Terei, em breve, quarenta anos.
Posso dizer que já me cansa (bastante!) ouvir dizer que "vais amolecendo", "vais aprender a desvalorizar isso", "mantém-te na tua linha, porque essas coisas não te podem afetar..."
Mas, confesso, afetam-me as situações que motivam essas "declarações" de simpatia.
Afeta-me a hipocrisia, a falta de frontalidade, os subterfúgios incompetentes e mesquinhos, a falta de coragem para afirmar (e manter!) uma opinião, um ponto de vista.
Confesso que, ao longo do meu percurso profissional já errei muitas vezes, demasiadas até, mas, olhando para trás, sempre tive a frontalidade (ou mesmo a humildade) de reconhecer os meus erros e aprender com eles.
Contudo, o meu currículo, o reconhecimento que tenho tido do que faço são, sem dúvida, os "imputs" positivos que prevalecem na hora de continuar.
Mas já cansa.
Fazerem de mim a ideia pelo "que ouviram", ou pretender que a minha postura é situacional são as maiores agressões que posso sofrer.
Ao contrário da prática comum (e refiro, fundamentalmente, o meu espaço profissional, se bem que, em termos pessoais não sou diferente!), o que faço, quer se queira quer não, faço-o em prol de um bem comum. Nunca, em toda a minha vida utilizei as costas dos outros para subir mais alto.
Quem me conhece (e conhecer de comigo fazer, de comigo partilhar, de comigo Ser!) sabe que sou (e mesmo quando sinto que não sou, faço por ser) um elemento de equipa.
Sou, em termos profissionais, um "agente destabilizador". Reconheço-o.
Mas sei também que me norteia a vontade de fazer pensar, de fazer refletir, de partilhar, de propor para fazer. Mas, acima de tudo, sou o primeiro a fazer o que defendo.
Neste mundo da Educação em que me movo, tenho aprendido (com imensa dificuldade em o aceitar) que uma parte importante dos que cá andam não perdem muito (ou nenhum) tempo a pensar o que fazem.
Fazem porque "sempre fizeram". Fazem porque "é assim".
E, pior que tudo, ficam "enxonfrados" quando confrontados com a sua "imobilidade", com a sua ignorância, com a sua incompetência.
São estes a "Primas Donnas". Acham que nunca desafinam.
Tenho tido a capacidade de aprender com os meus erros e nunca os repito. É uma questão de seriedade e credibilidade. Para com os outros, mas, sobretudo, para mim.
E, na Educação, é fundamental sabermos que, mais do que "simples pessoas", somos MODELOS: nas relações, nas competências, nas dúvidas, na humildade...
Dói-me bastante que "jogar para ganhar", de forma ética e responsável seja, normalmente, confundido com vaidade, prepotência, desrespeito.
Imoral e pouco ético é mudar as regras do jogo a meio, por vontade do "árbitro" ou por "desistência" dos adversários.
Jogo para ganhar. É uma verdade. Querer obter a graduação de Excelente, num sistema de graduação em que o topo é, isso mesmo: Excelente, não tem de ser uma "imoralidade" ou um crime de "lesa majestade".
Já aqui o escrevi e volto a dizer: se a palavra escolhida pelo "sistema", para definir a classificação quantitativa situada entre o 9 e o 10 se chamasse "Porco", eu faria por ter "PORCO"!
Que será de nós quando passarmos a ter de dizer que não atribuímos o valor 20 a um aluno nosso porque a Universidade só "aceita" uns quantos "excelentes alunos"? Mandamos os outros para trás, ou aumentamos o "leque de escolhas universitárias"?
Mas, infelizmente, a maior parte dos agentes, de certeza, não faz um esforço para compreender (ou pelo menos refletir) o que aqui está em causa.
E, pior que tudo isso, custa-me que não sejam capazes de ultrapassar algumas das suas dificuldades em partilha.
Pois...
Partilhar é lixado!
E não se "aprende" na escola...
2 de Fevereiro de 2012
23 de Janeiro de 2012
Poupar... Ou talvez não.
Nestes últimos dias tenho (por força das inúmeras notícias que tenho ouvido, lido, comentado...) refletido seriamente sobre o conceito (e o problema!) de Poupança (ou, por outras palavras, de Crise!).
Nestes dias de cada vez mais austeridade (ou será autoridade?), uma das ideias chave é a necessidade de poupança, aliada à necessidade imperiosa de "gastar menos".
Ouvimo-lo, diariamente, nas mais variadas situações, mas, como acaba pos ser normal, não prestamos a atenção exigível, nem sequer fazemos um esforço de compreensão do que nos pedem.
O enfoque que nos é dado pelo Estado (através dos seus - nossos - representantes eleitos) é de que a imagem de poupança surge associada à necessidade de: a) cortar nas despesas; b) diminuir custos supérfluos; c) readequar os custos e d) produzir mais (e, acrescento eu, melhor!).
De todas as estratégias que têm sido apresentadas, é notório uma quase "culpabilização" da "máquina do Estado" como fator decisivo do crescente endividamento do setor público e administrativo do país.
Não nego.
É, por demais evidente, que é o Estado quem paga o desenvolvimento.
Mas valeria a pena parar para analisar alguns dados:
1. As despesas que fizeram disparar, nos últimos anos, a despesa do Estado são, quase todas, despesas de desenvolvimento. Nestas despesas de desenvolvimento, surgem, à cabeça, as Parcerias Público Privadas (PPP). Se quisermos um maior enfoque, as PPP são, fundamentalmente, oriundas dos ministérios da Defesa, Economia, dos Transportes e Obras Públicas e da Saúde. Nestas (como é óbvio!), surgem à cabeça a construção de estradas, de hospitais e de "investimento estrangeiro", e, a cereja no topo do bolo, a compra de submarinos.
Para não entrar em pormenores, detenho-me apenas na estradas: que país do tamanho do nosso tem três auto-estradas que ligam as duas principais estradas do país, autoestradas que ligam eixos centrais a cidades(?) com menos de 20 mil habitantes e, não menos importante, que país europeu tem 86% das suas autoestradas numa faixa longitudinal de 20km?
2. É comum"culpar-se" os funcionários públicos do "gasto" excessivo do estado (volto a não negar!), mas, é interessante "escalpelizar" estas afirmações. Os funcionários públicos (fp) (imensos, não nego novamente!) representam uma despesa fixa de cerca de 27% das despesas do Estado. Ou seja, pouco mais de um quarto. Destes, 13% representam quadros intermédios e superiores. De entre os quadros médios e superiores, cerca de 40% correspondem a cargos de chefias...
Ora, depois destes dados, não será essencial a pergunta: para quê tantos chefes?
3. Por último, e ainda na perspetiva da despesa, é ainda pertinente fazer algumas perguntas: se os fp são tão "gastadores" e se "não produzem", porque razão é tão fundamental a corrida aos "jobs" que, após cada eleição, se verifica? Será porque os tais "fp" que não produzem são aqueles que apenas "vivem" dos favores e benesses que o Estado concede, como os "abonos suplementares" tão em voga neste início de ano? Se assim é, penso que é chegada a hora de, com os meios que nos são acometidos, fazer alguma coisa.
É indigno que eu, enquanto funcionário público, seja "confundido" com os lorpas e parasitas que por aí vegetam.
E a forma de mostrar a indignação não passa, no meu entender, por todas aquelas "sugestões" do costume, em que "as eleições", "os sindicatos" e "a vida" surgem (não por esta ordem) como "formas de agir".
A ação deve (tem de) ser localizada e contínua: nos nossos locais de trabalho, mostrando aos pares a nossa razão; nos nossos locais de trabalho, reforçando a razão dos nossos pares; nos nossos locais de trabalho, refletindo sobre o que fazemos e porque fazemos e, consequentemente, recusando o que nos é imposto sem justificação; nos nossos locais de trabalho, unindo e não dividindo; nos nossos locais de trabalho, colaborando e cooperando e, por fim, nos nossos locais de trabalho, justificando, individualmente, a confiança que nos foi depositada por todos aqueles que necessitam de um Estado forte: ou seja, as pessoas!
Podem estas palavras parecer irrelevantes, mas acredito que, se cada um de nós as refletir seriamente, encontrará a razão da sua existência, até porque enquanto "assobiarmos" para o lado ou projetarmos no "vizinho" as nossas frustrações (ou, em português legítimo, a nossa "dor de cotovelo"), nunca deixaremos de "gastar"...
Experimentem!
Nestes dias de cada vez mais austeridade (ou será autoridade?), uma das ideias chave é a necessidade de poupança, aliada à necessidade imperiosa de "gastar menos".
Ouvimo-lo, diariamente, nas mais variadas situações, mas, como acaba pos ser normal, não prestamos a atenção exigível, nem sequer fazemos um esforço de compreensão do que nos pedem.
O enfoque que nos é dado pelo Estado (através dos seus - nossos - representantes eleitos) é de que a imagem de poupança surge associada à necessidade de: a) cortar nas despesas; b) diminuir custos supérfluos; c) readequar os custos e d) produzir mais (e, acrescento eu, melhor!).
De todas as estratégias que têm sido apresentadas, é notório uma quase "culpabilização" da "máquina do Estado" como fator decisivo do crescente endividamento do setor público e administrativo do país.
Não nego.
É, por demais evidente, que é o Estado quem paga o desenvolvimento.
Mas valeria a pena parar para analisar alguns dados:
1. As despesas que fizeram disparar, nos últimos anos, a despesa do Estado são, quase todas, despesas de desenvolvimento. Nestas despesas de desenvolvimento, surgem, à cabeça, as Parcerias Público Privadas (PPP). Se quisermos um maior enfoque, as PPP são, fundamentalmente, oriundas dos ministérios da Defesa, Economia, dos Transportes e Obras Públicas e da Saúde. Nestas (como é óbvio!), surgem à cabeça a construção de estradas, de hospitais e de "investimento estrangeiro", e, a cereja no topo do bolo, a compra de submarinos.
Para não entrar em pormenores, detenho-me apenas na estradas: que país do tamanho do nosso tem três auto-estradas que ligam as duas principais estradas do país, autoestradas que ligam eixos centrais a cidades(?) com menos de 20 mil habitantes e, não menos importante, que país europeu tem 86% das suas autoestradas numa faixa longitudinal de 20km?
2. É comum"culpar-se" os funcionários públicos do "gasto" excessivo do estado (volto a não negar!), mas, é interessante "escalpelizar" estas afirmações. Os funcionários públicos (fp) (imensos, não nego novamente!) representam uma despesa fixa de cerca de 27% das despesas do Estado. Ou seja, pouco mais de um quarto. Destes, 13% representam quadros intermédios e superiores. De entre os quadros médios e superiores, cerca de 40% correspondem a cargos de chefias...
Ora, depois destes dados, não será essencial a pergunta: para quê tantos chefes?
3. Por último, e ainda na perspetiva da despesa, é ainda pertinente fazer algumas perguntas: se os fp são tão "gastadores" e se "não produzem", porque razão é tão fundamental a corrida aos "jobs" que, após cada eleição, se verifica? Será porque os tais "fp" que não produzem são aqueles que apenas "vivem" dos favores e benesses que o Estado concede, como os "abonos suplementares" tão em voga neste início de ano? Se assim é, penso que é chegada a hora de, com os meios que nos são acometidos, fazer alguma coisa.
É indigno que eu, enquanto funcionário público, seja "confundido" com os lorpas e parasitas que por aí vegetam.
E a forma de mostrar a indignação não passa, no meu entender, por todas aquelas "sugestões" do costume, em que "as eleições", "os sindicatos" e "a vida" surgem (não por esta ordem) como "formas de agir".
A ação deve (tem de) ser localizada e contínua: nos nossos locais de trabalho, mostrando aos pares a nossa razão; nos nossos locais de trabalho, reforçando a razão dos nossos pares; nos nossos locais de trabalho, refletindo sobre o que fazemos e porque fazemos e, consequentemente, recusando o que nos é imposto sem justificação; nos nossos locais de trabalho, unindo e não dividindo; nos nossos locais de trabalho, colaborando e cooperando e, por fim, nos nossos locais de trabalho, justificando, individualmente, a confiança que nos foi depositada por todos aqueles que necessitam de um Estado forte: ou seja, as pessoas!
Podem estas palavras parecer irrelevantes, mas acredito que, se cada um de nós as refletir seriamente, encontrará a razão da sua existência, até porque enquanto "assobiarmos" para o lado ou projetarmos no "vizinho" as nossas frustrações (ou, em português legítimo, a nossa "dor de cotovelo"), nunca deixaremos de "gastar"...
Experimentem!
13 de Janeiro de 2012
Um novo ano, muitas dificuldades mas algumas certezas...
Hoje tenho andado a interrogar-me sobre o "porquê" das nossas decisões.
O desafio do Doutoramento foi, à partida, um desafio pessoal, aceite inquestionavelmente por ser (ou representar!), acima de tudo, um passo no caminho do conhecimento pessoal, social e cultural.
A escolha do tema mais geral (vulgo especialidade), a escolha da Universidade, a escolha das caraterísticas e condicionantes foi ditada pelo que admiti serem as que melhor me responderiam em termos pessoais e profissionais.
Não obstante as dúvidas, é claro que as certezas que advieram da reflexão permanente são suficientemente fortes para serem seguidas.
Mas, neste momento, questiono tudo.
Que país é este que, pura e simplesmente despreza o conhecimento, o esforço, o mérito?...
Que país é este em que, para se ter sucesso (pessoal, profissional, social...) é mais importante participar num programa de televisão de duvidosa qualidade do que investir nas suas competências pessoais e profissionais e lutar, diariamente, por "fazer a diferença", aumentando, de forma consciente, a qualidade palpável da sua praxis?
Que país é este que apela à imigração?
Questiono e duvido de tudo.
Para além do auto-prazer de investir no conhecimento, para que me servirá investir no conhecimento?
Se a resposta for: "Emigra!", peço-vos, desde já, desculpa, mas, por defeito de educação sempre acreditei que se muda fazendo. Dando o peito às balas...
Ficando.
Não fugindo!
O desafio do Doutoramento foi, à partida, um desafio pessoal, aceite inquestionavelmente por ser (ou representar!), acima de tudo, um passo no caminho do conhecimento pessoal, social e cultural.
A escolha do tema mais geral (vulgo especialidade), a escolha da Universidade, a escolha das caraterísticas e condicionantes foi ditada pelo que admiti serem as que melhor me responderiam em termos pessoais e profissionais.
Não obstante as dúvidas, é claro que as certezas que advieram da reflexão permanente são suficientemente fortes para serem seguidas.
Mas, neste momento, questiono tudo.
Que país é este que, pura e simplesmente despreza o conhecimento, o esforço, o mérito?...
Que país é este em que, para se ter sucesso (pessoal, profissional, social...) é mais importante participar num programa de televisão de duvidosa qualidade do que investir nas suas competências pessoais e profissionais e lutar, diariamente, por "fazer a diferença", aumentando, de forma consciente, a qualidade palpável da sua praxis?
Que país é este que apela à imigração?
Questiono e duvido de tudo.
Para além do auto-prazer de investir no conhecimento, para que me servirá investir no conhecimento?
Se a resposta for: "Emigra!", peço-vos, desde já, desculpa, mas, por defeito de educação sempre acreditei que se muda fazendo. Dando o peito às balas...
Ficando.
Não fugindo!
21 de Dezembro de 2011
Uma noite Feliz...
Quando, de repente, se olha para o título deste post, vem-nos à ideia aquele sentimento batido que nos diz que a noite de Natal é uma noite de esperança, de alegria, de família...
Quando se fala de "noite feliz", por esta altura, é impensável não estarmos a falar da Noite de Natal, mas, neste caso em particular, a minha reflexão pretende ser um pouco mais lata.
A noite a que me refiro não é (ou melhor, não "é apenas") a de Natal.
A noite que me refiro, e quase como metáfora, é a noite em que vamos entrar nos próximos tempos: uma noite de descrença, desilusão, desespero...
Ainda ontem, quando passeava por um dos centros comerciais da capital, e observava os transeuntes, qual formiguinhas, nos seu afã "natalício", a deambularem por lojas, a discutirem o melhor preço, a pensar no que dar a quem já tem tudo o que não precisa e lhe falta o fundamental, me interroguei sobre o efeito da crise na carteira destes tão ocupados cidadãos.
Até agora, a crise é (foi) muito mais uma ideia, um cenário, que propriamente um efeito sentido. Apesar de tudo, as carteiras,que estão "meias", ainda não estão, realmente, vazias. Há como que um "caminhar em frente", tão caraterístico dos portugueses que lhe permite acharem que "tudo se resolverá".
O próximo ano começará com um aumento brutal no consumo (em média, mais 23%), uma efetiva diminuição do poder de compra (os efeitos da redução salarial), e, "aquelas contas" que ficavam para pagar nas férias não podem mais ser suportadas pelos subsídios que não vão chegar.
Esta é, verdadeiramente, a "noite" que se aproxima.
E "noites" semelhantes a esta têm trazido, consigo, muito más notícias.
Na maior parte das vezes, trazem formas de fazer e de estar contrárias a tudo aquilo em que fomos educados, a tudo aquilo que aprendemos a aceitar.
Foram noites como esta que surgiram no nascimento de alguns (senão todos) os momentos de rotura do quotidiano (e especialmente o ocidental) de milhões de pessoas que se dizem democratas, solidários, cooperantes e altruístas.
Foram noites como estas que nos trouxeram a Inquisição, as tiranias, os Nacionalismos exacerbados, os crimes contra a humanidade...
Foram noites como estas que nos trouxeram aqui.
Se tivermos a coragem de "consultar" a história que nos trouxe até aqui, saberemos fazer desta noite uma Noite Feliz. Mas para isso temos de saber que as noites felizes chegaram pela mão dos que não se resignaram.
Dos que não desistiram.
Mas, independentemente de tudo isso, que estas sejam, realmente, as melhores festas que podemos ter!
Quando se fala de "noite feliz", por esta altura, é impensável não estarmos a falar da Noite de Natal, mas, neste caso em particular, a minha reflexão pretende ser um pouco mais lata.
A noite a que me refiro não é (ou melhor, não "é apenas") a de Natal.
A noite que me refiro, e quase como metáfora, é a noite em que vamos entrar nos próximos tempos: uma noite de descrença, desilusão, desespero...
Ainda ontem, quando passeava por um dos centros comerciais da capital, e observava os transeuntes, qual formiguinhas, nos seu afã "natalício", a deambularem por lojas, a discutirem o melhor preço, a pensar no que dar a quem já tem tudo o que não precisa e lhe falta o fundamental, me interroguei sobre o efeito da crise na carteira destes tão ocupados cidadãos.
Até agora, a crise é (foi) muito mais uma ideia, um cenário, que propriamente um efeito sentido. Apesar de tudo, as carteiras,que estão "meias", ainda não estão, realmente, vazias. Há como que um "caminhar em frente", tão caraterístico dos portugueses que lhe permite acharem que "tudo se resolverá".
O próximo ano começará com um aumento brutal no consumo (em média, mais 23%), uma efetiva diminuição do poder de compra (os efeitos da redução salarial), e, "aquelas contas" que ficavam para pagar nas férias não podem mais ser suportadas pelos subsídios que não vão chegar.
Esta é, verdadeiramente, a "noite" que se aproxima.
E "noites" semelhantes a esta têm trazido, consigo, muito más notícias.
Na maior parte das vezes, trazem formas de fazer e de estar contrárias a tudo aquilo em que fomos educados, a tudo aquilo que aprendemos a aceitar.
Foram noites como esta que surgiram no nascimento de alguns (senão todos) os momentos de rotura do quotidiano (e especialmente o ocidental) de milhões de pessoas que se dizem democratas, solidários, cooperantes e altruístas.
Foram noites como estas que nos trouxeram a Inquisição, as tiranias, os Nacionalismos exacerbados, os crimes contra a humanidade...
Foram noites como estas que nos trouxeram aqui.
Se tivermos a coragem de "consultar" a história que nos trouxe até aqui, saberemos fazer desta noite uma Noite Feliz. Mas para isso temos de saber que as noites felizes chegaram pela mão dos que não se resignaram.
Dos que não desistiram.
Mas, independentemente de tudo isso, que estas sejam, realmente, as melhores festas que podemos ter!
14 de Dezembro de 2011
Feliz Natal, Bom Ano Novo, ou o início de qualquer coisa igual a tantas outras?...
Tenho cada vez mais a certeza de que aquilo que sou e aquilo que pareço é, cada vez mais, definido não pelo que, na verdade pretendo que seja, mas pelo que os "outros" acham que deve ser.
Chegados que estamos ao final de mais um ano (civil, que o letivo ainda nem a meio está!), começo a sentir aquela sensação estranha de que, nem com a crise (tão falada e propalada), nem mesmo com as mudanças operadas nos diversos setores da vida quotidiana, se dissipa, na época natalícia, a maldade, a inveja, a mesquinhez e a incongruência...
Tenho por princípio (que não delego nem renego) que a solidariedade, a partilha, a justiça e a bondade não são valores eminentemente cristãos.
São valores humanos.
Tenho por defesa (destes meus princípios) uma ação constante (quer em termos profissionais, quer pessoais) de participação, de igualdade, de equidade na ação, na decisão, no desenvolvimento de estratégias, na análise, na avaliação...
Por tudo isto (e muito mais), tenho construído uma espécie de "imagem" que, na maior parte das vezes não corresponde ao que os "outros" vêem.
A minha luta (por vezes inglória!) por igualdade (nas oportunidades), por equilibro (nas relações), por envolvimento (nas atividades), pelo respeito (pelo outro), é, na maior parte das vezes, confundida e mal interpretada.
E, acima de tudo, porque profissionalmente o devo fazer também, não cedo a interpretações pessoais, a análises sumárias ou a julgamentos convencionais.
O que fazemos no tempo de duração da nossa vida não é avaliado pelos que nos rodeiam, mas pelo que deixamos.
Concedo que, por vezes também, não me dou ao trabalho de justificar, de satisfazer a curiosidade ou, simplesmente, de me disponibilizar para dialogar no mesmo nível mas sei que esta atitude pode ser interpretada e apelidade de petulância, de presunção ou mesmo de vaidade.
Não me interessa. Sinceramente, não me interessa.
Mas continuo a sentir algum incómodo quando me dizem: "Afinal tinhas razão!".
E se querem saber, dizem-me muito mais vezes do que seria (para quem de mim tem a ideia que tem) natural.
E ainda pior do que me dizerem isso, é dizerem-me que uma determinada "minha ideia", por que me bati até à exaustão, por a considerar fundamental, pertinente e exequível, com efeitos práticos de mudança, de melhoria e/ou de crescimento qualitativo, "acabou por ser assumida" como um "projeto de um grupo de pessoas" (onde, normalmente, estão aqueles que a combateram, que me desrespeitaram e que a não merecem!), e que será "fundamental para a nova organização".
Mas, muito pior do que tudo o resto, é quando a imagem que os outros constroem sobre quem eu sou e como sou se torna muito mais importante, credível e justificada do que a imagem daquilo que, realmente, sou.
Não sou cristão. Sou humano!
E acredito que os valores fundamentais, na sua mais vasta expressão, são aqueles que nos devem orientar.
Mas para que nos "comentem", é preciso que nos conheçam. E conhecer não é "saber por..."
A todos os que me querem bem, e com os quais conto para continuar este caminho mas, especialmente aos que não "me querem bem", a quem agradeço a minha dedicação e envolvimento (porque algum dia terão de mudar!), os votos sinceros de que esta época, caraterizada por ser um tempo de bondade, sirva para reflexões profundas e, acima de tudo, sérias.
Para com cada um de vós e para com todos nós.
Boas Festas!
Chegados que estamos ao final de mais um ano (civil, que o letivo ainda nem a meio está!), começo a sentir aquela sensação estranha de que, nem com a crise (tão falada e propalada), nem mesmo com as mudanças operadas nos diversos setores da vida quotidiana, se dissipa, na época natalícia, a maldade, a inveja, a mesquinhez e a incongruência...
Tenho por princípio (que não delego nem renego) que a solidariedade, a partilha, a justiça e a bondade não são valores eminentemente cristãos.
São valores humanos.
Tenho por defesa (destes meus princípios) uma ação constante (quer em termos profissionais, quer pessoais) de participação, de igualdade, de equidade na ação, na decisão, no desenvolvimento de estratégias, na análise, na avaliação...
Por tudo isto (e muito mais), tenho construído uma espécie de "imagem" que, na maior parte das vezes não corresponde ao que os "outros" vêem.
A minha luta (por vezes inglória!) por igualdade (nas oportunidades), por equilibro (nas relações), por envolvimento (nas atividades), pelo respeito (pelo outro), é, na maior parte das vezes, confundida e mal interpretada.
E, acima de tudo, porque profissionalmente o devo fazer também, não cedo a interpretações pessoais, a análises sumárias ou a julgamentos convencionais.
O que fazemos no tempo de duração da nossa vida não é avaliado pelos que nos rodeiam, mas pelo que deixamos.
Concedo que, por vezes também, não me dou ao trabalho de justificar, de satisfazer a curiosidade ou, simplesmente, de me disponibilizar para dialogar no mesmo nível mas sei que esta atitude pode ser interpretada e apelidade de petulância, de presunção ou mesmo de vaidade.
Não me interessa. Sinceramente, não me interessa.
Mas continuo a sentir algum incómodo quando me dizem: "Afinal tinhas razão!".
E se querem saber, dizem-me muito mais vezes do que seria (para quem de mim tem a ideia que tem) natural.
E ainda pior do que me dizerem isso, é dizerem-me que uma determinada "minha ideia", por que me bati até à exaustão, por a considerar fundamental, pertinente e exequível, com efeitos práticos de mudança, de melhoria e/ou de crescimento qualitativo, "acabou por ser assumida" como um "projeto de um grupo de pessoas" (onde, normalmente, estão aqueles que a combateram, que me desrespeitaram e que a não merecem!), e que será "fundamental para a nova organização".
Mas, muito pior do que tudo o resto, é quando a imagem que os outros constroem sobre quem eu sou e como sou se torna muito mais importante, credível e justificada do que a imagem daquilo que, realmente, sou.
Não sou cristão. Sou humano!
E acredito que os valores fundamentais, na sua mais vasta expressão, são aqueles que nos devem orientar.
Mas para que nos "comentem", é preciso que nos conheçam. E conhecer não é "saber por..."
A todos os que me querem bem, e com os quais conto para continuar este caminho mas, especialmente aos que não "me querem bem", a quem agradeço a minha dedicação e envolvimento (porque algum dia terão de mudar!), os votos sinceros de que esta época, caraterizada por ser um tempo de bondade, sirva para reflexões profundas e, acima de tudo, sérias.
Para com cada um de vós e para com todos nós.
Boas Festas!
26 de Novembro de 2011
Porque não confio nos sindicatos... principalmente em ocasiões de Greves gerais e outros momentos de "luta"...
Há uns anos, por ocasião da vontade do ex-Ministro David Justino (vejam lá os anos que passaram!...) mudar o Calendário Escolar para a Educação de Infância (que, lamentavelmente, conseguiu, sem que se baseasse em estudos sérios e credíveis!), numa reunião sindical (que, vejam lá, tinha as "conclusões" definidas no início!), que reuniu mais de 400 educadores de infância no Institut Franco-Portuguais, em Lisboa, apresentei algumas propostas que saíam do "esperado": nomeadamente modelos e processos de "informação/divulgação" às famílias e "opinião pública" sobre os benefícios da Educação Pré-escolar, a desenvolver com base na estrutura sindical, nos "tempos" das famílias (aos fins-de-semana, em locais de concentração de público - centros comerciais -, etc.).
Como conclusão: depois de vaiado e ofendido, após "manipulação" tão bem orquestrada pelos "delegados sindicais" presentes, a "conclusão" do encontro foi: "manifestação e greve"...
Escusado será dizer que, no final da reunião, entreguei o meu cartão de sindicalizado...
Serve a presente para ajudar a refletir os "efeitos" da Greve Geral...
Como conclusão: depois de vaiado e ofendido, após "manipulação" tão bem orquestrada pelos "delegados sindicais" presentes, a "conclusão" do encontro foi: "manifestação e greve"...
Escusado será dizer que, no final da reunião, entreguei o meu cartão de sindicalizado...
Serve a presente para ajudar a refletir os "efeitos" da Greve Geral...
22 de Novembro de 2011
Não é "porquê lutar", mas sim "como lutar"!
Em vésperas de uma Greve Geral, que alegam os situacionistas, será apenas "uma de muitas", ocorre-me a ideia de que nós somos o fruto da nossa ignomínia.
E porquê?
De uma forma simples e rápida:
- fomos nós quem criou os BPN deste país.
- fomos nós quem permitiu a ascensão dos intrujões que nos têm trazido pela mão.
- fomos nós quem se ausentou para ir para a praia.
- fomos nós quem ignorou os avisos de quem foi "nosso amigo".
- fomos nós quem preferiu um cartão de crédito e uma estadia na República Dominicana a descobrir Portugal.
- fomos nós quem aplaudiu a inauguração de uma auto-estrada que nos levou mais rápido até à porta de casa.
- e fomos nós quem, apesar dos avisos, mantivemos a nossa douta certeza.
Mas ainda:
- somos nós quem continua a "assobiar para o lado".
- somos nós quem, dia após dia, culpa o vizinho do lado, sem nunca ter tido a coragem de lhe fazer frente.
- somos nós quem continua a dar umas "palmadinhas nas costas" ao corajoso que vai dizer ao Armando Vara o que todos sentimos mas não temos coragem de dizer.
- somos nós que achamos que a Educação "está mal", mas continuamos a fazer "porque sempre fizemos".
- somos nós que desacreditamos, ignobilmente, os que tentaram (e tentam!) mostrar uma outra forma de fazer.
- somos nós que continuamos a estacionar o carro em cima do passeio apesar de sabermos que esse ato é impeditivo de uma acessibilidade plena para alguns...
No fundo, somos nós o resultado de nós!
Mais palavras para quê?
E, já agora, não farei greve (como nunca fiz!) por principio.
E para aqueles que me possam acusar de "viver à custa do esforço dos outros", apenas direi: e os que, durante este tempo todo, viveram à "custa" do meu trabalho, dedicação, assiduidade, empenhamento e qualidade (reconhecida)?
Pois, é que eu, ao longo destes muitos anos profissionais, sempre "puxei" mais do que muitos dos que me rodearam. E se a coisa está, agora, preta, que se tivessem lembrado que, um dia, chegaria a sua vez...
E porquê?
De uma forma simples e rápida:
- fomos nós quem criou os BPN deste país.
- fomos nós quem permitiu a ascensão dos intrujões que nos têm trazido pela mão.
- fomos nós quem se ausentou para ir para a praia.
- fomos nós quem ignorou os avisos de quem foi "nosso amigo".
- fomos nós quem preferiu um cartão de crédito e uma estadia na República Dominicana a descobrir Portugal.
- fomos nós quem aplaudiu a inauguração de uma auto-estrada que nos levou mais rápido até à porta de casa.
- e fomos nós quem, apesar dos avisos, mantivemos a nossa douta certeza.
Mas ainda:
- somos nós quem continua a "assobiar para o lado".
- somos nós quem, dia após dia, culpa o vizinho do lado, sem nunca ter tido a coragem de lhe fazer frente.
- somos nós quem continua a dar umas "palmadinhas nas costas" ao corajoso que vai dizer ao Armando Vara o que todos sentimos mas não temos coragem de dizer.
- somos nós que achamos que a Educação "está mal", mas continuamos a fazer "porque sempre fizemos".
- somos nós que desacreditamos, ignobilmente, os que tentaram (e tentam!) mostrar uma outra forma de fazer.
- somos nós que continuamos a estacionar o carro em cima do passeio apesar de sabermos que esse ato é impeditivo de uma acessibilidade plena para alguns...
No fundo, somos nós o resultado de nós!
Mais palavras para quê?
E, já agora, não farei greve (como nunca fiz!) por principio.
E para aqueles que me possam acusar de "viver à custa do esforço dos outros", apenas direi: e os que, durante este tempo todo, viveram à "custa" do meu trabalho, dedicação, assiduidade, empenhamento e qualidade (reconhecida)?
Pois, é que eu, ao longo destes muitos anos profissionais, sempre "puxei" mais do que muitos dos que me rodearam. E se a coisa está, agora, preta, que se tivessem lembrado que, um dia, chegaria a sua vez...
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