.
Como "casos concretos", apresento apenas algumas "questões" que vale a pena reflectir: porque é que, na maior parte das vezes, os espaços (salas) dedicados a actividades de complementos educativo (prolongamentos, ATL, CAF, etc.) são espaços mal equipados, distantes da entrada/saída dos edifícios (tendo em conta que, será, teoricamente nestes espaços que se fará a recepção/entrega dos alunos) e, normalmente insuficientes para a totalidade dos alunos que o vão frequentar (se considerarmos, num complexo escolar de média dimensão - cerca de 300 alunos - que a(s) sala(s) dedicadas a estas actividades têm, no máximo 60mt2 para cerca de 20% dos alunos, ou seja, cerca de 60 alunos, significará menos de 1mt2 por aluno)?
Ou, em alternativa, a questão de acessibilidade: quando se juntam salas de pré-escolar e de primeiro ciclo na mesma escola, com, normalmente as primeiras a ocuparem os pisos térreos, porque então colocar "serviços" (biblioteca, salas de informática, etc.) nos pisos superiores?
Impedem um fácil acesso e tornam-se "pouco utilizados".
Mito 2. Os complexos escolares dispõem de melhor equipamento
Sem dúvida que, na maior parte das vezes, o equipamento disponível é melhor adequado e em maior quantidade, contudo, as "salas de informática", as bibliotecas, os refeitórios e outros espaços "multidisciplinares" e multifuncionais pecam pela necessidade de manutenção e gestão que, na maior parte das vezes é inexistente ou desadequada.
Veja-se o caso das salas de informática. Com equipamentos "avançados" (nas palavras dos gestores), mas, normalmente, mal organizados e com questões complexas de gestão. A organização e manutenção é assegurada por técnicos autárquicos, correntemente sem qualquer formação pedagógica e "com pouco tempo" para assegurar um efectivo acompanhamento; as salas não são desenhadas de acordo com as necessidades educativas; não dispõem de equipamento acessível a todos (especialmente nos casos de alunos com Necessidades Educativas) e, na maior parte das vezes, nem sequer "funcionam" como espaços pedagógicos.
Há ainda a questão dos espaços de trabalho para docentes: normalmente deficitários em termos de equipamento, não promovem, por exemplo, uma efectiva articulação educativa, pois, globalmente, mantêm as características/paradigmas das escolas que lhes deram lugar: cada um no seu canto!
Mito 3. Os complexos escolares dispõem de mais pessoal
Este mito é, automaticamente, descredibilizado pelo tipo de "atribuição" de pessoal não docente às escolas: a partir do momento em que funciona o critério "rácio", as coisas complicam-se. Ou seja, de que forma é que, existindo um rácio suportado pelo número de alunos (e, dessa forma, presumindo que a existência de pessoal não-docente é, fundamentalmente, para apoio pedagógico) se limpam e mantêm espaços "extra" (bibliotecas, salas de apoio, salas de informática, refeitórios, etc...)?
Tomemos como exemplo um espaço de jardim de infância com três salas (75 alunos) incluído num complexo escolar: se existirem duas assistentes operacionais (rácio de 1 adulto por cada 40 crianças), para, fundamentalmente, se proceder ao apoio pedagógico educativo (5 horas lectivas diárias), quem mantém (limpa) o polidesportivo, a biblioteca, os WCs, etc.? Além de que os espaços comuns da escola são também utilizados por todos os alunos e famílias do jardim de infância...
Mito 4. Os complexos escolares disponibilizam melhores serviços de apoio
Sem dúvida que, se centrarmos a "oferta" de serviços nas questões da alimentação (refeições) e do acompanhamento extra-horário (prolongamentos, actividades de enriquecimento curricular, etc.), há uma melhoria efectiva que deve ser destacada, contudo, e mais uma vez (e até por algumas "razões" antes apresentadas), se falarmos de "serviços", não podemos descurar a qualidade da oferta destes serviços, e se tivermos em atenção que, na maior parte das vezes, os serviços que realmente se poderiam destacar são fornecidos por empresas, por técnicos com pouca (ou nenhuma) formação ou ainda por funcionários com também outras funções (ou até mesmo por docentes), chegaremos, facilmente, à conclusão que os "serviços" e a forma como são prestados não correspondem aos desejos antes enunciados.
Mito 5. Os complexos escolares favorecem a Articulação/Continuidade Educativa
Este é, talvez, o mito que o é apenas porque, neste momento, é ainda cedo para avaliar, efectivamente, a transversalidade da oferta e a efectiva articulação pedagógica conseguida.
No entanto (e mais uma vez refiro a minha prática), quando estes complexos escolares comportam, fisicamente, mais de um ciclo de ensino mas apresentam, na sua construção e organização, diversos espaços delimitados e confinados, é difícil, senão impossível, aproximar técnicos, docentes, alunos...
Se num complexo escolar com dois ciclos, há duas salas de professores, uma porta que divide, fisicamente, os espaços, uma gestão que "obriga" a um "pedido de licença" específico de utilização de espaços comuns ou ainda uma "discriminação" relativa ao uso de equipamentos e materiais (fotocopiadoras, faxes, etc...), então, a "articulação" (que deveria passar por uma efectiva aproximação entre profissionais), fica condicionada à partida...
Também para os alunos, que se vêem "obrigados" a viver em espaços (parques, recreios, etc.) distintos, a articulação (pessoal e social) com outros alunos e esquemas de funcionamento, não existirá.
Pelas "razões" que apresentei e outras mais que poderia referir, há, julgo eu, bastantes condicionantes (e meramente em termos pedagógicos e educativos) a uma efectiva "vantagem competitiva" dos novos espaços escolares.
Que estas reflexões possam ajudar a resolver problemas. Sinceramente que gostava.
1 de setembro de 2010
Porquê ir "para fora cá dentro"?
A pergunta que faço, no título deste post, deve-se às experiências que me foram concedidas neste período de férias.
Por opção (forçada, mas opção), dediquei estes (poucos) dias de descanso profissional a "visitar" o que por cá temos. Devo dizer, antes de mais, que me orgulho de conhecer bastante bem o nosso país (que desde cedo escolhi conhecer) e, em alguns casos, o que optei por fazer este ano foi "revisitar" alguns sítios que não visitava há bastante tempo.
Apesar de ter começado por locais tão distantes como Caminha ou Sobral de Monte Agraço (só para lá chegar foram quase 45 minutos!), o que me chocou mais foi mesmo visitar o Castelo de S. Jorge.
Começando: já não ia visitar o local há cerca de dez anos. As memórias que dele tinham eram, apesar disso, bastante presentes. Lembrava-o como um local interessante mas um tudo nada "parado". Ou seja: um local que merece uma visita esporádica, nesse intervalo de tempo. É interessante "ver" Lisboa desse ângulo...
O que não esperava era que me pedissem sete euros (!) para aceder ao seu interior. E ainda menos esperava que se mantivesse tudo (mas absolutamente tudo!) na mesma.
É inacreditável o elevado preço para nem sequer existirem umas placas descritivas, ou algum tipo de animação, ou mesmo algo por que o preço valha...
Começa tudo na bilheteira: um conjunto de diferentes "modelos" de bilhete (com exclusão de professores que, como eu, pretendam, também, preparar uma possível visita pedagógica com os seus alunos), no qual apenas os residentes no Concelho de Lisboa têm entrada gratuita (azar o meu que resido em Odivelas!). Dos muitos "tipos" de bilhetes, nem um que pudesse "favorecer" um visitante como eu: que até convidei uns amigos para me acompanharem, e, por isso, senti-me na obrigação de lhes pagar a entrada...
Depois, lá dentro, uma imensa pobreza paisagística: apenas as fabulosas vistas de Lisboa (que, contudo, são igualmente esplendorosas a partir do "gratuito" Jardim do Príncipe Real), mas tudo o resto, decididamente, inócuo e repetitivo. O castelo de Beja, apesar de despojado de "animação", está bem melhor. E a visita é gratuita.
Por último, apenas uma esplanada (integrada no restaurante do local) onde me pediram dois euros por uma garrafa de água de 33cl...
Mas para acabar em grande, a visita pelo bairro do Castelo (que me mostrou um Teatro Romano cada vez mais votado ao abandono), grosso modo, mal cuidado e pouco "turístico (com o miradouro João Castilho votado ao abandono e à degradação) culminou no pagamento da módica quantia de 4.90€ de parque, por duas horas de "visita"...
Tudo somado, o dia saiu-me por muito mais do que uma diária na República Dominicana na tarifa "tudo incluído"... E no Castelo de S. Jorge nem sequer passei a noite...
Não fossem as "mais-valias" de um "passeio" a Caminha, onde ainda é possível aproveitar, quase gratuitamente, das excelentes condições de visita e animação (além de óptimas paisagens, cuidadas e mantidas), o "ir para fora cá dentro" deixaria muito a desejar... (e nem falo no Algarve, em Torres Vedras ou no Cartaxo, por onde também andei...).
Se me sentisse bem, poderia, de certeza, ter deixado umas migalhas nos cofres das empresas (e instituições) portuguesas e, dessa forma, contribuir também com um pequeno quinhão para a recuperação económica nacional, mas, assim, a coragem não é muita.
Juro que não gastarei muito mais dinheiro a "ir para fora cá dentro". Na realidade, e apesar de defender até à exaustão o que de tão bom temos, começo a ficar cansado de que não olhem por nós. Se calhar tenho de imigrar, para que tudo me pareça mais belo quando voltar...
Tenho pena. Muita pena!
Por opção (forçada, mas opção), dediquei estes (poucos) dias de descanso profissional a "visitar" o que por cá temos. Devo dizer, antes de mais, que me orgulho de conhecer bastante bem o nosso país (que desde cedo escolhi conhecer) e, em alguns casos, o que optei por fazer este ano foi "revisitar" alguns sítios que não visitava há bastante tempo.
Apesar de ter começado por locais tão distantes como Caminha ou Sobral de Monte Agraço (só para lá chegar foram quase 45 minutos!), o que me chocou mais foi mesmo visitar o Castelo de S. Jorge.
Começando: já não ia visitar o local há cerca de dez anos. As memórias que dele tinham eram, apesar disso, bastante presentes. Lembrava-o como um local interessante mas um tudo nada "parado". Ou seja: um local que merece uma visita esporádica, nesse intervalo de tempo. É interessante "ver" Lisboa desse ângulo...
O que não esperava era que me pedissem sete euros (!) para aceder ao seu interior. E ainda menos esperava que se mantivesse tudo (mas absolutamente tudo!) na mesma.
É inacreditável o elevado preço para nem sequer existirem umas placas descritivas, ou algum tipo de animação, ou mesmo algo por que o preço valha...
Começa tudo na bilheteira: um conjunto de diferentes "modelos" de bilhete (com exclusão de professores que, como eu, pretendam, também, preparar uma possível visita pedagógica com os seus alunos), no qual apenas os residentes no Concelho de Lisboa têm entrada gratuita (azar o meu que resido em Odivelas!). Dos muitos "tipos" de bilhetes, nem um que pudesse "favorecer" um visitante como eu: que até convidei uns amigos para me acompanharem, e, por isso, senti-me na obrigação de lhes pagar a entrada...
Depois, lá dentro, uma imensa pobreza paisagística: apenas as fabulosas vistas de Lisboa (que, contudo, são igualmente esplendorosas a partir do "gratuito" Jardim do Príncipe Real), mas tudo o resto, decididamente, inócuo e repetitivo. O castelo de Beja, apesar de despojado de "animação", está bem melhor. E a visita é gratuita.
Por último, apenas uma esplanada (integrada no restaurante do local) onde me pediram dois euros por uma garrafa de água de 33cl...
Mas para acabar em grande, a visita pelo bairro do Castelo (que me mostrou um Teatro Romano cada vez mais votado ao abandono), grosso modo, mal cuidado e pouco "turístico (com o miradouro João Castilho votado ao abandono e à degradação) culminou no pagamento da módica quantia de 4.90€ de parque, por duas horas de "visita"...
Tudo somado, o dia saiu-me por muito mais do que uma diária na República Dominicana na tarifa "tudo incluído"... E no Castelo de S. Jorge nem sequer passei a noite...
Não fossem as "mais-valias" de um "passeio" a Caminha, onde ainda é possível aproveitar, quase gratuitamente, das excelentes condições de visita e animação (além de óptimas paisagens, cuidadas e mantidas), o "ir para fora cá dentro" deixaria muito a desejar... (e nem falo no Algarve, em Torres Vedras ou no Cartaxo, por onde também andei...).
Se me sentisse bem, poderia, de certeza, ter deixado umas migalhas nos cofres das empresas (e instituições) portuguesas e, dessa forma, contribuir também com um pequeno quinhão para a recuperação económica nacional, mas, assim, a coragem não é muita.
Juro que não gastarei muito mais dinheiro a "ir para fora cá dentro". Na realidade, e apesar de defender até à exaustão o que de tão bom temos, começo a ficar cansado de que não olhem por nós. Se calhar tenho de imigrar, para que tudo me pareça mais belo quando voltar...
Tenho pena. Muita pena!
5 de agosto de 2010
Não há longe, nem distância...
Hoje relembrei o título de um livro do Richard Bach que li nos "fulgores" da minha adolescência...
Já não o lembrava, mas, quando se recuperam memórias de amigos, de "prazeres", de momentos, tudo funciona como uma espécie de "marcador".
É, sem dúvida, uma verdade inquestionável: Não há longe, nem distância!
E que bom é confirmar isso. Está tudo tão perto. Tão docemente perto. Os sons, os cheiros. As "vibrações" dos momentos vividos.
Voar para perto dos que nos querem e a quem nós queremos não é assim tão difícil.
Façamo-lo!
Já não o lembrava, mas, quando se recuperam memórias de amigos, de "prazeres", de momentos, tudo funciona como uma espécie de "marcador".
É, sem dúvida, uma verdade inquestionável: Não há longe, nem distância!
E que bom é confirmar isso. Está tudo tão perto. Tão docemente perto. Os sons, os cheiros. As "vibrações" dos momentos vividos.
Voar para perto dos que nos querem e a quem nós queremos não é assim tão difícil.
Façamo-lo!
1 de agosto de 2010
Ler, Ver, Sentir...
Hoje não me apetece ler.
É raro o dia em que não me apeteça fazê-lo.
E sinto-me triste, melancólico, desinteressado por não querer fazê-lo.
Os livros (e as revistas e os jornais, e os folhetos e as legendas...) fazem parte daquele tipo de "instituições" sem as quais não posso viver. É nos livros (ou melhor, nos "escritos") que encontro, quase sempre, aquela força, aquela vontade de continuar. Aquela capacidade de suportar, de imaginar que o melhor está a chegar.
Mas hoje não me apetece ler.
Porque será?
Espero que me passe depressa esta não-vontade e que tudo se recomponha.
Sinto-me estranho por isto...
É raro o dia em que não me apeteça fazê-lo.
E sinto-me triste, melancólico, desinteressado por não querer fazê-lo.
Os livros (e as revistas e os jornais, e os folhetos e as legendas...) fazem parte daquele tipo de "instituições" sem as quais não posso viver. É nos livros (ou melhor, nos "escritos") que encontro, quase sempre, aquela força, aquela vontade de continuar. Aquela capacidade de suportar, de imaginar que o melhor está a chegar.
Mas hoje não me apetece ler.
Porque será?
Espero que me passe depressa esta não-vontade e que tudo se recomponha.
Sinto-me estranho por isto...
22 de julho de 2010
"Mudar as regras"...
Ontem ouvi o Ministro Adjunto (Pedro da Silva Pereira) afirmar, entusiasticamente e com toda a "certeza" do seu ser, em relação à proposta do PSD de Revisão Constitucional, que "mudar as regras do jogo a meio não faz parte da consciência política deste Governo"...
Será que se esqueceu que foi o "seu" Governo que alterou, "a meio do jogo", a idade da reforma, o sistema de avaliação dos funcionários públicos (professores incluídos), as regras para acesso aos serviços (mínimos) de saúde, a organização do mapa de escolas, o atendimento (de segurança) às populações...
Claro está (como eu sempre aqui defendi) que as mudanças, globalmente, são boas. Mas uma coisa é fazerem-se "porque sim", outra coisa é ter o período adequado para as reflectir e, se necessário, integrar.
Ou seja, mudar as regras a meio do jogo: Sim! Mas se todos os jogadores as analisarem e integrarem em devido tempo. E acima de tudo, que haja um consenso generalizados sobre as suas mais-valias...
Será que se esqueceu que foi o "seu" Governo que alterou, "a meio do jogo", a idade da reforma, o sistema de avaliação dos funcionários públicos (professores incluídos), as regras para acesso aos serviços (mínimos) de saúde, a organização do mapa de escolas, o atendimento (de segurança) às populações...
Claro está (como eu sempre aqui defendi) que as mudanças, globalmente, são boas. Mas uma coisa é fazerem-se "porque sim", outra coisa é ter o período adequado para as reflectir e, se necessário, integrar.
Ou seja, mudar as regras a meio do jogo: Sim! Mas se todos os jogadores as analisarem e integrarem em devido tempo. E acima de tudo, que haja um consenso generalizados sobre as suas mais-valias...
Tempos cheios
Há muito que por aqui não parava...
Têm sido dias cheios, intensos, demorados, em alguns casos, irracionais. Sem tempo para parar. Sem tempo para pensar. Sem tempo para agir...
Tem-me movido a vontade de avançar, independentemente dos precalços, das dúvidas, das incertezas.
Dou por mim a reagir em vez de agir. E isso não é uma característica minha.
Mas espero que a chegada das férias, do tempo morno de suavidade e de "calorzinho bom" me ajudem a re-equilibrar os níveis.
Espero que sim.
Não sei se sim, mas espero que sim!
Até já!
Têm sido dias cheios, intensos, demorados, em alguns casos, irracionais. Sem tempo para parar. Sem tempo para pensar. Sem tempo para agir...
Tem-me movido a vontade de avançar, independentemente dos precalços, das dúvidas, das incertezas.
Dou por mim a reagir em vez de agir. E isso não é uma característica minha.
Mas espero que a chegada das férias, do tempo morno de suavidade e de "calorzinho bom" me ajudem a re-equilibrar os níveis.
Espero que sim.
Não sei se sim, mas espero que sim!
Até já!
20 de maio de 2010
Datas Marcantes...
Chega amanhã mais uma daquela que dizem ser "uma data marcante".
Comemorarei mais um aniversário.
E já lá vão alguns.
Costuma dizer-se (não eu!) que a idade nos traz uma paz, uma "certa forma" de ser e de estar...
Sou educador de infância com muito orgulho e com enorme vontade de aprender, diariamente, a sê-lo (e fazê-lo) cada vez melhor.
Nesse aspecto, sinto que os "mais anos de vida" me afastam, por vezes, do essencial: tenho como objectivo profissional ser, cada vez mais, uma criança em estado puro de prazer e brincadeira.
Só assim, sinto, serei um profissional aceitável.
Pergunto-me muitas vezes porque nos esquecemos nós do prazer da nossa infância: das árvores que subimos, das quedas que demos, dos "ralhetes" de que fomos vítimas...
Não terão sido (todos esses "incidentes críticos") fundamentais para o que somos hoje?
Porque razão negar, então, àqueles que hoje acompanhamos, o prazer do lúdico, da descoberta, da experimentação, da desilusão?...
Não estaremos a proteger demasiado aqueles que nos são essenciais?
Que dirão eles, daqui a uns anos, quando comemorarem os seus (muitos) aniversários?
Que não fizeram, que não sentiram, que não puderam ser e estar...
Nesta data de aniversário, mais do que pensar em mim e na minha experiência, pensarei naqueles que, todo so dia, me enchem os anos de ternura, de prazer, de descoberta: os meus alunos.
E terei a certeza que, quantos mais anos terei, mais próximo deles quererei estar.
Os meus Parabéns a todos eles. Por não desistirem, apesar das condições...
Comemorarei mais um aniversário.
E já lá vão alguns.
Costuma dizer-se (não eu!) que a idade nos traz uma paz, uma "certa forma" de ser e de estar...
Sou educador de infância com muito orgulho e com enorme vontade de aprender, diariamente, a sê-lo (e fazê-lo) cada vez melhor.
Nesse aspecto, sinto que os "mais anos de vida" me afastam, por vezes, do essencial: tenho como objectivo profissional ser, cada vez mais, uma criança em estado puro de prazer e brincadeira.
Só assim, sinto, serei um profissional aceitável.
Pergunto-me muitas vezes porque nos esquecemos nós do prazer da nossa infância: das árvores que subimos, das quedas que demos, dos "ralhetes" de que fomos vítimas...
Não terão sido (todos esses "incidentes críticos") fundamentais para o que somos hoje?
Porque razão negar, então, àqueles que hoje acompanhamos, o prazer do lúdico, da descoberta, da experimentação, da desilusão?...
Não estaremos a proteger demasiado aqueles que nos são essenciais?
Que dirão eles, daqui a uns anos, quando comemorarem os seus (muitos) aniversários?
Que não fizeram, que não sentiram, que não puderam ser e estar...
Nesta data de aniversário, mais do que pensar em mim e na minha experiência, pensarei naqueles que, todo so dia, me enchem os anos de ternura, de prazer, de descoberta: os meus alunos.
E terei a certeza que, quantos mais anos terei, mais próximo deles quererei estar.
Os meus Parabéns a todos eles. Por não desistirem, apesar das condições...
10 de maio de 2010
Ficar....
A situação dos que ficam é sempre mais triste do que a dos que partem. Partir é um movimento que se dissipa, e nada distrai as pessoas que ficam
Pierre Marivaux
Ficar.
Imaginar que tudo vai ser diferente. Que tudo se transformará, como se de um fenómeno de renovação se tratasse.
Ficar.
Imaginar que há o alento de potenciar a mudança. De provocar o caos que restabeleça o caminho.
Ficar.
Imaginar que o caminho acabou, e não ter forças para o retomar.
Ficar.
Sentir que o fim é "ali".
Ficar.
E depois?
Acreditar no que dizem os "entendidos"? Assumir que ficar é o princípio do caminho? Saber que a imobilidade é desestruturante?
E depois?
Ficar é sempre ficar...
2 de maio de 2010
Mudanças...
Por mais de uma vez reflecti, neste espaço, sobre a(s) Mudança(s).
Reconheço, com cada vez maior pertinência, que o estado natural do ser humano é o de mudança.
Mudam as dinâmicas, as lógicas, as vontades, até as células mudam.
Mas para que as mudanças sejam reconhecidas sinto, cada vez mais, que tem de partir de cada um de nós a vontade de as aceitar. Esperamos pelo "clique" significativo. Pelo "sinal" que nos impõe um desvio na direcção que (achamos nós) é a correcta.
E esse processo não é fácil.
Nem sequer simples.
Mudar significa, também, deixar de aceitar como certo tudo aquilo que foi a nossa construção cultural, social, pessoal...
E, se não formos "assim tão novos", a mudança implica ainda mais uma sensação de desconforto que se torna imobilizadora, agressiva, difícil...
Mudar, no fundo, é escolher um caminho desconhecido, mas acreditar que ele nos levará ao nosso objectivo.
É deixar-mo-nos guiar pelo inconstante, pelo incerto, pelo oculto, mas sabermos que lá chegaremos.
Mudar é acreditar!
Mudemos, então...
Reconheço, com cada vez maior pertinência, que o estado natural do ser humano é o de mudança.
Mudam as dinâmicas, as lógicas, as vontades, até as células mudam.
Mas para que as mudanças sejam reconhecidas sinto, cada vez mais, que tem de partir de cada um de nós a vontade de as aceitar. Esperamos pelo "clique" significativo. Pelo "sinal" que nos impõe um desvio na direcção que (achamos nós) é a correcta.
E esse processo não é fácil.
Nem sequer simples.
Mudar significa, também, deixar de aceitar como certo tudo aquilo que foi a nossa construção cultural, social, pessoal...
E, se não formos "assim tão novos", a mudança implica ainda mais uma sensação de desconforto que se torna imobilizadora, agressiva, difícil...
Mudar, no fundo, é escolher um caminho desconhecido, mas acreditar que ele nos levará ao nosso objectivo.
É deixar-mo-nos guiar pelo inconstante, pelo incerto, pelo oculto, mas sabermos que lá chegaremos.
Mudar é acreditar!
Mudemos, então...
28 de abril de 2010
Acordos...
Devo começar por escrever que, neste momento em que, sentado com o portátil à frente, me transformo em palavras, sinto como que uma comunhão com o Mundo (com o meu desejado Mundo), patente na minha expressão de aligeirada loucura.
Tudo isto porque tive a oportunidade de presenciar (em óptima companhia) e usufruir de um tempo de prazer inigualável, concedido pelo José Eduardo Agualusa (com excelente acompanhamento do Carlos Vaz Marques) no "Café com Letras" na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Poderia estar para aqui a escrever sobre múltiplas incidências desta conversa-quase-lição-e-também-sobremesa, mas seriam tantas que me perderia, quase de certeza.
Mas aproveito este post para reflectir (em "voz" alta) sobre uma das questões abordadas e que foi, talvez, a mais polémica.
A páginas tantas entrámos pelas análises à questão da lusofonia e, principalmente, do Acordo Ortográfico. O Agualusa, que tem o condão de dizer, tão bem, o que muitos de nós pensamos mas somos incapazes de verbalizar, justificou, de forma cabal e devidamente contextualizada, a necessidade de existência do acordo. E apesar das muitas sugestões de reflexão/compreensão, a que mais fundo me tocou prende-se com a petulância e arrogância de um pequeno grupo (portugueses) em relação à maioria (de mais de 90%) dos falantes.
Reflectia ele que a Língua Portuguesa é muito mais do que ortografia e que é a cultura imbuída, que nasce na diferença e na capacidade única de incorporar, que dá razão de ser a uma língua, no âmbito da união e da partilha social e cultural. Logo, qualquer Acordo que regule a terminologia ortográfica é "pormenor de somenos importância". Como exemplo, falou-nos do Euro, que dois dias antes de se tornar "cidadão de pleno direito da Europa", provocou cataclismos há muito (agora) esquecidos.
Neste âmbito, os Acordos (quaisquer que sejam), apenas regulam uma parte do todo, e se puderem ser entendidos de forma conveniente (e deixando de lado a arrogância natural daqueles que querem fechar em si a razão de qualquer existência), não afectam o fundamental: a Língua Portuguesa é muito mais do que a soma de muitas partes.
Por tal, e parafraseando o Agualusa, "O conceito de Lusofonia não pode encerrar em si a ideia de "origem". Por si, o termo é incompleto. Mas não tenho outro melhor...."
Mas, nas minhas palavras, também concordo que, "fechar" num termo cuja origem define a "fonia" (de fonética, de som) todo um espaço de cumplicidade, partilha, irmandade, é redutor...
Mas valerá a pena pensar nisto!
Tudo isto porque tive a oportunidade de presenciar (em óptima companhia) e usufruir de um tempo de prazer inigualável, concedido pelo José Eduardo Agualusa (com excelente acompanhamento do Carlos Vaz Marques) no "Café com Letras" na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Poderia estar para aqui a escrever sobre múltiplas incidências desta conversa-quase-lição-e-também-sobremesa, mas seriam tantas que me perderia, quase de certeza.
Mas aproveito este post para reflectir (em "voz" alta) sobre uma das questões abordadas e que foi, talvez, a mais polémica.
A páginas tantas entrámos pelas análises à questão da lusofonia e, principalmente, do Acordo Ortográfico. O Agualusa, que tem o condão de dizer, tão bem, o que muitos de nós pensamos mas somos incapazes de verbalizar, justificou, de forma cabal e devidamente contextualizada, a necessidade de existência do acordo. E apesar das muitas sugestões de reflexão/compreensão, a que mais fundo me tocou prende-se com a petulância e arrogância de um pequeno grupo (portugueses) em relação à maioria (de mais de 90%) dos falantes.
Reflectia ele que a Língua Portuguesa é muito mais do que ortografia e que é a cultura imbuída, que nasce na diferença e na capacidade única de incorporar, que dá razão de ser a uma língua, no âmbito da união e da partilha social e cultural. Logo, qualquer Acordo que regule a terminologia ortográfica é "pormenor de somenos importância". Como exemplo, falou-nos do Euro, que dois dias antes de se tornar "cidadão de pleno direito da Europa", provocou cataclismos há muito (agora) esquecidos.
Neste âmbito, os Acordos (quaisquer que sejam), apenas regulam uma parte do todo, e se puderem ser entendidos de forma conveniente (e deixando de lado a arrogância natural daqueles que querem fechar em si a razão de qualquer existência), não afectam o fundamental: a Língua Portuguesa é muito mais do que a soma de muitas partes.
Por tal, e parafraseando o Agualusa, "O conceito de Lusofonia não pode encerrar em si a ideia de "origem". Por si, o termo é incompleto. Mas não tenho outro melhor...."
Mas, nas minhas palavras, também concordo que, "fechar" num termo cuja origem define a "fonia" (de fonética, de som) todo um espaço de cumplicidade, partilha, irmandade, é redutor...
Mas valerá a pena pensar nisto!
20 de abril de 2010
Mestres...
"Ser mestre não é de modo algum um emprego e a sua actividade não se pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro"
Agostinho da Silva
Há sempre coincidências que são inexplicáveis.
Andando eu em "leituras" desconexas, eis que encontro esta citação do professor Agostinho da Silva.
Poderia (e tenho vontade disso) discorrer sobre os conceitos, os princípios, os objectivos e a intencionalidade de tal frase, mas como a acho absolutamente completa, deixa-la-ei "falar" por si.
Sem mais delongas!
2 de abril de 2010
Às vezes...
Às vezes, achamos que "tudo está mal!".
Outras, julgamos que "está tudo contra nós!".
Na maior parte das vezes, fingimos acreditar que há como que uma "ordem geral" que define o nosso passado, age no nosso presente e condiciona o nosso futuro.
Mas, invariavelmente, acreditamos na "sorte" e no "acaso".
Porque em Educação o "acaso" e a "sorte" são conceitos pouco compreensíveis, perdemos bastante tempo a achar que "não nos é possível" fazer a mudança.
Mudar implica, antes de mais, acreditar. Acreditar que é possível.
Claro está que, para compreendermos a possibilidade de mudar temos de nos tornar proactivos e geradores da mudança. Das pequenas mudanças.
Saído recentemente de uma reunião de docentes, e apesar dos assuntos "escalpelizados", e das propostas de mudança, ficou-me nítida a sensação de que, para mudar, não basta querer. É necessário acreditar na mudança.
A atitude passiva, o discurso destrutivo ou desadequado, a opinião inconsequente, a reflexão oca são, infelizmente, "notas" importantes em reuniões de e com docentes.
Por mais que exista quem, de forma sincera, opte por uma atitude disruptiva e consequente com as suas práticas, tende-se a desvalorizar o benefício da mudança em nome de uma determinada "forma de fazer".
Até quando?
Até quando continuaremos a "fazer de conta" que o Bullying (por exemplo) ou a Indisciplina, ou a incapacidade de aprender não é só "culpa" dos outros?
Quando é que chegaremos à conclusão de que, enquanto docentes, somos também, de certa forma, culpados...
E não teremos de mudar?
Outras, julgamos que "está tudo contra nós!".
Na maior parte das vezes, fingimos acreditar que há como que uma "ordem geral" que define o nosso passado, age no nosso presente e condiciona o nosso futuro.
Mas, invariavelmente, acreditamos na "sorte" e no "acaso".
Porque em Educação o "acaso" e a "sorte" são conceitos pouco compreensíveis, perdemos bastante tempo a achar que "não nos é possível" fazer a mudança.
Mudar implica, antes de mais, acreditar. Acreditar que é possível.
Claro está que, para compreendermos a possibilidade de mudar temos de nos tornar proactivos e geradores da mudança. Das pequenas mudanças.
Saído recentemente de uma reunião de docentes, e apesar dos assuntos "escalpelizados", e das propostas de mudança, ficou-me nítida a sensação de que, para mudar, não basta querer. É necessário acreditar na mudança.
A atitude passiva, o discurso destrutivo ou desadequado, a opinião inconsequente, a reflexão oca são, infelizmente, "notas" importantes em reuniões de e com docentes.
Por mais que exista quem, de forma sincera, opte por uma atitude disruptiva e consequente com as suas práticas, tende-se a desvalorizar o benefício da mudança em nome de uma determinada "forma de fazer".
Até quando?
Até quando continuaremos a "fazer de conta" que o Bullying (por exemplo) ou a Indisciplina, ou a incapacidade de aprender não é só "culpa" dos outros?
Quando é que chegaremos à conclusão de que, enquanto docentes, somos também, de certa forma, culpados...
E não teremos de mudar?
20 de março de 2010
Limpar Portugal...
Hoje foi dia de "pôr em prática", segundo alguns, o "gesto nobre de contribuir para o espaço cívico comum"...
Chamaram-lhe Iniciativa "Limpar Portugal".
Desde já devo deixar escrito que (e tal como é possível "ler" em muitos dos meus "posts" neste blogue) concordo, por princípio e em absoluto, com todas as iniciativas que visem promover um sentimento de pertença cultural e social e que, globalmente, sejam movidos por uma forte dinâmica de solidariedade.
Em relação a isso, que não fiquem dúvidas.
Contudo, e porque este espaço é mesmo o de "reflexões" diárias, a quente, descomprometidas (ou bastante comprometidas!) e completamente irresponsáveis, apetece-me zurzir um pouco (ou muito) contra este tipo de "carneirada" irreflectida em que, por vezes, nos metemos (ou nos metem!).
Por pontos:
Ponto um. Chamaram-lhe "inovadora", mas só quem tem memória curta poderá dizer uma coisa dessas. Em 2000 e 2001, na sequência de um movimento internacional (que nasceu na Austrália) chamado "Pensar Global, Agir Local!", milhares de pessoas, em todo o mundo, uniram-se num esforço local e delimitado que teve (tinha) como objectivo os mesmos desta agora chamada "inovadora" iniciativa. Relembro que, em Portugal, a iniciativa acabou por esmorecer dada a ineficaz colaboração das entidades competentes (Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Ministério do Ambiente, etc.) pois, como está de ver, podemos contar com o voluntariado mas "não pagamos para limpar...", e as luvas, os sacos e o transporte para os locais de deposição final de resíduos não podem (não devem) ficar por conta dos voluntários...
Ponto dois. É sempre interessante constatar que, por mais que se apresentem "milhares" de voluntários ligados à iniciativa, muitos mais poderiam ser, se, e tal como se deseja, estas iniciativas "tocassem" fundo nos sentimentos de cooperação, partilha e responsabilidade social das pessoas...
Ponto três. Nesta iniciativa, que "centrou" o esforço conjunto nas "lixeiras a céu aberto" que por aí existem, pouco ou nada (apesar da "contribuição" de muitas entidades com responsabilidade na matéria) se disse sobre "o dia seguinte". Ou seja, e agora? Quem vai evitar que os locais agora "limpos" não se transformem, rapidamente, em "mais do mesmo"?
Ponto quatro. Fomos , em alguns casos, fazer alguns quilómetros para nos juntarmos a um grupo de amigos, conhecidos, interessados (o que seja), para limpar um bocadinho do nosso país (esse país abstaracto e distante). E a nossa rua? Quem a limpou? Melhor: será que, apesar da viagem, vamos continuar a deixar cair, discretamente, o lenço de papel no chão, atirar a beata pela janela do carro, deixar os restos do piquenique na mata ou deixar a lata de sumo na praia?
E quando trocarmos de móveis em casa, será que vamos ligar para a linha dos Monos e ficar com o traste velho em casa mais uns dias, até que venham fazer a recolha?
Pois é.
Estas iniciativas são sempre de louvar.
Mas não deixaria de ser bastante interessante que, além destes dias "comemorativos e de celebração", nos lembrássemos que, tal como o Dia da Mulher, o Dia da Terra, O Dia da Não Violência e muitos outros dias comemorativos (ou , como prefiro, "de memória"), seria preferível não os comemorar por não haver razão para tal...
Mas a quem possa ter servido, como escape, como penitência ou como "ajuste de contas" consigo (e com alguém mais), deixo o repto: e amanhã, limpamos a nossa rua?
P.S. Não li nem ouvi nas notícias, mas será que alguém foi Limpar Portugal para os lados de S. Bento e de Belém? E terão recolhido os monos? Gostava de saber...
Pode ser que amanhã os jornais digam que "somos um país desgovernado"...
Chamaram-lhe Iniciativa "Limpar Portugal".
Desde já devo deixar escrito que (e tal como é possível "ler" em muitos dos meus "posts" neste blogue) concordo, por princípio e em absoluto, com todas as iniciativas que visem promover um sentimento de pertença cultural e social e que, globalmente, sejam movidos por uma forte dinâmica de solidariedade.
Em relação a isso, que não fiquem dúvidas.
Contudo, e porque este espaço é mesmo o de "reflexões" diárias, a quente, descomprometidas (ou bastante comprometidas!) e completamente irresponsáveis, apetece-me zurzir um pouco (ou muito) contra este tipo de "carneirada" irreflectida em que, por vezes, nos metemos (ou nos metem!).
Por pontos:
Ponto um. Chamaram-lhe "inovadora", mas só quem tem memória curta poderá dizer uma coisa dessas. Em 2000 e 2001, na sequência de um movimento internacional (que nasceu na Austrália) chamado "Pensar Global, Agir Local!", milhares de pessoas, em todo o mundo, uniram-se num esforço local e delimitado que teve (tinha) como objectivo os mesmos desta agora chamada "inovadora" iniciativa. Relembro que, em Portugal, a iniciativa acabou por esmorecer dada a ineficaz colaboração das entidades competentes (Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Ministério do Ambiente, etc.) pois, como está de ver, podemos contar com o voluntariado mas "não pagamos para limpar...", e as luvas, os sacos e o transporte para os locais de deposição final de resíduos não podem (não devem) ficar por conta dos voluntários...
Ponto dois. É sempre interessante constatar que, por mais que se apresentem "milhares" de voluntários ligados à iniciativa, muitos mais poderiam ser, se, e tal como se deseja, estas iniciativas "tocassem" fundo nos sentimentos de cooperação, partilha e responsabilidade social das pessoas...
Ponto três. Nesta iniciativa, que "centrou" o esforço conjunto nas "lixeiras a céu aberto" que por aí existem, pouco ou nada (apesar da "contribuição" de muitas entidades com responsabilidade na matéria) se disse sobre "o dia seguinte". Ou seja, e agora? Quem vai evitar que os locais agora "limpos" não se transformem, rapidamente, em "mais do mesmo"?
Ponto quatro. Fomos , em alguns casos, fazer alguns quilómetros para nos juntarmos a um grupo de amigos, conhecidos, interessados (o que seja), para limpar um bocadinho do nosso país (esse país abstaracto e distante). E a nossa rua? Quem a limpou? Melhor: será que, apesar da viagem, vamos continuar a deixar cair, discretamente, o lenço de papel no chão, atirar a beata pela janela do carro, deixar os restos do piquenique na mata ou deixar a lata de sumo na praia?
E quando trocarmos de móveis em casa, será que vamos ligar para a linha dos Monos e ficar com o traste velho em casa mais uns dias, até que venham fazer a recolha?
Pois é.
Estas iniciativas são sempre de louvar.
Mas não deixaria de ser bastante interessante que, além destes dias "comemorativos e de celebração", nos lembrássemos que, tal como o Dia da Mulher, o Dia da Terra, O Dia da Não Violência e muitos outros dias comemorativos (ou , como prefiro, "de memória"), seria preferível não os comemorar por não haver razão para tal...
Mas a quem possa ter servido, como escape, como penitência ou como "ajuste de contas" consigo (e com alguém mais), deixo o repto: e amanhã, limpamos a nossa rua?
P.S. Não li nem ouvi nas notícias, mas será que alguém foi Limpar Portugal para os lados de S. Bento e de Belém? E terão recolhido os monos? Gostava de saber...
Pode ser que amanhã os jornais digam que "somos um país desgovernado"...
14 de março de 2010
PEC ou, por outras palavras Paguem Esses (do) Costume
Amanhã, com toda a pompa e circunstância, lá irão os representantes da Nação (entenda-se: os representantes de uma "certa" Nação), entregar "em Bruxelas", o "plano de esforço que os portugueses farão, ao longo dos próximos anos, para evitar uma situação catastrófica"...
Hoje, pelas bandas de Mafra, dão-se os últimos tiros numa guerra que não interessa a ninguém, mas, na realidade nos toca a todos: "escolhe-se" o próximo candidato a Primeiro-Ministro de Portugal (ou talvez não!).
Neste fim de semana de "boas notícias" para os tais PEC (ou seja, os que vão pagar) são poucas as hipóteses de vislumbrar, efectivamente, alguma luz ao fundo do túnel.
Reconheço (não reconheceremos todos?) que a situação está complicada. Reconheço também que, neste momento, teremos mesmo de ser todos a contribuir para não deixar a situação piorar. São muitas as empresas a fechar, o desemprego a subir assustadoramente, a capacidade financeira do País a extinguir-se...
Mas será que esta situação se fica a dever apenas aos "suspeitos do costume"?
Será que a compra de bólides de topo de gama para quase todos os ministérios em 2005, "derrapagens" nas obras públicas, acordos de concessão de "auto-estradas", investimento em empresas de comunicações e energia em nome do "desígnio nacional" ou as luvas de venda e compra de material militar, entre outros, não são mais "responsáveis" do que os "pobres" dos contribuintes que, mesmo que quisessem, não conseguem pôr o seu dinheiro em "off-shores"...
Mas, e num momento em que se apertam mais os atilhos (porque nem cinto já há), não se vislumbram melhorias.
Ao menos que nos dessem a ideia que a coisa poderia, efectivamente, melhorar.
Mas, de Mafra, também só o Palácio/Convento, obra prima do "Gastadorismo Nacional"...
Mas o Aeroporto continua lá... E o TGV também.
E nós pagaremos!
Hoje, pelas bandas de Mafra, dão-se os últimos tiros numa guerra que não interessa a ninguém, mas, na realidade nos toca a todos: "escolhe-se" o próximo candidato a Primeiro-Ministro de Portugal (ou talvez não!).
Neste fim de semana de "boas notícias" para os tais PEC (ou seja, os que vão pagar) são poucas as hipóteses de vislumbrar, efectivamente, alguma luz ao fundo do túnel.
Reconheço (não reconheceremos todos?) que a situação está complicada. Reconheço também que, neste momento, teremos mesmo de ser todos a contribuir para não deixar a situação piorar. São muitas as empresas a fechar, o desemprego a subir assustadoramente, a capacidade financeira do País a extinguir-se...
Mas será que esta situação se fica a dever apenas aos "suspeitos do costume"?
Será que a compra de bólides de topo de gama para quase todos os ministérios em 2005, "derrapagens" nas obras públicas, acordos de concessão de "auto-estradas", investimento em empresas de comunicações e energia em nome do "desígnio nacional" ou as luvas de venda e compra de material militar, entre outros, não são mais "responsáveis" do que os "pobres" dos contribuintes que, mesmo que quisessem, não conseguem pôr o seu dinheiro em "off-shores"...
Mas, e num momento em que se apertam mais os atilhos (porque nem cinto já há), não se vislumbram melhorias.
Ao menos que nos dessem a ideia que a coisa poderia, efectivamente, melhorar.
Mas, de Mafra, também só o Palácio/Convento, obra prima do "Gastadorismo Nacional"...
Mas o Aeroporto continua lá... E o TGV também.
E nós pagaremos!
4 de março de 2010
Como será quando acontecer?...
Nos últimos tempos, têm-nos chamado Porcos (PIGS) em todo o mundo e nós temos deixado.
E parece que não fazemos nada para o evitar.
Comparam-nos à Grécia (cujos resultados económicos de muitos anos a iludir o "povão" e a viver à grande e à grega - Jogos Olímpicos incluídos... - deram no que está à vista: inflação de 12%, dívida internacional de mais de trezentos mil milhões de euros, os trabalhadores a perderem direitos assumidamente garantidos, como o chamado 14ª mês...) e nós cá nos ficamos...
Uma ou outra grevezita (já aqui refeiri que não faço greves por princípio...), um ou outro "comentador" a levantar a voz e a ser rapidamente silenciado e um Governo a viver à custa de pseudo-escândalos distractivos (Freeports, Faces Ocultas, TVI/PTs e outros tantos)...
Mas não nos podemos esquecer que foi eleito (o Governo) com base em "promessas" eleitorais que custam, grosso modo, 700 mil milhões de euros: Aeroporto, TGV...
Será que não temos capacidade de ver um pouco mais à frente?
Será que só "copiamos" o que vem de fora quando vem rotulado de "sucesso"?...
E o "caso Grego", não nos deveria fazer pensar?...
Ou so o faremos quando se for o 14ª mês??!!!...
E parece que não fazemos nada para o evitar.
Comparam-nos à Grécia (cujos resultados económicos de muitos anos a iludir o "povão" e a viver à grande e à grega - Jogos Olímpicos incluídos... - deram no que está à vista: inflação de 12%, dívida internacional de mais de trezentos mil milhões de euros, os trabalhadores a perderem direitos assumidamente garantidos, como o chamado 14ª mês...) e nós cá nos ficamos...
Uma ou outra grevezita (já aqui refeiri que não faço greves por princípio...), um ou outro "comentador" a levantar a voz e a ser rapidamente silenciado e um Governo a viver à custa de pseudo-escândalos distractivos (Freeports, Faces Ocultas, TVI/PTs e outros tantos)...
Mas não nos podemos esquecer que foi eleito (o Governo) com base em "promessas" eleitorais que custam, grosso modo, 700 mil milhões de euros: Aeroporto, TGV...
Será que não temos capacidade de ver um pouco mais à frente?
Será que só "copiamos" o que vem de fora quando vem rotulado de "sucesso"?...
E o "caso Grego", não nos deveria fazer pensar?...
Ou so o faremos quando se for o 14ª mês??!!!...
24 de fevereiro de 2010
Este país não é para novos!
Antes de mais, aproveito este "post" para prestar uma homenagem aos madeirenses que, nestes momentos de infortúnio, clamam aos "céus" um pouco de conforto e de paz. Sejamos nós os Céus de que eles tanto precisam!
Mas aproveito ainda este "post" para reflectir algumas questões que, dada a situação, se tornam pertinentes, designadamente aquelas que nos relevam a "Portugalidade" e a tão exigida (nestas situações de infortúnio) "solidariedade nacional".
Vem isto a propósito, por um lado, devido à situação em si, que, não tenho dúvidas, nos faz pensar, justamente, no nosso contributo individual enquanto cidadãos de um país, de uma nação...
Tal como tenho vindo a escrever em alguns dos textos aqui publicados, devemos sentir-nos solidários e portugueses não apenas em casos extremos, mas no dia-a-dia e, sobretudo, nas nossas acções comuns, seja no trabalho, em casa ou com os amigos.
Neste sentido, parece-me fundamental que, perante situações destas, que nos tocam a todos, pensemos:
- O que fazemos quando somos confrontados com momentos (de eleições, por exemplo) que podem, efectivamente "mudar" a perspectiva que temos de algo que não nos afecta directamente (e tanto se fala das questões da corrupção municipal, por exemplo, onde podem estar radicadas algumas das "dinâmicas" tão referidas agora das "construções impensadas" em leitos de cheia e outros)?
- O que fazemos quando ouvimos que situações de catástrofe natural (cheias, terramotos, etc.) se tornam tão comuns actualmente, e que nos podem estar mais próximas do que julgamos?
- Porque nos esquecemos, em momentos de "paz" social, que, depois, as coisas podem piorar?
- Porque teimamos em achar que "o pior só acontece aos outros"?
Estas minhas dúvidas, que mais não são do que constatações de uma realidade tão presente em nós, são apenas uma "leitura" simplificada das situações que tenho assistido, nomeadamente em termos profissionais:
- Nunca há tempo (nem disponibilidade) para "ensaiar/treinar/preparar" situações de prevenção sísmica e/ou de incêndio nas escolas, pois "temos muito que fazer" (neste particular, revelo que, ao longo de mais de 15 anos de prática profissional, em diferentes estabelecimentos, só fiz um (!) exercício de prevenção sísmica, apesar de sempre ter trabalhado na região de Lisboa, que, sabemos nós, está sobre uma falha geológica);
- Habituámo-nos a esperar a intervenção divina (que é como quem diz do "Estado") mas apresentar uma reclamação sobre um serviço mal prestado é sempre "desnecessário";
- Tememos sempre "incomodar" um vizinho que teve um comportamento social desadequado porque "achamos que não vale a pena aborrecermo-nos com isso"...
Estes (poucos) exemplos mostram bem o que tento conceptualizar, ou seja, somos sempre "solidários" e "portugueses" quando toca a reunir, mas, prevenir é uma palavra vã...
Deixamos para depois, porque não queremos evitar...
Será que é isso que caracteriza o chamado "desenrrascanço" português?
Mas aproveito ainda este "post" para reflectir algumas questões que, dada a situação, se tornam pertinentes, designadamente aquelas que nos relevam a "Portugalidade" e a tão exigida (nestas situações de infortúnio) "solidariedade nacional".
Vem isto a propósito, por um lado, devido à situação em si, que, não tenho dúvidas, nos faz pensar, justamente, no nosso contributo individual enquanto cidadãos de um país, de uma nação...
Tal como tenho vindo a escrever em alguns dos textos aqui publicados, devemos sentir-nos solidários e portugueses não apenas em casos extremos, mas no dia-a-dia e, sobretudo, nas nossas acções comuns, seja no trabalho, em casa ou com os amigos.
Neste sentido, parece-me fundamental que, perante situações destas, que nos tocam a todos, pensemos:
- O que fazemos quando somos confrontados com momentos (de eleições, por exemplo) que podem, efectivamente "mudar" a perspectiva que temos de algo que não nos afecta directamente (e tanto se fala das questões da corrupção municipal, por exemplo, onde podem estar radicadas algumas das "dinâmicas" tão referidas agora das "construções impensadas" em leitos de cheia e outros)?
- O que fazemos quando ouvimos que situações de catástrofe natural (cheias, terramotos, etc.) se tornam tão comuns actualmente, e que nos podem estar mais próximas do que julgamos?
- Porque nos esquecemos, em momentos de "paz" social, que, depois, as coisas podem piorar?
- Porque teimamos em achar que "o pior só acontece aos outros"?
Estas minhas dúvidas, que mais não são do que constatações de uma realidade tão presente em nós, são apenas uma "leitura" simplificada das situações que tenho assistido, nomeadamente em termos profissionais:
- Nunca há tempo (nem disponibilidade) para "ensaiar/treinar/preparar" situações de prevenção sísmica e/ou de incêndio nas escolas, pois "temos muito que fazer" (neste particular, revelo que, ao longo de mais de 15 anos de prática profissional, em diferentes estabelecimentos, só fiz um (!) exercício de prevenção sísmica, apesar de sempre ter trabalhado na região de Lisboa, que, sabemos nós, está sobre uma falha geológica);
- Habituámo-nos a esperar a intervenção divina (que é como quem diz do "Estado") mas apresentar uma reclamação sobre um serviço mal prestado é sempre "desnecessário";
- Tememos sempre "incomodar" um vizinho que teve um comportamento social desadequado porque "achamos que não vale a pena aborrecermo-nos com isso"...
Estes (poucos) exemplos mostram bem o que tento conceptualizar, ou seja, somos sempre "solidários" e "portugueses" quando toca a reunir, mas, prevenir é uma palavra vã...
Deixamos para depois, porque não queremos evitar...
Será que é isso que caracteriza o chamado "desenrrascanço" português?
13 de fevereiro de 2010
Insistir...
Continuo a acreditar que é possível mudar o Mundo.
Apesar das dificuldades, sei que se cada um de nós tentar, é possível fazê-lo.
Uma amiga dizia-me que "agora, aos quarenta, vemos as coisas de forma diferente...". Tenho a certeza que é verdade, mas ainda quero usar os anos que me faltam para me recusar a desistir...
Não sei se por cansaço, pela idade ou, pura e simplesmente, por me recusar a "fazer igual", mas esta sensação de impossibilidade, de ver todas a "boas intenções" esbarrarem num obstáculo intransponível, deixa-me confuso e desmotivado.
Não sei se conseguirei resistir por muito mais tempo, mas começo a sentir que não vale a pena Ser e Pensar por mim e pela minha cabeça. Se calhar é mais fácil seguir a onda, ser ovelha.
Tento, em cada minuto da minha vida fazer as coisas de forma a que a minha pequena "migalha" possa contribuir para um Mundo melhor. Faço-o no trabalho, na família, no lazer...
E por mais que possa, por vezes, ser "recompensado" por isso, sou-o num círculo muito restrito. É evidente que, como no jogo do hipopótamo (quem se lembra?), há sempre uma marreta à espera para me "dar na cabeça".
Porque será?
Será assim tão desafiador entregar-me ao que faço e querer, dessa forma, mudar alguma coisa?
Profissionalmente sinto um reconforto enorme quando sou reconhecido pela prática profissional que desenvolvo, seja em forma de "nomeação", de reconhecimento público, de avaliação de desempenho ou apenas de felicitações...
Mas parece que isso não chega para pararem de me "azucrinar"...
A dor de cotovelo de que ouço falar parece ser mesmo persistente...
Insistir ou desistir?
Eis a questão...
Apesar das dificuldades, sei que se cada um de nós tentar, é possível fazê-lo.
Uma amiga dizia-me que "agora, aos quarenta, vemos as coisas de forma diferente...". Tenho a certeza que é verdade, mas ainda quero usar os anos que me faltam para me recusar a desistir...
Não sei se por cansaço, pela idade ou, pura e simplesmente, por me recusar a "fazer igual", mas esta sensação de impossibilidade, de ver todas a "boas intenções" esbarrarem num obstáculo intransponível, deixa-me confuso e desmotivado.
Não sei se conseguirei resistir por muito mais tempo, mas começo a sentir que não vale a pena Ser e Pensar por mim e pela minha cabeça. Se calhar é mais fácil seguir a onda, ser ovelha.
Tento, em cada minuto da minha vida fazer as coisas de forma a que a minha pequena "migalha" possa contribuir para um Mundo melhor. Faço-o no trabalho, na família, no lazer...
E por mais que possa, por vezes, ser "recompensado" por isso, sou-o num círculo muito restrito. É evidente que, como no jogo do hipopótamo (quem se lembra?), há sempre uma marreta à espera para me "dar na cabeça".
Porque será?
Será assim tão desafiador entregar-me ao que faço e querer, dessa forma, mudar alguma coisa?
Profissionalmente sinto um reconforto enorme quando sou reconhecido pela prática profissional que desenvolvo, seja em forma de "nomeação", de reconhecimento público, de avaliação de desempenho ou apenas de felicitações...
Mas parece que isso não chega para pararem de me "azucrinar"...
A dor de cotovelo de que ouço falar parece ser mesmo persistente...
Insistir ou desistir?
Eis a questão...
8 de fevereiro de 2010
Mais de 100 "posts"...
Hoje faço o meu centésimo primeiro "comentário" neste Blog.
Quando o criei, há uns anos, não imaginei que "me" servisse tanto.
Fi-lo, numa primeira fase, para "experimentar", para me manter atento e actualizado no que concerne às disponibilidades tecnológicas. Na altura tinha já uma "página pessoal" e algumas "páginas web" dos jardins de infância onde tinha trabalhado.
Foi como um bichinho...
Começou a aumentar e devo deixar escrito que a existência de um espaço virtual onde vou discorrendo sobre tudo e sobre nada, onde me exprimo, onde "afuguento" alguns dos meus fantasmas é terapeutico.
E vale a pena.
Talvez um dia, com calma, e ao reler todos os comentários, consiga fazer a "minha história de vida"...
Quem sabe.
Mas não há dúvida que manter este "diário", pessoal e (in)transmissível é fascinante. Principalmente quando recebo alguns comentários e respostas que me fazem, realmente pensar. Que me mudam o Mundo!
Obrigado!
Quando o criei, há uns anos, não imaginei que "me" servisse tanto.
Fi-lo, numa primeira fase, para "experimentar", para me manter atento e actualizado no que concerne às disponibilidades tecnológicas. Na altura tinha já uma "página pessoal" e algumas "páginas web" dos jardins de infância onde tinha trabalhado.
Foi como um bichinho...
Começou a aumentar e devo deixar escrito que a existência de um espaço virtual onde vou discorrendo sobre tudo e sobre nada, onde me exprimo, onde "afuguento" alguns dos meus fantasmas é terapeutico.
E vale a pena.
Talvez um dia, com calma, e ao reler todos os comentários, consiga fazer a "minha história de vida"...
Quem sabe.
Mas não há dúvida que manter este "diário", pessoal e (in)transmissível é fascinante. Principalmente quando recebo alguns comentários e respostas que me fazem, realmente pensar. Que me mudam o Mundo!
Obrigado!
2 de fevereiro de 2010
Doutores...
No passado fim-de-semana assisti a um encontro de ideias, de reflexões, de práticas, de sugestões...
No passado fim-de-semana estive presente num espaço que, por excelência, "pertence" à investigação, à comprovação, à pesquisa.
No passado fim-de-semana participei, activamente, numa dinâmica de partilha, de colaboração, de cooperação.
Do passado fim-de-semana ficou-me a ideia de que é possível fazer muito. De que é possível fazer mais e melhor.
De que nós, portugueses, envolvidos, conhecedores, dinâmicos, temos muito (de bom!) para dar.
E de que não devemos temer fazê-lo!
Contudo, uma nota: porquê insistir nesta "décalage" entre os que "fazem" e os que "pensam"?
Foi notório, no fim-de-semana, que quem não "estuda", quem não tem um Mestrado ou um Doutoramento nem sequer "merece o tratamento por doutor...", dificilmente estará integrado no "topo" do conhecimento...
Que pena sinto de a nossa magnífica língua não permitir (como no Inglês ou no Espanhol) que o você signifique mesmo que "tu"...
Tantas distâncias se esbatiam...
No fim-de-semana que me "encheu as medidas" tive pena de, por não ter "estudado", de não me ter sido dado a mesma "oportunidade" de mostrar que o que faço, também posso fazer bem...
Pode ser que mude.
No passado fim-de-semana estive presente num espaço que, por excelência, "pertence" à investigação, à comprovação, à pesquisa.
No passado fim-de-semana participei, activamente, numa dinâmica de partilha, de colaboração, de cooperação.
Do passado fim-de-semana ficou-me a ideia de que é possível fazer muito. De que é possível fazer mais e melhor.
De que nós, portugueses, envolvidos, conhecedores, dinâmicos, temos muito (de bom!) para dar.
E de que não devemos temer fazê-lo!
Contudo, uma nota: porquê insistir nesta "décalage" entre os que "fazem" e os que "pensam"?
Foi notório, no fim-de-semana, que quem não "estuda", quem não tem um Mestrado ou um Doutoramento nem sequer "merece o tratamento por doutor...", dificilmente estará integrado no "topo" do conhecimento...
Que pena sinto de a nossa magnífica língua não permitir (como no Inglês ou no Espanhol) que o você signifique mesmo que "tu"...
Tantas distâncias se esbatiam...
No fim-de-semana que me "encheu as medidas" tive pena de, por não ter "estudado", de não me ter sido dado a mesma "oportunidade" de mostrar que o que faço, também posso fazer bem...
Pode ser que mude.
22 de janeiro de 2010
15 de janeiro de 2010
"Educar crianças"...
"Entre nós as crianças são educadas para a dissimulação. Aprendem a prescindir do pensamento. Viver sem pensar é uma arte difícil. Exige um treino árduo. Em situações em que o pensamento aflora (um descuido), as crianças são ensinadas a não abrir a boca. No caso de serem forçadas a abrir a boca, enquanto pensam, nunca, mas nunca, devem dizer o que lhes vai na alma. A hipocrisia constitui virtude muitíssimo apreciada na terra dos homens-camaleões. Outras normas:
- Ter o cuidado de não deixar marcas da nossa passagem. Varrer as pegadas que ficam para trás.
- Não respirar na presença de estranhos. Sendo mesmo necessário respirar, deve evitar-se o mais leve ruído.
- Esforçar-se, sempre, por confundir-se com a paisagem, em particular a paisagem política.
- Em Roma sê romano, e de preferência um pouco mais papista do que o Papa. Quando os outros disserem mata, grita esfola.
- Ser sempre o último a sair da mesa (das festas, do escritório, etc.). Numa mesa com angolanos, os que saem vão sendo sucessivamente caluniados pelos que ficam. A punhalada pelas costas é desde há muito um dos nossos desportos nacionais"
José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical, 2009
Poucas vezes, neste espaço, tenho usado palavras de outros para exprimir o que sinto. Deixo essa vertente para outros espaços virtuais.
Contudo, esta passagem é deveras clara e clarificadora. Apesar de devidamente "identificada e temporalizada", nunca eu tal conseguiria.
Que me desculpe o Agualusa mas quem publica o que escreve pode ter de se sujeitar...
E que bem está dito...
- Ter o cuidado de não deixar marcas da nossa passagem. Varrer as pegadas que ficam para trás.
- Não respirar na presença de estranhos. Sendo mesmo necessário respirar, deve evitar-se o mais leve ruído.
- Esforçar-se, sempre, por confundir-se com a paisagem, em particular a paisagem política.
- Em Roma sê romano, e de preferência um pouco mais papista do que o Papa. Quando os outros disserem mata, grita esfola.
- Ser sempre o último a sair da mesa (das festas, do escritório, etc.). Numa mesa com angolanos, os que saem vão sendo sucessivamente caluniados pelos que ficam. A punhalada pelas costas é desde há muito um dos nossos desportos nacionais"
José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical, 2009
Poucas vezes, neste espaço, tenho usado palavras de outros para exprimir o que sinto. Deixo essa vertente para outros espaços virtuais.
Contudo, esta passagem é deveras clara e clarificadora. Apesar de devidamente "identificada e temporalizada", nunca eu tal conseguiria.
Que me desculpe o Agualusa mas quem publica o que escreve pode ter de se sujeitar...
E que bem está dito...
30 de dezembro de 2009
Para todos, um Bom 2010!
É, normalmente, nesta fase do ano (os últimos dias, o "estertor da morte")que se fazem os desejos para o ano que se segue.
Como é também "tradicional" nestes últimos momentos, deseja-se aquilo que "devia ter acontecido, mas não aconteceu!".
É assim, sempre foi assim e continuará a ser assim por muitos e muitos mais anos.
Contudo, porque somos animais de hábitos, não passamos sem essa formulação "fundamentada e lógica", que nos liberta (pelo menos um bocadinho) e projecta num referencial pouco efectivo (a Sorte) aquilo que gostaríamos que, realmente, acontecesse num futuro próximo.
Assim sendo, aqui vai:
- Que 2010 seja um ano de mudança em termos ecológicos e ambientais;
- Que 2010 faça chegar a todos os portugueses a consciência de que, todos juntos, podemos fazer melhor;
- Que 2010 traga uma efectiva aposta na Educação e na Justiça como espaço fundamental para a melhoria e para o crescimento da economia;
- Que 2010 permita que se "veja mais longe" e que, consequentemente, se comecem a fazer projectos a médio e longo prazo (coisa que tem sido difícil, especialmente na Educação);
- Que 2010 seja o ano do retorno ao básico: Saber Pensar, Saber Ser e Saber Estar!!!!;
- Que 2010 permita que, no seu final, não tenhamos de voltar a fazer os mesmos "pedidos";
E por último, que 2010 seja mesmo o ANO das MUDANÇAS!
Bom Ano!
Como é também "tradicional" nestes últimos momentos, deseja-se aquilo que "devia ter acontecido, mas não aconteceu!".
É assim, sempre foi assim e continuará a ser assim por muitos e muitos mais anos.
Contudo, porque somos animais de hábitos, não passamos sem essa formulação "fundamentada e lógica", que nos liberta (pelo menos um bocadinho) e projecta num referencial pouco efectivo (a Sorte) aquilo que gostaríamos que, realmente, acontecesse num futuro próximo.
Assim sendo, aqui vai:
- Que 2010 seja um ano de mudança em termos ecológicos e ambientais;
- Que 2010 faça chegar a todos os portugueses a consciência de que, todos juntos, podemos fazer melhor;
- Que 2010 traga uma efectiva aposta na Educação e na Justiça como espaço fundamental para a melhoria e para o crescimento da economia;
- Que 2010 permita que se "veja mais longe" e que, consequentemente, se comecem a fazer projectos a médio e longo prazo (coisa que tem sido difícil, especialmente na Educação);
- Que 2010 seja o ano do retorno ao básico: Saber Pensar, Saber Ser e Saber Estar!!!!;
- Que 2010 permita que, no seu final, não tenhamos de voltar a fazer os mesmos "pedidos";
E por último, que 2010 seja mesmo o ANO das MUDANÇAS!
Bom Ano!
11 de dezembro de 2009
Aprendizagem Colaborativa
São muitas as mensagens que, diariamente, recebemos.
Algumas são especiais. Este é um caso:
Algumas são especiais. Este é um caso:
Participar...
Já aqui escrevi algumas vezes que me surpreendo com a alguma incapacidade que a maior parte das pessoas têm de se envolver na "coisa pública".
Já o referi também que essa pouca disponibilidade, nomeadamente no que concerne às suas próprias escolhas pessoais, me é aterradora, na perspectiva da luta por uma "vida feliz".
Parafraseando um comercial de televisão, "se eu não fizer por mim, quem o fará"?
Mas às vezes, também fico siderado com as respostas que alguns desafios obtêm.
Serve isto para explicar (se é possível) o apoio e envolvimento que tenho recebido (em nome de uma equipa maior) para a nossa "causa". E a causa até é uma "causa" menor, se tivermos em conta os problemas mais latos e globais que o país e as pessoas actualmente enfrentam.
Em torno de um projecto associativo e profissional, tem nascido uma onda de apoio e solidariedade que, devo confessá-lo, me espanta de alguma forma. Não pelo valor intrínseco que o projecto, por si, possa ter, mas pela globalidade e origem de referências de agrado e cumplicidade.
Surpreende-me e satisfaz-me, porque, sendo eu um optimista melancólico, apraz-me registar que ainda há movimentos que despoletam paixões e acções.
E isso, enquanto "forma de vida", deixa-me feliz.
O meu obrigado pela "participação".
Já o referi também que essa pouca disponibilidade, nomeadamente no que concerne às suas próprias escolhas pessoais, me é aterradora, na perspectiva da luta por uma "vida feliz".
Parafraseando um comercial de televisão, "se eu não fizer por mim, quem o fará"?
Mas às vezes, também fico siderado com as respostas que alguns desafios obtêm.
Serve isto para explicar (se é possível) o apoio e envolvimento que tenho recebido (em nome de uma equipa maior) para a nossa "causa". E a causa até é uma "causa" menor, se tivermos em conta os problemas mais latos e globais que o país e as pessoas actualmente enfrentam.
Em torno de um projecto associativo e profissional, tem nascido uma onda de apoio e solidariedade que, devo confessá-lo, me espanta de alguma forma. Não pelo valor intrínseco que o projecto, por si, possa ter, mas pela globalidade e origem de referências de agrado e cumplicidade.
Surpreende-me e satisfaz-me, porque, sendo eu um optimista melancólico, apraz-me registar que ainda há movimentos que despoletam paixões e acções.
E isso, enquanto "forma de vida", deixa-me feliz.
O meu obrigado pela "participação".
18 de novembro de 2009
Em Espanha, a defender o "que é Nacional é bom"!
Já que são parcas as vezes em que me "deixam" dissertar sobre as questões da Educação e da Educação de Infância, em locais públicos, neste cantinho "à beira Mar plantado", lá vou até Madrid para dizer em Espanhol o que não consigo que ouçam em Português...
Podem acompanhar o congresso através da internet e, se quiserem, participar "à distância".
Discorrerei sobre "Competências Tecnológicas no Jardim de Infância" e acima de tudo, absorverei o que por aí fora se anda a fazer nesta área...
Podem acompanhar o congresso através da internet e, se quiserem, participar "à distância".
Discorrerei sobre "Competências Tecnológicas no Jardim de Infância" e acima de tudo, absorverei o que por aí fora se anda a fazer nesta área...
5 de novembro de 2009
Sobre “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância”*
Num outro fórum em que participo, reflecte-se à volta das “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância” e, como é comum neste tipo de partilha, muito se tem dito, nomeadamente sobre o espaço da formação académica e, claro está, de definição de um quadro ético e deontológico.
Os comentários, designadamente os que nos oferecem uma maior profundidade de reflexão, consubstanciam, na globalidade, uma dinâmica de assunção de um problema que “urge resolver”…
Mas, independentemente de parte da reflexão se apoiar na perspectiva da pertinência da formação (inicial, contínua, especializada, etc.), prefiro destacar a "construção pessoal da profissionalidade".
Neste conceito, devo, para melhor entendimento, "ir buscar" um tópico de base da citada reflexão que enunciava um conjunto de pressupostos de “Ser Educador” (dos quais retirei alguns: Acompanhar e apoiar o desenvolvimento de cada criança; Desempenhar um papel social da mais elevada responsabilidade. (Valores Implicados) Humildade, respeito, cumplicidade, parceria, solidariedade, curiosidade, vontade de saber mais, igualdade, resignação, espírito de iniciativa, saber trabalhar em grupo; Vocação, entrega total, imparcialidade, justiça, bondade, altruísmo, partilha; saber ir ao encontro das necessidades, dificuldades, opiniões, … das crianças; ajudar as crianças a serem pessoas mais cultas, educadas, formadas a vários níveis…) que me fez sorrir: a forma como são apresentados fez-me imaginar estar a folhear um qualquer livro de "comics" americanos onde, nas primeiras páginas, se desfiam as características do super-herói protagonista...
E essa foi mesmo a sensação: a de que para alguém, os educadores/professores/docentes são super-heróis.
Desculpem-me discordar com esta visão de "Um Mundo Perfeito".
Independentemente dos valores (construídos ou inatos) do espaço social, das "obrigações e deveres" profissionais e do quadro (regulamentador) da tarefa educativa, não nos podemos esquecer, nunca, que o educador/professor/docente é um ser humano, com todas as características e condicionalismos que estão associados a esse seu estado.
Por tal, ao reflectir o espaço da organização ética e deontológica do educador/professor/docente, é fundamental incluir as questões referentes a sua condição humana e social.
Quantos de nós não erramos, não invejamos, não somos pouco solidários, não estacionamos o veículo em cima do passeio, não gritamos, não nos zangamos desnecessariamente, não somos racistas ou xenófobos?...
Faz parte da condição humana.
Citando a Prof. Isabel Batista (em entrevista à Página da Educação): "Na minha opinião, os valores éticos fundamentais dos educadores baseiam-se na proximidade e na responsabilidade. Neste sentido, costumo defender três princípios básicos: o primeiro é o reconhecimento da perfectibilidade de todas as pessoas, ou seja, de que todos podem e devem fazer um percurso de aperfeiçoamento - que, no fundo, é o direito de realização da sua humanidade. Para um professor, esta dimensão deveria constituir uma condição prévia ao exercício da sua profissão.
Depois, a crença incondicional na educabilidade do outro. Um professor que não crê neste pressuposto não pode acreditar que o aluno pode fazer um percurso de evolução positiva, nomeadamente através da sua intervenção.
Por último, a aceitação ética do negativo da educabilidade, ou seja, o princípio de que a educabilidade não pode ser exercida influenciando o percurso do outro a qualquer custo, porque o outro não é uma "obra" minha." aproveito para sublinhar o aspecto da formação pessoal e social do cidadão como base do desenvolvimento de uma competência profissional.
Neste particular, e independentemente da formação (académica) que nos seja permitida, é de particular importância a reflexão sobre o espaço da nossa intervenção individual enquanto modelo educativo. Não será "visível", no espaço formal de intervenção educativa, a nossa incapacidade de partilhar? a incapacidade de integrar, efectivamente, os nossos novos colegas de profissão (a este respeito, a conselho uma "vista de olhos" a teses ou artigos sobre "Dificuldades de Integração Profissional dos Novos Docentes", nas quais, invariavelmente, os resultados apontam como principais dificuldades percepcionadas as questões da integração na escola e o convívio com os colegas como as primeiras - destacadas - objecções...)?, de articular, efectiva e eficazmente, no pressuposto da Qualidade Educativa?, de construir um espaço relacional sem ambiguidades e, acima de tudo, de coragem e frontalidade????
Ou seja, independentemente do quadro legal, institucional, de crenças e valores profissionais, falar de ética e deontologia é também falar de mim, do EU e da minha relação com os outros e, sobretudo, predisponibilizar-me para a crítica, para a melhoria e para o crescimento individual. E estes, infelizmente, ainda são conceitos arredados da reflexão docente...
Mas não deviam…!
*ou de outros docentes!
Os comentários, designadamente os que nos oferecem uma maior profundidade de reflexão, consubstanciam, na globalidade, uma dinâmica de assunção de um problema que “urge resolver”…
Mas, independentemente de parte da reflexão se apoiar na perspectiva da pertinência da formação (inicial, contínua, especializada, etc.), prefiro destacar a "construção pessoal da profissionalidade".
Neste conceito, devo, para melhor entendimento, "ir buscar" um tópico de base da citada reflexão que enunciava um conjunto de pressupostos de “Ser Educador” (dos quais retirei alguns: Acompanhar e apoiar o desenvolvimento de cada criança; Desempenhar um papel social da mais elevada responsabilidade. (Valores Implicados) Humildade, respeito, cumplicidade, parceria, solidariedade, curiosidade, vontade de saber mais, igualdade, resignação, espírito de iniciativa, saber trabalhar em grupo; Vocação, entrega total, imparcialidade, justiça, bondade, altruísmo, partilha; saber ir ao encontro das necessidades, dificuldades, opiniões, … das crianças; ajudar as crianças a serem pessoas mais cultas, educadas, formadas a vários níveis…) que me fez sorrir: a forma como são apresentados fez-me imaginar estar a folhear um qualquer livro de "comics" americanos onde, nas primeiras páginas, se desfiam as características do super-herói protagonista...
E essa foi mesmo a sensação: a de que para alguém, os educadores/professores/docentes são super-heróis.
Desculpem-me discordar com esta visão de "Um Mundo Perfeito".
Independentemente dos valores (construídos ou inatos) do espaço social, das "obrigações e deveres" profissionais e do quadro (regulamentador) da tarefa educativa, não nos podemos esquecer, nunca, que o educador/professor/docente é um ser humano, com todas as características e condicionalismos que estão associados a esse seu estado.
Por tal, ao reflectir o espaço da organização ética e deontológica do educador/professor/docente, é fundamental incluir as questões referentes a sua condição humana e social.
Quantos de nós não erramos, não invejamos, não somos pouco solidários, não estacionamos o veículo em cima do passeio, não gritamos, não nos zangamos desnecessariamente, não somos racistas ou xenófobos?...
Faz parte da condição humana.
Citando a Prof. Isabel Batista (em entrevista à Página da Educação): "Na minha opinião, os valores éticos fundamentais dos educadores baseiam-se na proximidade e na responsabilidade. Neste sentido, costumo defender três princípios básicos: o primeiro é o reconhecimento da perfectibilidade de todas as pessoas, ou seja, de que todos podem e devem fazer um percurso de aperfeiçoamento - que, no fundo, é o direito de realização da sua humanidade. Para um professor, esta dimensão deveria constituir uma condição prévia ao exercício da sua profissão.
Depois, a crença incondicional na educabilidade do outro. Um professor que não crê neste pressuposto não pode acreditar que o aluno pode fazer um percurso de evolução positiva, nomeadamente através da sua intervenção.
Por último, a aceitação ética do negativo da educabilidade, ou seja, o princípio de que a educabilidade não pode ser exercida influenciando o percurso do outro a qualquer custo, porque o outro não é uma "obra" minha." aproveito para sublinhar o aspecto da formação pessoal e social do cidadão como base do desenvolvimento de uma competência profissional.
Neste particular, e independentemente da formação (académica) que nos seja permitida, é de particular importância a reflexão sobre o espaço da nossa intervenção individual enquanto modelo educativo. Não será "visível", no espaço formal de intervenção educativa, a nossa incapacidade de partilhar? a incapacidade de integrar, efectivamente, os nossos novos colegas de profissão (a este respeito, a conselho uma "vista de olhos" a teses ou artigos sobre "Dificuldades de Integração Profissional dos Novos Docentes", nas quais, invariavelmente, os resultados apontam como principais dificuldades percepcionadas as questões da integração na escola e o convívio com os colegas como as primeiras - destacadas - objecções...)?, de articular, efectiva e eficazmente, no pressuposto da Qualidade Educativa?, de construir um espaço relacional sem ambiguidades e, acima de tudo, de coragem e frontalidade????
Ou seja, independentemente do quadro legal, institucional, de crenças e valores profissionais, falar de ética e deontologia é também falar de mim, do EU e da minha relação com os outros e, sobretudo, predisponibilizar-me para a crítica, para a melhoria e para o crescimento individual. E estes, infelizmente, ainda são conceitos arredados da reflexão docente...
Mas não deviam…!
*ou de outros docentes!
26 de outubro de 2009
Nova vida, ou novos desafios?
Comentava-se hoje, por bandas da Sala de Professores, o que nos traria um novo Governo e um(a) novo(a) Ministra da Educação.
Não tenho respostas. Não sou futurólogo mas sinto que posso afirmar que, sem que nada se mova, tudo possa mudar.
E nada se mova porquê?
Porque é conveniente iniciar um novo período de "bodo aos pobres" que permita uma navegação segura e sem percalços.
Porque é importante que não caia nada que não se aguente em pé, e que nada seja içado que deva estar caído.
Ou seja. Para já, mudanças só na possibilidade de acharmos que alguma coisa mudará...
Não tenho respostas. Não sou futurólogo mas sinto que posso afirmar que, sem que nada se mova, tudo possa mudar.
E nada se mova porquê?
Porque é conveniente iniciar um novo período de "bodo aos pobres" que permita uma navegação segura e sem percalços.
Porque é importante que não caia nada que não se aguente em pé, e que nada seja içado que deva estar caído.
Ou seja. Para já, mudanças só na possibilidade de acharmos que alguma coisa mudará...
12 de outubro de 2009
Sobre Tudo e Coisa Nenhuma....
Chegámos a um ponto em que tudo nos é possível.
Sem nos darmos conta disso, fomo-nos tornando cada vez menos exigentes e cada vez mais permissivos.
Não basta acharmos que "alguma coisa deve ser feita". É fundamental que o façamos.
Vem este comentário a propósito da (recorrente) Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).
Já muito foi dito e escrito, mas continuamos a ter a possibilidade de acrescentar mais uns pozinhos...
Hoje, a novidade foi a de que "neste contexto, não há professores excelentes!"
Desculpem-me discordar.
Infelizmente, como já tive, por mais de uma vez, a oportunidade de aqui referir, a principal (na minha modesta opinião) causa de mal-estar no grupo docente (e reparem que não lhe chamo classe, porque, por definição, teria de ser uma mole - humana - com o mesmo sentido) sobre este modelo de Avaliação proposto é o facto de partir do princípio que todos os docentes são maus e, por isso, deverão melhorar.
Claro está que, nesta base empírica, teríamos de falar da economia de escala, da curva de Gauss, da necessidade imperiosa de adequar recursos a objectivos e a resultados...
Não é, contudo, sobre estes pressupostos que agora me apetece reflectir.
Defendo que, sobre este (errado) modelo de Avaliação, bastar-nos-ia "pô-lo a funcionar" para ele cair. Ou seja, se todos nós, docentes, tivessemos requerido a "Avaliação Científica e Pedagógica", em menos de dias, todo o sistema ruiria. Além de que mostraríamos a todos aqueles que acham que não queremos ser avaliados que não é bem essa a nossa razão.
Dou-vos um exemplo: requeri a dita avaliação científica e a colega Avaliadora era docente titular de um grupo de lugar único. Nos dias em que esteve a observar-me, o seu grupo foi assegurado (para que funcionasse) pela colega do Conselho Executivo que para o efeito se deslocou...
A conveniência da coisa é que só três (em 21) docentes do Departamento solicitaram a tal avaliação, senão, quantas escolas teriam de fechar?
Serve esta interrogação para explicitar a forma mais adequada de fazer cair o modelo de avaliação: é incomportável!
Mas só fazendo-o funcionar é possível objectivar o efeito negativo e pernicioso que lhe está adjacente.
Porque temos nós medo de arriscar?
Mas gostava ainda de reflectir um outro aspecto. Tenho ouvido (e acaba por ser muito geral) que, na maior parte dos CEs (ou Directores, agora) o nível "Excelente" não tem sido muito "atribuído". Dizem-me, na maior parte das vezes que se deve ao facto de que "nenhum de nós é excelente!".
Ora aqui está uma vez mais, a nossa forma de pactuarmos com o sistema que nasceu torto.
Por definição, "Excelência" representa um estado abstracto de superioridade ou o estado de ser Bom no mais alto grau.
Ora, neste caso concreto (o da ADD), o nível "Excelente" corresponde a um espaço da graduação de avaliação (entre 9,1 e 10), logo, não corresponde a essa definição abstracta de Excelência.
Tivessem chamado a esse intervalo gradual "Muitíssimo Bom" ou "Óptimo" e se calhar não haveria pruridos, mas, talvez a escolha de palavra (e conceito) fosse propositada. Se calhar era intenção criar este "efeito nuvem" para que o prurido pedagógico-administrativo funcionasse em desfavor dos docentes...
Não havendo "Excelência" cumprir-se-ia a estratégia de "afinar por baixo" (com as tais implicações que isso teria ao nível da Carreira, da Curva de Gauss, etc., etc.), e, logo, de justificar a afirmação de que os docentes "são maus e precisam melhorar"...
Cabe-nos mostrar o contrário: que todos os docentes são excelentes, mas podem ainda ser melhores!
Mas como disse no princípio: chegámos a um ponto em que parece que tudo "não nos interessa", e, usando uma imagem proverbial: que nos comam, então, as papas na cabeça!
E, dito isto, acrescento que, tal como atribuo nota 5 (ou 20) aos meus alunos, se eles o merecerem e trabalharem para isso, também o Excelente para os docentes não me preocupa!
Sem nos darmos conta disso, fomo-nos tornando cada vez menos exigentes e cada vez mais permissivos.
Não basta acharmos que "alguma coisa deve ser feita". É fundamental que o façamos.
Vem este comentário a propósito da (recorrente) Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).
Já muito foi dito e escrito, mas continuamos a ter a possibilidade de acrescentar mais uns pozinhos...
Hoje, a novidade foi a de que "neste contexto, não há professores excelentes!"
Desculpem-me discordar.
Infelizmente, como já tive, por mais de uma vez, a oportunidade de aqui referir, a principal (na minha modesta opinião) causa de mal-estar no grupo docente (e reparem que não lhe chamo classe, porque, por definição, teria de ser uma mole - humana - com o mesmo sentido) sobre este modelo de Avaliação proposto é o facto de partir do princípio que todos os docentes são maus e, por isso, deverão melhorar.
Claro está que, nesta base empírica, teríamos de falar da economia de escala, da curva de Gauss, da necessidade imperiosa de adequar recursos a objectivos e a resultados...
Não é, contudo, sobre estes pressupostos que agora me apetece reflectir.
Defendo que, sobre este (errado) modelo de Avaliação, bastar-nos-ia "pô-lo a funcionar" para ele cair. Ou seja, se todos nós, docentes, tivessemos requerido a "Avaliação Científica e Pedagógica", em menos de dias, todo o sistema ruiria. Além de que mostraríamos a todos aqueles que acham que não queremos ser avaliados que não é bem essa a nossa razão.
Dou-vos um exemplo: requeri a dita avaliação científica e a colega Avaliadora era docente titular de um grupo de lugar único. Nos dias em que esteve a observar-me, o seu grupo foi assegurado (para que funcionasse) pela colega do Conselho Executivo que para o efeito se deslocou...
A conveniência da coisa é que só três (em 21) docentes do Departamento solicitaram a tal avaliação, senão, quantas escolas teriam de fechar?
Serve esta interrogação para explicitar a forma mais adequada de fazer cair o modelo de avaliação: é incomportável!
Mas só fazendo-o funcionar é possível objectivar o efeito negativo e pernicioso que lhe está adjacente.
Porque temos nós medo de arriscar?
Mas gostava ainda de reflectir um outro aspecto. Tenho ouvido (e acaba por ser muito geral) que, na maior parte dos CEs (ou Directores, agora) o nível "Excelente" não tem sido muito "atribuído". Dizem-me, na maior parte das vezes que se deve ao facto de que "nenhum de nós é excelente!".
Ora aqui está uma vez mais, a nossa forma de pactuarmos com o sistema que nasceu torto.
Por definição, "Excelência" representa um estado abstracto de superioridade ou o estado de ser Bom no mais alto grau.
Ora, neste caso concreto (o da ADD), o nível "Excelente" corresponde a um espaço da graduação de avaliação (entre 9,1 e 10), logo, não corresponde a essa definição abstracta de Excelência.
Tivessem chamado a esse intervalo gradual "Muitíssimo Bom" ou "Óptimo" e se calhar não haveria pruridos, mas, talvez a escolha de palavra (e conceito) fosse propositada. Se calhar era intenção criar este "efeito nuvem" para que o prurido pedagógico-administrativo funcionasse em desfavor dos docentes...
Não havendo "Excelência" cumprir-se-ia a estratégia de "afinar por baixo" (com as tais implicações que isso teria ao nível da Carreira, da Curva de Gauss, etc., etc.), e, logo, de justificar a afirmação de que os docentes "são maus e precisam melhorar"...
Cabe-nos mostrar o contrário: que todos os docentes são excelentes, mas podem ainda ser melhores!
Mas como disse no princípio: chegámos a um ponto em que parece que tudo "não nos interessa", e, usando uma imagem proverbial: que nos comam, então, as papas na cabeça!
E, dito isto, acrescento que, tal como atribuo nota 5 (ou 20) aos meus alunos, se eles o merecerem e trabalharem para isso, também o Excelente para os docentes não me preocupa!
8 de outubro de 2009
Sobre manuais escolares e outros assuntos em torno da educação de infância
Já fui acusado de "radicalismo", por ser completamente contra a utilização de "manuais escolares" na educação de infância.
Compreendo que a força do dinheiro (editores, autores, intermediários, etc.) é grande e absorvente, contudo, gostava de deixar umas pequenas observações sobre este tema: na década de 70, os muitos manuais escolares em uso (que, na maior parte enalteciam as virtudes do Estado Novo) foram abandonados (queimados e destruídos, diria), ao abrigo de uma consciência colectiva que pretendia "libertar" o povo e as jovens gerações do "jugo do fascismo".
Nas décadas de oitenta e noventa, as editoras começaram a "importar" para os manuais escolares referências (directas) a marcas e, de certa forma, a publicitar, comercialmente, produtos e bens.
Na actualidade, o Ministério da Educação constituiu uma equipa para "avaliar pedagogicamente a qualidade dos manuais escolares", o que fez com que as editoras se tivessem de voltar para “novos mercados”...
Posto isto, sobre os manuais escolares, tenho dito!
Mas sobre a sua utilização, primeiro, aos que os confrontam com a utilização dos instrumentos tecnológicos (pondo-os no mesmo saco), devo dizer o seguinte: fazer essa discussão numa perspectiva de confronto (de opções e estratégias pedagógicas) faz-me perguntar se quem usa manuais usa também, assiduamente, o polidesportivo (ou a área de actividade física), se costuma subir às árvores, se costuma passear pelo campo ou cidade à volta do espaço escolar, se costuma ir à loja comprar bens e produtos, se costuma ir ao Centro de Dia e à Junta de Freguesia, se vai muitas vezes à Biblioteca Pública da zona, se costuma passar pelo Centro de Saúde e, se, por fim, costuma visitar pais e encarregados de educação nas suas actividades profissionais...
Estas perguntas surgem-me, fundamentalmente, porque, para mim (e aqui digo-o claramente) depois de “fazer” coisas e pensar sobre elas, não me resta muito tempo para treinar habilidades motoras específicas (fazer bolas e traços, pintar dentro e pintar fora...), ou, se me sobra, prefiro fazê-lo com o rato do computador (porque mais motivador para as crianças), com as histórias da Biblioteca (porque muito mais imaginativo) e com a pintura de painéis e cartazes (e reparem que não disse "desenhos") onde nos podemos - todos - exprimir com muito mais "espaço" (físico e psicológico!).
Creio que me entendem que do que falo são de opções pedagógicas e que, neste "debate" deve ser também entendida a necessidade de “conquistar, “aprender”, "incluir", "diversificar", "apoiar", "reflectir", e, acima de tudo "imaginar" e "criar".
Normalmente, quando lemos textos do Sá ou de outros "pensadores da modernidade", temos uma clara consciência de que eles falam de um "Mundo idílico", onde as crianças têm o direito de brincar, de pensar, de imaginar e de criar. "Por culpa dos pais" (expressão nossa), é um mundo difícil de alcançar, e estamos, continuamente, a criticar as opções das famílias, dos colegas, dos "outros"...
Para terminar esta reflexão, gostaria apenas de deixar uma imagem forte: imaginem o dia-a-dia de uma criança de 4 ou 5 anos que chega ao JI às 8.15h da manhã, começa por pintar uma fichas copiadas (que a animadora, ou assistente operacional lhe dá para "matar o tempo"), e depois, das 9.00h até que os colegas cheguem e completem o grupo, brinca com um puzzles e jogos de encaixe, parando às 10 para um pequeno lanche. Segue-se a “brincadeira livre” (onde até pode ser a pintar umas "fichazitas", “porque gosta”) e, depois da higiene, vai, em fila indiana, de mão dada, até ao refeitório (que fica a 10 metros de distância, em linha recta e sem obstáculos)...
Depois de almoço, porque está a chover, vai até à sala polivalente onde a animadora lhe dá mais um postalinho do Dia da Mãe para pintar e, quando volta à sala de actividades, vai acabar aquele trabalhinho do saquinho com cheirinho para levar à Mãe. Depois, ao fim do dia, volta à sala polivalente onde a animadora lhe preparou aquele filme espectacular do "Rei Leão" que ela já viu 40 vezes mas que continua a "gostar de ver", até que a mãe a vá buscar, para quando chegar a casa, a por à frente da televisão (ou do computador) a ver o episódio novo do Noddy...
Imaginem que esta pequena descrição é meramente especulativa e que não será, nunca, realidade em Portugal.
Imaginem ainda que o Jardim de Infância não é (nem será nunca!) um espaço onde se toma conta de crianças e, por fim,
Imaginem que o trabalho dos educadores de infância é tão socialmente considerado, que os colegas dos outros ciclos lhes pedem, encarecidamente, para os receberem nas salas onde eles podem aprender algo sobre Educação Sexual, Formação Cívica, Abordagem de Projecto ou Formação Pessoal e Social.
Depois de imaginarem todas estas coisa, façam o exercício de perdoar a este desbocado e compreender que ele, por vezes, não consegue exprimir o que lhe vai na alma de forma concisa , pertinente e assertiva.
Por isso, aceitem-lhe o sincero pedido de desculpa que ele vos envia...
Compreendo que a força do dinheiro (editores, autores, intermediários, etc.) é grande e absorvente, contudo, gostava de deixar umas pequenas observações sobre este tema: na década de 70, os muitos manuais escolares em uso (que, na maior parte enalteciam as virtudes do Estado Novo) foram abandonados (queimados e destruídos, diria), ao abrigo de uma consciência colectiva que pretendia "libertar" o povo e as jovens gerações do "jugo do fascismo".
Nas décadas de oitenta e noventa, as editoras começaram a "importar" para os manuais escolares referências (directas) a marcas e, de certa forma, a publicitar, comercialmente, produtos e bens.
Na actualidade, o Ministério da Educação constituiu uma equipa para "avaliar pedagogicamente a qualidade dos manuais escolares", o que fez com que as editoras se tivessem de voltar para “novos mercados”...
Posto isto, sobre os manuais escolares, tenho dito!
Mas sobre a sua utilização, primeiro, aos que os confrontam com a utilização dos instrumentos tecnológicos (pondo-os no mesmo saco), devo dizer o seguinte: fazer essa discussão numa perspectiva de confronto (de opções e estratégias pedagógicas) faz-me perguntar se quem usa manuais usa também, assiduamente, o polidesportivo (ou a área de actividade física), se costuma subir às árvores, se costuma passear pelo campo ou cidade à volta do espaço escolar, se costuma ir à loja comprar bens e produtos, se costuma ir ao Centro de Dia e à Junta de Freguesia, se vai muitas vezes à Biblioteca Pública da zona, se costuma passar pelo Centro de Saúde e, se, por fim, costuma visitar pais e encarregados de educação nas suas actividades profissionais...
Estas perguntas surgem-me, fundamentalmente, porque, para mim (e aqui digo-o claramente) depois de “fazer” coisas e pensar sobre elas, não me resta muito tempo para treinar habilidades motoras específicas (fazer bolas e traços, pintar dentro e pintar fora...), ou, se me sobra, prefiro fazê-lo com o rato do computador (porque mais motivador para as crianças), com as histórias da Biblioteca (porque muito mais imaginativo) e com a pintura de painéis e cartazes (e reparem que não disse "desenhos") onde nos podemos - todos - exprimir com muito mais "espaço" (físico e psicológico!).
Creio que me entendem que do que falo são de opções pedagógicas e que, neste "debate" deve ser também entendida a necessidade de “conquistar, “aprender”, "incluir", "diversificar", "apoiar", "reflectir", e, acima de tudo "imaginar" e "criar".
Normalmente, quando lemos textos do Sá ou de outros "pensadores da modernidade", temos uma clara consciência de que eles falam de um "Mundo idílico", onde as crianças têm o direito de brincar, de pensar, de imaginar e de criar. "Por culpa dos pais" (expressão nossa), é um mundo difícil de alcançar, e estamos, continuamente, a criticar as opções das famílias, dos colegas, dos "outros"...
Para terminar esta reflexão, gostaria apenas de deixar uma imagem forte: imaginem o dia-a-dia de uma criança de 4 ou 5 anos que chega ao JI às 8.15h da manhã, começa por pintar uma fichas copiadas (que a animadora, ou assistente operacional lhe dá para "matar o tempo"), e depois, das 9.00h até que os colegas cheguem e completem o grupo, brinca com um puzzles e jogos de encaixe, parando às 10 para um pequeno lanche. Segue-se a “brincadeira livre” (onde até pode ser a pintar umas "fichazitas", “porque gosta”) e, depois da higiene, vai, em fila indiana, de mão dada, até ao refeitório (que fica a 10 metros de distância, em linha recta e sem obstáculos)...
Depois de almoço, porque está a chover, vai até à sala polivalente onde a animadora lhe dá mais um postalinho do Dia da Mãe para pintar e, quando volta à sala de actividades, vai acabar aquele trabalhinho do saquinho com cheirinho para levar à Mãe. Depois, ao fim do dia, volta à sala polivalente onde a animadora lhe preparou aquele filme espectacular do "Rei Leão" que ela já viu 40 vezes mas que continua a "gostar de ver", até que a mãe a vá buscar, para quando chegar a casa, a por à frente da televisão (ou do computador) a ver o episódio novo do Noddy...
Imaginem que esta pequena descrição é meramente especulativa e que não será, nunca, realidade em Portugal.
Imaginem ainda que o Jardim de Infância não é (nem será nunca!) um espaço onde se toma conta de crianças e, por fim,
Imaginem que o trabalho dos educadores de infância é tão socialmente considerado, que os colegas dos outros ciclos lhes pedem, encarecidamente, para os receberem nas salas onde eles podem aprender algo sobre Educação Sexual, Formação Cívica, Abordagem de Projecto ou Formação Pessoal e Social.
Depois de imaginarem todas estas coisa, façam o exercício de perdoar a este desbocado e compreender que ele, por vezes, não consegue exprimir o que lhe vai na alma de forma concisa , pertinente e assertiva.
Por isso, aceitem-lhe o sincero pedido de desculpa que ele vos envia...
27 de setembro de 2009
Nova vida????...
Escrevia eu, no último post, que me afligia a possibilidade de termos mais do mesmo.
À hora que escrevo este post, estão a anunciar, na televisão, as primeiras sondagens (à "boca de urna", como gostam de dizer) nas quais os resultados eleitorais não surpreendem, globalmente, todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena pensar...
E não surpreendem não pelos resultados em si, mas mais pelo facto de, com eles, podermos constatar que os portugueses são, de facto, uns seres estranhos.
Por um lado ouvimos, ao longo dos últimos 4 anos, uma constante crítica violenta sobre os políticos e, consequentemente, sobre as suas políticas.
Ao longo dos últimos meses, estas mesmas críticas centraram-se, fundamentalmente, na pessoa do Primeiro-Ministro (e, no caso dos docentes, na Ministra da Educação).
Nos últimos dias, o Governo em funções "foi o pior de sempre", e o seu Primeiro-Ministro, o "culpado de todos os males".
Pois agora, com os resultados apresentados nas sondagens a confirmar que o partido do Governo continuará, nestes próximos tempos, a gerir a "coisa pública", confirma-se que os tais "portugueses" são, maioritariamente, masoquistas.
Coligado ou não, com coligações/acordos de conveniência, com constantes "golpes de rins" caso a necessidade obrigue, o que é facto é que esta forma de governar, bem como as políticas que a consubstanciam, continuarão.
Não quero, aqui, fazer uma análise da qualidade/pertinência dessas políticas, mas não deixa de ser estranho que, apesar das inúmeras críticas/manifestações/declarações de vontade, os "portugueses" (seja lá o que for que significa essa formulação) escolheram continuar como até aqui.
Claro está que é ainda mais estranho saber que foram esses mesmo "portugueses" que elegeram, por exemplo, o ex-Presidente do Conselho, António Salazar, como o "Melhor Português" de sempre. Foram também esses "portugueses" que optaram por escolher, para Presidente da República, a mesma pessoa que tinham, literalmente, "corrido" do Governo, quando as coisas começaram a "ficar feias"...
Pois é. Os "portugueses" merecem bem o que têm. E não me venham comparar o meu país com a Filândia ou com a Nova Zelândia: eles (esses países) podem ser óptimos para viver, mas por muito que queiram, jamais terão como cidadãos os ilustres "portugueses". E isso não lhes permitirá, nunca, ter a capacidade bivalente de serem vítimas e culpados.
E, para quem gosta de pensar, isso é um excelente desafio...
À hora que escrevo este post, estão a anunciar, na televisão, as primeiras sondagens (à "boca de urna", como gostam de dizer) nas quais os resultados eleitorais não surpreendem, globalmente, todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena pensar...
E não surpreendem não pelos resultados em si, mas mais pelo facto de, com eles, podermos constatar que os portugueses são, de facto, uns seres estranhos.
Por um lado ouvimos, ao longo dos últimos 4 anos, uma constante crítica violenta sobre os políticos e, consequentemente, sobre as suas políticas.
Ao longo dos últimos meses, estas mesmas críticas centraram-se, fundamentalmente, na pessoa do Primeiro-Ministro (e, no caso dos docentes, na Ministra da Educação).
Nos últimos dias, o Governo em funções "foi o pior de sempre", e o seu Primeiro-Ministro, o "culpado de todos os males".
Pois agora, com os resultados apresentados nas sondagens a confirmar que o partido do Governo continuará, nestes próximos tempos, a gerir a "coisa pública", confirma-se que os tais "portugueses" são, maioritariamente, masoquistas.
Coligado ou não, com coligações/acordos de conveniência, com constantes "golpes de rins" caso a necessidade obrigue, o que é facto é que esta forma de governar, bem como as políticas que a consubstanciam, continuarão.
Não quero, aqui, fazer uma análise da qualidade/pertinência dessas políticas, mas não deixa de ser estranho que, apesar das inúmeras críticas/manifestações/declarações de vontade, os "portugueses" (seja lá o que for que significa essa formulação) escolheram continuar como até aqui.
Claro está que é ainda mais estranho saber que foram esses mesmo "portugueses" que elegeram, por exemplo, o ex-Presidente do Conselho, António Salazar, como o "Melhor Português" de sempre. Foram também esses "portugueses" que optaram por escolher, para Presidente da República, a mesma pessoa que tinham, literalmente, "corrido" do Governo, quando as coisas começaram a "ficar feias"...
Pois é. Os "portugueses" merecem bem o que têm. E não me venham comparar o meu país com a Filândia ou com a Nova Zelândia: eles (esses países) podem ser óptimos para viver, mas por muito que queiram, jamais terão como cidadãos os ilustres "portugueses". E isso não lhes permitirá, nunca, ter a capacidade bivalente de serem vítimas e culpados.
E, para quem gosta de pensar, isso é um excelente desafio...
21 de setembro de 2009
Mais do mesmo...
Estamos, neste momento, a cinco dias de mais umas eleições legislativas.
Poderia (se estivessemos num "país normal") ser um momento envolvente, excitante, ansiosamente esperado...
Mas não é.
Frente-a-frente situam-se duas propostas por demais conhecidas: num lado, um Partido (dito) Socialista que, nos últimos quatro anos empurrou um país quase sem rumo para um abismo de onde será difícil sair.
Afirmo, mais uma vez, que não culpo, especialmente, o Partido Socialista (nem os seus "representantes"), pois, infelizmente, a "gestão da coisa pública" há muito que não está nas suas (deles, os políticos) mãos. Somos, cada vez mais, um "objecto" de intervenção europeu.
Independentemente de serem Sócrates e companhias, pouco diferente seria se fossem outros.
Do outro lado do frente-a-frente, uma Manuela (e reparem, não digo Partido Social Democrata) bem conhecida de todos nós: ex-Ministra da Educação (e que memórias!!!!), ex-Ministra das Finanças e de Estado (quem não se lembra do aumento do IVA e do PEC????). Mais palavras para quê?
Fica este post apenas para que todos aqueles que se manifestam fartos, irritados, descontentes, desesperados ou outra coisa qualquer, tenham consciência de que não vale a pena fugir das responsabilidades: será a vossa decisão de voto no próximo domingo de que falarão nos próximos quatro anos.
Tenham cuidado com o que querem dizer/decidir!
E já agora, bons resultados eleitorais!
Poderia (se estivessemos num "país normal") ser um momento envolvente, excitante, ansiosamente esperado...
Mas não é.
Frente-a-frente situam-se duas propostas por demais conhecidas: num lado, um Partido (dito) Socialista que, nos últimos quatro anos empurrou um país quase sem rumo para um abismo de onde será difícil sair.
Afirmo, mais uma vez, que não culpo, especialmente, o Partido Socialista (nem os seus "representantes"), pois, infelizmente, a "gestão da coisa pública" há muito que não está nas suas (deles, os políticos) mãos. Somos, cada vez mais, um "objecto" de intervenção europeu.
Independentemente de serem Sócrates e companhias, pouco diferente seria se fossem outros.
Do outro lado do frente-a-frente, uma Manuela (e reparem, não digo Partido Social Democrata) bem conhecida de todos nós: ex-Ministra da Educação (e que memórias!!!!), ex-Ministra das Finanças e de Estado (quem não se lembra do aumento do IVA e do PEC????). Mais palavras para quê?
Fica este post apenas para que todos aqueles que se manifestam fartos, irritados, descontentes, desesperados ou outra coisa qualquer, tenham consciência de que não vale a pena fugir das responsabilidades: será a vossa decisão de voto no próximo domingo de que falarão nos próximos quatro anos.
Tenham cuidado com o que querem dizer/decidir!
E já agora, bons resultados eleitorais!
13 de setembro de 2009
Bom ano (lectivo)!
A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado
Wilde, O.
Com esta citação, deixo aqui assinalado o início do ano lectivo (efectivo) que amanhã começa.
A Educação é, sem dúvida, uma coisa admirável. E os seus efeitos são-no mais.
Mas o que é facto é que não podemos confundir Educação com Ensino e, consequentemente, não podemos confundir "educados" com "ensinados".
Que consigamos, ao longo de mais um ano lectivo, motivar para a aprendizagem, para o conhecimento, para o interesse, para a cultura, para a solidariedade, para a humildade e, dessa forma, para a Educação.
Bom ano!
Wilde, O.
Com esta citação, deixo aqui assinalado o início do ano lectivo (efectivo) que amanhã começa.
A Educação é, sem dúvida, uma coisa admirável. E os seus efeitos são-no mais.
Mas o que é facto é que não podemos confundir Educação com Ensino e, consequentemente, não podemos confundir "educados" com "ensinados".
Que consigamos, ao longo de mais um ano lectivo, motivar para a aprendizagem, para o conhecimento, para o interesse, para a cultura, para a solidariedade, para a humildade e, dessa forma, para a Educação.
Bom ano!
2 de setembro de 2009
Conhecimento
Não se percebe bem porquê, mas o facto é que se assiste, com demasiada frequência, a uma espécie de desejo colectivo de que os outros, os que nos rodeiam ou os que estão por perto, não prestem, não sejam capazes nem competentes. Como se as limitações dos outros fossem a nossa margem de manobra, como se os deméritos dos outros fossem os nossos méritos, como se a falta de esperteza dos outros fosse a nossa inteligência.
in em teoria, o amor é sempre bom. Leal, I.
Não são palavras minhas, mas podiam sê-lo. Quando reflectimos sobre competência, sobre capacidade de fazer, de pensar, de executar, tendemos, quase naturalmente, a assumir uma atitude etno e egocêntrica.
Defendo que competência (ou incompetência) é um conceito ligado, de forma irreversível, a um outro ao qual, muitas vezes, aparentemente, não se dá valor: Conhecimento!
Conhecer é saber e, consequentemente, saber é agir conscientemente e de forma capaz. Ora, se assim é, incompetência é sinónimo de ignorância (ou melhor, de desconhecimento).
Não saber, não conhecer, é o primeiro passo para agir de forma inconsistente, prejudicial e incorrecta. Logo, desconhecer é um sinal evidente de incompetência.
E quando refiro desconhecimento, não me debruço apenas na capacidade de saber-fazer, mas, e fundamentalmente, na capacidade de reflectir, de liderar, de proporcionar...
Ser ignorante é ser incapaz de delegar, de confiar, de trabalhar em equipa e de pôr em comum o que melhor nos servirá a todos.
Ser competente, é, por oposição, ser capaz de se envolver, fazer envolver, acreditar, confiar e produzir.
Por tudo o que agora exponho, desejo, neste início de ano lectivo, que todos tenhamos coragem de querer saber mais, de querer Conhecer!
in em teoria, o amor é sempre bom. Leal, I.
Não são palavras minhas, mas podiam sê-lo. Quando reflectimos sobre competência, sobre capacidade de fazer, de pensar, de executar, tendemos, quase naturalmente, a assumir uma atitude etno e egocêntrica.
Defendo que competência (ou incompetência) é um conceito ligado, de forma irreversível, a um outro ao qual, muitas vezes, aparentemente, não se dá valor: Conhecimento!
Conhecer é saber e, consequentemente, saber é agir conscientemente e de forma capaz. Ora, se assim é, incompetência é sinónimo de ignorância (ou melhor, de desconhecimento).
Não saber, não conhecer, é o primeiro passo para agir de forma inconsistente, prejudicial e incorrecta. Logo, desconhecer é um sinal evidente de incompetência.
E quando refiro desconhecimento, não me debruço apenas na capacidade de saber-fazer, mas, e fundamentalmente, na capacidade de reflectir, de liderar, de proporcionar...
Ser ignorante é ser incapaz de delegar, de confiar, de trabalhar em equipa e de pôr em comum o que melhor nos servirá a todos.
Ser competente, é, por oposição, ser capaz de se envolver, fazer envolver, acreditar, confiar e produzir.
Por tudo o que agora exponho, desejo, neste início de ano lectivo, que todos tenhamos coragem de querer saber mais, de querer Conhecer!
16 de agosto de 2009
O Mundo é estranho...
Este é apenas um apontamento, algo enigmático, que quero deixar registado: o Mundo é estranho!
O nosso Mundo, o Mundo dos outros, o Mundo do Mundo, o lado do Mundo, o Mundo do lado...
Todo o Mundo é estranho.
Em quem podemos confiar senão em nós próprios?
E será que podemos?
"Vive pela Espada e morrerás pela Espada"...
Ouvia esta frase quando me diziam para evitar fazer algo de que arrependesse. Sempre que fiz algo,do mais pequeno ao maior feito, fi-lo convicto de que seria melhor para mim, em qualquer momento, viver pela e com a verdade.
Encarei, enfrentei, fiz-me forte quando me aptecia chorar, chorei quando era melhor rir.
Tudo isso porque dei a primazia à honestidade e à sinceridade.
E de que valeu?
Talvez um dia seja recompensado.
Talvez sim... Mas o mais provável é que não.
O Mundo é estranho!
O nosso Mundo, o Mundo dos outros, o Mundo do Mundo, o lado do Mundo, o Mundo do lado...
Todo o Mundo é estranho.
Em quem podemos confiar senão em nós próprios?
E será que podemos?
"Vive pela Espada e morrerás pela Espada"...
Ouvia esta frase quando me diziam para evitar fazer algo de que arrependesse. Sempre que fiz algo,do mais pequeno ao maior feito, fi-lo convicto de que seria melhor para mim, em qualquer momento, viver pela e com a verdade.
Encarei, enfrentei, fiz-me forte quando me aptecia chorar, chorei quando era melhor rir.
Tudo isso porque dei a primazia à honestidade e à sinceridade.
E de que valeu?
Talvez um dia seja recompensado.
Talvez sim... Mas o mais provável é que não.
O Mundo é estranho!
10 de julho de 2009
(Muito) Mais do mesmo...
Já o escrevi, aqui. Algumas vezes.
Sei que escrever aqui não é sinal de que o conteúdo e a razão da escrita, só por si, altere o que quer que seja.
A escrita funciona como uma espécie de confissão partilhada de incapacidade e de saturação. E, por vezes, ajuda a fazer uma certa "digestão" das situações.
Tenho-me como um cidadão participativo e participante, empenhado e honesto, envolvido com as causas e orientado para o "bem comum".
Sei que, por vezes, essa solicitude é (bastas vezes) confundida com uma vontade de "brilhar" ou, num registo que considero mais ofensivo, de "vaidade pessoal".
Tenho plena consciência que não serei, facilmente, compreendido.
Devo, contudo, referir, em minha defesa, que sou avesso a "cargos", "tachos", "recompensas" e demais "prémios" que, normalmente se concedem (seja por justiça seja por "silenciamento") aos que, de forma quase permanente e impertinente, procuram a mudança.
Qualquer que seja.
Nos últimos tempos, seja em espaços de colaboração profissional, seja numa lógica social, envolvi-me em desafios (porque não dizer confrontos?) que tiveram como objectivo principal promover (provocar!) a mudança. Reconheço que foram desafios extremamente arriscados e díficeis, na sua maior parte porque de confronto com uma situação instalada e suportada num "modo de fazer" que é, desculpem-me a honestidade, demasiado "português".
Senti, ao longo desses processos, um apoio que não pedi, um envolvimento pelo qual não lutei e uma união que não julgava existir mas que, em determinados momentos, me mostravam que é possível ambicionar a mudança.
Mas reconheço agora que, tal apoio, não passou de uma "habitual" assunção de que "é preciso fazer algo, desde que sejam outros a fazê-lo".
A idade, o esforço, a paciência (que vai findando) mostram-me que não devo (e não quero!) fazer pelos outros o que eles próprios não fazem por si.
Custa-me ter de assumir isso. É contrário ao meu fundamento cívico e pessoal. Mas farei um esforço por respeitar esta minha nova vontade.
Tenho consciência que ninguém me "encomendou o sermão", mas custa-me assistir, diariamente, a injustiças, a queixas, a constatações de impotência.
Se me envolvi foi, também, para dar a cara por um conjunto de evidências de incompetência, ignorância, maus funcionamentos...
Sei-o agora que só na minha cabeça tais dislates eram censuráveis.
Porquê fazer uma manifestação de vontade, se, no íntimo, não queremos que nada mude? Porquê apelar à mudança se, no fundo, "estamos bem assim"? Porquê insistir na justiça se ganhamos com o seu contrário?
Custa-me este "baixar dos braços", mas digo-o aqui: não me venham com tretas sobre a necessidade de mudar de governo (de governar, gerir, dirigir...)!
Por mais que eu não o aceite (ao governo), aceito que, em Democracia, a maioria "dita"!
Mas neste(s) processos aprendi a reconhecer a maioria "a posteriori", ou seja, aquela em que todos ficam a ganhar, porque, no fundo, não quiseram que nada mudasse, apesar do apoio "incondicional" (prévio) à vontade de mudança....
Sei que escrever aqui não é sinal de que o conteúdo e a razão da escrita, só por si, altere o que quer que seja.
A escrita funciona como uma espécie de confissão partilhada de incapacidade e de saturação. E, por vezes, ajuda a fazer uma certa "digestão" das situações.
Tenho-me como um cidadão participativo e participante, empenhado e honesto, envolvido com as causas e orientado para o "bem comum".
Sei que, por vezes, essa solicitude é (bastas vezes) confundida com uma vontade de "brilhar" ou, num registo que considero mais ofensivo, de "vaidade pessoal".
Tenho plena consciência que não serei, facilmente, compreendido.
Devo, contudo, referir, em minha defesa, que sou avesso a "cargos", "tachos", "recompensas" e demais "prémios" que, normalmente se concedem (seja por justiça seja por "silenciamento") aos que, de forma quase permanente e impertinente, procuram a mudança.
Qualquer que seja.
Nos últimos tempos, seja em espaços de colaboração profissional, seja numa lógica social, envolvi-me em desafios (porque não dizer confrontos?) que tiveram como objectivo principal promover (provocar!) a mudança. Reconheço que foram desafios extremamente arriscados e díficeis, na sua maior parte porque de confronto com uma situação instalada e suportada num "modo de fazer" que é, desculpem-me a honestidade, demasiado "português".
Senti, ao longo desses processos, um apoio que não pedi, um envolvimento pelo qual não lutei e uma união que não julgava existir mas que, em determinados momentos, me mostravam que é possível ambicionar a mudança.
Mas reconheço agora que, tal apoio, não passou de uma "habitual" assunção de que "é preciso fazer algo, desde que sejam outros a fazê-lo".
A idade, o esforço, a paciência (que vai findando) mostram-me que não devo (e não quero!) fazer pelos outros o que eles próprios não fazem por si.
Custa-me ter de assumir isso. É contrário ao meu fundamento cívico e pessoal. Mas farei um esforço por respeitar esta minha nova vontade.
Tenho consciência que ninguém me "encomendou o sermão", mas custa-me assistir, diariamente, a injustiças, a queixas, a constatações de impotência.
Se me envolvi foi, também, para dar a cara por um conjunto de evidências de incompetência, ignorância, maus funcionamentos...
Sei-o agora que só na minha cabeça tais dislates eram censuráveis.
Porquê fazer uma manifestação de vontade, se, no íntimo, não queremos que nada mude? Porquê apelar à mudança se, no fundo, "estamos bem assim"? Porquê insistir na justiça se ganhamos com o seu contrário?
Custa-me este "baixar dos braços", mas digo-o aqui: não me venham com tretas sobre a necessidade de mudar de governo (de governar, gerir, dirigir...)!
Por mais que eu não o aceite (ao governo), aceito que, em Democracia, a maioria "dita"!
Mas neste(s) processos aprendi a reconhecer a maioria "a posteriori", ou seja, aquela em que todos ficam a ganhar, porque, no fundo, não quiseram que nada mudasse, apesar do apoio "incondicional" (prévio) à vontade de mudança....
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