22 de julho de 2010

"Mudar as regras"...

Ontem ouvi o Ministro Adjunto (Pedro da Silva Pereira) afirmar, entusiasticamente e com toda a "certeza" do seu ser, em relação à proposta do PSD de Revisão Constitucional, que "mudar as regras do jogo a meio não faz parte da consciência política deste Governo"...
Será que se esqueceu que foi o "seu" Governo que alterou, "a meio do jogo", a idade da reforma, o sistema de avaliação dos funcionários públicos (professores incluídos), as regras para acesso aos serviços (mínimos) de saúde, a organização do mapa de escolas, o atendimento (de segurança) às populações...
Claro está (como eu sempre aqui defendi) que as mudanças, globalmente, são boas. Mas uma coisa é fazerem-se "porque sim", outra coisa é ter o período adequado para as reflectir e, se necessário, integrar.
Ou seja, mudar as regras a meio do jogo: Sim! Mas se todos os jogadores as analisarem e integrarem em devido tempo. E acima de tudo, que haja um consenso generalizados sobre as suas mais-valias...

Tempos cheios

Há muito que por aqui não parava...
Têm sido dias cheios, intensos, demorados, em alguns casos, irracionais. Sem tempo para parar. Sem tempo para pensar. Sem tempo para agir...
Tem-me movido a vontade de avançar, independentemente dos precalços, das dúvidas, das incertezas.
Dou por mim a reagir em vez de agir. E isso não é uma característica minha.
Mas espero que a chegada das férias, do tempo morno de suavidade e de "calorzinho bom" me ajudem a re-equilibrar os níveis.
Espero que sim.
Não sei se sim, mas espero que sim!
Até já!

20 de maio de 2010

Datas Marcantes...

Chega amanhã mais uma daquela que dizem ser "uma data marcante".
Comemorarei mais um aniversário.
E já lá vão alguns.
Costuma dizer-se (não eu!) que a idade nos traz uma paz, uma "certa forma" de ser e de estar...
Sou educador de infância com muito orgulho e com enorme vontade de aprender, diariamente, a sê-lo (e fazê-lo) cada vez melhor.
Nesse aspecto, sinto que os "mais anos de vida" me afastam, por vezes, do essencial: tenho como objectivo profissional ser, cada vez mais, uma criança em estado puro de prazer e brincadeira.
Só assim, sinto, serei um profissional aceitável.
Pergunto-me muitas vezes porque nos esquecemos nós do prazer da nossa infância: das árvores que subimos, das quedas que demos, dos "ralhetes" de que fomos vítimas...
Não terão sido (todos esses "incidentes críticos") fundamentais para o que somos hoje?
Porque razão negar, então, àqueles que hoje acompanhamos, o prazer do lúdico, da descoberta, da experimentação, da desilusão?...
Não estaremos a proteger demasiado aqueles que nos são essenciais?
Que dirão eles, daqui a uns anos, quando comemorarem os seus (muitos) aniversários?
Que não fizeram, que não sentiram, que não puderam ser e estar...
Nesta data de aniversário, mais do que pensar em mim e na minha experiência, pensarei naqueles que, todo so dia, me enchem os anos de ternura, de prazer, de descoberta: os meus alunos.
E terei a certeza que, quantos mais anos terei, mais próximo deles quererei estar.
Os meus Parabéns a todos eles. Por não desistirem, apesar das condições...

10 de maio de 2010

Ficar....

A situação dos que ficam é sempre mais triste do que a dos que partem. Partir é um movimento que se dissipa, e nada distrai as pessoas que ficam
Pierre Marivaux
Ficar.
Imaginar que tudo vai ser diferente. Que tudo se transformará, como se de um fenómeno de renovação se tratasse.
Ficar.
Imaginar que há o alento de potenciar a mudança. De provocar o caos que restabeleça o caminho.
Ficar.
Imaginar que o caminho acabou, e não ter forças para o retomar.
Ficar.
Sentir que o fim é "ali".
Ficar.
E depois?
Acreditar no que dizem os "entendidos"? Assumir que ficar é o princípio do caminho? Saber que a imobilidade é desestruturante?
E depois?
Ficar é sempre ficar... 

2 de maio de 2010

Mudanças...

Por mais de uma vez reflecti, neste espaço, sobre a(s) Mudança(s).
Reconheço, com cada vez maior pertinência, que o estado natural do ser humano é o de mudança.
Mudam as dinâmicas, as lógicas, as vontades, até as células mudam.
Mas para que as mudanças sejam reconhecidas sinto, cada vez mais, que tem de partir de cada um de nós a vontade de as aceitar. Esperamos pelo "clique" significativo. Pelo "sinal" que nos impõe um desvio na direcção que (achamos nós) é a correcta.
E esse processo não é fácil.
Nem sequer simples.
Mudar significa, também, deixar de aceitar como certo tudo aquilo que foi a nossa construção cultural, social, pessoal...
E, se não formos "assim tão novos", a mudança implica ainda mais uma sensação de desconforto que se torna imobilizadora, agressiva, difícil...
Mudar, no fundo, é escolher um caminho desconhecido, mas acreditar que ele nos levará ao nosso objectivo.
É deixar-mo-nos guiar pelo inconstante, pelo incerto, pelo oculto, mas sabermos que lá chegaremos.
Mudar é acreditar!
Mudemos, então...

28 de abril de 2010

Acordos...

Devo começar por escrever que, neste momento em que, sentado com o portátil à frente, me transformo em palavras, sinto como que uma comunhão com o Mundo (com o meu desejado Mundo), patente na minha expressão de aligeirada loucura.
Tudo isto porque tive a oportunidade de presenciar (em óptima companhia) e usufruir de um tempo de prazer inigualável, concedido pelo José Eduardo Agualusa (com excelente acompanhamento do Carlos Vaz Marques) no "Café com Letras" na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Poderia estar para aqui a escrever sobre múltiplas incidências desta conversa-quase-lição-e-também-sobremesa, mas seriam tantas que me perderia, quase de certeza.
Mas aproveito este post para reflectir (em "voz" alta) sobre uma das questões abordadas e que foi, talvez, a mais polémica.
A páginas tantas entrámos pelas análises à questão da lusofonia e, principalmente, do Acordo Ortográfico. O Agualusa, que tem o condão de dizer, tão bem, o que muitos de nós pensamos mas somos incapazes de verbalizar, justificou, de forma cabal e devidamente contextualizada, a necessidade de existência do acordo. E apesar das muitas sugestões de reflexão/compreensão, a que mais fundo me tocou prende-se com a petulância e arrogância de um pequeno grupo (portugueses) em relação à maioria (de mais de 90%) dos falantes.
Reflectia ele que a Língua Portuguesa é muito mais do que ortografia e que é a cultura imbuída, que nasce na diferença e na capacidade única de incorporar, que dá razão de ser a uma língua, no âmbito da união e da partilha social e cultural. Logo, qualquer Acordo que regule a terminologia ortográfica é "pormenor de somenos importância". Como exemplo, falou-nos do Euro, que dois dias antes de se tornar "cidadão de pleno direito da Europa", provocou cataclismos há muito (agora) esquecidos.
Neste âmbito, os Acordos (quaisquer que sejam), apenas regulam uma parte do todo, e se puderem ser entendidos de forma conveniente (e deixando de lado a arrogância natural daqueles que querem fechar em si a razão de qualquer existência), não afectam o fundamental: a Língua Portuguesa é muito mais do que a soma de muitas partes.
Por tal, e parafraseando o Agualusa, "O conceito de Lusofonia não pode encerrar em si a ideia de "origem". Por si, o termo é incompleto. Mas não tenho outro melhor...."
Mas, nas minhas palavras, também concordo que, "fechar" num termo cuja origem define a "fonia" (de fonética, de som) todo um espaço de cumplicidade, partilha, irmandade, é redutor...
Mas valerá a pena pensar nisto!

20 de abril de 2010

Mestres...

"Ser mestre não é de modo algum um emprego e a sua actividade não se pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro"
Agostinho da Silva
Há sempre coincidências que são inexplicáveis.
Andando eu em "leituras" desconexas, eis que encontro esta citação do professor Agostinho da Silva.
Poderia (e tenho vontade disso) discorrer sobre os conceitos, os princípios, os objectivos e a intencionalidade de tal frase, mas como a acho absolutamente completa, deixa-la-ei "falar" por si.
Sem mais delongas!

2 de abril de 2010

Às vezes...

Às vezes, achamos que "tudo está mal!".
Outras, julgamos que "está tudo contra nós!".
Na maior parte das vezes, fingimos acreditar que há como que uma "ordem geral" que define o nosso passado, age no nosso presente e condiciona o nosso futuro.
Mas, invariavelmente, acreditamos na "sorte" e no "acaso".
Porque em Educação o "acaso" e a "sorte" são conceitos pouco compreensíveis, perdemos bastante tempo a achar que "não nos é possível" fazer a mudança.
Mudar implica, antes de mais, acreditar. Acreditar que é possível.
Claro está que, para compreendermos a possibilidade de mudar temos de nos tornar proactivos e geradores da mudança. Das pequenas mudanças.
Saído recentemente de uma reunião de docentes, e apesar dos assuntos "escalpelizados", e das propostas de mudança, ficou-me nítida a sensação de que, para mudar, não basta querer. É necessário acreditar na mudança.
A atitude passiva, o discurso destrutivo ou desadequado, a opinião inconsequente, a reflexão oca são, infelizmente, "notas" importantes em reuniões de e com docentes.
Por mais que exista quem, de forma sincera, opte por uma atitude disruptiva e consequente com as suas práticas, tende-se a desvalorizar o benefício da mudança em nome de uma determinada "forma de fazer".
Até quando?
Até quando continuaremos a "fazer de conta" que o Bullying (por exemplo) ou a Indisciplina, ou a incapacidade de aprender não é só "culpa" dos outros?
Quando é que chegaremos à conclusão de que, enquanto docentes, somos também, de certa forma, culpados...
E não teremos de mudar?

20 de março de 2010

Limpar Portugal...

Hoje foi dia de "pôr em prática", segundo alguns, o "gesto nobre de contribuir para o espaço cívico comum"...
Chamaram-lhe Iniciativa "Limpar Portugal".
Desde já devo deixar escrito que (e tal como é possível "ler" em muitos dos meus "posts" neste blogue) concordo, por princípio e em absoluto, com todas as iniciativas que visem promover um sentimento de pertença cultural e social e que, globalmente, sejam movidos por uma forte dinâmica de solidariedade.
Em relação a isso, que não fiquem dúvidas.
Contudo, e porque este espaço é mesmo o de "reflexões" diárias, a quente, descomprometidas (ou bastante comprometidas!) e completamente irresponsáveis, apetece-me zurzir um pouco (ou muito) contra este tipo de "carneirada" irreflectida em que, por vezes, nos metemos (ou nos metem!).
Por pontos:
Ponto um. Chamaram-lhe "inovadora", mas só quem tem memória curta poderá dizer uma coisa dessas. Em 2000 e 2001, na sequência de um movimento internacional (que nasceu na Austrália) chamado "Pensar Global, Agir Local!", milhares de pessoas, em todo o mundo, uniram-se num esforço local e delimitado que teve (tinha) como objectivo os mesmos desta agora chamada "inovadora" iniciativa. Relembro que, em Portugal, a iniciativa acabou por esmorecer dada a ineficaz colaboração das entidades competentes (Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, Ministério do Ambiente, etc.) pois, como está de ver, podemos contar com o voluntariado mas "não pagamos para limpar...", e as luvas, os sacos e o transporte para os locais de deposição final de resíduos não podem (não devem) ficar por conta dos voluntários...
Ponto dois. É sempre interessante constatar que, por mais que se apresentem "milhares" de voluntários ligados à iniciativa, muitos mais poderiam ser, se, e tal como se deseja, estas iniciativas "tocassem" fundo nos sentimentos de cooperação, partilha e responsabilidade social das pessoas...
Ponto três. Nesta iniciativa, que "centrou" o esforço conjunto nas "lixeiras a céu aberto" que por aí existem, pouco ou nada (apesar da "contribuição" de muitas entidades com responsabilidade na matéria) se disse sobre "o dia seguinte". Ou seja, e agora? Quem vai evitar que os locais agora "limpos" não se transformem, rapidamente, em "mais do mesmo"?
Ponto quatro. Fomos , em alguns casos, fazer alguns quilómetros para nos juntarmos a um grupo de amigos, conhecidos, interessados (o que seja), para limpar um bocadinho do nosso país (esse país abstaracto e distante). E a nossa rua? Quem a limpou? Melhor: será que, apesar da viagem, vamos continuar a deixar cair, discretamente, o lenço de papel no chão, atirar a beata pela janela do carro, deixar os restos do piquenique na mata ou deixar a lata de sumo na praia?
E quando trocarmos de móveis em casa, será que vamos ligar para a linha dos Monos e ficar com o traste velho em casa mais uns dias, até que venham fazer a recolha?
Pois é.
Estas iniciativas são sempre de louvar.
Mas não deixaria de ser bastante interessante que, além destes dias "comemorativos e de celebração", nos lembrássemos que, tal como o Dia da Mulher, o Dia da Terra, O Dia da Não Violência e muitos outros dias comemorativos (ou , como prefiro, "de memória"), seria preferível não os comemorar por não haver razão para tal...
Mas a quem possa ter servido, como escape, como penitência ou como "ajuste de contas" consigo (e com alguém mais), deixo o repto: e amanhã, limpamos a nossa rua?

P.S. Não li nem ouvi nas notícias, mas será que alguém foi Limpar Portugal para os lados de S. Bento e de Belém? E terão recolhido os monos? Gostava de saber...
Pode ser que amanhã os jornais digam que "somos um país desgovernado"...

14 de março de 2010

PEC ou, por outras palavras Paguem Esses (do) Costume

Amanhã, com toda a pompa e circunstância, lá irão os representantes da Nação (entenda-se: os representantes de uma "certa" Nação), entregar "em Bruxelas", o "plano de esforço que os portugueses farão, ao longo dos próximos anos, para evitar uma situação catastrófica"...
Hoje, pelas bandas de Mafra, dão-se os últimos tiros numa guerra que não interessa a ninguém, mas, na realidade nos toca a todos: "escolhe-se" o próximo candidato a Primeiro-Ministro de Portugal (ou talvez não!).
Neste fim de semana de "boas notícias" para os tais PEC (ou seja, os que vão pagar) são poucas as hipóteses de vislumbrar, efectivamente, alguma luz ao fundo do túnel.
Reconheço (não reconheceremos todos?) que a situação está complicada. Reconheço também que, neste momento, teremos mesmo de ser todos a contribuir para não deixar a situação piorar. São muitas as empresas a fechar, o desemprego a subir assustadoramente, a capacidade financeira do País a extinguir-se...
Mas será que esta situação se fica a dever apenas aos "suspeitos do costume"?
Será que a compra de bólides de topo de gama para quase todos os ministérios em 2005, "derrapagens" nas obras públicas, acordos de concessão de "auto-estradas", investimento em empresas de comunicações e energia em nome do "desígnio nacional" ou as luvas de venda e compra de material militar, entre outros, não são mais "responsáveis" do que os "pobres" dos contribuintes que, mesmo que quisessem, não conseguem pôr o seu dinheiro em "off-shores"...
Mas, e num momento em que se apertam mais os atilhos (porque nem cinto já há), não se vislumbram melhorias.
Ao menos que nos dessem a ideia que a coisa poderia, efectivamente, melhorar.
Mas, de Mafra, também só o Palácio/Convento, obra prima do "Gastadorismo Nacional"...
Mas o Aeroporto continua lá... E o TGV também.
E nós pagaremos!

4 de março de 2010

Como será quando acontecer?...

Nos últimos tempos, têm-nos chamado Porcos (PIGS) em todo o mundo e nós temos deixado.
E parece que não fazemos nada para o evitar.
Comparam-nos à Grécia (cujos resultados económicos de muitos anos a iludir o "povão" e a viver à grande e à grega - Jogos Olímpicos incluídos... - deram no que está à vista: inflação de 12%, dívida internacional de mais de trezentos mil milhões de euros, os trabalhadores a perderem direitos assumidamente garantidos, como o chamado 14ª mês...) e nós cá nos ficamos...
Uma ou outra grevezita (já aqui refeiri que não faço greves por princípio...), um ou outro "comentador" a levantar a voz e a ser rapidamente silenciado e um Governo a viver à custa de pseudo-escândalos distractivos (Freeports, Faces Ocultas, TVI/PTs e outros tantos)...
Mas não nos podemos esquecer que foi eleito (o Governo) com base em "promessas" eleitorais que custam, grosso modo, 700 mil milhões de euros: Aeroporto, TGV...
Será que não temos capacidade de ver um pouco mais à frente?
Será que só "copiamos" o que vem de fora quando vem rotulado de "sucesso"?...
E o "caso Grego", não nos deveria fazer pensar?...
Ou so o faremos quando se for o 14ª mês??!!!...

24 de fevereiro de 2010

Este país não é para novos!

Antes de mais, aproveito este "post" para prestar uma homenagem aos madeirenses que, nestes momentos de infortúnio, clamam aos "céus" um pouco de conforto e de paz. Sejamos nós os Céus de que eles tanto precisam!
Mas aproveito ainda este "post" para reflectir algumas questões que, dada a situação, se tornam pertinentes, designadamente aquelas que nos relevam a "Portugalidade" e a tão exigida (nestas situações de infortúnio) "solidariedade nacional".
Vem isto a propósito, por um lado, devido à situação em si, que, não tenho dúvidas, nos faz pensar, justamente, no nosso contributo individual enquanto cidadãos de um país, de uma nação...
Tal como tenho vindo a escrever em alguns dos textos aqui publicados, devemos sentir-nos solidários e portugueses não apenas em casos extremos, mas no dia-a-dia e, sobretudo, nas nossas acções comuns, seja no trabalho, em casa ou com os amigos.
Neste sentido, parece-me fundamental que, perante situações destas, que nos tocam a todos, pensemos:
- O que fazemos quando somos confrontados com momentos (de eleições, por exemplo) que podem, efectivamente "mudar" a perspectiva que temos de algo que não nos afecta directamente (e tanto se fala das questões da corrupção municipal, por exemplo, onde podem estar radicadas algumas das "dinâmicas" tão referidas agora das "construções impensadas" em leitos de cheia e outros)?
- O que fazemos quando ouvimos que situações de catástrofe natural (cheias, terramotos, etc.) se tornam tão comuns actualmente, e que nos podem estar mais próximas do que julgamos?
- Porque nos esquecemos, em momentos de "paz" social, que, depois, as coisas podem piorar?
- Porque teimamos em achar que "o pior só acontece aos outros"?
Estas minhas dúvidas, que mais não são do que constatações de uma realidade tão presente em nós, são apenas uma "leitura" simplificada das situações que tenho assistido, nomeadamente em termos profissionais:
- Nunca há tempo (nem disponibilidade) para "ensaiar/treinar/preparar" situações de prevenção sísmica e/ou de incêndio nas escolas, pois "temos muito que fazer" (neste particular, revelo que, ao longo de mais de 15 anos de prática profissional, em diferentes estabelecimentos, só fiz um (!) exercício de prevenção sísmica, apesar de sempre ter trabalhado na região de Lisboa, que, sabemos nós, está sobre uma falha geológica);
- Habituámo-nos a esperar a intervenção divina (que é como quem diz do "Estado") mas apresentar uma reclamação sobre um serviço mal prestado é sempre "desnecessário";
- Tememos sempre "incomodar" um vizinho que teve um comportamento social desadequado porque "achamos que não vale a pena aborrecermo-nos com isso"...
Estes (poucos) exemplos mostram bem o que tento conceptualizar, ou seja, somos sempre "solidários" e "portugueses" quando toca a reunir, mas, prevenir é uma palavra vã...
Deixamos para depois, porque não queremos evitar...
Será que é isso que caracteriza o chamado "desenrrascanço" português?

13 de fevereiro de 2010

Insistir...

Continuo a acreditar que é possível mudar o Mundo.
Apesar das dificuldades, sei que se cada um de nós tentar, é possível fazê-lo.
Uma amiga dizia-me que "agora, aos quarenta, vemos as coisas de forma diferente...". Tenho a certeza que é verdade, mas ainda quero usar os anos que me faltam para me recusar a desistir...
Não sei se por cansaço, pela idade ou, pura e simplesmente, por me recusar a "fazer igual", mas esta sensação de impossibilidade, de ver todas a "boas intenções" esbarrarem num obstáculo intransponível, deixa-me confuso e desmotivado.
Não sei se conseguirei resistir por muito mais tempo, mas começo a sentir que não vale a pena Ser e Pensar por mim e pela minha cabeça. Se calhar é mais fácil seguir a onda, ser ovelha.
Tento, em cada minuto da minha vida fazer as coisas de forma a que a minha pequena "migalha" possa contribuir para um Mundo melhor. Faço-o no trabalho, na família, no lazer...
E por mais que possa, por vezes, ser "recompensado" por isso, sou-o num círculo muito restrito. É evidente que, como no jogo do hipopótamo (quem se lembra?), há sempre uma marreta à espera para me "dar na cabeça".
Porque será?
Será assim tão desafiador entregar-me ao que faço e querer, dessa forma, mudar alguma coisa?
Profissionalmente sinto um reconforto enorme quando sou reconhecido pela prática profissional que desenvolvo, seja em forma de "nomeação", de reconhecimento público, de avaliação de desempenho ou apenas de felicitações...
Mas parece que isso não chega para pararem de me "azucrinar"...
A dor de cotovelo de que ouço falar parece ser mesmo persistente...
Insistir ou desistir?
Eis a questão...

8 de fevereiro de 2010

Mais de 100 "posts"...

Hoje faço o meu centésimo primeiro "comentário" neste Blog.
Quando o criei, há uns anos, não imaginei que "me" servisse tanto.
Fi-lo, numa primeira fase, para "experimentar", para me manter atento e actualizado no que concerne às disponibilidades tecnológicas. Na altura tinha já uma "página pessoal" e algumas "páginas web" dos jardins de infância onde tinha trabalhado.
Foi como um bichinho...
Começou a aumentar e devo deixar escrito que a existência de um espaço virtual onde vou discorrendo sobre tudo e sobre nada, onde me exprimo, onde "afuguento" alguns dos meus fantasmas é terapeutico.
E vale a pena.
Talvez um dia, com calma, e ao reler todos os comentários, consiga fazer a "minha história de vida"...
Quem sabe.
Mas não há dúvida que manter este "diário", pessoal e (in)transmissível é fascinante. Principalmente quando recebo alguns comentários e respostas que me fazem, realmente pensar. Que me mudam o Mundo!
Obrigado!

2 de fevereiro de 2010

Doutores...

No passado fim-de-semana assisti a um encontro de ideias, de reflexões, de práticas, de sugestões...
No passado fim-de-semana estive presente num espaço que, por excelência, "pertence" à investigação, à comprovação, à pesquisa.
No passado fim-de-semana participei, activamente, numa dinâmica de partilha, de colaboração, de cooperação.
Do passado fim-de-semana ficou-me a ideia de que é possível fazer muito. De que é possível fazer mais e melhor.
De que nós, portugueses, envolvidos, conhecedores, dinâmicos, temos muito (de bom!) para dar.
E de que não devemos temer fazê-lo!
Contudo, uma nota: porquê insistir nesta "décalage" entre os que "fazem" e os que "pensam"?
Foi notório, no fim-de-semana, que quem não "estuda", quem não tem um Mestrado ou um Doutoramento nem sequer "merece o tratamento por doutor...", dificilmente estará integrado no "topo" do conhecimento...
Que pena sinto de a nossa magnífica língua não permitir (como no Inglês ou no Espanhol) que o você signifique mesmo que "tu"...
Tantas distâncias se esbatiam...
No fim-de-semana que me "encheu as medidas" tive pena de, por não ter "estudado", de não me ter sido dado a mesma "oportunidade" de mostrar que o que faço, também posso fazer bem...
Pode ser que mude.

15 de janeiro de 2010

"Educar crianças"...

"Entre nós as crianças são educadas para a dissimulação. Aprendem a prescindir do pensamento. Viver sem pensar é uma arte difícil. Exige um treino árduo. Em situações em que o pensamento aflora (um descuido), as crianças são ensinadas a não abrir a boca. No caso de serem forçadas a abrir a boca, enquanto pensam, nunca, mas nunca, devem dizer o que lhes vai na alma. A hipocrisia constitui virtude muitíssimo apreciada na terra dos homens-camaleões. Outras normas:
- Ter o cuidado de não deixar marcas da nossa passagem. Varrer as pegadas que ficam para trás.
- Não respirar na presença de estranhos. Sendo mesmo necessário respirar, deve evitar-se o mais leve ruído.
- Esforçar-se, sempre, por confundir-se com a paisagem, em particular a paisagem política.
- Em Roma sê romano, e de preferência um pouco mais papista do que o Papa. Quando os outros disserem mata, grita esfola.
- Ser sempre o último a sair da mesa (das festas, do escritório, etc.). Numa mesa com angolanos, os que saem vão sendo sucessivamente caluniados pelos que ficam. A punhalada pelas costas é desde há muito um dos nossos desportos nacionais"


José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical, 2009


Poucas vezes, neste espaço, tenho usado palavras de outros para exprimir o que sinto. Deixo essa vertente para outros espaços virtuais.
Contudo, esta passagem é deveras clara e clarificadora. Apesar de devidamente "identificada e temporalizada", nunca eu tal conseguiria.
Que me desculpe o Agualusa mas quem publica o que escreve pode ter de se sujeitar...
E que bem está dito...

30 de dezembro de 2009

Para todos, um Bom 2010!

É, normalmente, nesta fase do ano (os últimos dias, o "estertor da morte")que se fazem os desejos para o ano que se segue.
Como é também "tradicional" nestes últimos momentos, deseja-se aquilo que "devia ter acontecido, mas não aconteceu!".
É assim, sempre foi assim e continuará a ser assim por muitos e muitos mais anos.
Contudo, porque somos animais de hábitos, não passamos sem essa formulação "fundamentada e lógica", que nos liberta (pelo menos um bocadinho) e projecta num referencial pouco efectivo (a Sorte) aquilo que gostaríamos que, realmente, acontecesse num futuro próximo.
Assim sendo, aqui vai:
- Que 2010 seja um ano de mudança em termos ecológicos e ambientais;
- Que 2010 faça chegar a todos os portugueses a consciência de que, todos juntos, podemos fazer melhor;
- Que 2010 traga uma efectiva aposta na Educação e na Justiça como espaço fundamental para a melhoria e para o crescimento da economia;
- Que 2010 permita que se "veja mais longe" e que, consequentemente, se comecem a fazer projectos a médio e longo prazo (coisa que tem sido difícil, especialmente na Educação);
- Que 2010 seja o ano do retorno ao básico: Saber Pensar, Saber Ser e Saber Estar!!!!;
- Que 2010 permita que, no seu final, não tenhamos de voltar a fazer os mesmos "pedidos";
E por último, que 2010 seja mesmo o ANO das MUDANÇAS!
Bom Ano!

11 de dezembro de 2009

Aprendizagem Colaborativa

São muitas as mensagens que, diariamente, recebemos.
Algumas são especiais. Este é um caso:

Participar...

Já aqui escrevi algumas vezes que me surpreendo com a alguma incapacidade que a maior parte das pessoas têm de se envolver na "coisa pública".
Já o referi também que essa pouca disponibilidade, nomeadamente no que concerne às suas próprias escolhas pessoais, me é aterradora, na perspectiva da luta por uma "vida feliz".
Parafraseando um comercial de televisão, "se eu não fizer por mim, quem o fará"?
Mas às vezes, também fico siderado com as respostas que alguns desafios obtêm.
Serve isto para explicar (se é possível) o apoio e envolvimento que tenho recebido (em nome de uma equipa maior) para a nossa "causa". E a causa até é uma "causa" menor, se tivermos em conta os problemas mais latos e globais que o país e as pessoas actualmente enfrentam.
Em torno de um projecto associativo e profissional, tem nascido uma onda de apoio e solidariedade que, devo confessá-lo, me espanta de alguma forma. Não pelo valor intrínseco que o projecto, por si, possa ter, mas pela globalidade e origem de referências de agrado e cumplicidade.
Surpreende-me e satisfaz-me, porque, sendo eu um optimista melancólico, apraz-me registar que ainda há movimentos que despoletam paixões e acções.
E isso, enquanto "forma de vida", deixa-me feliz.
O meu obrigado pela "participação".

18 de novembro de 2009

Em Espanha, a defender o "que é Nacional é bom"!

Já que são parcas as vezes em que me "deixam" dissertar sobre as questões da Educação e da Educação de Infância, em locais públicos, neste cantinho "à beira Mar plantado", lá vou até Madrid para dizer em Espanhol o que não consigo que ouçam em Português...
Podem acompanhar o congresso através da internet e, se quiserem, participar "à distância".
Discorrerei sobre "Competências Tecnológicas no Jardim de Infância" e acima de tudo, absorverei o que por aí fora se anda a fazer nesta área...

5 de novembro de 2009

Sobre “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância”*

Num outro fórum em que participo, reflecte-se à volta das “dimensões e componentes da profissão de Educador de Infância” e, como é comum neste tipo de partilha, muito se tem dito, nomeadamente sobre o espaço da formação académica e, claro está, de definição de um quadro ético e deontológico.
Os comentários, designadamente os que nos oferecem uma maior profundidade de reflexão, consubstanciam, na globalidade, uma dinâmica de assunção de um problema que “urge resolver”…
Mas, independentemente de parte da reflexão se apoiar na perspectiva da pertinência da formação (inicial, contínua, especializada, etc.), prefiro destacar a "construção pessoal da profissionalidade".
Neste conceito, devo, para melhor entendimento, "ir buscar" um tópico de base da citada reflexão que enunciava um conjunto de pressupostos de “Ser Educador” (dos quais retirei alguns: Acompanhar e apoiar o desenvolvimento de cada criança; Desempenhar um papel social da mais elevada responsabilidade. (Valores Implicados) Humildade, respeito, cumplicidade, parceria, solidariedade, curiosidade, vontade de saber mais, igualdade, resignação, espírito de iniciativa, saber trabalhar em grupo; Vocação, entrega total, imparcialidade, justiça, bondade, altruísmo, partilha; saber ir ao encontro das necessidades, dificuldades, opiniões, … das crianças; ajudar as crianças a serem pessoas mais cultas, educadas, formadas a vários níveis…) que me fez sorrir: a forma como são apresentados fez-me imaginar estar a folhear um qualquer livro de "comics" americanos onde, nas primeiras páginas, se desfiam as características do super-herói protagonista...
E essa foi mesmo a sensação: a de que para alguém, os educadores/professores/docentes são super-heróis.
Desculpem-me discordar com esta visão de "Um Mundo Perfeito".
Independentemente dos valores (construídos ou inatos) do espaço social, das "obrigações e deveres" profissionais e do quadro (regulamentador) da tarefa educativa, não nos podemos esquecer, nunca, que o educador/professor/docente é um ser humano, com todas as características e condicionalismos que estão associados a esse seu estado.
Por tal, ao reflectir o espaço da organização ética e deontológica do educador/professor/docente, é fundamental incluir as questões referentes a sua condição humana e social.
Quantos de nós não erramos, não invejamos, não somos pouco solidários, não estacionamos o veículo em cima do passeio, não gritamos, não nos zangamos desnecessariamente, não somos racistas ou xenófobos?...
Faz parte da condição humana.
Citando a Prof. Isabel Batista (em entrevista à Página da Educação): "Na minha opinião, os valores éticos fundamentais dos educadores baseiam-se na proximidade e na responsabilidade. Neste sentido, costumo defender três princípios básicos: o primeiro é o reconhecimento da perfectibilidade de todas as pessoas, ou seja, de que todos podem e devem fazer um percurso de aperfeiçoamento - que, no fundo, é o direito de realização da sua humanidade. Para um professor, esta dimensão deveria constituir uma condição prévia ao exercício da sua profissão.
Depois, a crença incondicional na educabilidade do outro. Um professor que não crê neste pressuposto não pode acreditar que o aluno pode fazer um percurso de evolução positiva, nomeadamente através da sua intervenção.
Por último, a aceitação ética do negativo da educabilidade, ou seja, o princípio de que a educabilidade não pode ser exercida influenciando o percurso do outro a qualquer custo, porque o outro não é uma "obra" minha."
aproveito para sublinhar o aspecto da formação pessoal e social do cidadão como base do desenvolvimento de uma competência profissional.
Neste particular, e independentemente da formação (académica) que nos seja permitida, é de particular importância a reflexão sobre o espaço da nossa intervenção individual enquanto modelo educativo. Não será "visível", no espaço formal de intervenção educativa, a nossa incapacidade de partilhar? a incapacidade de integrar, efectivamente, os nossos novos colegas de profissão (a este respeito, a conselho uma "vista de olhos" a teses ou artigos sobre "Dificuldades de Integração Profissional dos Novos Docentes", nas quais, invariavelmente, os resultados apontam como principais dificuldades percepcionadas as questões da integração na escola e o convívio com os colegas como as primeiras - destacadas - objecções...)?, de articular, efectiva e eficazmente, no pressuposto da Qualidade Educativa?, de construir um espaço relacional sem ambiguidades e, acima de tudo, de coragem e frontalidade????
Ou seja, independentemente do quadro legal, institucional, de crenças e valores profissionais, falar de ética e deontologia é também falar de mim, do EU e da minha relação com os outros e, sobretudo, predisponibilizar-me para a crítica, para a melhoria e para o crescimento individual. E estes, infelizmente, ainda são conceitos arredados da reflexão docente...
Mas não deviam…!

*ou de outros docentes!

26 de outubro de 2009

Nova vida, ou novos desafios?

Comentava-se hoje, por bandas da Sala de Professores, o que nos traria um novo Governo e um(a) novo(a) Ministra da Educação.
Não tenho respostas. Não sou futurólogo mas sinto que posso afirmar que, sem que nada se mova, tudo possa mudar.
E nada se mova porquê?
Porque é conveniente iniciar um novo período de "bodo aos pobres" que permita uma navegação segura e sem percalços.
Porque é importante que não caia nada que não se aguente em pé, e que nada seja içado que deva estar caído.
Ou seja. Para já, mudanças só na possibilidade de acharmos que alguma coisa mudará...

12 de outubro de 2009

Sobre Tudo e Coisa Nenhuma....

Chegámos a um ponto em que tudo nos é possível.
Sem nos darmos conta disso, fomo-nos tornando cada vez menos exigentes e cada vez mais permissivos.
Não basta acharmos que "alguma coisa deve ser feita". É fundamental que o façamos.
Vem este comentário a propósito da (recorrente) Avaliação de Desempenho dos Docentes (ADD).
Já muito foi dito e escrito, mas continuamos a ter a possibilidade de acrescentar mais uns pozinhos...
Hoje, a novidade foi a de que "neste contexto, não há professores excelentes!"
Desculpem-me discordar.
Infelizmente, como já tive, por mais de uma vez, a oportunidade de aqui referir, a principal (na minha modesta opinião) causa de mal-estar no grupo docente (e reparem que não lhe chamo classe, porque, por definição, teria de ser uma mole - humana - com o mesmo sentido) sobre este modelo de Avaliação proposto é o facto de partir do princípio que todos os docentes são maus e, por isso, deverão melhorar.
Claro está que, nesta base empírica, teríamos de falar da economia de escala, da curva de Gauss, da necessidade imperiosa de adequar recursos a objectivos e a resultados...
Não é, contudo, sobre estes pressupostos que agora me apetece reflectir.
Defendo que, sobre este (errado) modelo de Avaliação, bastar-nos-ia "pô-lo a funcionar" para ele cair. Ou seja, se todos nós, docentes, tivessemos requerido a "Avaliação Científica e Pedagógica", em menos de dias, todo o sistema ruiria. Além de que mostraríamos a todos aqueles que acham que não queremos ser avaliados que não é bem essa a nossa razão.
Dou-vos um exemplo: requeri a dita avaliação científica e a colega Avaliadora era docente titular de um grupo de lugar único. Nos dias em que esteve a observar-me, o seu grupo foi assegurado (para que funcionasse) pela colega do Conselho Executivo que para o efeito se deslocou...
A conveniência da coisa é que só três (em 21) docentes do Departamento solicitaram a tal avaliação, senão, quantas escolas teriam de fechar?
Serve esta interrogação para explicitar a forma mais adequada de fazer cair o modelo de avaliação: é incomportável!
Mas só fazendo-o funcionar é possível objectivar o efeito negativo e pernicioso que lhe está adjacente.
Porque temos nós medo de arriscar?
Mas gostava ainda de reflectir um outro aspecto. Tenho ouvido (e acaba por ser muito geral) que, na maior parte dos CEs (ou Directores, agora) o nível "Excelente" não tem sido muito "atribuído". Dizem-me, na maior parte das vezes que se deve ao facto de que "nenhum de nós é excelente!".
Ora aqui está uma vez mais, a nossa forma de pactuarmos com o sistema que nasceu torto.
Por definição, "Excelência" representa um estado abstracto de superioridade ou o estado de ser Bom no mais alto grau.
Ora, neste caso concreto (o da ADD), o nível "Excelente" corresponde a um espaço da graduação de avaliação (entre 9,1 e 10), logo, não corresponde a essa definição abstracta de Excelência.
Tivessem chamado a esse intervalo gradual "Muitíssimo Bom" ou "Óptimo" e se calhar não haveria pruridos, mas, talvez a escolha de palavra (e conceito) fosse propositada. Se calhar era intenção criar este "efeito nuvem" para que o prurido pedagógico-administrativo funcionasse em desfavor dos docentes...
Não havendo "Excelência" cumprir-se-ia a estratégia de "afinar por baixo" (com as tais implicações que isso teria ao nível da Carreira, da Curva de Gauss, etc., etc.), e, logo, de justificar a afirmação de que os docentes "são maus e precisam melhorar"...
Cabe-nos mostrar o contrário: que todos os docentes são excelentes, mas podem ainda ser melhores!
Mas como disse no princípio: chegámos a um ponto em que parece que tudo "não nos interessa", e, usando uma imagem proverbial: que nos comam, então, as papas na cabeça!
E, dito isto, acrescento que, tal como atribuo nota 5 (ou 20) aos meus alunos, se eles o merecerem e trabalharem para isso, também o Excelente para os docentes não me preocupa!

8 de outubro de 2009

Sobre manuais escolares e outros assuntos em torno da educação de infância

Já fui acusado de "radicalismo", por ser completamente contra a utilização de "manuais escolares" na educação de infância.
Compreendo que a força do dinheiro (editores, autores, intermediários, etc.) é grande e absorvente, contudo, gostava de deixar umas pequenas observações sobre este tema: na década de 70, os muitos manuais escolares em uso (que, na maior parte enalteciam as virtudes do Estado Novo) foram abandonados (queimados e destruídos, diria), ao abrigo de uma consciência colectiva que pretendia "libertar" o povo e as jovens gerações do "jugo do fascismo".
Nas décadas de oitenta e noventa, as editoras começaram a "importar" para os manuais escolares referências (directas) a marcas e, de certa forma, a publicitar, comercialmente, produtos e bens.
Na actualidade, o Ministério da Educação constituiu uma equipa para "avaliar pedagogicamente a qualidade dos manuais escolares", o que fez com que as editoras se tivessem de voltar para “novos mercados”...
Posto isto, sobre os manuais escolares, tenho dito!
Mas sobre a sua utilização, primeiro, aos que os confrontam com a utilização dos instrumentos tecnológicos (pondo-os no mesmo saco), devo dizer o seguinte: fazer essa discussão numa perspectiva de confronto (de opções e estratégias pedagógicas) faz-me perguntar se quem usa manuais usa também, assiduamente, o polidesportivo (ou a área de actividade física), se costuma subir às árvores, se costuma passear pelo campo ou cidade à volta do espaço escolar, se costuma ir à loja comprar bens e produtos, se costuma ir ao Centro de Dia e à Junta de Freguesia, se vai muitas vezes à Biblioteca Pública da zona, se costuma passar pelo Centro de Saúde e, se, por fim, costuma visitar pais e encarregados de educação nas suas actividades profissionais...
Estas perguntas surgem-me, fundamentalmente, porque, para mim (e aqui digo-o claramente) depois de “fazer” coisas e pensar sobre elas, não me resta muito tempo para treinar habilidades motoras específicas (fazer bolas e traços, pintar dentro e pintar fora...), ou, se me sobra, prefiro fazê-lo com o rato do computador (porque mais motivador para as crianças), com as histórias da Biblioteca (porque muito mais imaginativo) e com a pintura de painéis e cartazes (e reparem que não disse "desenhos") onde nos podemos - todos - exprimir com muito mais "espaço" (físico e psicológico!).
Creio que me entendem que do que falo são de opções pedagógicas e que, neste "debate" deve ser também entendida a necessidade de “conquistar, “aprender”, "incluir", "diversificar", "apoiar", "reflectir", e, acima de tudo "imaginar" e "criar".
Normalmente, quando lemos textos do Sá ou de outros "pensadores da modernidade", temos uma clara consciência de que eles falam de um "Mundo idílico", onde as crianças têm o direito de brincar, de pensar, de imaginar e de criar. "Por culpa dos pais" (expressão nossa), é um mundo difícil de alcançar, e estamos, continuamente, a criticar as opções das famílias, dos colegas, dos "outros"...
Para terminar esta reflexão, gostaria apenas de deixar uma imagem forte: imaginem o dia-a-dia de uma criança de 4 ou 5 anos que chega ao JI às 8.15h da manhã, começa por pintar uma fichas copiadas (que a animadora, ou assistente operacional lhe dá para "matar o tempo"), e depois, das 9.00h até que os colegas cheguem e completem o grupo, brinca com um puzzles e jogos de encaixe, parando às 10 para um pequeno lanche. Segue-se a “brincadeira livre” (onde até pode ser a pintar umas "fichazitas", “porque gosta”) e, depois da higiene, vai, em fila indiana, de mão dada, até ao refeitório (que fica a 10 metros de distância, em linha recta e sem obstáculos)...
Depois de almoço, porque está a chover, vai até à sala polivalente onde a animadora lhe dá mais um postalinho do Dia da Mãe para pintar e, quando volta à sala de actividades, vai acabar aquele trabalhinho do saquinho com cheirinho para levar à Mãe. Depois, ao fim do dia, volta à sala polivalente onde a animadora lhe preparou aquele filme espectacular do "Rei Leão" que ela já viu 40 vezes mas que continua a "gostar de ver", até que a mãe a vá buscar, para quando chegar a casa, a por à frente da televisão (ou do computador) a ver o episódio novo do Noddy...
Imaginem que esta pequena descrição é meramente especulativa e que não será, nunca, realidade em Portugal.
Imaginem ainda que o Jardim de Infância não é (nem será nunca!) um espaço onde se toma conta de crianças e, por fim,
Imaginem que o trabalho dos educadores de infância é tão socialmente considerado, que os colegas dos outros ciclos lhes pedem, encarecidamente, para os receberem nas salas onde eles podem aprender algo sobre Educação Sexual, Formação Cívica, Abordagem de Projecto ou Formação Pessoal e Social.
Depois de imaginarem todas estas coisa, façam o exercício de perdoar a este desbocado e compreender que ele, por vezes, não consegue exprimir o que lhe vai na alma de forma concisa , pertinente e assertiva.
Por isso, aceitem-lhe o sincero pedido de desculpa que ele vos envia...

27 de setembro de 2009

Nova vida????...

Escrevia eu, no último post, que me afligia a possibilidade de termos mais do mesmo.
À hora que escrevo este post, estão a anunciar, na televisão, as primeiras sondagens (à "boca de urna", como gostam de dizer) nas quais os resultados eleitorais não surpreendem, globalmente, todos aqueles que ainda acreditam que vale a pena pensar...
E não surpreendem não pelos resultados em si, mas mais pelo facto de, com eles, podermos constatar que os portugueses são, de facto, uns seres estranhos.
Por um lado ouvimos, ao longo dos últimos 4 anos, uma constante crítica violenta sobre os políticos e, consequentemente, sobre as suas políticas.
Ao longo dos últimos meses, estas mesmas críticas centraram-se, fundamentalmente, na pessoa do Primeiro-Ministro (e, no caso dos docentes, na Ministra da Educação).
Nos últimos dias, o Governo em funções "foi o pior de sempre", e o seu Primeiro-Ministro, o "culpado de todos os males".
Pois agora, com os resultados apresentados nas sondagens a confirmar que o partido do Governo continuará, nestes próximos tempos, a gerir a "coisa pública", confirma-se que os tais "portugueses" são, maioritariamente, masoquistas.
Coligado ou não, com coligações/acordos de conveniência, com constantes "golpes de rins" caso a necessidade obrigue, o que é facto é que esta forma de governar, bem como as políticas que a consubstanciam, continuarão.
Não quero, aqui, fazer uma análise da qualidade/pertinência dessas políticas, mas não deixa de ser estranho que, apesar das inúmeras críticas/manifestações/declarações de vontade, os "portugueses" (seja lá o que for que significa essa formulação) escolheram continuar como até aqui.
Claro está que é ainda mais estranho saber que foram esses mesmo "portugueses" que elegeram, por exemplo, o ex-Presidente do Conselho, António Salazar, como o "Melhor Português" de sempre. Foram também esses "portugueses" que optaram por escolher, para Presidente da República, a mesma pessoa que tinham, literalmente, "corrido" do Governo, quando as coisas começaram a "ficar feias"...
Pois é. Os "portugueses" merecem bem o que têm. E não me venham comparar o meu país com a Filândia ou com a Nova Zelândia: eles (esses países) podem ser óptimos para viver, mas por muito que queiram, jamais terão como cidadãos os ilustres "portugueses". E isso não lhes permitirá, nunca, ter a capacidade bivalente de serem vítimas e culpados.
E, para quem gosta de pensar, isso é um excelente desafio...

21 de setembro de 2009

Mais do mesmo...

Estamos, neste momento, a cinco dias de mais umas eleições legislativas.
Poderia (se estivessemos num "país normal") ser um momento envolvente, excitante, ansiosamente esperado...
Mas não é.
Frente-a-frente situam-se duas propostas por demais conhecidas: num lado, um Partido (dito) Socialista que, nos últimos quatro anos empurrou um país quase sem rumo para um abismo de onde será difícil sair.
Afirmo, mais uma vez, que não culpo, especialmente, o Partido Socialista (nem os seus "representantes"), pois, infelizmente, a "gestão da coisa pública" há muito que não está nas suas (deles, os políticos) mãos. Somos, cada vez mais, um "objecto" de intervenção europeu.
Independentemente de serem Sócrates e companhias, pouco diferente seria se fossem outros.
Do outro lado do frente-a-frente, uma Manuela (e reparem, não digo Partido Social Democrata) bem conhecida de todos nós: ex-Ministra da Educação (e que memórias!!!!), ex-Ministra das Finanças e de Estado (quem não se lembra do aumento do IVA e do PEC????). Mais palavras para quê?
Fica este post apenas para que todos aqueles que se manifestam fartos, irritados, descontentes, desesperados ou outra coisa qualquer, tenham consciência de que não vale a pena fugir das responsabilidades: será a vossa decisão de voto no próximo domingo de que falarão nos próximos quatro anos.
Tenham cuidado com o que querem dizer/decidir!
E já agora, bons resultados eleitorais!

13 de setembro de 2009

Bom ano (lectivo)!

A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado
Wilde, O.

Com esta citação, deixo aqui assinalado o início do ano lectivo (efectivo) que amanhã começa.
A Educação é, sem dúvida, uma coisa admirável. E os seus efeitos são-no mais.
Mas o que é facto é que não podemos confundir Educação com Ensino e, consequentemente, não podemos confundir "educados" com "ensinados".
Que consigamos, ao longo de mais um ano lectivo, motivar para a aprendizagem, para o conhecimento, para o interesse, para a cultura, para a solidariedade, para a humildade e, dessa forma, para a Educação.
Bom ano!

2 de setembro de 2009

Conhecimento

Não se percebe bem porquê, mas o facto é que se assiste, com demasiada frequência, a uma espécie de desejo colectivo de que os outros, os que nos rodeiam ou os que estão por perto, não prestem, não sejam capazes nem competentes. Como se as limitações dos outros fossem a nossa margem de manobra, como se os deméritos dos outros fossem os nossos méritos, como se a falta de esperteza dos outros fosse a nossa inteligência.
in em teoria, o amor é sempre bom. Leal, I.


Não são palavras minhas, mas podiam sê-lo. Quando reflectimos sobre competência, sobre capacidade de fazer, de pensar, de executar, tendemos, quase naturalmente, a assumir uma atitude etno e egocêntrica.
Defendo que competência (ou incompetência) é um conceito ligado, de forma irreversível, a um outro ao qual, muitas vezes, aparentemente, não se dá valor: Conhecimento!
Conhecer é saber e, consequentemente, saber é agir conscientemente e de forma capaz. Ora, se assim é, incompetência é sinónimo de ignorância (ou melhor, de desconhecimento).
Não saber, não conhecer, é o primeiro passo para agir de forma inconsistente, prejudicial e incorrecta. Logo, desconhecer é um sinal evidente de incompetência.
E quando refiro desconhecimento, não me debruço apenas na capacidade de saber-fazer, mas, e fundamentalmente, na capacidade de reflectir, de liderar, de proporcionar...
Ser ignorante é ser incapaz de delegar, de confiar, de trabalhar em equipa e de pôr em comum o que melhor nos servirá a todos.
Ser competente, é, por oposição, ser capaz de se envolver, fazer envolver, acreditar, confiar e produzir.
Por tudo o que agora exponho, desejo, neste início de ano lectivo, que todos tenhamos coragem de querer saber mais, de querer Conhecer!

16 de agosto de 2009

O Mundo é estranho...

Este é apenas um apontamento, algo enigmático, que quero deixar registado: o Mundo é estranho!
O nosso Mundo, o Mundo dos outros, o Mundo do Mundo, o lado do Mundo, o Mundo do lado...
Todo o Mundo é estranho.
Em quem podemos confiar senão em nós próprios?
E será que podemos?
"Vive pela Espada e morrerás pela Espada"...
Ouvia esta frase quando me diziam para evitar fazer algo de que arrependesse. Sempre que fiz algo,do mais pequeno ao maior feito, fi-lo convicto de que seria melhor para mim, em qualquer momento, viver pela e com a verdade.
Encarei, enfrentei, fiz-me forte quando me aptecia chorar, chorei quando era melhor rir.
Tudo isso porque dei a primazia à honestidade e à sinceridade.
E de que valeu?
Talvez um dia seja recompensado.
Talvez sim... Mas o mais provável é que não.
O Mundo é estranho!

10 de julho de 2009

(Muito) Mais do mesmo...

Já o escrevi, aqui. Algumas vezes.
Sei que escrever aqui não é sinal de que o conteúdo e a razão da escrita, só por si, altere o que quer que seja.
A escrita funciona como uma espécie de confissão partilhada de incapacidade e de saturação. E, por vezes, ajuda a fazer uma certa "digestão" das situações.
Tenho-me como um cidadão participativo e participante, empenhado e honesto, envolvido com as causas e orientado para o "bem comum".
Sei que, por vezes, essa solicitude é (bastas vezes) confundida com uma vontade de "brilhar" ou, num registo que considero mais ofensivo, de "vaidade pessoal".
Tenho plena consciência que não serei, facilmente, compreendido.
Devo, contudo, referir, em minha defesa, que sou avesso a "cargos", "tachos", "recompensas" e demais "prémios" que, normalmente se concedem (seja por justiça seja por "silenciamento") aos que, de forma quase permanente e impertinente, procuram a mudança.
Qualquer que seja.
Nos últimos tempos, seja em espaços de colaboração profissional, seja numa lógica social, envolvi-me em desafios (porque não dizer confrontos?) que tiveram como objectivo principal promover (provocar!) a mudança. Reconheço que foram desafios extremamente arriscados e díficeis, na sua maior parte porque de confronto com uma situação instalada e suportada num "modo de fazer" que é, desculpem-me a honestidade, demasiado "português".
Senti, ao longo desses processos, um apoio que não pedi, um envolvimento pelo qual não lutei e uma união que não julgava existir mas que, em determinados momentos, me mostravam que é possível ambicionar a mudança.
Mas reconheço agora que, tal apoio, não passou de uma "habitual" assunção de que "é preciso fazer algo, desde que sejam outros a fazê-lo".
A idade, o esforço, a paciência (que vai findando) mostram-me que não devo (e não quero!) fazer pelos outros o que eles próprios não fazem por si.
Custa-me ter de assumir isso. É contrário ao meu fundamento cívico e pessoal. Mas farei um esforço por respeitar esta minha nova vontade.
Tenho consciência que ninguém me "encomendou o sermão", mas custa-me assistir, diariamente, a injustiças, a queixas, a constatações de impotência.
Se me envolvi foi, também, para dar a cara por um conjunto de evidências de incompetência, ignorância, maus funcionamentos...
Sei-o agora que só na minha cabeça tais dislates eram censuráveis.
Porquê fazer uma manifestação de vontade, se, no íntimo, não queremos que nada mude? Porquê apelar à mudança se, no fundo, "estamos bem assim"? Porquê insistir na justiça se ganhamos com o seu contrário?
Custa-me este "baixar dos braços", mas digo-o aqui: não me venham com tretas sobre a necessidade de mudar de governo (de governar, gerir, dirigir...)!
Por mais que eu não o aceite (ao governo), aceito que, em Democracia, a maioria "dita"!
Mas neste(s) processos aprendi a reconhecer a maioria "a posteriori", ou seja, aquela em que todos ficam a ganhar, porque, no fundo, não quiseram que nada mudasse, apesar do apoio "incondicional" (prévio) à vontade de mudança....

30 de junho de 2009

Virtuosismos...

Num passado recente, bastou a "compra" de melhores condições para alguns (os que, há muito tempo, fazem das estruturas sindicais a sua casa), para se "deixar passar" a aprovação...
Agora, a quatro meses das eleições, rompem-se "negociatas"...
Será que não há mais nada para negociar?
Será que todas as pensões, destacamentos e acessos automáticos estão garantidos?

22 de junho de 2009

Calores...

Está prestes a começar aquela altura do ano (comummente chamada de "Silly Season") na qual todos começam a assumir um comportamento, no mínimo, estranho.
Este ano, apesar de estarmos a preparar eleições (legislativas e autárquicas) não vai ser muito diferente.
Tenho quase a certeza que a indolência provocada pelo calor alterará (negativamente) a atitude dos portugueses, e, como se espera, a época de acasalamento das Garças Reais e dos Flamingos será ocupada por um desinteresse evidente pelos "assuntos da nação".
Já aqui o escrevi, continuo a acreditar que todos os povos têm o país que merecem (ou será o contrário?!) e, como não poderia deixar de ser, também este se enquadra no perfil.
Possivelmente andaremos a ouvir falar do que foi feito e do que poderia ter sido feito...
É sempre assim, mas, para que, pelo menos fique mais fresco na memória, aqui deixo algumas "pérolas":
O que deveria ter sido feito e não foi...
...a avaliação dos professores;
...a redução da pobreza;
...a promoção do Turismo;
...a valorização dos recursos naturais do país;
...a reforma da justiça;
...a alteração do método eleitoral;
...o combate à corrupção...
Sei que esta lista é igual às inúmeras listas que vamos vendo escritas por aqui e por aí. Sei também que alguns dirão: "mas não falaram (eles, os outros, os políticos...) do mesmo?".
Deixo-a aqui escrita apenas para funcionar como "marcador de tempo". Até quando falaremos das mesmas "necessidades" de sempre????
Haja vontade de mudar! E não se esqueçam: as eleições estão já aí!!!

12 de junho de 2009

O que mudar...

Às vezes gosto de comentar as dissertações do nosso Presidente da República...
E tenho-o feito amiúde, normalmente a partir das peças oratórias com que ele nos brinda nos "dias especiais"...
Desta vez apetece-me comentar o discurso dele no 10 de Junho de 2009...
Disse ele, para quem quer ouvir, estar preocupado com os níveis de abstenção eleitoral que marcaram as eleições europeias, no passado dia 7 de Junho...
Mostrou-se ele atento à "mensagem" que tem recebido dos "vários agentes" sobre a "pobreza democrática" a que esse "comportamento" das pessoas levará...
Está ele consternado com a "qualidade das instituições democráticas"...
Pois bem, tem toda a razão para estar.
Também nós estamos.
Daí, as perguntas: Para quando uma remodelação dos processos eleitorais deste país? Para quando uma alteração ao procedimento de governação desta "democracia" forte? Para quando procedimentos claros e eficazes de organização administrativa da coisa pública? Para quando um processo claro de financiamento dos partidos políticos? Para quando um espaço de igualdade entre os que já são "políticos" e os outros que o querem ser? Para quando um tratamento justo aos que não se veêm reconhecidos nos partidos do espectro político nacional?...
Podem parecer perguntas "difíceis", mas têm (ou podem ter) respostas directas: Quando pessoas com responsabilidades políticas no país (como o Sr. Presidente da República!) o quiserem, pois será, a partir de dentro, que a mudança se fará.
E nós continuaremos mudos, surdos e imóveis...
"et pur se muove"...

1 de junho de 2009

O imobilismo é geral...

Sinceramente, às vezes sinto-me completamente incapaz de viver esta vida...
Já aqui o escrevi, e só por isso mantenho esta atitude que é a de defender o "experimentar antes de negar"...
Sendo educador, são muitas as vezes em que os meus alunos, ou por nunca terem experimentado, ou até porque "ouviram dizer", se negam a experimentar algo.
Seja a sopa, seja um novo jogo ou mesmo uma nova forma de fazer algo, o que é certo é que, por uma natural e quase inata resistência à mudança, o "Não quero!" ou "Não gosto!" sai muitas vezes antes de pensar.
Assim somos nós durante toda a vida.
São mais as vezes em que o nosso receio e incómodo de mudança nos impede de evoluir, que o contrário.
E é-o em todo o lado: na escola, na família, na comunidade...
Pensamos sempre (acho eu) que se tudo estiver "na mesma, como a lesma", não sofremos muito com isso: porque já conhecemos o que "aí vem", já "sabemos o que nos espera" e, além disso "eles são todos iguais!"
Mas quantos de nós se preparou convenientemente para a tal "crise" que muitos propalam?
E se há certeza que eu tenho é que ela, essa "crise", ainda não se mostrou. Por enquanto, há centenas (senão milhares) de novos desempregados que ainda continuam a subsistir graças aos subsídios de desemprego e ajudas de familiares...
Mas, e quando isso acabar?
E não faltará muito para que estes "adeptos" do imobilismo social (que somos todos!) venham para a rua e se manifestem.
Mas sei que essa "manifestação" não terá, em nenhum momento, a exigência de um novo comportamento e atitude de cada um de nós. Não!
O que teremos, estou certo, é a reclamação unilateral de cansaço e de saturação face "aos outros, aos que "nos governam"...
Mas então e nós?
Não teremos alguma "culpa"?
Não fomos nós que, constantemente nos recusámos a mudar?
Não sou adepto de "cheques em branco", mas se bem me lembro, até nas mudanças que teoricamente são simples (como mudar um Governo por pessoas sérias e honestas), nos tem sido difícil mudar, apesar das evidências.
E se continuarmos a negar o desconhecido, mais fundo bateremos!
Valeria a pena pensar nisto...

29 de maio de 2009

De onde vem isto?...

De onde virão os recursos para as faustosas cerimónias que se começam a observar, por esse país fora, no que à posse do Director diz respeito?
Chegam-me informações (algumas, admito, contraditórias) sobre as tomadas de posse que os recém escolhidos Directores têm encenado (ou alguém por eles) que, para quem, como eu, sempre se mostrou céptico sobre as reais intenções que, por vezes, se escondem debaixo de uma carapaça de "continuidade" e de "mais-valia", que me fazem saltar a pulga da desconfiança.
Que razão dá azo a que, num momento de convulsão social (pelo menos no que à Educação diz respeito), se produzam elementos de tamanha evidência festiva, com convites dirigidos a Directores Gerais, Presidentes disto e daquilo e órgãos de soberania para "presenciar e ser parte interessada" numa "revolução para a Educação em Portugal"?
Suspeito imenso destes unanimismos e, acima de tudo, sinto um enorme desconforto por achar que, mais uma vez, seremos enganados.
Que opções temos nós?
Há quem diga que as eleições legislativas farão o "acerto de contas", mas, apesar de optimista, sou céptico o suficiente para achar que não serão umas meras eleições que mudarão o "estado das coisas".
Já teria sido o tempo. Agora, tenho a certeza, há muitas mais "mãos molhadas"...
E terá de começar em cada um de nós a vontade de mudança. E não basta apenas "atribuir culpas e assobiar para o lado". Nas pequenas (e nas grandes) coisas, temos de assumir o que realmente pretendemos. Que até pode ser muito bem o que temos.
O que é importante é provocar a queda da máscara.
Estaremos prontos?
A acreditar no que vou vendo...
...ainda não estamos!

15 de maio de 2009

Partilhas...

Este meu Blog (que não é secreto mas que se tem posicionado, para mim, como um espaço de auto-reflexão e análise), faz-me, por vezes, algumas surpresas interessantes.
Hoje, ao consultar o meu e-mail, eis que tenho um comentário a uma das ideias/reflexões que apresentei.
A primeira "estranheza" prende-se com o facto de, por ter tão poucos comentários a tópicos (posts), ter hoje um!
A segunda surpresa, com o facto de ser um comentário anónimo.
Por último, a surpresa de parecer um comentário de resposta, sentido e envolvido.
Quero deixar bem claro que pretendo, com este Blog dar apenas "asas" às minhas angústias e reflexões. Quero também deixar claro que não uso este espaço para fazer acusações particulares (ou mesmo comuns) e também que abro este espaço à intervenção pública e conhecida, mas também à possibilidade de, tão simplesmente, participar anonimamente.
Contudo, face a este último comentário, não posso deixar de fazer dois reparos: 1. que a Lei, efectivamente, discrimina três objectivos para o CGT, 2. Que a história nos tem, infelizmente, mostrado que eu tenho alguma razão no meu "juízo de valor de puro preconceito, generalista e manifestamente pouco democrático"...
Mas é por isso que eu sou o autor do Blog...
Para poder ter opiniões!

10 de maio de 2009

O que nos espera?...

Estamos, neste momento, em todo o país, a proceder à eleição (em quase todos os Agrupamentos) dessa nova figura institucional que, no dizer de muitos, se baseia numa ideia antiga (de muitos anos) da imagem de rigor, exigência e autoridade.
O Director, essa figura agora "reconquistada" no Decreto-Lei 75/2008, vem, penso eu, trazer consigo a intenção de "devolver à Escola" a vontade e a legitimidade de decidir no interesse da comunidade e do país.
Algures, no preâmbulo da referida lei, diz-se que se pretende aumentar o espaço de participação da comunidade bem como aumentar a capacidade de decisão do órgão de gestão executivo.
Não discordo de que assim possa ser.
Mas assusto-me, desde já, com a própria arbitrariedade do processo de eleição dessa mesma figura legítima.
Diz também a lei que o Conselho Geral Transitório (CGT) tem como função "preparar" o processo eleitoral para a escolha de um Director apenas se se esgotarem os prazos devidamente fixados. Essa era "apenas" a terceira das obrigações do CGT, depois de "actualizar o Regulamento Interno" e "preparar a eleição do Conselho Geral definitivo". Eis que surge, concomitantemente, um despacho ministerial dando poderes aos CGT para proceder à "eleição" dos referidos.
E aqui, começa, penso eu, a história...
Há cerca de uma ano os docentes manifestaram-se, e em grande número, contra a discricionidade do Ministério da Educação e contra aquilo que achavam injusto e incorrecto que, na sua base, era a aprovação de um "esquema" de avaliação de desempenho incapaz.
Depois manifestaram-se contra um estatuto de carreira que se apresentava como incongruente e que servia de base a "atrocidades" que "aí vinham"...!
E agora, não há, sequer um (pelo menos que eu saiba!) CGT que se tenha insurgido contra o tal despacho que "engana" todos aqueles que elegeram um Conselho que "iria preparar a eleição do Director"...
Que legitimidade têm para eleger o Director?
Não votei neles para eleger o director. Apenas para que "preparassem o caminho"!
E acho que o que cada um dos "nossos" representantes deveria ter feito era apresentar a demissão assim que o despacho viu a luz do dia...
Mas, daqui a uns meses, todos faremos manifestações... Ou talvez não!
Porque se calhar, os que aceitaram este "modelo" de eleição de director talvez possam vir a ser "recompensados"...
É esta a situação que vivemos: somos culpados dos nossos próprios actos!
E assim continuará a ser...
Por isso, que venham mais manifestações e outras "insurgências" como greves e "dias negros". Porque "enquanto o povo andar distraído, avançaremos com o progresso!"...

29 de abril de 2009

Há tanto tempo...

Há algum tempo que por aqui não passava.
Dizem que quem corre por gosto não cansa, mas, apesar das mil e uma ocupações, o que é facto é que acabo de rastos...
E como se subentende da frase anterior, eu corro por gosto!
Mas há dias e dias, e estes que nos ofereceram têm apenas 24 horas...
Mas hei-de vir com mais tempo.
Por agora só para deixar uma "pérola" da actualidade:

"Há 30 anos que desfilam as mesmas caras, se ouvem as mesmas vozes, se lêem as mesmas frases com monótona aridez. O País é domado por um grupo sem prestígio mas com poder".
Baptista-Bastos, "Diário de Notícias", 29-04-2009

8 de abril de 2009

Legitimidades...

Há quem defenda que a eleição legitima.
Concordo em absoluto.
Ao sermos eleitos, normalmente por um conjunto de ideias e/ou pessoas, devemos, em primeira análise, representar essas mesmas ideias e/ou pessoas.
É este espaço de representatividade (que alguns diriam democrática) que deve presidir aos nossos actos, acções e mesmo omissões enquanto elementos eleitos.
Sinto, por vezes, que não é bem assim.
Quando votamos (e não devemos esquecer-nos, nunca, que é pelo processo eleitoral que somos legitimados) estamos a escolher um representante da nossa voz e das nossas reflexões.
De mesma forma que os eleitos não deverão, nunca, esquecer que são representantes de uma determindada forma de ver, ouvir e pensar...
É difícil?
É, sem dúvida!
Acresce ao facto de que um representante deve, em última análise, fidelidade ao órgão que representa e, no caso de ser eleito entre um conjunto de outros representantes, fidelidade à entidade que representa.
Mas, na minha modesta opinião, deve, passados todos estes graus de ligitimidade e fidelização (ou obediência), representar, antes de mais, o sentir e o pensar individual de cada um dos que o escolheu como representante.
A isto chamam alguns "opinion makers" (designadamente os que vêm da área da Gestão Empresarial) a "consciência colectiva". Quer isto dizer que o eleito deve, nunca esquecendo a sua particularidade e individualidae, decidir em função de um espaço médio de análise e reflexão do grupo/entidade que o elegeu.
Nesta lógica, os deputados (que, em minha opinião até são muitos!) deveriam, malgrado as opiniões contrárias, nomeadamente as que são impostas pelos partidos políticos que representam, "votar em consciência" e que essa consciência fosse a que lhes fosse ditada pela tal "média" que lhes fosse demonstrada.
Porque é que tal não acontece?
Em primeiro lugar, quer-me parecer que esta história da "democracia representativa" é apenas um embuste.
Em segundo lugar, os ditos representantes são, demasiadas vezes, reféns dum certo tipo de "status quo" com que a eleição os brindou.
Não bastas vezes, ou esquecem quem representam ou, e esta é para mim, a principal razão, os que os elegeram não se manifestam de forma constante e preocupada.
Por último, apesar de nos exibirmos bastantes vezes como "dignos representantes do espaço democrático herdado do 25 de Abril", o que é facto é que nos nossos momentos diários somos, nós próprios avessos a participar.
No dia-a-dia, nas mais breves situações, nos nossos locais de trabalho e/ou residência somos impelidos a "participar democraticamente". Temos as assembleias de condomínio, as assembleias dos clubes locais, as assembleias de freguesia, ou mesmo, em termos profissionais, as assembleias das associações representativas. Também temos, se fizermos apelo aos que, nas suas actividades profissionais se regem por elas, as reuniões e assembleias gerais...
Mas tudo isto não é mais do que um exemplo de dinâmicas falhadas.
Somos capazes de reclamar sobre a luz da escada que está fundida há alguns dias, de reclamar sobre os buracos no passeio de acesso a nossa casa, de maldizer o Presidente do órgão sindical porque "não nos defende" cabalmente.
Mas, para além das manifestações de intenção ou da vontade de "fazer-algo-que-nunca-deixa-de-ser-apenas-vontade", em que nos transformamos numa massa disforme e desumanizada, quando é que participamos mesmo?
Quando é que escrevemos uma reclamação, interpelamos um eleito em sede própria ou, em última análise, abdicamos do nosso espaço próximo de conforto para "trabalhar em prol da comunidade"?
E melhor, quando é que aceitamos ser confrontados, claramente, com as nossas escolhas e opiniões?
Infelizmente, nessses momentos, o cinismo e o receio próprio de quem teme vem ao de cima. E são mais aqueles que optam por esfumar-se e aninhar-se do que os que levantam a cabeça e procuram o confronto de ideias.
Mas todos temos culpa. Ora por não nos "darmos ao trabalho", ora por não nos dignarmos a "representar o outros"...
Valia a pena penasr nisto!

2 de fevereiro de 2009

Pensar pela própria cabeça...

Como diria a sabedoria popular “A cabeça não serve só para usar o chapéu!”.
Eis-nos de volta à reflexão sobre Avaliação de Desempenho e outros “males” da Escola.
Agora que, depois do “compromisso” assumido entre o Ministério e os Sindicatos (sim, esses exímios representantes da classe docente), se voltaram a olear os processos de produção de matéria avaliável (ou, como quem diz, escrever os “Objectivos Individuais”), voltaram também as formas recorrentes de “bloquear a engrenagem”.
Mais uma vez, a princípio de forma pouco clara e transparente, começaram as tentativas de descredibilizar e tornar irrealizável o acordo alcançado (?). Neste momento, e de maneira subterrânea começaram os “convites” aos professores contratados para que não preenchessem os seus objectivos, aos Conselhos Executivos para que calendarizassem desadequadamente e, mais que tudo, que os docentes, em geral, se opusessem ao processo.
Chega então a hora de “pensar pela sua própria cabeça”. E como?
Pensando que, neste espaço da Avaliação de Desempenho e de todos os procedimentos associados, há dois momentos que não podem ser tornados insignificantes: Em Junho de 2006 iniciou-se o processo de discussão e reflexão sobre o Estatuto da Carreira Docente (ECD) que viria a ser publicado em Janeiro de 2007.
Uma dessas alterações estava directamente relacionada com a divisão da carreira em dois espaços distintos: o de Professor e o de Professor Titular.
Dizem agora os sindicatos que “não foram ouvidos” ou que as suas “propostas foram ignoradas”. Não dizem, contudo, que foi por essa altura que se começaram a organizar internamente para “dar provimento às alterações que aí vêm”, nomeadamente propondo matéria legislável que permitisse a professores destacados em sindicatos, autarcas e deputados (entre outros) a possibilidade de obterem o tão almejado estatuto de Professor Titular, mesmo não estando na escola…
Em Maio de 2007 é publicado o Dec.-Lei 200 que define a forma e o processo de concurso à categoria de Professor Titular. Relembrando a introdução do decreto: “A categoria de professor titular está investida de um conteúdo funcional específico, correspondendo-lhe o desempenho das funções de maior responsabilidade no âmbito da coordenação, supervisão pedagógica e avaliação do desempenho dos restantes professores, com repercussão na organização das escolas e no trabalho colectivo dos docentes.” foi, desde sempre, claro, que seria a estes que competiria desenvolver o conjunto de actividades já definidas anteriormente no ECD.
A este concurso candidataram-se cerca de 33 mil docentes (!) dos esperados 60000 referidos no mesmo preâmbulo.
Pedem-nos agora, aos professores contratados e professores em início de carreira, que destruamos “este” sistema de Avaliação de Desempenho quando é o único instrumento de que dispomos para nos fazermos distinguir e tentarmos diminuir o tempo de espera por um ordenado minimamente aceitável nesta profissão que escolhemos como nossa?
Pedem-nos agora que ignoremos que uma avaliação eficaz (seja ela qual for) é a nossa forma de garantir que aquilo em que acreditamos não seja devassado por um conjunto (grande) de “funcionários” que, pela sua não acção ou imobilidade permitiram que a Escola, tal como a conhecemos, apresente, em Portugal, resultados tão catastróficos?
Pedem-nos agora para deitar por terra o nosso sonho de fazer da Educação algo belo e eficaz?
E então, se nos pedem isso agora porque não contestaram, com igual energia, a publicação do actual ECD? E porque é que correram com tanto ânimo ao Concurso para Professor Titular? Não podem ter sido enganados. Sempre foi claro que seria nestes que recairia a função primordial de organizar, de coordenar e de avaliar…
É verdade. É preciso pensar um bocadinho pela “própria cabeça”. Só quem nunca esteve envolvido numa associação, num sindicato, numa organização profissional pode acreditar que os Sindicatos defendem, genuinamente, os seus sindicalizados.
Nesta “luta” a que agora se assiste é necessário juntar os outros ingredientes: uma Central Sindical (CGTP) em fim de ciclo (quem estará a apontar baterias para ser o seu novo Coordenador-Geral?); um ano de eleições; uma margem política (Esquerda) a “valorizar” a pretensa “movimentação” dos docentes, sem, contudo, apresentar soluções efectivas de defesa destes (não nos podemos esquecer que, se fizermos contas “rápidas” e excluirmos aos tais 120 mil os Titulares – 30 mil “candidatos” – todos os outros são “apenas” professores: uns contratados, outros em início de carreira. E quem os defende?)…
Pelo exposto, fará sentido a necessidade de “pensar pela própria cabeça”escolher o que, de facto, fará sentido para cada um de nós.
Ou não?

23 de janeiro de 2009

Os Intelectuais (vide Professores) não ganham medalhas!

Tenho sentido algum desconforto com a ideia que me persegue de relatar, aqui, em público, o tormento burocrático que me tem perseguido nos últimos dois meses, mas, dadas as circunstâncias (e porque sei que este epaço não é assim tão "conhecido" como isso) aproveito para exorcizar (alguns do) fantasmas...
No passado dia 27 de Outubro recebi, por e-mail, um convite da Associação Mundial de Educadores de Infância para estar presente e apresentar uma comunicação no próximo Congresso Mundial, a realizar em Mérida, México, entre 21 e 23 de Maio de 2009.
Confesso-vos que senti um grande prazer pelo convite e, sem falsa modéstia, que, face ao trabalho que tenho desenvolvido, não me pareceu desadequado.
Começou, então, o calvário.
Por escrito, e anexando o convite, dirigi-me ao Conselho Executivo do meu Agrupamento, solicitando autorização para me deslocar ao México (os custos com viagens, alojamento, etc., ficariam a cargo dos organizadores).
Passados alguns dias, fui contactado pelo Conselho Executivo que me refere que, "após consulta à respectiva Direcção Regional de Educação, e pelo parecer desta ser negativo - justificando a negativa com o facto de "não ser permitido, ao abrigo da Portaria 345/2008, de 30 de Abril, que não permite que os docentes faltem a actividades lectivas para actividades de formação", não era possível autorizar-me a deslocação...
Tendo feito a leitura atenta do documento (e porque a situação não pressupunha "actividades de formação" como entendidas nessa Portaria), escrevi uma carta (registada, datada de 3 de Novembro) à Sra. Ministra da Educação, referindo a primeira negativa e solicitando (como, de resto, o define a mesma) uma autorização especial para participar no referido evento.
Recebi, em 13 de Novembro uma carta da Direcção Regional de Educação na qual, e em resposta à minha exposição, me esclarecem que "ao abrigo da Portaria 814/2005 - Regime de Acumulações do Pessoal Docente, e do seu artigo 3ª, pela incompatibilidade do horário indicado, é invalidado, desde logo, a minha pretensão".
Primeiro parêntesis: o Artº 2º do mesmo diploma revela que "para efeitos do disposto no presente diploma, não se consideram em regime de acumulação:(...)d) A realização de conferências, palestras e outras actividades de idêntica natureza, desde que, em qualquer dos casos, de curta duração".
Na sequência desta resposta, e por também a considerar insuficiente (o Congresso processa-se durante três dias, um dos quais é feriado municipal na localidade onde exerço), voltei a escrever à Sra. Ministra (agora por correio electrónico, em 8 de Dezembro) relevando esse meu estado e voltando a solicitar a tal "autorização especial".
Por tardar resposta, considerei conveniente (até por pressão dos organizadores da iniciativa), solicitar à Provedoria de Justiça a colaboração em todo este processo, no preciso dia em que se completavam 65 dias da data da primeira carta, registada.
Segundo Parêntesis: continuo à espera da resposta da Sra. Ministra.
Contactado pela Provedoria de Justiça, por telefone, foi-me solicitado que tentasse, junto do meu Agrupamento, conseguir "evidências" de que, durante a minha ausência, o meu grupo de alunos teria actividades lectivas.
Respondi, por correio electrônico que, no âmbito do Despacho n.o 13 599/2006, tal facto era uma definição legal e que, ao abrigo, ainda, do Regulamento Interno, era também descrita a forma como tal substituição se procederia.
Na volta do contacto foi-me solicitada uma declaração expressa de que tal aconteceria. Reencaminhei o pedido para o Conselho Executivo que respondeu, terminantemente, não o teria de fazer, pois tal é uma "obrigação legal"...
Pelo exposto, e porque não sei mais o que fazer, aqui fica este meu "desabafo"...
Terceiro e quarto parêntesis: num ano em que o Magalhães é o "Rei da Festa" e tendo sido convidado, fundamentalmente, pela minha prática, em Jardim de Infância, com recurso às Tecnologias (o tema do Painel em que participarei(?) é: "As novas Tecnologias na Sala de Aula"), acho estranho a (demorada) resposta da Sra. Ministra; e também me parece que, se fosse Atleta de Alto Rendimento, as coisas seriam muito mais fáceis, ou seja: os intelectuais não ganham medalhas!...

12 de dezembro de 2008

Portugal, Um país a Brincar!

Apesar de, enquanto profissional de educação, ter sempre defendido a importância do brincar e da actividade lúdica como eixo central do desenvolvimento humano, este título, que agora apresento, não é, de todo, nem expressão nem a defesa da qualidade do país e da sua autonomia identitária.
Infelizmente, este título tem o seu quê de irónico, até por isso mesmo: por revelar um país triste e desorientado.
Passo a explicar:
- Em que outro país do mundo, que tenha, pelo menos duas montanhas de altura superior a 1000m é que existe apenas um Limpa-neves?
- Em que outro país do mundo (e há poucos) que tenha uma mancha florestal superior a 1/4 do seu território é que não existem meios adequados de combate a incêndios?
- Em que outro país do mundo, que se queira incluir no grupo dos "Em via de Desenvolvimento" ou "Desenvolvidos" é que, possuindo uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) três vezes maior do que o seu território continental é que tem, apenas, quatro cursos superiores sobre Ciências do Mar (e isto para não falar dos meios de vigilância e acção marítima)?
- Em que outro país do mundo é que os deputados da nação faltam que se desunham a sessões parlamentares, se aumentam anualmente e possuem ligações exclusivas com empresas e entidades sobre as quais legislam?
- Em que outro país do mundo é que a criação literária e cultural é mais taxada (impostos, rendas, etc.) do que actividade desportiva (ou pseudo-desportiva)?
- Em que outro país do mundo é que os espaços desportivos (de futebol, é claro!) excedem, quase em triplo, a oferta per capita do conjunto de todas as outras modalidades desportivas?
- Em que país do mundo é que o Presidente de uma Região Autónoma ofende a identidade nacional, quase todas as semanas, e nunca foi sancionado?
- Em que outro local do mundo é que os cidadãos se resignam com todas estas situações?
Estaremos satisfeitos?
Valia a pena pensar (também) nisto!

1 de dezembro de 2008

Eu quero ser Avaliado!

Às vezes sinto-me muito pequeno.
E tem isto a ver com a sensação de impotência que as grandes, as largas maiorias nos impõem...
Depois de manifestações de 100 e 120 mil... depois de greves (que foram e que vêem)... depois de discursos de "ou vai ou racha", os que não são carneiros e que pensam pela sua cabeça são uma espécie de anormais, olhados de lado, estigmatizados e "corridos" dos espaços onde os "bons e interessantes" estão e conversam...
É assim que me sinto.
Não posso dizer que vivemos numa sociedade democrática.
Estamos até, bastante longe disso. E eu, que só tenho este espaço de opinião, pequeno e mudo, digo: Eu quero ser avaliado!
E quero ser avaliado com qualquer modelo de avaliação. E quero ser avaliado mesmo com este modelo de avaliação!
Já aqui o disse, este modelo enferma de bastantes questões complexas que não são, de todo, as mais eficazes, as mais correctas, as mais justas.
Também já referi que não concordo com o modelo de transparência e justiça que ele "oferece".
Também já escrevi que não aceito que um modelo que propala o Mérito seja tão disfuncional e iníquo.
Mas que raio! Eu quero ser avaliado!
E quero que seja com este ou com outro qualquer modelo de avaliação.
E que tal experimentar este e tentar corrigi-lo? Só depois de experimentarmos podemos, coerentemente, avaliá-lo!
Ou não estaremos já a avaliar negativamente antes do processo estar completo?
Será esse o medo de tantos e tantos carneiros? (desculpem, professores?)
Desculpem-me esta (parece que) deriva, mas não me sinto satisfeito quando aderimos à greve ou somos contra um sistema de avaliação sem sequer termos lido, atentamente, do que se trata. E digo isto com conhecimento de causa.
Há ainda muitos professores que não sabem que existe um Decreto Regulamentar 11/2008e ainda falam da avaliação referindo apenas o Decreto Regulamentar 2/2008, que, por sinal, não leram. E há também aqueles que se "encostam" aos que leram, analisara, reflectiram, para, com eles, "ganhar algum tempo"...
São esses que se manifestam. São esses que sempre se manifestaram. São esses que não querem ser avaliados (de forma nenhuma!)
Será possível?
São estas situações que nos demotivam e retiram do sério.
Não ao discurso incoerente do "Eu quero ser avaliado mas exijo a suspensão deste modelo!"
Já não estamos no PREC...
Que tal começarmos a pensar pelas nossa próprias cabeças?
Eu quero ser avaliado!

19 de novembro de 2008

A Avaliação pressupõe respostas, não impasses....

Estamos todos, como soi dizer-se "fartos desta treta!".
E razão teremos para isso.
Agora, assiste-se a uma espécie de "impasse negocial", que mais não é do que a continuação do mesmo.
Tenho ouvido, lido e comentado, com especial atenção, os múltiplos discursos, debates e reflexões que por aí andam.
O que me tem interessado é, como à maioria das pessoas, as possibilidades de "desempate", ou seja, a apresentação de efectivas soluções para o transtorno.
Não tem havido.
Quem fala, fala do que vê, do que ouve, do que sente...
Os professores, nas escola, esperam... Os sindicatos, continuam a gritaria muda, o Ministério, "joga para o lado", o governo mantém-se "firme e hirto" e, no final de contas, paga o "elo mais fraco": os alunos!
Revolta-me este estado de coisas. Mas revolta-me mais não apresentar soluções.
Durante algum (muito) tempo, ainda tentei, nos espaços que me obrigam, avançar com tentativas de trabalho (propostas concretas) que me pareceriam viáveis. Neste particular, há um especial "senão": o que é Lei, é Lei! E eu fui educado a ser respeitador da Lei (mesmo não concordando com ela!).
A Avaliação de Desempenho dos Docentes assumiu forma de Lei (mesmo sendo um Decreto-Regulamentar).
Pedir a sua "suspensão" é um ultrage aos Professores. Pedir a sua anulação é, teoricamente impossível (e mostrava que os Professores não querem ser avaliados). Parece-me que a possibilidade mais imediata é tentar a sua correcção.
Claro está que esta Lei enferma de muitas condicionantes a montante: baseia-se num ECD mal estruturado, baseia-se em princípios incongruentemente utilizados (Mérito, Organização do trabalho, melhoria da qualidade, etc.), baseia-se numa estrutura educativa que não existe e, acima de tudo, baseia-se em legislação ainda não devidamente regulamentada (Autonomia e gestão das escolas, CCAP, etc...).
Mas, mesmo assim, penso que é possível fazer sugestões.
Vamos a algumas delas:
1. Permitir que os CCAD possm ser constituídos por especialistas em Avaliação e/ou Supervisão Pedagógica;
2. Abandonar o príncipio de quotas na classificação (se tivermos três alunos de vinte não vamos deixar de os atribuir, só porque todos se vão candidatar à Universidade. Algum deles até poderá desistir...)
3. Tornar claro e explícita a divulgação das classificações;
4. Fazer valer o "historial" do docente e
5. Reconhecer que os Professores Titulares podem, neste contexto, não ser uma mais valia.
Estas são algumas, mas podem vir mais.
Servem para ir reflectindo.
Mas podem colaborar, sugerindo outras...

16 de novembro de 2008

Consciência Educativa...

Nestes tempos de profundo distúrbio no meio da Educação (será que ainda se lhe pode chamar assim?) anda meio mundo a falar de uma coisa e outro meio mundo a falar de outra completamente diferente.
Diariamente recebo dezenas (se não centenas) de mensagens electrónicas que, invariavelmente, falam de Educação. Também, ao ler os jornais e revistas do burgo, não faltam referências (muitas!) à tal Educação. Os programas de televisão que vejo (e confesso que gostaria de ver mais do que vejo), falam, também eles, da Educação. E são chamados a fazê-lo inúmeros "colunáveis", fazedores de opinião, ministros e antigos ministros, colegas docentes, e até pessoas que, parecendo que sim, não têm nada que ver, directamente, com este mundo.
Como docente, sinto-me feliz.
Relembro, constantemente a frase que diz que "Falem de mim. Mal ou bem, falem de mim!"
Pegando nesta frase, é com comoção que me alegro, porque, há muitos anos que tento falar de Educação e ninguém (ou quase ninguém) me dá ouvidos...
Falei do crime que era eleger alguns dos nossos colegas para os Conselhos Executivos criados com a 115/A, pois sentia, na altura, que os estávamos, tão simplesmente, a afastar de nós (e com eles o que de prejudicial nos parecia que representavam na escola, na sala de aula, na sala de professores...), como se, dessa forma, os "estigmatizássemos"...
Falei do crime que era converter os mesmos profissionais em funcionários de duas categorias diferentes (educadores de infância e restantes docentes), por ocasião da Alteração do Calendário Escolar para o Pré-Escolar, e que poucos "ouviram"...
Falei do crime que era a possibilidade de os sindicatos se poderem "vender" em detrimento do nosso (dos docentes!) interesses comuns quando da alteração do ECD e posterior aprovação de um novo texto...
Falei também do facto de os "velhos professores", muitas vezes (e eu senti, e sinto isso na pele!) olharem para os "novos professores" como "pau para toda a obra", atribuindo-lhes as turmas de que não gostavam, que não queriam, que não os "motivavam"...
Falei ainda do facto de não haver, efectivamente, reconhecimento do Mérito dos docentes (de todos os docentes!), nomeadamente nas coisas que fazem (muito!) bem...
Falei também da necessidade de todos nós (docentes e não só) nos unirmos em volta das questões pedagógicas e educativas, e saber valorizá-las como definidoras da nossa razão de ser e de estar nesta profissão...
E, por último, falei também da necessidade de, em todos os momentos, em qualquer momento, afirmarmos, de forma democrática e consciente, consistente e persistentemente (no seio da nossa escola, dos órgãos que nos "dirigem", nas associações e sindicatos que nos representam e até mesmo na nossa família...)a nossa especificidade e competência.
Mas, ao que parece, fui dos únicos.
Se todos tívessemos falado, participado, contribuído, se calhar, falaríamos agora de Educação por outras razões.
Reflicta-se nisto. E já agora, alguns dos textos em que "falei disto", estão por aqui arrumados...

12 de novembro de 2008

"Não queremos aulas de substituição"

O título deste "post" é quase uma parábola à Educação em Portugal, neste momento.
Lia-se num dos cartazes empunhados por um dos alunos que, claramente por sua própria iniciativa, se manifestava em frente a uma escola onde a Ministra se deslocou para mais uma das imensas festas que são convenientes em ano pré eleitoral.
Mas o notório da situação (e aquilo que nos terá de fazer parar para pensar) é mesmo o conteúdo da frase: "Não queremos aulas de substituição".
É assim que estamos.
Não queremos aulas de substituição, não queremos ser substituídos e, mais que tudo, não quermos que substituam nada!
Andamos há muito tempo por aqui a criticar o colega que falta desalmadamente, os alunos que, não tendo aulas por falta deste ou daquele colega acabam por fazer coisas que não devem (ou não deveriam), o facto de os nossos filhos, quando não têm aulas, não saberem aproveitar o tempo, e, a nossa incapacidade de "fazer alguma coisa". Mas se a tónica é: "façamos algo!", logo surge o cartaz: ""Não queremos aulas de substituição".
Pois é. O melhor é não substituirmos nada. Deixemos como está. Deixemos a escola aberta só até às 15.30h, deixemos a escola com buracos no chão e com água a escorrer pela parede e deixemos a escola sem material.
Depois falamos...

11 de novembro de 2008

Sobre professores, ministras e outras coisas...

Há já algum tempo que, infelizmente, não passava por cá.
O meu último "post" falava de tristeza, de tempo ocupado, de pouca clareza, de confusão...
Há algum tempo que não passava por cá, mas a razão é a mesma.
Mas agora, depois de uma manifestação em que muitos dos colegas participaram, mais uma vez (e esta é a minha opinião) motivados por muito mais do que aquilo que realmente pareceu (a mim e a todos os que, ou não são docentes, ou não os compreendem!), tive de vir cá deixar a minha opinião (ou, pelo menos, a explicitação das minhas ideias...).
Agora, anunciaram, foram 120 mil! E, para a grande parte dos que lá estiveram, ficou a impressão que "agora é que foi!".
Nada mais errado. Mais uma vez de nada serviu (nem servirá!). Infelizmente (e tenho-o dito aqui, algumas vezes) não será com manifestações, mas sim com acções concretas e claras, nas escolas, junto das famílias, na relação diária com o empregado do café, da mercearia e do cableireiro que temos de clarificar a nossa posição.
Sou o único docente de uma família de muitos irmãos. Continuo a ouvir, nas reuniões familiares, o que não quero nem gosto de ouvir. Sou tio de sobrinhos e sobrinhas que frequentam a escola pública. Continuo a ouvir (e a ver) coisas que não quero nem gosto de ouvir e de ver. Sou docente numa escola grande, com muitos professores e professoras. E continuo a ver, a ouvir e a sentir o que não quero nem gosto.
É fácil olhar para o lado e ser implacável. É fácil criticar e sugerir mudanças nos outros...
O que é mais difícil é saber que temos também de mudar.
E este é um alerta especial aos sindicatos e aos movimentos sindicais...
Que discurso é o do Professor que vai para uma manifestação exigir a demissão de uma Ministra que diz, em voz alta, o que ouvimos todos os dias em surdina?
Que professor critica um Estatuto da Carreira Docente que torna evidente o que andou a defender durante muitos anos? parece que nos esquecemos que também somos pais...
Pois é. Parece que já nos esquecemos. E o pior é que os que agora criticam são os que chegaram até ao topo da carreira sem esforço, e que, no meu entender, nem se preocuparam muito com o estado "a que isto chegou"...
De que serve uma manifestação de 100 mil se, no dia seguinte, se aprova uma lei que permite que "deputados, presidentes de Câmara e sindicalistas" atinjam a carreira superior (Professor Titular) sem sequer estar na Escola????
Há que pensar (bem) nisto!

22 de outubro de 2008

Desmotivador!

Há dias assim!
Há dias em que apetece viajar para longe, emigrar, ir à Lua ou pura e simplesmente desaparecer. E, no que me diz respeito, estes dias demoram a chegar. Mas quando chegam...
Envolvidos que estamos num turbilhão de opiniões, acções, ideias, sugestões, grelhas e avaliações, sobra-nos pouco tempo (ou nenhum!) para as coisas realmente importantes.
Tenho sentido, ultimamente, que quem paga a factura têm sido os meus alunos.
Têm pago uma factura demasiado alta. E apesar de eu, por princípio, nunca faltar, tem havido momentos em que eu não estou.
Não estou porque estou a pensar no que fizeram à educação. Não estou porque não consigo deixar de me envolver em outras reflexões. Não estou porque, além da coisa mais importante para mim (estar com os meus alunos e dar-lhes um bocadinho de mim a cada minuto), também me é importante reflectir a educação de uma forma mais global e geral.
Claro que me interessa reflectir, discutir, criar e avaliar (todos) os processos da Educação. E claro que me interessa (muito) participar activamente na minha Avaliação (aproveito para dizer que acho até que é o mais fundamental), mas não posso de exasperar com o que tem acontecido.
E o que tem acontecido?
Muitas coisas, e quase todas não muito boas.
Reflexões inúteis e espúrias, pessoas a exacerbarem as suas funções e aptidões, sistemas inadequados e, infelizmente, muito pouca clareza de raciocínio.
O que estamos a fazer à Educação?
Tenho pena. Tenho muita pena.
O que me parece é que há como que uma tentativa de fazer mal de forma consciente e propositada. E, sinceramente não sei quem possa ganhar com isso!
Mas pode ser apenas uma má interpretação minha. Espero que sim!

5 de outubro de 2008

Dia do(s) Professor(es)...

Neste nosso burgo, há como que uma coincidência muito feliz: o Dia do Professor é o mesmo do Dia da Implantação da República.
Não estivessemos nós em constante aflição e desespero, até poderiamos achar esta coincidência como uma espécie de "sinal dos céus"...
Hoje, ao ouvir o nosso Presidente da República a proferir o seu discurso de celebração(?) da implantação da República, e a páginas tantas, quando ele referia a "necessidade de excelência na Educação, como forma de (...) preparar o futuro", pus-me a pensar o que é que nós, professores, deveríamos fazer para cumprir escrupulosamente essa intenção.
E por mais voltas que tenha dado, só me lembrei de algumas coisas que não deveríamos fazer. A saber:
1. Não desvalorizar a nossa competência técnica e pedagógica, com comportamentos seguidistas;
2. Não facilitar a vontade do ME de apresentar resultados magníficos dos alunos (nomeadamente não permitindo que os momentos de avaliação externa produzam resultados "fantasma");
3. Não compactuar com irregularidades sérias e manifestarmo-nos contra elas nos momentos indicados (Conselhos Pedagógicos, Assembleias de Escola/Conselhos Gerais Transitórios, etc.);
4. Não baixar os braços e achar que "isso é só para os outros";
5. Não entrar em "cavalarias" mas também evitar o descontrole, nomeadamente através da produção de mais burocracia na Escola (estamos sempre a acusar o executivo de transformar o processo de avaliação em mais trabalho burocrático para os professores, mas esquecemo-nos que somos nós que o estamos a produzir...);
6. Não nos ausentarmos da possibilidade de escolher outro caminho (designadamente, votando e apresentando listas e ideias que defendemos);
7. Não acharmos que "Não há nada a fazer!", pois há, e é possível fazer;
8. Não deixarmos passar a oportunidade de mostrarmos que o que fazemos, fazemos bem e é meritório (nomeadamente divulgando, de forma clara, a qualidade do que fazemos);
9. Não desistirmos e;
10. acima de tudo, Não estragarmos o que fizemos bem!
Apesar de parecer negativista, tal a repetição da negativa, acreditem que esta pretende ser uma mensagem positiva, pois eu Acredito!
Bom Dia do Professor!